Cozinha Sonora

Eu sempre gostei de comer.

Claro, todo mundo gosta de comer, mas eu realmente gosto de comer. Sou do tipo esganada…

Não que eu coma muito de uma vez só. Eu como em pequenas porções, mas o tempo todo. Estou sempre mastigando alguma coisa.

Por conta disso, já fui chamada de um monte de apelidos. O meu favorito é ‘Ratinha’, como Edu me chama, porque diz que sempre me ouve mexendo em algo na cozinha, feito um rato…

Mas confesso que cozinhar nunca foi meu forte. Eu cozinho relativamente bem, mas tenho uma certa preguiça de passar horas produzindo um banquete. Minha ídola de culinária é a Nigella Lawson, justamente porque os pratos que ela ensina a preparar são rápidos, práticos e ficam saborosos….

De vez em quando, me arrisco a fazer algo mais elaborado, mas sempre abusando das facilidades da cozinha.

Quando fiz o implante coclear, percebi que a cozinha é um dos lugares mais barulhentos da casa. É barulho de água, é barulho de fogo. Barulho dos eletrodomesticos. Dos utensílios. Barulho de cozinha mesmo. Já fiz alguns relatos aqui no DNO sobre descobertas e deslumbramentos sonoros que aconteceram na cozinha de casa.

Como sempre conto, o IC é um processo gradual de aprendizado sonoro, quando se ficou mais de uma década sem ouvir. Ouvir é um constante aprendizado. A gente vai formando registros de sons, aprendendo a reconhecer cada som ligado a cada coisa. É preciso ouvir um número grande de vezes, para fixar que dado barulho se refere a dada coisa, para que não se confunda com outra.

Hoje, 19 meses depois da ativação, eu já me localizo bem com sons, reconheço quando me chamam (tá, não sempre, porque sou distraida), já começo a ouvir a conversa alheia e tal… Mas, ainda me pego tendo encantamentos sonoros. Embora eles mudem de forma.

Esses dias, resolvi fazer um risoto de tomate e queijo, tarde da noite (é, eu como depois das 20hs sem complexo de culpa) e a sensação de cozinhar usando a audição como referência foi absolutamente especial.

Começou assim:

Faço o arroz no microondas. Então, na panela especial para microondas, coloco o tablete de tempero para arroz e um pouco de água numa chaleira, afim de dissolvê-lo. Enquanto pego o arroz e os outros utensílios no armário, ouço a água começar a borbulhar na chaleira. Desligo. Dissolvo o tablete, coloco o 1 copo de arroz e 2 de água. Tampo a panela com filme de pvc e furo com o garfo. Levo ao microondas. Ouço o barulhinho de ‘plim plim plim’ enquanto digito 15 minutos e o ‘vrummm’ do microondas ligado.

Saio da cozinha e volto 10 minutos depois. Começo a preparar os ingredientes que comporão o risoto. Lavo e descasco o tomate, pico a cebola. O som de picar legumes é deliciosamente inconfundível. Levo a cebola à panela para dourar, enquanto o arroz acaba de cozinhar. Ouço, então, o apito de término do microondas. Tiro o arroz e termino de juntar os ingredientes na panela.  Misturo até que o tempero esteja do agrado do meu paladar e junto o arroz. Cozinho mais alguns minutos, até que o risoto começa a fazer bolhas e um barulhinho típico, que me diz claramente que está no ponto que me agrada. Saberia disso de olhos fechados.

O implante coclear não me devolve apenas a audição, ele me devolve a sensação de que a vida é plena e completa. Dá-me o direito de saboreá-la usando plenamente meus cinco sentidos!

Beijinhos sonoros,

Lak

18 palpites

  1. Mariana disse:

    Sou bem magrinha que faz o povo pensar que eu não gosto de comer, heheh, mas eu a-do-ro comer também. E cozinhar, embora eu precise aprimorar mais meus dotes culinários, mas questão de prática, né? 🙂 Gosto de me aventurar na cozinha e adorei a dica de Nigella! Vou curiar as receitas dela (achei a coisa mais linda o site)! Tu já viu algum programa de Jamie Olivier? Ele só apresenta receitas práticas também, e deliciosas! Gosto muito da técnica papillote, onde você pode fazer macarrão, peixe ou frango e enrola em um papel alumínio e coloca no forno… dura uns 15 minutos só, dependendo da receita e fica muito bom!

    como seria esse barulhinho típico que indica que está no ponto que te agrada? eu sempre experimento antes de desligar, pra ver se está do jeito que eu gosto. não vejo a hora de chegar lá, ouvir essas borbulhinhas e saber que está pronto sem precisar experimentar. 🙂
    eu me lembro de um relato que tu escreveu em que percebe que o som muda quando coloca vinagre em azeite (ou margarina, não me lembro…). isso me deixou tão curiosa e continuo! risos

    beijos,

    • laklobato disse:

      Já sim. Mas acho as receitas dele, em geral, muito complexas. Uma ou outra que se salva, no sentido de ser prática. Prefiro as comidas alienígenas e rápidas da Nigella. hahaha
      Beijinhos

  2. Eliane disse:

    É isso, é um lugar onde vc utiliza os 5 sentidos!!!!!
    que luxo que é cozinhar, que alquimia essa de misturar os ingredientes
    exercitando os 5 sentidos…Lak vc faz tudo virar poesia deliciosa e, nesse caso no sentido literal da palavra.
    beijos saborosos rsrsrs 😛

  3. Renata disse:

    Querida Lak amo cozinhar, mas prefiro Jamie Oliver… rsss. Você sempre me surpreendendo, nunca pensei que fazer arroz fosse tão poético. beijos e bom fim de semana

    • laklobato disse:

      Segundo comentário citando o Jamie Oliver hahaha Prefiro a Nigella mesmo. Acho que ela ensina a culinária ideal pra gente preguiçosa tipo eu. hehehehe
      Beijocas

  4. Marcus disse:

    Também gosto do programa da Nigella!!!! Os outros que eu curto são o programa do Olivier Anquier e do Jamie Oliver. 😀

    • laklobato disse:

      Poxa, o do Olivier Anquier falta legenda. Nem sempre consigo acompanhar tudo o que ele diz. Mas, realmente, é bacana e as coisas que ele faz, dão vontade de provar…
      Beijocas

  5. Deni disse:

    Também prefiro Jamie Oliver… hehehe… acho ele mais prático que a Nigella, embora goste dela também, mas já me deparei com algumas esquisitices nas receitas dela ;). Quanto ao Olivier Anquier acho um chato!
    Mas.. falando em suas descobertas sonoras, gostei da forma poética na qual cozinhou um simples arroz, bacana isso. Gosto de cozinhar e experimentar receitas diferentes, só não ouço todos os “barulhinhos” que você citou… 🙁

    Beijos e um ótimo final de semana!

  6. Rogério disse:

    Jamais poderia imaginar que você é uma glutona. Com esse corpitcho, achei que fosse a mais comedida das criaturas ahahahahah.
    Taí uma coisa que não comungamos: cozinhar. Mesmo quando estava na entressafra do primeiro para o segundo casamento, o máximo que conseguia produzir era uma macarronada. Mesmo não sendo um desastre total, passava a anos-luz do toque de Midas que você falou.
    Você sumiu do meu blog, nem deve estar sabendo que sou – ou estou – um ilustre muletante. Passa lá, tô com saudade de você.
    Beijos.

    • laklobato disse:

      Eu sabia sim, minha mãe lê seu blog e me contou hahahaha já já dou uma passada lá.
      Pois é, eu nem sou tão magra assim, mas meu segredo pra manter o peso ‘quase’ sob controle é comer de pouquinho em pouquinho. hehehe
      Beijocas

  7. Crisaidi disse:

    Assunto é cozinha?

    Fiquei grávida aos 17. Me casei e tive meu bebê aos 18 e não sabia cozinhar! 😥 Meu ex foi tão legal… nunca reclamou de tanta lataria e arroz em papa queimado! (Também não me contava que já havia comido na casa da mãe!)

    Hoje cozinho muito bem. Aprendi muito graças às receitas de revistas e de embalagens de alimentos (caixas e latas).

    Sempre chamei meus filhos para me auxiliarem na cozinha e ambos me surpreendem com pratos deliciosos!

    Deni, se não fosse esse chato… Uma das melhores receitas de TV foi a ‘Boeuf Bourguignon’ feita pelo Olivier Anquier (http://www.olivieranquier.com.br/receitas/receita.php?id=26). Maravilhoso com uma ciabatta da padaria Olivier Anquier e um bom vinho tinto.

    Lak, cozinha faz muito barulho, mas… principalmente quando estou brava! 👿 rsrsrsrs

    E no ‘DE CAFÉ EU ENTENDO’ há uma xícara de café com uma fumacinha que é convidativa!

    Olivier, eu também sou chata. rsrsrsrsrs

    • laklobato disse:

      hahahaa o assunto é cozinhar… No caso, usando inclusive os ouvidos, coisas que vocês já estão tão acostumados e nem reparam mais hihi
      Sobre a fumacinha do café de lá, era daqui, nunca reparou? A xícara abandonou o DNO temporariamente, pra ilustrar somente o blog do café, com a fumacinha e tudo, mas já já ela volta pra cá tb!
      Beijos

  8. Deni disse:

    hhehehe… Crisaidi, eu não disse que as receitas do Olivier são ruins, eu mesma já preparei umas massinhas dele, mas ele… a pessoa dele não me passa simpatia, além da forma de programa dele ser meio chatinho… 😉

    agora… mi perdi.. que história essa de café???? eu sou desligada, mas já entendi que tem blog novo na área e de café??? Amo essa bebida!!! vou lá espiar 😀

    bjs

  9. Maíra disse:

    Adoro onomatopéias: plim plim plim, vrummm…..
    E descobri outro gosto que temos em comum: CAFÉ!!!!!!!!!!!!!