Cinema acessível no CCBB (SP)

Conforme divulgado na segunda passada (29/08), no primeiro final de semana de setembro o Centro Cultural Banco do Brasil promoveu duas sessões acessíveis de filme nacional com legenda e audiodescrição e, conforme prometido, estive lá para avaliar a qualidade do filme.

Eu já havia estado no cinema do CCBB para assistir “A Praga” de José Mojica Marins, o interprete do Zé do Caixão, um filme da década de 80 cujo audio original não chegou a ser gravado e, para a mostra de 50 anos de carreira do Mojica, resolveram reeditar o filme e solicitaram meus préstimos como “leitora de lábios” para recuperação dos diálogos.

Mas, ontem, estive lá apenas como observadora. Marquei com vários amigos, mas só dois foram: Sônia Ramires (autora do blog Sulp) e Thomaz, que foi apenas de farra, pois é ouvinte.

Admito que acho a sala de cinema do CCBB é uma graça, pois parece a miniatura de um cinema à moda antiga, com uma tela pequena e poltronas de couro vermelho.

A priori, o filme em si não me animava, porque acho muito batido fazer filme focado nas favelas cariocas. Mas, como se tratava de uma sessão acessível, deixei meus preconceitos de lado e pude me deliciar no filme.

Sim, é uma legenda especial para deficientes auditivos que “traduz” todos os sons para a tela, não apenas transcreve a fala: “Rangidos” “Aplausos” “Cachorro latindo”, todos os sons do filme são descritos na legenda, o que é de extrema importância para quem não usa aparelho ou não tem boa discriminação de sons.

O filme, “5x Favela – agora por nós mesmos”, tratava-se de 5 curtas centradas em personagens que, obviamente, moravam nas tais “comunidades” ( o termo usado no filme), mas histórias completamente aleatórias. Acaba sendo uma homenagem bonita ao povo que mora por ali, contando histórias de maneira quase poética e jogando por terra todos os meus preconceitos contra essa temática de filme.

Pude observar que os expectadores deficientes visuais estavam muito bem servidos, pois receberam um fone com a audiodescrição. Soube que  essa audiodescrição se mescla nos sons do próprio filme e eles recebem já mixado. Ou seja, perfeitamente acessíveis para eles também.

Admito que é um programa que compensa, visto que é realmente acessível, o CCBB é lindo e o filme, daqueles que vale a pena assistir.

A única coisa que eu dispensava foi a discussão que tive com alguém de lá do CCBB que resolveu falar comigo sobre Libras, num tonzinho de “todo mundo tem que aprender”. Desculpe, mas eu passo. Aprender qualquer idioma que seja é questão de afinidade porque sem ele, entra por um ouvido e sai pelo outro. Pra mim, aprende quem quer e usa quem precisa e gosta!  De resto, dou nota 10 pro programa do CCBB, inclusive por ter alguém fluente em Líbras por lá! Acessibilidade total!

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. depois do cinema tomamos um belo café no Café do CCBB, mas essa pauta continua no “De Café Eu Entendo“. Quem quiser, dá uma chegadinha por lá!

p.s.2 o Encontro de Campinas do FIC, no sábado, também foi um sucesso. Adorei conhecer pessoalmente Roner, Cris Onuki, Sandra com o esposo e a filha além do pequeno Davi, biimplantado, conhecer as meninas da comunidade de Surdos Oralizados do Face e rever grandes amigos: Marcelo e Diefani. Também adorei encontrar o Stephan e Agatha da Politec. Embora eu praticamente só tenha conversado com a Sheila (Carvalho, estudante de fonoaudiologia e mãe da Amanda, surda oralizada de 6 anos usuária de AASIs, que fala maravilhosamente bem – e como fala!!!!! – e entende todo mundo). Quem quiser ver as belíssimas fotos do evento: http://bit.ly/ficfotos. A minha e do Edu com o Roner, segue abaixo:

Imagem do Edu, Roner e Eu, nessa ordem, encostados uns nos outros e sorrindo para a câmera.

14 palpites

  1. Marcelo disse:

    O encontro em Campinas foi show! Muito bom mesmo!
    E foi bom encontrar todo o pessoal, conhecer gente nova, trocar experiências e fazer novas amizades, e a família do FIC cada vez maior.
    Abraços!

  2. SôRamires disse:

    Lak, eu também gosto demais do edifício do CCBB SP e achei a salinha de exibição muito confortável embora pequena, mas não faltou lugar prá ninguém. As legendas estavam boas porque reproduziam os sons e as falas sem tentar resumir nada. Ou seja sem o preconceito de que surdo não sabe ler direitinho!
    Eu também achei irritante a tentativa de nos impor libras por parte de uma pessoa que deveria conhecer mais os oralizados e os sulp em geral.
    Mas acho que pessoas ouvintes que usam libras profissionalmente são as mais chatas e insistentes talvez porque queiram defender a profissão. Mas temos que responder à altura e fazer valer nossa forma de comunicação, a língua portuguesa (e outras tantas que possamos aprender).
    O filme em si passou uma imagem desprovida da violência sensacionalista, a favela como um bairro a mais, mais carente sem dúvida, mas um bairro.
    Eu conheço o 5 X favela original, feito pela turma do chamado Cinema Novo, uma visão, um olhar da favela (naquele tempo não se dizia comunidade) por gente do asfalto, que tinha vontade de melhorar o Brasil.
    Enorme prazer te conhecer. Bjs 😀

  3. Simone Bernardo disse:

    Lak, legal você falar sobre o cinema e o encontro de FIC.
    Não sou de SP, não conheço aqueles lugares de SP por serem sem fim. Bom saber de vocês sobre o CCBB.
    Sou de Nova Odessa/SP, é perto de Campinas, sou surda oralizada, foi uma PENA tão graaaaande para mim. Não fui ao encontro de FIC porque precisava cuidar de um bebê de quase 2 meses de idade!! Deixo para a próxima, se tudo der bem! Queria conhecer pessoalmente algumas pessoas que só conheci na internet.
    Beijos.
    Simone.

  4. Tatiana disse:

    Dei uma passadinha no encontro, bem rapidinha, conversei com a Maria Regina. Acabei ficando pouco, minha irmã mais nova estava num mau humor terrível, e achei melhor ir embora. Fui embora assim que você chegou… Queria tanto ter conversado com você…

  5. rodolpho disse:

    não conheço o prédio do ccbb em são paulo, pelomenos a parte da sala de cinema, e tal, só a biblioteca braille mesmo, se é que não mudou de lugar, tamanho, e tal. emfim…
    esse fime 5xfavela é bom mesmo, eu já assisti com audiodescrição.
    não no cinema, como todo mundo, mas daquele jeitinho brasileeeeeiro básico: um belo de um download do filme em mp3. kkkkk
    quem conseguir discriminar voz humana beeeem mesmo e quiser ouvir o filme com audiodescrição, me fala que mando o link, ou arquivo pelo msn, sei lá… emfim, eu mando.
    fui!

  6. Mariana disse:

    Tô gostando de ver, muito, muito bacana esse trabalho que o CCBB faz. Espero que se dissemine pelo Brasil todo para que todos possam prestigiar! =)

    Ow, essa Amanda é muito fofa. Já a vi num vídeo e ela fala muito bem mesmo, toda desenrolada e criativa com as palavras!

    Bjs,
    p.s.: Ri demais com o comentário de Rodolpho! :X

  7. Roner disse:

    Lak e Edu,
    obrigado a vcs que abrilhantaram ainda mais nosso encontro aki em Campinas.
    O mais engraçado é que a gente marca encontro, diz que “la a gente conversa”, e no fim, conversa, conversa, e acaba nao conversando nada, rsrsr….
    Ou seja, sao tantas pessoas pra dar atencao e nao conseguimos a tao esperada conversa sobre as “Paginas do FIC”. Mas… valeu pelo “face to face” e vamos manter contatos.
    Obrigado pela divulgacao das fotos e pelo adjetivo colocado nelas. Adoro fotos assim, que exprimem EMOCOES.

    Abracao!! 😳