Fonoaudiólogas formadas em reabilitação auditiva

A gente se conheceu no twitter. Acho que ela caiu aqui no blog e me adicionou lá. E aí, começamos a conversar, para trocar figurinhas sobre o Implante Coclear.
Aline é fonoaudióloga especializada em reabilitação auditiva e, somado ao fato de ser xará da minha fono, isso acabou rendendo boas conversas entre nós duas.
Dia aí, pensei em trazê-la ao DNO, porque sei que mães e pais de crianças com deficiência auditiva lêem blogs e poderiam se beneficiar conhecendo um pouco mais essas profissionais dedicadas ao treinamento auditivo de quem ouve através de uma prótese ou implante.

1. Aline, fale um pouco de você. De onde você é, qual sua idade, essas coisas.
Olá pessoal, meu nome é Aline Nascimento dos Santos, tenho 27 anos e sou de João Pessoa – PB. Sou formada pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPE (2005) e Especialista em Audiologia Clínica pela Universidade Potiguar UNP – RN (2007).

2. Como você teve seu primeiro contato com fonoaudiologia? Por que escolheu essa carreira?
No começo não esperava cursar fonoaudiologia. Uma grande amiga já cursava e começou a me contar o que ela realizava com seus pacientes. A partir desse dia, decidi fazer o curso. Fui vencida pela curiosidade de ser uma profissão nova e que teria um mercado de trabalho mais amplo.

3. Durante a faculdade, o que te fez optar pela área de reabiliação auditiva?
Na faculdade, temos aulas teóricas e práticas de todas as áreas da fonoaudiologia. São atuações voltadas para uma clientela muito especial. Trabalhar com linguagem em portadores de síndromes, por exemplo, é a terapia mais bela que existe, entre outras patologias. Cada pequena evolução desses pacientes é uma grande vitória para nós. Mas, eu queria algo que pudesse ver a evolução imediata, que visse o retorno clínico do trabalho que estava realizando. Foi aí que encontrei na Audiologia as respostas imediatas que tanto buscava. Não desmerecendo as outras áreas que são belíssimas, mas minha paixão é Audiologia.

4. Como foi seu primeiro contato com pacientes?
Só começamos a clinicar no ultimo ano de curso. Durante um ano, atendemos em todas as áreas da fonoaudiologia. Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira paciente de reabilitação auditiva. Na Audiologia educacional realizamos a reabilitação auditiva em grupo com crianças da mesma faixa etária. Cada pessoa do grupo fica responsável em estudar o caso de seu paciente e expor a melhor terapia que possa realizar em conjunto. E para minha surpresa, adivinhem quem era o/a paciente e o que tinha de especial? Minha paciente era uma menina linda de olhos azuis, cabelos curtinhos e raspados pela metade. A pequena Bia, 3 anos, tinha acabado de fazer o implante coclear. O tamanho da minha surpresa foi proporcional ao amor que tive com aquela paciente e pelo implante coclear.

Aline (a terceira da direita pra esquerda) com sua paciente Bia (a mocinha de camiseta da Minie, minissaia e cabelo curto)... Descrição da foto aos amigos com deficiência visual: Grupo de de fonoaudiólogos abraçados com pacientes crianças.

5. Como vc soube do Implante Coclear? O que pensa a respeito dele?
Depois do meu primeiro contato com o implante coclear na universidade, comecei a estudar sobre ele. Vi claramente que minha paciente, na faculdade, evoluía rapidamente ao passo que as outras crianças que só usavam próteses não alcançavam o mesmo rendimento. O resultado que pude observar com seu uso do IC é incomparável em relação às próteses auditivas. É importante frisar que não são todos os pacientes que podem ser implantados, pois existem critérios audiológicos e fisiológicos que devem ser seguidos.
O implante é uma questão de saúde pública e deveria ser levado mais a sério pelas autoridades competentes em relação à busca de mais recursos financeiros, assim, mais pacientes poderão ser beneficiados com essa nova tecnologia.

6. Como é lidar com pais de crianças que foram/serão implantadas?
A relação com os pais é sempre delicada e ao mesmo tempo de confiança. Uma reabilitação só é completa se a família fizer sua parte e motivar a criança, assim como fazemos em terapia. No caso de pais de implantados é diferente. Eles estão numa ansiedade e expectativa que os filhos não vão mais precisar de terapia e de estímulo. E nessa hora que entra a cautela e a confiança, explicar como será o novo procedimento e expor os riscos de falha no processo. A rejeição do implante não é impossível, é bem real. A pequena Bia teve rejeição ao IC. Foi uma tristeza na família e um atraso em sua evolução, mas a equipe médica decidiu colocar no outro ouvido e há 5 anos ela esta implantada sem mais nenhuma complicação.

7. Já atendeu pacientes adultos?
Nunca atendi paciente implantado adulto. Os pacientes adultos que eu atendo usam próteses. Tenho vontade de estudar algum caso de paciente adulto com IC, por enquanto só tive oportunidade de estudar em crianças.

8. Já aconteceu de ter que lidar com ansiedades e frustrações da parte de pais e/ou pacientes? Como você trabalha isso?
Isso é muito comum na rotina de pacientes em reabilitação. Procuro mostrar casos de sucesso aos pais e motivá-los a querer ver essa melhora em seus filhos. Em toda área de reabilitação é assim. Trabalhar com motivação, superação, limites, frustrações é o que nós fonoaudiólogos fazemos todos os dias. Temos que estar bem todos os dias para passar tranqüilidade e confiança a essas famílias.

9. Acha que usuários do IC divulgarem informações na internet ajuda? De que maneira?
Toda informação sobre o IC é válida. Creio que mostrar as experiências e a vivencia após a cirurgia ajuda a desmistificar o implante. Divulgar os ganhos auditivos adquiridos com o uso do IC é uma forma eficaz para viabilizar mais incentivos para as cirurgias. Os profissionais envolvidos com a reabilitação auditiva possuem o dever de divulgar os ganhos concebidos, realizar estudos clínicos, divulgar pesquisar, escrever artigos, entre outros. Tudo isso com a finalidade de ajudar essa clientela que é tão bem adaptável ao IC.

O trabalho em conjunto com a fono é fundamental para o sucesso do Implante Coclear. A família deve participar desse processo, dividir todas dúvidas com a fono e ajudar na manutenção dos exercícios de audição/fala em casa. Elas são nossas parceiras de jornada pelos caminhos do implante coclear. Por isso, busquem uma profissional de confiança e trabalhem em conjunto, minha dica!

Beijinhos sonoros,
Lak

10 palpites

  1. Marcelo disse:

    Grandes perguntas, excelentes respostas!
    Gostei muito dessa entrevista!

  2. Larissa disse:

    Minha irmã responde bonito mesmo, só bomba. Laak, quem apresentou as senhoritas fui eeeeu, pelo twitter da vidaaa, rsss.. Eu lembro dessa paciente, todo dia ela contava uma história diferente da Bia, toda fofa. Vamos divulgar E divulgar o IC, no tempo que Aline estudava eu nem sabia direito o que era, depois que a gente “entra” na acessibilidade, começa a querer saber tudo que a promove… Agora acho o máximo, parabéens brothaaar! E parabéns pela iniciativa de divulgar esses profissionais, Lak! beeeijos

    • laklobato disse:

      Larica, deixa de ser implicante com a sua irmã haha As respostas dela foram pertinentes e dignas de uma profissional. É importante ter informações de que o IC é uma tecnologia e, como tal, propensa a falhas (até o corpo humano é propenso a falhas hehehe).
      No mais, obrigada por nos apresentar. Viu que resultado dusbão?
      Beijinhos

  3. Aline disse:

    Espero que tenha contribuído e estou a disposição para dúvidas.
    Larissa, deixe de “arengar” comigo…
    Beijossss Lak

  4. Mariana disse:

    amei! amei mais ainda saber que ela é minha conterrânea! auhau parabéns, aline! imagino como deve ser uma sensação maravilhosa testemunhar as conquistas sonoras das crianças implantadas :~

    E Lak, hoje tô tão bestinha e aproveitando isso, amo teu blog, viu?

  5. Rogério disse:

    Pelo visto, próxima a ser entrevistada é a Mariana, né?
    Sabe, Lak, minha filha conviveu com enfermeiras, fisioterapeutas, fonos e TOs durante anos. Então, sou suspeitíssimo para falar sobre esse tipo tão especial de ser humano. Mais do que cumprir uma obrigação profissional, essas pessoas desafiam padrões e praticam aquilo que boa parte da classe médica execra: incluem nos atendimentos o envolvimento emocional. E, quer saber? Isso faz uma diferença que salta aos olhos, principalmente quando o paciente é uma criança. O lúdico motiva, relativiza a dor e o desconforto, provoca interação, alcança resultados com mais qualidade e, não raro, menos tempo.
    Todo meu respeito e admiração às ‘Alines’ que fazem deste mundo algo bem mais suportável.
    Um grande beijo estalado.

    • laklobato disse:

      Entrevista não. Mari fará depoimento mesmo. A experiência dela vai além de meras entrevistas hahahaha
      E sim, fonos precisam ser um pouco ‘mãe’ dos pacientes, pra trazer à luz o que eles tem de melhor… Elas são mágicas…
      Beijos