Dinâmica familiar pró-Implante Coclear

Sendo muito muito cara de pau (e com autorização devida) resolvi trazer dois depoimentos sequenciais publicados no blog da Paula Pfeiffer, Crônicas da Surdez, sobre uma menina nascida surda que cresceu implantada, Bianca, e sua mãe, Nailma, fonoaudióloga. O depoimento das duas é lindo e reforça a importância da família para o sucesso do Implante Coclear.

Um presente especial às mamães de implantados e pré-implantados que lêem o blog:

Depoimento da Bianca:

Oi galera,

Também resolvi contar a minha história, pois acho muito interessante trocar experiências e informações com alguém parecido com a gente. Bom, nasci com surdez profunda em ambos ouvidos e assim meus pais buscaram o melhor para mim. Como minha mãe é fonoaudióloga (já estava nessa especialidade antes de eu nascer! Legal, né?) treinou bastante com a minha fala e a voz até implantar na minha cóclea aos quatro anos de idade. E agora, sou usuária do I.C. no ouvido esquerdo há 16 anos, sempre fui educada nas escolas regulares e convivi com os ouvintes. Por ter maior contato com sons e com os ouvintes, acabei sendo oralizada e admito que de Libras, na verdade só sei o alfabeto. Mas sempre consigo aprender alguma coisa com meus amigos que são bilíngües – só que eles moram longe e conseqüentemente não aprendo bastante por falta de prática. Mas com isso eu não tenho problema, porque tenho a minha fala e audição para me comunicar com qualquer um que seja graças ao Implante Coclear (I.C.).
Já passei alguns momentos difíceis que foram identificados nas histórias de vocês, tive, sim, o preconceito, mas não acentuou, pois tenho amigos que sempre estiveram ao meu lado e também nunca liguei para as pessoas que pensam ou fofocam sobre mim porque não preciso saber disso, portanto sei o que sou e sei que eles são ignorantes.

Claro que tive alguma dificuldade por conta da timidez, pois tinha vergonha de falar por causa da diferença de minha voz e agora sou mais solta e não ligo para isso. Ficava perdida nos assuntos com o grupo ouvinte, mas perguntava para minha amiga o que eles estavam falando e já me entrosava na conversa, tentava acompanhar labialmente os professores. Isso tudo é só se esforçar com o tempo e fazendo a fonoterapia com determinação, é assim que faço até hoje.

Ah, eu não sou contra aos surdos sinalizados e não tenho preconceitos, pois nos dias de hoje ainda tem o atrito entre ouvintes e usuários de IC com os surdos sinalizados. Tenho amigos que são sinalizados e não usuários de Implante coclear e sempre respeitei-os, e também fiz a minha parte ajudando-os a entender melhor o implante coclear.Consegui sim encorajar alguns a fazer, mas tem outros que ainda não confiam no IC. Enfim, estou aqui sempre à disposição para ajudar alguém sobre isso.

Atualmente, faço curso de Farmácia, ainda no primeiro semestre, tenho 19 anos e sou muito feliz, tenho amigos verdadeiros, família maravilhosa e o I.C. já bastam para a minha vida ser boa! Ou seja, tenho muito orgulho de ser eu !

Abraços a todos!

B.
(originalmente publicado em: Usuária do IC há 16 anos)

Depoimento da Nailma:

A Bianca me pegou de surpresa, eita menina danada!!! Ela é muito saída, acho que essa auto-estima lá em cima foi decisiva na vida dela, que nunca se comportou como coitadinha. Nós (eu, o pai e o resto da família) sempre a tratamos igual à irmã. Quando nasceu, ela corria risco de vida por conta da hepatite, então a surdez (que descobri quando ela tinha 15 dias) passou a ser algo muito pequeno. Ela me ajudou na minha profissão, pois passei a ter a experiencia de mãe de deficiente auditivo e com isso pude lidar melhor com as mães de meus pacientes. Quando conheci o implante coclear ela tinha 2 anos, mas naquela ocasião só se implantava com 4 anos. A Bianca ela já falava quando fez o implante, mas a articulação era muito ruim, por falta do feedback auditivo, os aparelhos davam para ela apenas sons fortes, mas não percepção de fala.

Quando ela fez um ano de implante teve que retirar pois teve uma otite horrível! Foi muito sofrido, mas não nos fez desistir do IC. Seis meses depois ela implantou novamente. Bianca é uma garota totalmente antenada com o seu tempo, cheia de amigos, sabe inglês, dançou ballet, viaja sozinha, já foi pra fora do Brasil…enfim, tudo que todas as garotas da sua idade fazem. Ela é muito resolvida e feliz!

Atualmente faz fono para um trabalho específico de voz, com um colega. Usa o sistema FM na sala de aula, o que ajuda muito. Acho que o principal fator do sucesso de Bianca é a atitude dela frente ao mundo! Atuamente faço parte de um grupo de impalnte coclear em Itabuna, me coloco à disposição para qualquer ajuda ou informação. Parabenizo a iniciativa deste blog.

Beijos, Nailma Arraes
(originalmente publicado em: Fonoaudióloga e mãe de uma D.A. que fez implante coclear)

Achei uma das histórias mais lindas sobre o IC que já vi. Humana, poética, simples e um exemplo de sucesso!
E que espero, do fundo do coração, que seja um estímulo à muita gente!
Beijinhos sonoros,
Lak

16 palpites

  1. teresa disse:

    Olá Lak!! Obrigada pela informação da história da Bianca. Aquele comentário é muito parecida comigo. Já mandei dela sobre isso. Vc sabe que adoro receber detalhes do IC.

    Beijos. 😀

  2. Diego disse:

    Olá Lak,
    Acompanho seu blog, como tb o cronicas da surdez. Não possuo deficiência auditiva mas namoro com uma menina que possui. Antes de começar o namoro pesquisei bastante para entender um pouco mais sobre essa questão. Contudo tenho muitas dúvidas, uma delas é em relação ao IC, ele é indicado em quais situações? Minha namorada tem 18 anos e nunca ouviu e nem utilizou aparelhos (família humilde).
    Obrigado

  3. Julia disse:

    É praticamente ver o belo encontro entre duas pessoas. Parabéns por promove-lo atraves de seu blog. beijinhos 😳

  4. Bárbara Neves disse:

    Lak, mandei uma e-mail pra vc! Olhe lá. Bjos

  5. Marcelo disse:

    Parabéns para a Bianca e para toda a família dela que a apoiou em todos os momentos

  6. Drauzio Junior disse:

    Oi Lak! Tudo bem?

    Estou meio sumido. Passei aqui para te dar um “oi” e mandar um abração!
    São excelentes os depoimentos da Bianca e da Nailma. São experiências que servem de suporte para muitas pessoas que, talvez, tenham dúvidas sobre o IC.

    Precisamos marcar uma hora para conversar no Face Time.

    Abração,

    Drauzio Junior 🙂

  7. Marcio disse:

    Oi Lak! Muito legal o blog, acessei pela primeira vez e fiquei por aqui várias horas. Tenho uma tia paraplégica, e desde que me lembro ela mora com a gente. Por isso desde criança nunca fui preconceituoso. É triste saber que muita gente mesmo depois que atinge a idade adulta (só em números mesmo) continua querendo ser ‘pop’ e trata as pessoas de modos diferentes. Ainda bem que por aqui não tem isso. Ah, e só pra constar, laka é o meu chocolate favorito.

    • laklobato disse:

      Hahaha bem vindo ao DNO então.
      Eu tenho amigos com tudo que é tipo de deficiência e sabe, são pessoas tão humanas quanto qualquer outras. Esse é o segredo… pessoas são sempre pessoas, independentemente das suas condições físicas ou sensoriais. E, salvo as pobres de espírito, elas sempre tem muito a nos acrescentar.
      Volte sempre e fique a vontade.
      Beijocas

  8. Kali disse:

    Lindas histórias! O mais mágico é ver como as experiências se entrelaçam e são diferentes ao mesmo tempo… perspectiva é tudo! 🙂