Bobagens de sábado à tarde

Não sou muito de postar de sábado, mas sempre acho mais legal escrever quando a história ainda está fresquinha na mente.

Bobagem que acabou de me acontecer e vim correndo contar no blog.

Resolvi fazer as unhas do pé hoje à tarde, porque entre perder a hora do almoço no salão de manicure e comer comida japonesa, sempre acabo optando pela segunda opção. Então, o jeito é encarar o salão de sábado, coisa que também considero uma tortura, porque fica cheio de gente falando falando falando…

Quando só usava o AASI, normalmente desligava os aparelhos justamente porque o burburinho (ou é murmurinho, nunca sei) me irrita. Mas, com o Implante Coclear, (quase) todos os sons são suportáveis e eu nunca desligo ele por motivo nenhum, só quando ele cai por eu ou outra pessoa esbarrar na antena e o som sumir abruptamente do meu cérebro.

Bom, voltando à história da pedicure. A senhora veio e perguntou o que eu faria. Respondi que queria fazer os pés. Ela saiu, pegou o material que precisava, voltou e fez aquele ritual de praxe: tirar o esmalte e perguntar se eu preferia só lixar ou se  podia cortar as unhas também… Respondi que podia cortar e voltei pra minha “concentração” na revista que eu estava “interessadissima” em ler (mentira, só faço isso porque não tenho paciencia de conversar com manicure). Começo a ouvir um sonzinho de “plic plic”. Fiquei intrigada, o que seria isso? Não era um som desconhecido, mas também não conseguia identificar. E continuava “plic plic”. Tirei os olhos da revista e comecei a procurar ao meu redor… “plic plic plic”. Olhei pras mãos da manicure, que segurava o alicate. “Plic” era o som das minhas unhas sendo cortadas. Tive que segura a crise de riso, porque seria bizarro demais explicar que eu ria de emoção de ouvir o som dela cortar minhas unhas. Quem é que entende uma mulher de 32 anos rindo de uma bobagem dessas?

Não conseguia mais me concentrar na revista, porque olhava maravilhada de ouvir aquilo. Um som familiar sim – porque cortar as unhas é algo que faço desde que me entendo por gente – mas desconhecido, porque não era um som que eu prestava atenção quando era ouvinte.

Logo demais, ela lixou meu pé… Ouvi aquele som tipico do lixar da sola (esse não precisei procurar, como olhava fixa e abobalhadamente para o que ela fazia, reconheci de imediato) com uma cara de maravilhada.

Acho que nunca antes (e provavelmente, logo há de cair na rotina) fiquei tão encantada com o som de fazer pedicure.

O universo sonoro é tão rico, tão vasto, que a gente só se dá conta de cada ‘estrelinha sonora’ que o preenche quando perde e reencontra.

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. pra enfeitar o post, uma foto dos meus pés logo depois de terminar de fazê-los.

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18 palpites

  1. Bia disse:

    “O universo sonoro é tão rico, tão vasto, que a gente só se dá conta de cada ‘estrelinha sonora’ que o preenche quando perde e reencontra”.

    Isso é em tudo né? rsrs

    Beijão pra tu, bem barulhento! 😛

  2. SôRamires disse:

    eu também tenho horror de fazer as unhas e cortar cabelo…também meto a cara numa revista para não ter que conversar…e geralmente aviso que sou surda para não ficarem tentando conversar. Explico o que preciso, o que quero e tiro os aparelhos. Ser surda tem suas vantagens.. 😉

  3. Oi Lak,
    Fez muito bem em dividir esta novidade! Cada descoberta sua nos faz voltarmos nosso olhar para estas pequenas coisas que preenchem nossa vida de uma maneira invisível e silenciosa; faz com que valorizemos o que nem lembrávamos! É muito legal!
    Por outro lado concordo com você e com a Sô em relação a não querer ouvir, mas prá nós ouvintes esta opção não existe. E às vezes faz muita diferença. Outro dia ouvi esta “pérola” da manicure:
    “De acordo com a METEOROLOGIA meu signo é sagitário…”
    Depois de ouvir isto, prá mim a previsão foi de temporal à vista.
    Tem horas em que poder desligar é um Super-poder!
    Beijos!

  4. Sun Melody disse:

    É definitivamente mágico Lak, como se uma canção embalasse no nosso ouvindo transbordando uma grande paleta de cores, um perfeito arco-íris borbulhante!

    És criança no corpo de gente grande, que bênção nos foi dada em redescobrir numa segunda oportunidade, como bem escrevi no meu blog ” … a vida tirara-me um sentido e mais tarde a tecnologia devolveu-me graciosamente, de braços abertos… ” é de encantar!

    Lak emocione, espante, escute detalhadamente pois só o pormenor nos interessa e o quão bem fizemos, né? Redescobrir o mundo de outra forma, uma pluralidade de riquezas e quando avistares as gotas de prata lembre-se de mim, sou eu a sorrir e vibrar com as suas conquistas de estrelas sonoras.

    Hoje esta estrela brilhou.

    Beijinhos Lak,
    feliz Domingo.

    Sun Melody

    • laklobato disse:

      ” … a vida tirara-me um sentido e mais tarde a tecnologia devolveu-me graciosamente, de braços abertos…”
      Foi uma dessas tuas frases, Sun, que me fez desejar o IC com todas as minhas forças, chutar os medos pra lata de lixo mais próxima e mergulhar no universo das estrelas sonoras.
      Você, mais do que ninguém, merece saber como as tuas palavras são poderosas.
      Obrigada por tudo!!

  5. juca.jardim disse:

    ai que sandalinha LINDA!!!!

    eu quero, eu quero!!!!! (*pulinhos e palminhas*) 😈

  6. Gisele disse:

    Lak querida, fazia um tempo que eu num vinha aqui e estou emocionada.
    Foi a melhor coisa deste domingo, ler os seus textos.
    Obrigada pelo presente.
    Beijo,

  7. fabiana disse:

    Lak é tão lindo ler suas descobertas e lembrar que estou acostumada com muitos sons e não “ligo” mais pra alguns deles. Não são bobagens, não ! Beijossss 😉 😛

  8. Dri disse:

    Salão de beleza no sábado, ninguém merece. Ler seus textos é um deleite. Boa semana pra você Lak, com muitas, lindas e singelas (re)descobertas como essa. Beijos.

  9. Alessandra Vidaurre disse:

    Lak, que delicia esse seu post.
    Muito bom e emocionante ler seus relatos.
    Agora, salão sábado é de matar mesmo… mas foi uma troca justa (japones pelo salao. Muito mais gostoso).
    Beijos,
    Ale