Ciborgue na roça

Semana passada, querendo dar um tempo de tudo, resolvi aceitar o convite do meu pai de passar uns dias com ele lá na roça.
Bom, roça é um termo um pouco exagerado, porque ele não mora num sítio, mas numa casa de campo.

O lugar é realmente lindo, fica numa estrada de terra a uns quilômetros da cidade, que só tem 3500 habitantes, o que é praticamente um vilarejo.
Admito que não sou das pessoas mais chegadas a aventuras, porque sofro de síndrome de urbanóide, mas além de querer visitar meu pai, espairecer a cabeça, queria também conhecer os sons do campo.

É, recuperar a audição depois de 23 anos de silêncio (e sons distorcidos via AASI-> aparelho de amplificação sonora individual), minha curiosidade com cada sonzinho do mundo é imensa.

A primeira coisa que fiz quando cheguei lá foi comentar dos progressos do Implante Coclear.
Semana passada, foi também o primeiro ‘mapeamento’ do ano. Apesar de eu ainda capengar MUITO em textos open set (eu entendo algumas palavras ditas aleatoriamente, mas frases, ainda não), em contexto fechado, minha compreensão já é muito boa, o que me permite ter conversas maiorzinhas via telefone, mas ainda só com pessoas muito chegadas, que sabem que não podem se empogar hehehe

Uma foto nossa, para vocês poderem ver como é meu paizinho:

Depois, pude apreciar o silêncio do campo. Ao longe, ouvia o som de um riozinho, mas que exigia um certo esforço da mente para poder ouvir o barulho da água. Aqui em São Paulo, a poluição sonora não nos permite muito curtir o silêncio. Embora eu possa fazer isso desligando os aparelhos, é gostoso ‘ouvir o silêncio’ com eles ligados também.
Na casa do meu pai, a maior parte do tempo, só se ouvia nós dois. Os barulhos que fazíamos e, vez ou outra, o barulho dos carros que passavam na estrada. Também ouvia-se alguns barulhinhos da natureza, que eu ainda preciso de ajuda para identificar.

No dia seguinte à minha chegada, meu pai me levou para ouvir, pela primeira vez, o som de uma cachoeira. Gente, a sensação foi tão incrível, que eu gravei um videozinho de 45 segundos para demonstrar meu deslumbramento. Som de água é simplesmente a maior orquestra que a natureza nos abençoa. É o mar, é o rio, é a cachoeira, é a chuva… Deleita aos ouvidos, olhos, coração!!

Não coloquei legenda porque não tem qualquer outro som além do barulho da água. Quem não puder ouvir, pode curtir apenas o visual, igualmente lindo!
À noite, apesar de não fazer frio, meu pai acendeu a lareira e pude ouvir o som dos estalos que o fogo faz quando queima a madeira… Que delicia!! Esse som eu simplesmente não lembrava mais.

No dia seguinte, ainda tive a sorte de ouvir o som do bem-te-vi (que não consigo assimilar como ‘bem-te-vi’, ouço algo tipo ‘priii-pri-pri’ e, embora o Edu diga que ouve esse ‘bem-te-vi’, meu pai disse que ouve tal como eu, então o problema não é comigo hahaha), um grilo, uma cigarra, outros pássaros. Esses sons são lindos também, mas pela falta de conhecimento da causa, ainda precisam me explicar qual bicho faz qual barulho. Sou uma criança da cidade indo ao campo pela primeira vez!!
Foram dias maravilhosos que, mais uma vez, somente o implante coclear poderia preenchê-los tão bem!!
Amo poder ouvir tudo isso!!

Beijinhos sonoros,
Lak

30 palpites

  1. SôRamires disse:

    O som nosso de cada dia…bem-te-ouvi!

  2. Sun Melody disse:

    Lak, os sons da Mãe-Natureza não tem outra qualquer descrição, senão estes barulhinhos deliciosos, sim, tal como a Lak de vez enquanto, umas três vezes por ano refugio-me para o Norte ter com os meus avós, ingressando na vida campestre longe de tudo, da cidade, da confusão e do ruído poluidor que só a Cidade fornece.

    Também foi lá que ouvi pela primeira vez com o IC, os grilos, as cigarras no calor de Verão acasalando nas árvores, nossa, chorei! Tantos sons descobri, e hoje as conheço, e por fim quando regressei à minha Cidade também estes bichinhos cantam… simplesmente reconheci os sons.

    Comovente este teu descobrir 🙂
    Beijinhos SONOROS
    Sun

  3. Sun Melody disse:

    Ah, e esqueci-me: tens cara chapada do seu pai! 🙂

  4. Bruna disse:

    Adorei a gravação da cachoeira… adoro barulho de água, pode ser de chuva, do mar, de rio, de cachoeira, sempre funciona como calmante. Menos quando é a torneira pingando…porque essa irrita.
    Sobre o bem-te-vi, estou pensando seriamente em armar uma armadilha pra um bem-te-vi que vem na minha janela às 5h da manhã. Hehehe
    Bjs

  5. Roberta disse:

    Oi Lak…tenho uma dúvida…hoje fiquei sabendo que os DA’s têm direito a descontos dos impostos na compra de um carro o Km,é verdade?A outra é se vc tem a placa verde no seu carro….
    Obrigada….bjus

    • laklobato disse:

      Não, essa lei está sempre para passar, mas não passou ainda. Sei de algumas pessoas que conseguiram desconto, mas nem me pergunta como, pq não faço idéia. A lei ainda não está em vigor.
      E eu nunca nem vi essa placa, salvo nas explicações sobre placas na aula do curso teórico de motoristas. Meu carro tem adesivo com o simbolo universal da surdez, que não é obrigatório.
      Beijocas

  6. Simone disse:

    Que “aventura”?! hahaha!! Eu vim para falar uma coisa que me chamou a atenção: você e seu pai se parecem! 😀
    Ótimo seu pai viver numa casa de campo, dá para relaxar?!! Fugir da cidade, do estresse, dos problemas, de tudo?! Que beleza.
    Quanto aos sons a que você descreveu, acho tão legal você descobrir com o seu IC.
    Beijos.
    Simone.

    • laklobato disse:

      Faz 1 ano que ele mudou pra lá. Disse que estava estressado com a cidade grande!
      E sim, eu sou a cara dele! Quando criança, meu apelido era ‘Armandinha’, já que ele se chama Armando hehehehe
      Beijão

  7. Fred disse:

    Você é demais, Lak! Aprendo e dou muita risada com você!
    Beijos…

  8. Nelson disse:

    simplesmente chorei de ler seu relato….li algumas vezes seu blog, trabalho com acessibilidade, e nossa seu relato é como se um cadeirante voltasse a andar.

    parabens

    • laklobato disse:

      Nelson, é um andar com prótese especial, mas um andar, concordo! Redescobrir o prazer de fazer uma coisa simples, que nos é arrancado, é a sensação plena de viver um milagre. Mesmo tecnológico!
      Beijão

  9. Mariana disse:

    Adorei o vídeo! Que delícia morar perto de uma cachoeira… eu me identifico com esse estilo de viver na roça, rs. Bem tranquilo, bem gostoso de viver… Já uma vez tentei convencer meu namorado para que a nossa primeira casa (ou pelo menos, mais futuramente) seja no campo, hahah mas ele “nens”! 😛

    Bjs

  10. Mariana disse:

    Você é parecida mesmo com teu pai, mas te acho mais a cara da tua mãe. Rs

    Bjs

  11. Renata de Freitas disse:

    Eu acho que fui condicionada a entender “bem-te-vi”, mas na verdade ouço pri pri pri, sim!! 😮 (cadê os sapinhos? foi pro mato e cansou deles? hehe)

  12. "O Edu" disse:

    Pronto pessoal! Os sapinhos estão de volta! 😈

    ô povo que não pode ficar sem sapinhos viu… 😛

  13. Greize disse:

    Lak que delícia, um dia vcs e seu pai precisam visitar , aqui as cidades do interior de MG, cidades históricas e fazendas transformadas em pousadas, e prepare a comilança é demais, queijos e doces mineirosss!!!Uiii…
    As vezes é bom sair de tdo e ir p/ campo, descansa a mente, e som do Bem-te-vi..te conto..nunca escutava Bem-te-vi tb não??Acho que só ouvidos bem agudos.rsrs
    P.S:Preciso add o DNO nos favoritos, urgente, qdo vou te procurar aparece um blog de uma tal de Lala???Penso quem é essa meu sais..hahahaha 😛

  14. teresa disse:

    Olá, Lak que muita paz de viver no campo!!!! Descobriu os sons dos cantos dos passarinhos, das cigarras… e eu gostaria muito de ouvir as diferenças do barulhos da água: cachoeira, rio, mar, córrego, lago….Ainda não estou ouvindo com IC(faz 8 dias) e com AASI tô ouvindo como sempre e percebi que tem uma sensação diferente e engraçada, sei lá…, pode ser memória auditiva ou cérebro, não é certeza. Estou tentando descobrir novos sons e progredindo continuamente, sei que a minha paciência é minha parte no processo.
    Nossa, é cara do seu pai!…rsrsrs

    Bjos.

  15. Eitaaaa ameiiiiii!
    Ah e eu sou daquelas “choronas” viu?Violinista, canceriana, reikiana, é o que dá! Hhehehe….mas o som da cachoeira é lindo mesmo, e a tua redescoberta é mais linda ainda. Que sejas ainda mais feliz, bjs kaka