Consulta publica contra a mudança do ROL da ANS no Bom Dia Brasil!

Ontem (21/07) foi meu terceiro aniversário de casamento! =)

O legal é que os “presentes” surgem de forma inesperada. Um deles foi ficar sabendo – o que provavelmente, foi à partir do esforço de várias pessoas realmente engajadas em manter o Implante Coclear à disposição de quem precisa dele – que o Bom Dia, Brasil!, na Rede Globo, fez uma reportagem sobre como a mudança quanto ao ROL de procedimentos da ANS quanto ao Implante Coclear é prejudicial ao consumidor. Quem quiser ver o video da matéria: link.

Para quem pegou o bonde andando, trata-se de uma mudança de cobertura obrigatória de convênios sobre de vários procedimentos médicos absolutamente necessários, tais como a cirurgia do Implante Coclear, em diversas modalidades, tais como: implantes bilaterais e crianças entre 6  e 18 anos.

Eu uso o implante apenas no ouvido esquerdo, porque felizmente tenho a sorte de ter audição residual com ganho considerável com o AASI no ouvido direito, que permite o eco necessário para localização dos sons. Naturalmente, ouvimos com os dois ouvidos e a perda auditiva de um lado, mesmo com pleno audição do outro é uma deficiência. Portanto, para quem não tem ganho suficiente para complementar o IC com aparelho (e crianças cujas células auditivas ainda são suficientemente moles para incorporar completamente o implante) precisam SIM do implante bilateral. E, como até os especialistas contestam essa mudança, podemos perceber que a base é exclusivamente financeira, pois os planos alegam que trata-se de um procedimento caro e impedindo que se faça o bilateral, “sobra dinheiro” para mais pessoas fazerem.

Como disse o Dr. Ricardo Ferreira Bento do HC FMUSP, na entrevistas: “Em vez de dar um óculos com duas lentes paras pessoas que têm dois olhos, você dá um monóculo que usava há 200 anos, porque um monóculo é uma lente só. É mais barato do que duas. Pessoa vai enxergar com monóculo. Mas é muito melhor você ter dois olhos”

No caso de crianças pré-linguais entre 6  e 18 anos mesmo oralizadas e com boa leitura labial não tem mais direito de fazer o IC pelo convênio, nem imagino qual a base da argumentação da ANS. Talvez aleguem que nesses casos, a criança não perde o “sotaque” típico  de deficientes auditivos (realmente, quanto mais cedo o IC for feito, mais próxima à audição natural será a audição da criança). Só que esquecem que ouvir não se limita à comunicação interpessoal. Ouvir serve para milhares de outras coisas, afinal, o universo sonoro é  vasto e constante, por isso, alegar que o IC é desnecessário para essa faixa etária é bizarro!

Precisamos que cada vez mais especialistas – médicos, fonoaudiólogos – tenham informação dessa péssima mudanca para que participem da Consulta Pública, impeçam que essa monstruosidade permaneça e voltem a permitir que mais deficientes auditivos entrem e retornem ao maravilhoso mundo dos sons.

Beijinhos sonoros,

Lak

7 palpites

  1. Simone disse:

    HAJA muita gente que DEFENDA os benefícios do IC!
    😈

  2. Tania Speroni disse:

    Possso copiar????????
    beijos

  3. Rogerio disse:

    Deixa eu ver se entendi: a ANS é um órgão do governo, certo? O SUS também, né? O governo federal vai determinar que o SUS supra a lacuna criada por essa decisão estúpida da ANS?
    Por outro lado, desconfio que o presidente da entidade agregadora dos planos de saúde atende pela alcunha de Don Corleone. Junte a isto a fantástica capacidade de aglutinação de corruptos no governo, agências reguladoras incluídas, e teremos mais da metade da explicação na mão. A parcela restante é incompetência, mesmo.
    Afinal, que “evidências científicas” esses senhores esperam, além do que especialistas já disseram e demonstraram? Que tal, como disse a âncora, consultar os maiores interessados (não no dinheiro), que são os implantados, familiares e demais pessoas de seu convívio?
    A vontade é de dar uma surra nessas centopéias.

  4. Geraldine disse:

    POA/RS, 27 de agosto de 2010
    A consulta pública acabou em SP… e o pessoal ficou indignado, pois o procurador federal de lá não atendeu mais os telefonemas e mandou a secretária avisar que a documentação havia sido encaminhada para o MPF do Amazonas.

    Só que a Tatiane Braga representante da ‘AMADA’ no Amazonas e que interpôs com a ajuda minha, da Diana – assessora do MPF da Bahia – (implantada de Baha) e da advogada dra. Maria aparecida cossenti, que assinou para nós a ação, averigou no MPF de lá que eles iriam somente juntar a documentação no processo e atuariam somente como fiscal da Lei.

    O MPF de SP e do Amazonas não sabem que o juiz federal já recebeu a exceção de incompetência da ANS e essa papelada toda vinda de SP – daquela consulta pública – a ser juntada ao processo de nada adiantará, pois o juiz federal vai extinguir o processo em face da competencia territorial!

    Para não perdermos tempo vamos ajuizar a ação no RJ!! Enquanto isso o MPF de todos os Estados do Brasil somente fica no jogo de empurra e empurra e não faz absolutamente nada em favor dos deficientes auditivos e implantados!!

    Será que eles tem medo do governo?? afinal, é este que paga o salário deles… ou será que não querem trabalhar e meter os peitos para cumprir a sua função que é defender a sociedade e estão deixando tudo para a associação – AMADA – fazer??

    Embora o MPF de SP soubesse que a ação seria extinta no Amazonas – o procurador de SP mandou toda documentação assim mesmo para lá e tirou férias até outubro!!

    Walter bi-implantado, Scheila, mãe da Amanda – usuária de AASI, Dennis -implantado, L. Filipe – moderador do FIC (implantados), Trycia, mãe do fofo bi-implantado Gael – todos nós estamos indignados, pois o Procurador de SP sequer recebeu o pessoal e dignar-se a dizer os motivos da documentação da consulta pública estar indo para o Amazonas já que lá estava sendo extinta. Mandou a secretaria falar e não quis nem falar com o pessoal de sp que foi a várias reuniões. pouca vergonha!!

    é um descaso total com várias crianças deficientes auditivas, pais de implantados e implantados!!

    Mas deixa estar em breve a ação civil pública da AMADA estará sendo ajuizada no RJ, sede da ANS, pois esta e o Juiz entendem, por divergencia de jurisprudencia, que a mesma deve responder na sua sede que é no RJ. além disso, não iremos recorrer da decisão e perder tempo, pois o TRF1 entende no mesmo sentido e com a morosidade da justiça o mérito da questão fica sendo deixado de lado .. para se discutir qual juiz é competente para julgar a causa!! e criança continuam surdas aguardando uma decisão da justiça…

    é uma pouca vergonha esse Brasil!!

    Abraços sonoros, Geraldine, mãe do bebê implantado Maurícyo – quase bilateral – aguardando feitura da segunda cirurgia aprazada para final de setembro/outubro ja autorizada pela Unimed Porto Alegre.