Como é feito o Teste da Orelhinha?

Imagem: Divulgação

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Imagine que toda a sua compreensão do mundo pudesse depender de uma única ferramenta. Qual seria a importância dela na sua vida?

No caso, não estamos falando de nada muito abstrato, mas do desenvolvimento de uma das ferramentas mais importantes para a nossa interação social: a linguagem. Pois é através dela que comunicamos nossas vontades e necessidades e que compreendemos as mensagens que nos são passadas. Tudo o que aprendemos como cultura e sociedade vem através dela.

Mas, o que isso tem a ver com o Teste da Orelhinha?

A surdez é uma deficiência sem qualquer marca física e bebês, por sua vez, tem um período particular (comumente durante o primeiro e segundo ano de vida) para aquisição crítica da linguagem. A ausência de comunicação adequada nesse período pode impactar a comunicação de um ser humano pelo resto de sua vida.

Até bem pouco tempo atrás, a única forma dos pais saberem se um bebê era surdo, era prestando muitíssima atenção às reações do bebê diante de situações de barulho. E, mesmo assim, os médicos acharem que a ausência de reação percebida pelos pais era histeria ou frescura. E o resultado é que muitas crianças nascidas surdas só tinham contato com alguma forma de comunicação adequada para ela (fosse pela língua de sinais, fosse pela intervenção com aparelhos auditivos, fosse pela fonoaudiologia) lá pelos 4 ou 5 anos de idade.

Hoje, a medicina já evoluiu o suficiente para que os pais saiam da maternidade com informações a respeito da saúde auditiva do bebê: através do Teste da Orelhinha.

Segundo o Ministério da Saúde, o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (também chamado de triagem auditiva neonatal ou teste do ouvidinho), consta da tabela de procedimentos obrigatórios do SUS desde 2010 e é oferecido gratuitamente à população.

É um exame simples, indolor, que pode ser feito no bebê dormindo. Um fone de ouvido é colocado no ouvido do bebê e mede a presença de emissões otoacústicas e é um dos primeiros sinais de que há ou não a possibilidade de uma perda auditiva para aquele bebê.

O ideal é que o exame seja feito ainda na maternidade ou, pelo menos, no primeiro mês de vida. E, se houver histórico indicativo de surdez, realizar um monitoramento entre os 7 e os 12 meses pela audiometria de reforço visual.

Nos casos do resultado apresentar uma alteração – o que pode acontecer quando o bebê é muito novinho e ainda possui líquido amniótico no tímpano – repete-se o exame em 30 ou 40 dias. Se o bebê tiver outro resultado alterado depois desse período, é encaminhado para fazer outros exames mais elaborados. E, em caso de confirmação da perda, os pais devem ser orientados em relação a todas as formas de estimulação da linguagem do bebê: língua de sinais, intervenção precoce auditiva (aparelhos e implantes) e/ou comunicação universal (aparelhos/implantes + língua de sinais).

Sempre enfatizo na importância de que descobrir a perda auditiva cedo não significa de forma alguma que o bebê será implantado. O implante coclear é UMA das alternativas para o desenvolvimento da linguagem do bebê, assim como a Língua de Sinais. E, inclusive, eles podem ser inseridos em conjunto para que o bebê tenha uma comunicação mais ampla.

No entanto, quanto mais cedo for a descoberta da surdez, mais cedo alguma forma de comunicação adequada será inserida na vida da criança surda e mais cedo, ela poderá aprender a se comunicar com o mundo.

Caso a maternidade do seu filho não faça o Teste da Orelhinha, solicite ao pediatra este exame o mais cedo possível. A descoberta precoce da surdez é algo fundamental para o bem estar da sua família.

Beijinhos sonoros,
Lak

p.s. Apenas opinião pessoal minha, avaliação audiológica deveria ser feito em todos os bebês, com ou sem histórico familiar ou indicativos de risco, semestralmente até os 2 anos de idade. Há casos de crianças cujos pais confiaram no resultado favorável do primeiro teste e só foram descobrir que ocorreu uma perda posterior quando a criança já tinha perdido esse período crítico de aquisição de linguagem, mesmo sem qualquer histórico familiar conhecido. É uma precaução a mais, para evitar um problema maior no futuro. Como nem sempre há profissionais qualificados para essa demanda, a dica de uma fono é que  durante avaliação periódica do pediatra, que deve estar capacitado para avaliar informalmente o desenvolvimento de linguagem da criança, ao primeiro sinal de alteração encaminhar para um serviço de audiologia.

2 palpites

  1. Anna Paula disse:

    Olá, primeiramente Parabéns pelo texto, muito bacana.
    A respeito da tua observação ao final do texto, os profissionais da audiologia do mundo todo concordam com a importância de uma avaliação frequente mesmo dos bebês sem risco. Porém, eled também concordam que nos faltam profissionais e equipamentos para tanto, de forma que nem os bebês de risco estão sendo acompanhados adequadamente muitas vezes. Infelizmente. Portanto, é muito importante a avaliação periódica do pediatra, que deve estar capacitado para avaliar informalmente o desenvolvimento de linguagem da criança, e ao primeiro sinal de alteração encaminhar para um serviço de audiologia.

    • Lak Lobato disse:

      Obrigada pela contribuição, Anna Paula. Vou até arrumar o texto e colocar da maneira como você sugere! O que não quero, é que pareça que o teste da orelhinha resolve tudo e nenhum outro exame é necessário, só isso.
      Beijinhos