A História de Jefferson Pedrino: Usuário do Implante Coclear

Pessoal,

faz tempo que não publico um relato de leitor aqui, né? Semana passada (foi anterior ao concurso, ele me mandou para virar post mesmo) Jefferson me mandou esse relato, junto com as fotos, para compartilhar a história dele. Ele, como eu, é implantado já adulto e paciente do Dr. Robinson Koji.

Uma história muito bonita de como o implante faz diferença na vida de alguém que sente falta de ouvir bem.

Olá Lak!

Tenho acompanhado sempre seu blog e li também o seu livro, assim como o blog e o livro da Paula Pfeifer. Considero ótimo os vossos relatos sobre a vivência como surdas oralizadas.

Minha vivência não é muito diferente das vossas, porém já nasci com a deficiência auditiva e meus pais só perceberam quando eu tinha mais ou menos 02 anos de idade, quando resolveram me levar a um médico que logo diagnosticou meu problema como surdez bilateral congênita progressiva moderada a severa (hoje com a idade de 42 anos minha surdez é considerada profunda).

Mesmo com a deficiência auditiva, na época, o médico disse aos meus pais que eu deveria frequentar uma escola com classe de alunos especiais, mas com o passar do tempo meus pais resolveram me matricular em uma classe normal, começando do pré-primário até chegar a 2ª série do 1º grau (hoje ensino fundamental). Nesta 2ª série eu sentava sempre na primeira carteira e a professora me apoiava, sempre me olhando, para que eu pudesse fazer a leitura labial e escutar melhor de perto durante a aula. Com o passar do tempo, a professora chamou meus pais e disse a eles que deveriam procurar auxílio e colocar AASI (Aparelho de Ampliação Sonora Individual) em mim. Como na época era muito caro, o tempo foi se passando e consegui colocar somente no meu ouvido esquerdo aos 12 anos de idade e nunca deixei de usar.

Recordo que no ginásio tinha um colega que costumava sempre me provocar me chamando de “surdinho” e quando terminei o ginásio nunca mais o vi. Passado mais ou menos 20 anos, eis que encontro ele em uma fila de banco e ele me relatou o seu arrependimento por ter me chamado de “surdinho” naquela época; pois, hoje já casado, ele tem uma filha surda.

Faz 30 anos que uso o AASI e já usei vários modelos como intra-auricular, intra-canal, micro-canal e hoje uso o retro-auricular no ouvido direito. Desde os primeiros passos na escola até o dia atual uso a leitura labial e tenho muita facilidade com este tipo de comunicação e o mais engraçado disso é que, as pessoas que convivem comigo aprenderam a fazer a leitura labial de forma espontânea, até mesmo minha esposa.

Aos 13 anos de idade resolvi aprender a teoria e prática musical na igreja que frequento, toco trompete há 29 anos e amo fazer isso. Ensinei e ensino a música clássica a muitos alunos, além de regência da orquestra de mais ou menos 40 músicos, ouvintes normais, que estão sob minha responsabilidade faz 18 anos. O interessante é que, na parte musical, muitos se surpreendem com a facilidade que tenho em afinar os instrumentos musicais (graças a Deus) mesmo usando os aparelhos auditivos.

Há 21 anos me formei no colégio como técnico em contabilidade e no ano passado (2013) me formei em Nível Superior de Gestão em Logística e trabalho atualmente no faturamento em uma empresa de química e o interessante é que mesmo com o AASI eu falo ao telefone com muitas pessoas.

No ano passado, depois de adquirir várias informações sobre o Implante Coclear, não despertou em mim interesse, mas conversando com uma amiga que estava com problemas de surdez, a mesma me informou que ela tinha feito uma cirurgia no ouvido direito e que estava escutando normal novamente, e me indicou o Dr. Robinson Koji Tsuji e nisso me empolguei em fazer uma consulta com este médico através do plano de saúde que uso pela empresa, pensando em fazer uma cirurgia semelhante a dela (não é implante coclear), mas chegando no consultório, o médico me informou que meu caso somente seria resolvido através do implante coclear e fiquei triste na hora que ele me deu esta informação, mas ele com o “jeitinho” dele me explicou com mais detalhes como funciona, me mostrou o processador e tudo mais e conseguiu me convencer em fazer os exames com a psicóloga, fonoaudióloga e outros. E com a autorização do plano de saúde que pagou tudo, no dia 17/01/2014 fiz a cirurgia e dia 25/02/2014 ativei meu implante coclear no ouvido esquerdo. Uso atualmente o IC no ouvido esquerdo e no direito o AASI. Para minha surpresa e alegria, atualmente tenho ótimo progresso na comunicação com o IC, estou escutando sons que nunca escutei e sons que escutava na adolescência com o AASI (que com o tempo foi se perdendo) além de percepção sonora mais eficaz na parte musical a qual atuo. Na varanda da minha casa tem um casal de Corruíra, cuja fêmea está chocando alguns ovos e pela manhã tenho tentado espantar eles, pois começam a cantar tão alto que as vezes até irrita, mas vou me acostumar. Sem contar que em uma noite estava estudando minhas lições musicais com meu trompete, escutei por 1 hora mais ou menos um grito forte e perguntei para a minha esposa que som era aquele que estava incomodando meus estudos, o que ela me disse: é um grilo! Quase pirei.

Creio em Deus que conseguirei maiores progressos assim que começar a fazer as sessões de fonoterapia e os próximos mapeamentos juntamente com a minha fonoaudióloga Ana Tereza Matos Magalhães da Equipe de Implante Coclear em São Paulo.

Rio Claro, 17 de abril de 2014
Jefferson Henrique Pedrino

Livro Lak
Foto para Blog Paula

Adoro adoro adoro saber que somos um grupo unido, mesmo quando não nos conhecemos pessoalmente. O Implante Coclear é mais que uma tecnologia, é uma forma de unir pessoas e criar uma verdadeira família.

Beijinhos sonoros,

Lak

24 palpites

  1. Cristiane disse:

    Maravilhoso relato! O que nos une são a história comum de vida, a tecnologia e a informação! Assim como muitos, não sou implantada, mas usuária de AASIs, no entanto não nos exclua, pois também faço parte dessa família com muito orgulho!! 😀

  2. Netinho disse:

    Parabéns e muito sucesso nesta nova fase da sua vida, Jefferson!

  3. Crisaidi Bento Sodré disse:

    Adorei! É muito bom poder compartilhar estórias maravilhosas, faz bem à alma! Obrigada, Lak!

  4. Ezequiel Pedrino disse:

    Eu acompanho o exemplo de vida que é meu irmão. Sou o mais novo de 4 filhos, sendo ele o mais velho. Desde que nasci, convivo com ele e nós, sua família, temos lembrança de vários casos relacionados à sua falta de audição. Sempre comentamos em nossas reuniões familiares sobre o episódio em que, qdo criança, ele se deitava e fazia uma ponte com as duas mãos, isso levava o som direto da boca ao ouvido. Assim, ele emitia sons com a boca na ânsia de ouvir melhor, isso não nos deixava dormir, reclamávamos, não tínhamos noção de como aquilo fazia falta à ele. Hoje, se as pessoas que aqui leem, sentem emoção no seu relato, imaginem para nós da família?! É cativante o seu progresso após o implante coclear e ficamos cada vez mais felizes com sua realização ao vê-lo escutar cada vez mais. Obrigado à todos que torcem pelos implantados, um abraço!

    • Jefferson Pedrino disse:

      kkkkkkkk, esta história que meu irmão conta sobre o barulho que fazia quando íamos dormir, me lembro como se fosse hoje, pensei as vezes na época que fosse ser “morto” pois eu não deixava eles dormirem mesmo, mas confesso, era muuuuito bom fazer o barulho, assim como escuto muitos barulhos hoje com meu IC….kkkkkkkkkkkkkkkk. 😛

  5. Silvia disse:

    Relato emocionante!a cada história que leio me da mais esperança com relação ao meu filho,mais forças pra lutar com ele em busca da capacidade de ouvir novos sons e compreendê-los, até chegar na fala e conversações.Muito bom ler histórias como essas!!!

    • Jefferson Pedrino disse:

      Deus te abençoe Silvia pelo comentário, fico, ficarei e ficaremos felizes em fazer parte do bom desenvolvimento na comunicação de seu filho. 😉

  6. soramires disse:

    não dá para não se emocionar…o prazer de ouvir, se comunicar, a gente se identifica e vibra com cada pessoa que luta e consegue ouvir com próteses do tipo que mais se adapta, leitura labial e todos os recursos que existem.

    • Jefferson Pedrino disse:

      Realmente Soramires… A sensação de apreciarmos coisas novas através destas tecnologias do bem, é algo inexplicável, pois hoje a cada som que nunca ouvi ou ouvia e havia perdido com o tempo, faz eu pensar: Por que não fiz o implante coclear antes? É fantástico!!!! 😀

  7. LUCIMARA CARNEVALLI ESTEVES disse:

    Adorei,faz pouco tempo que acompanho os depoimentos de Lak e Paula, confesso que mergulhei num mundo sonoro MARAVILHOSO.
    Jefferson, parabéns…MÚSICO… Sou deficiênte auditiva oralizada e um dos meu maior sonho era tocar piano… amo música! TENHO EM VOLTA DE CASA CINCO MENSAGEIROS DO VENTO!! Os vizinhos que me desculpem…
    Rrrr
    Foi muito bom ler seu depoimento! Obrigada!

    • Jefferson Pedrino disse:

      Lucimara, você disse que a vontade “era” tocar piano? Acredito que se você tomar a decisão “VOU” tocar piano, você conseguirá, assim como tomamos a decisão de fazermos a cirurgia do implante coclear e mergulharmos cada vez mais no mundo maravilhoso do som e cada dia mais descobrimos novos sons na parte musical. Fabuloso!!! 😮

  8. LUCIMARA disse:

    Perfeito!! Maravilhos!
    Ouvir é identificar um som e ESCUTAR É UMA ARTE!
    Sucesso Jefferson!

  9. Ana Tereza Magalhães disse:

    Olá Jefferson, já conhecia um pouca da sua história, mas lendo o seu depoimento com todos esses detalhes fiquei mais emocionada! Sempre me surpreendo com a sua vontade de ouvir, você faz “milagres” com o AASI na OD e agora está fazendo “milagres” com o seu novo implante! Você não imagina o quanto fico feliz com a sua evolução, afinal como eu disse no dia da sua ativação, estava com receio de você não gostar do som do implante no primeiro momento… Obrigada por compartilhar essa história tão linda como também as suas conquistas!
    Lak… só tenho que agradecer esse blog maravilhoso que une cada vez mais pessoas muito especiais!
    um grande beijo a todos

    Ana Tereza Magalhãeshttp://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/themes/laktop_v3/images/smilies/icon_smile.gif
    Fonoaudióloga

  10. Jefferson Pedrino disse:

    Que emocionante! Minha querida fonoaudióloga dando seu comentário aqui? Confesso, fiquei muito feliz por isso e agradeço pelo excelente trabalho que vem fazendo, um trabalho feito com o coração, alma e super profissional. Beijos…. 😳 😉

  11. Jefferson Pedrino disse:

    LAK, muito obrigado por postar meu relato aqui no seu blog, por seus comentários, pelos seus incentivos e sobre tudo o seu companheirismo. Beijos sonoros…. 😳

  12. eliezer bizoto disse:

    Grande Jefferson, uma pessoa fantástica, um exemplo de vida. conheço-o pessoalmente é meu amigo, sabia da sua dificuldade, mas não da sua história. Bacana..ah voce falou que é músico…..olha pensen nun músico mesmo…um dos melhores trompetista que conheço

    • Jefferson Pedrino disse:

      Deus te abençoe meu amigo irmão pelo seu comentário. Mas quanto a ser um dos melhores trompetistas, posso lhe assegurar, tenho MUUUUUUITO que aprender ainda, principalmente quando passei a escutar melhor os sons do meu trompete com o meu Implante Coclear, pois aí que fui ver que tenho muitas falhas para acertar….kkkkkkkkkkkkkkkkk. Forte abraço. 😉

  13. Sirlei Gomes da Silva disse:

    Mesmo com tantas conversas que já tive com seu pai e com você mesmo, não sabia que havia em sua vida uma lição para nós nunca desistirmos frente a um problema que surge em nosso caminho; Deus que abençoe e que cada vez mais possa melhorar sua audição.

    • Jefferson Pedrino disse:

      Sirlei, também meu amigo irmão, um excelente exemplo de vida e fé, passou por processos difíceis na vida, superou desafios na luta de fortes enfermidades, mas está aí para todos ver que com fé, determinação, garra e ajuda de Deus poderemos alcançar objetivos que muitas vezes achamos impossíveis. Mui grato pelo seu comentário. Grande abraço. 🙂

  14. Lucimara disse:

    Você Tem toda razão Jefferson…apesar de ter começado com piano à mais ou menos 45 anos atrás(hoje tenho 54 anos) com minha avó materna,não deu muito certo porque não sabia(mos) que tinha problema auditivo e fui desistindo aos pouco. Obrigada pela dica…
    Realmente foi bom ler seu depoimento!Uso aparelhos auditivos à nove anos,sendo que fiz realmente as pazes com eles à 2 anos,longa história´mas estou muito feliz,tudo está dando certo!
    Obrigada e Sucesso pra você!!
    Lucimara

    • Jefferson Pedrino disse:

      Obrigado Lucimara pelo voto de sucesso, assim como também lhe desejo amplo sucesso no uso de seus aparelhos auditivos. Abraços! 😉

  15. Erik Grotolli disse:

    Jeferson, estou sem palavras e com lagrimas nos olhos…bom, acho que não à muito a ser dito, apenas…PARABÉNS! Sinto-me honrado em fazer parte dessa orquestra a qual você é responsável!

    Deus te abençõe!

    • Jefferson Pedrino disse:

      Erik, ótimo músico-violinista de nossa orquestra. Fiquei muito feliz por comentar aqui o meu relato. Deus te abençoe grandemente. Forte abraço. 🙂 😉

  16. Mariana Siqueira disse:

    Que saudades que eu tava de ler relatos! Essas experiências fazem a gente se sentir renovado, sei lá, mas dá uma leveza na alma. Esses dias, estava na sala assistindo à TV e pude distinguir alguém fazendo xixi no banheiro (de porta aberta!), o cômodo mais distante da casa. É algo que eu não imaginava que teria essa capacidade de distinguir barulhos distantes =)

    Beijos,

    • Mariana Siqueira disse:

      Ops… me corrigindo: pude distinguir o barulho de alguém fazendo xixi…

    • Jefferson Pedrino disse:

      Mariana, essa sensação de ouvir a distância, é fantástico. Também venho tendo essa experiência que está sentindo e outras. O Implante Coclear realmente é uma tecnologia que não só trás alegria no nosso dia a dia, é uma sensação forte que toca o intimo de nossa alma. Agradeço grandemente pelo seu comentário. Abraços… 😀