ABI – Implante de Tronco Encefálico

Adoro divulgar as tecnologias de apoio auditivo, porque são muitas e cada uma tem indicação específica para casos em que ela seria mais adequada.
Por exemplo, eu divulgo o Implante Coclear, porque é a tecnologia que uso. Aí, além de divulgar, dou meu parecer de usuária também…
Mas, infelizmente, não posso fazer isso com todas as tecnologias e fico sempre esperando conversar com um usuário para divulgá-la. Só que, algumas delas tem tão poucos usuários, que acabo divulgando sem o parecer, né? Vai ser o caso do Implante de Tronco Encefálico.
O ABI – a sigla usada é do nome em inglês: Auditory Brainstem Implant, mas é a maneira como se referem a ele aqui no Brasil – é um implante que funciona de maneira similar ao IC: conduz o som e reproduz, artificialmente, a sensação sonora. Mas, no caso do ABI, em vez dessa estimulação ser feita na cóclea, é feita direto no tronco encefálico.
O próprio aparelho do ABI é similar ao do IC, tem parte externa que capta e converte o som em frequencias de rádio e envia o sinal para a parte interna, que conduz e reproduz o som através de eletrodos. No caso do ABI, não termina num feixe de eletrodos, mas uma placa fina e chata, com eletrodos pela extremidade.
Indicado normalmente para casosem  que o IC não é indicado (por exemplo, ossificação severa da cóclea) ou casos ausência total ou parcial de cóclea ou nervo auditivo.
A cirurgia é mais delicada que a do IC: é feita por uma equipe composta um neurocirurgião e um otorrinolaringologista, além da equipe tradicional de cirurgia de IC (assistente, anestesista, instrumentadora, etc). E conta também com um neurofisiologista, que acompanha a fonoaudióloga, na hora de testar os eletrodos, para medir o potencial evocado auditivo, logo após a implantação da parte interna. Eu sei que essa parte está um pouco técnica, mas é basicamente um teste feito ainda durante a cirurgia, para ver se há resposta auditiva, já que há o período de cicatrização entre a cirurgia e a ativação.
Pela delicadeza da cirurgia, no Brasil temos apenas 13 usuários do ABI. No mundo inteiro, não chega a 1000 usuários. Aqui no Brasil, não há restrição de idade, mas nos EUA, por exemplo, só é feito em crianças com mais de 12 anos.
Diz-se que, apesar da similaridade com o IC, a sensação auditiva é um pouco diferente, porque a sensibilidade que temos com as diferenças de frequência, se dá especificamente na cóclea e o ABI pula todas as etapas biológicas da audição, por isso, os resultados variam e, em boa parte dos casos, não são satisfatórios. Mas, assim como o IC, cada caso é um caso e tem sim, gente com resultado excelente do ABI, a ponto de ter perfeita compreensão sonora em open set (compreensão sonora sem apoio visual).
Há poucos médicos especializados em ABI no Brasil. E a equipe médica é decisiva nesse caso. Por isso, sugiro aos interessados no ABI que procurem médicos que já tenham realizado alguma cirurgia e/ou tenham formação específica em ABI, não apenas no IC.

No mais, continuarei procurando o parecer de algum usuário e retorno o assunto assim que encontrá-lo.
Beijos

Lak Lobato

5 palpites

  1. Eliane disse:

    Que interessante! vivendo e apredendo.
    Mais uma opção graças a tecnologia. 🙂

  2. Carlos disse:

    Olá Lak, primeiro, parabéns pelo blog!
    Tenho 26 anos e sou portador de neurofibromatose tipo II, um distúrbio genético que causa tumores (neurinomas do acústico). Já retirei um (lado esquerdo), e as sequelas, infelizmente, é a perda auditiva devido a retirada do nervo auditivo. Estou lutando com a audição que me sobrou (lado direito), mas creio que, uma nova cirurgia e suas sequelas, é só questão de tempo. Não sabia que apenas 13 pessoas no Brasil todo possuem o ABI de tronco encefálico, muito pouco… Como possível candidato a essa tecnologia, peço que, se alguém é usuário dela, mande suas experiência para a Lak para a mesma divulgar. Tenho bastante interesse.

    Grato,
    Carlos

    • laklobato disse:

      Carlos,
      bem vindo ao DNO (é a sigla do nome do blog).
      São apenas 13 usuários, porque até pouco tempo, a tecnologia do ABI não era muito promissora e houve uma pausa na realização dessa cirurgia. Mas, soube que ela sofreu modificações, evoluiu e volta ao rol de cirurgias disponíveis a pleno vapor, então considere-se candidato, se você assim quiser.
      Enquanto não acho um usuário para divulgar sua experiência aqui no DNO, fica uma sugestão de leitura, do livro de um usuário bastante conhecido do ABI: “A Vida No Presente, de Bruno Tamassia http://bei.com.br/livros/ciencia-e-saude/a-vida-no-presente-%E2%80%93-memorias-de-um-paciente-de-neurofibromatose/
      Espero que goste, viu.
      Boa sorte com a luta pela audição.
      Beijocas

  3. Carlos disse:

    Obrigado Lak,

    Obrigado também pela indicação da leitura. Fico no aguardo, caso surja mais informações sobre o ABI de tronco encefálico.
    Muito sucesso!
    Bjs,
    Carlos