Ai, meldels, que barulheira….

Desde 1986, quando eu ainda era uma ouvintezinha ingênua e indefesa (gostaram da descrição???)

Vestida a carater, claro. Brasileira sempre!

que Copa do Mundo não era sinônimo de barulheira, pra mim.

Minha audição residual é, ou melhor, era porque os eletrodos do Implante Coclear acabaram com ela no lado implantado,  fraquíssima e eu nunca fui muito de prestar atenção em sons baixinhos (pra mim, claro).

Enfim, pela primeira vez em 23 anos, tenho tido o prazer de assistir e ouvir os jogos da Copa e rolo de rir com as reclamações infindáveis do povo quanto as “vuvuzelas”, porque reclamar de barulho é infinitamente melhor do que o silêncio permanente. Ademais, eu tenho opção de desligar os aparelhos, quando o barulho me enche o saco, entonces “eu si divirtu”.

Hoje, como o frustrante jogo Brasil x Portugal foi pela manhã, aqui na agência que eu trabalho, optaram por fazer uma festa em vez de liberar o povo para assistí-lo em casa.

Por um lado, a gente deu aquela chiada “eu queria ver o jogo na minha televisão de 22 polegadas”, por outro, também foi gostoso compartilhar a partida com gente com quem passamos 8hs por dia.

Tinham me pedido para fotografar o evento e eu topei, já que nunca consigo assistir um jogo quieta. Fico ansiosa e entediada (vê se pode?) e ter algo para fazer me distrai.

Mas, sabe, o que me chamou a atenção foi como OUVIR a emoção do jogo – ainda que esse não tenha tido nenhuma – é uma das coisas que mais une as pessoas.

São os gritos de decepção, são as risadas, é aquele burburinho de descontentamento (tá, tô falando desse jogo específico, vai?) que o povo lança no ar, porque a emoção transborda. Uma hora, virei de costas para todo mundo e percebi que o som me mantinha atada à aura emocional daquele lugar/instante.

Voltar a ouvir, pra mim, tem sido a mais mágica das experiências, porque simplesmente consigo prestar atenção em coisas que, provavelmente, ao longo do tempo tornar-se-ão banais.

Por mais que eu tente acreditar que 23 anos de surdez não foram uma experiência tão ruim, acredito de verdade, que poder ouvir, mesmo que de forma artificial através de um aparelho, é infinitamente melhor.

Bom final de semana, pessoas.

Beijinhos sonoros

Lak

30 palpites

  1. Simone disse:

    Lak, é realmente muito frustrante o jogo! Considero um jogo chato o que não tem nenhum gol! Ih! Enquanto isso, é ótimo reconhecer que você está ouvindo alguma coisa com o IC!
    Continua descobrindo esse mundo e, por gentileza, conta os detalhes no blog, tudo bem?
    Mesmo nos últimos dias, eu leio o seu blog e fico admirada.
    Beijos,
    Simone.

  2. zuleid disse:

    Lak!
    Eu também não assisti o jogo,apenas ouvi porque durante o jogo continuei trabalhando e exatamente como você me liguei ao clima só pelo som vindo da rua… Bem vinda ao mundo dos sons minha querida! Sei que o muito que você já ouve é ainda muito maior em função do que você consegue aproveitar e repassar prá nós!
    Feliz vuvuzeladas hahahaha!!!

  3. SôRamires disse:

    Help. vuvuzela me ataca o cérebro! Para mim soa como o grito de uma enorme aliá (acho que é assim que se chama a senhora esposa do elefante) numa crise de cólica menstrual…
    Bem vinda ao turbilhão de sons dessa vida louca!

  4. zuleid disse:

    Elas eu não sei mas nós sofremos prá caramba com as vuvuzelas. hahaha!!!

  5. SôRamires disse:

    Li que quem inventou esse aparelho de tortura auditiva foram os pastores pentecostais da África do Sul, já imaginaram um culto religioso ao som dessa corneta do apocalipse? Eu prefiro Bach…
    E quem está lucrando adoidado é a China que as fabrica e inunda o mundo com sua produção barata.
    E antes diziam que futebol era bola na rede! Só espero que não ganhe a Argentina diante da ameaça do Maradona de desfilar pelado (en bolas como dizem por lá) junto ao obelisco. Ninguém merece! 😛 😛 😛 😛

  6. Jairo Marques disse:

    Então, muita vuvuzelada barulhenta procê! Fôôôôôôô.. ahahhahahah.. bjosss

  7. SôRamires disse:

    UM PRESENTE PARA A LAKERIDA
    http://www.youtube.com/watch?v=mwRX7DTFrbU
    mas cuidado antes de ver ajuste o som para bem baixinho senão pode estragar o implante! 😈

  8. Márcia disse:

    Adorei o “eu si divirtu”.
    Tenho um amigo que, quando ouve bobagens, diz: é melhor ouvir isso que ficar surdo. Tenho certeza de que você está amando as vuvuzelas. Reclamar? Quando há tanto para ser feliz? 😀
    Beijos!

  9. Sun Melody disse:

    Passei por aqui e deliciar-te mais do que uma vez, acho que a emoção hoje ocupa um lugar de Olimpo cheio de cândidos, vou talvez comemorar a bem ou a mal, quer com vitória ou derrota no Portugal-Espanha ao som das vuvuzelas pois hoje sopro as velas!

    Um beijo saudoso!
    Sun Melody aka Alice

  10. Sun Melody disse:

    Lak,

    Obrigada pelas palavras!

    Na verdade sopro as velas em duplicado! De nascimento e da implantação do meu Sun Melody, os dois juntos só.

    Beijo terno
    Sun Melody aka Alice

  11. Leila disse:

    O que eu gosto de ouvir é o Hino Nacional.
    O resto, é barulheira mesmo, das chatas.

  12. Rogerio disse:

    Estou com a Sô, e achei o máximo a comparação com uma aliá com cólica menstrual. Um vizinho (que tinha que ser exatamente o morador do apartamento logo acima do meu), tem uma versão em que o acionamento é por ar comprimido. Estou pensando em brincar de tiro ao alvo com ele. Mas, voltando ao sério: quer dizer que a madame agora, mesmo virando as costas, já está captando sons e emoções? Isso muito me emociona também, e vejo que estava certo ao incentivá-la a fazer o IC. Um grande beijo, linda.

  13. Kali disse:

    Lak,

    Aqui no Rio, além das já tão faladas vuvuzelas, o pessoal tem uma mania super simpática de soltar bombinhas (que na verdade são bombonas) e dá um susto danado… pq faz um barulho tão intenso que a gente até sente a vibração! 😯
    Concordo muito com vc sobre o clima do jogo… ver com mais gente é bem legal tb! Eu tb vi esse jogo com o pessoal do trabalho e foi bem interessante! Como o meu hospital é grande, tinha gente que trabalha bem próximo de mim e outras pessoas que eu raramente encontro… Aí tinha gargalhada, gente fazendo comentários insólitos, mulheres dando aqueles gritinhos histéricos, vuvuzelas meio murchas para não fazer muuuito barulho (é engraçado, parece que a pessoa está murchando)… claro que eu me lembrei de vc, pois estávamos no auditório, escurinho, e eu pensei exatamente que agora vc não precisaria ficar mais preocupada, pq vc estaria participando daquele momento/clima (de sons) se estivesse ali comigo… curioso né? Cheguei aqui e dei de cara com esse post! Pense se eu fiquei emocionada? Pense se eu estou chorando horrores aqui? 😛

    Beijos estalados!

  14. Kali disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Adorei o nome! Me lembrei de qdo vc e a Par me chamavam de Kuli e eu ficava muito brava! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    O Khalo vai comigo prá Sumpaulo! Ele ficou com medo de viajar sozinho de novo! 😀

  15. meu primeiro palpite aqui, chegouuuuu.

    Estes momentos de aflição diante de uma decisão desperta sensações espontâneas guardadas consigo e pronta para ser compartilhada com mesmo grupo.
    E a você passou por outros experimentos ali diante de todos. Como percebo e acho interessante no local poder tirar vários exemplos num mesmo patamar.
    E comemoramos juntos.

    Abraço.

  16. eu tenho opção de desligar os aparelhos, quando o barulho me enche o saco, entonces “eu si divirtu”.

    Essa é ótima Lak!rsss
    Realmente, vejo que o lado bom de ser surdo, é que podemos ouvir somente o que queremos, o que desagradar, a gente desliga e se diverte com a desgraça alheia do povo que sofrem com as vuvuzelas…ahahahaha
    Ah…assistir a copa esse ano foi maravilhoso, por conta do meu aparelho auditivo, que eh um intracanal digital, a gente sente a atmosfera do ambiente, tendo a sensibilidade de ouvir até os barulhinhos mais insignificantes…rss

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