Identifique-se!

Pode parecer bobagem, mas se tem algo da psicologia que eu concordo é com a premissa de que todo mundo precisa se identificar com o outro, de alguma forma.
Sexta-feira passada, fiz um post falando sobre crianças com deficiência (Filhos Especiais). Como disse lá e repetindo aqui, eu não tenho filhos e não falo como mãe. Falo disso pelo fato de eu ter perdido a audição aos 10 anos de idade e, de certa forma, ter sentido na pele, como poucas pessoas, a sensação de “quebrar” e passar a ser vista de uma criança linda e promissora à um serzinho maculado e digno de pena.
Não que eu me sentisse diferente ou menos viável que antes, mas eu já tinha idade para ter plena consciência do que aquela mudança (que pra mim, nem era tão grande assim, porque ela dizia tão somente à uma capacidade sensorial, não à minha essência humana) fazia os olhares voltados na minha direção fossem tão diferentes de antes.
Pelo fato de ser tão novinha, não tinha, no entanto, consciência do quão grande seria aquela mudança, do ponto de vista social. Então pude continuar crescendo sentindo-me bem comigo, em vez de afundar-me num poço de autocomiseração, tão comum com pessoas que adquirem uma deficiência um pouco mais tarde.
Mas, uma coisa que eu me lembro bem é que, diante de uma perda tão grande, comecei a me apegar com alguns brinquedos, coisa que eu jamais tinha feito antes.
Por isso, acho tão importante que a criança com deficiência tenha brinquedos com os quais ela possa se identificar, visto que ela é, de alguma forma, diferente do padrão.
Percebi o quanto é raro bonecas que tenham alguma deficiência, talvez porque as pessoas pensem que faz mal pra crianças não-deficientes se depararem com um brinquedo assim. Acho isso um exagero de superproteção, porque criança tem uma capacidade incrivel de assimilação e, se elas aprendem desde cedo que não tem nada demais alguém ser cego, surdo ou cadeirante, não ficarão horrorizadas com isso.
De qualquer forma, não é preciso comprar brinquedo pronto. É perfeitamente possível caracterizar um brinquedo comum num brinquedo com deficiência.
Eu, apesar de já ser velhinha (hahahaha) tenho um  sapo de pelucia que é surdo. Tudo porque minha mãe viu esse boneco com uma camisetinha escrito “não escuto” (tinha “não falo” e “não vejo” também), há uns anos e resolveu me dar de presente. Eu adorei, claro, já que sou doida por bicho de pelúcia e batizei-o de Arthuro.
Quando fiz o Implante Coclear, ano passado, veio na caixa do Freedom um coala implantado, não sei se vocês lembram. Achei muito bacana da parte da empresa que fabrica o IC mandar um brinquedo junto para a criançada ter essa identificação que falo.
Mas, confesso que um bicho desconhecido, na minha casa, com quem eu não tinha nenhum laço afetivo, não serviu pra eu me identificar com nada hihihi O que eu fiz? Tirei o IC do coala (que dei para minha mãe que adora esse marsupial)  e coloquei-o no Arthuro.
E, quando faço os exercicios de fonoterapia em casa, aproveito pra fazer nele também hahaha Sei que não tenho mais idade pra isso, mas me diverte tentar converter um exercicio de fala em um bicho de pelúcia.
No mais, acho que mesmo sendo adulta, minha parte infantil – a mesma que perdeu a audição aos 10 anos de idade – precisa de um  pouco de carinho, nesse período de mudanças e (re)adaptações. Se eu fosse pequena, então, essa parte seria fundamental no tratamento!!
Portanto, mamães e papais, não se esqueçam dos brinquedos adaptados para os pequenos com deficiência. Claro que eles precisam de milhões de brinquedos comuns, mas um ou outro com quem elas possam se identificar talvez faça uma boa diferença!
Beijinhos sonoros,
Lak

E um boneco de Lego cadeirante, feito especialmente para este post:

(talvez ele seja deficiente visual também, pelos óculos escuros, mas não tive muito tempo de conversar com ele, pra saber todas as deficiências que ele tem…)

24 palpites

  1. Ligia disse:

    Que post lindo, é incrivel como vejo minha filha nas suas atitudes descritas. ela também gosta de fazer terapias com os bichinhos só que aqui em casa quem faz com ela é uma poodle e as duas se divertem muito, e o bom é que ela também não “teria” mais idade pra isso já que tem 25 anos, mas por outro lado esse lado criança que vocês demonstram com tanta naturalidade é que cativam mais e mais e tornam a vida melhor, a nossa e a de vocês. Beijos carinhosos!

    • laklobato disse:

      Hahaha pois é, é gostoso manter a leveza, mesmo sendo adulto já. A gente precisa tirar o peso constante das costas, se permitindo manter viva a criança que existe em nós, porque faz bem, muito bem…
      Hahaha achei muito legal o lance do poodle. Não tenho um, senão torturava, digo, praticava com ele tb hihi
      Beijos

  2. Lu disse:

    Ah adorei!!! Eu tenho 28, mas admito que ainda tenho uns 2 ou 3 bichinhos de pelúcia queridos em casa….. 😳
    Lembrei de um ano que a AACD fez um menininho deficiente pro TELETON….esgotou rapidinho…
    Beijinhos!!

    • laklobato disse:

      Ahhh lembro dele!! Muito legal isso de brinquedos costumizados!
      Hehehe eu tenho montes de bichos de pelucia. E tinha muito mais, mas doei pra Associação Cruz Verde boa parte deles.
      Mas sempre ganho, porque todo mundo sabe que eu amo.
      Engraçado que nunca gostei de bonecas tipo bebês, sempre fui de gostar de bichos mesmo.
      Beijo

  3. Juliana disse:

    Que lindo Lak, eu não tive a felicidade de ganhar um coala, era oq me falaram nesse dia. Que não vinha mais.
    Beijinhos!!

  4. Ale disse:

    Os meus dois aqui adoraram o Arthuro.
    Lindo! Lindo! Lindo!
    O IC de brinquedo do Felipe ele coloca no Shrek, a grande paixão dele.
    Imagina que ele assistiu o filme no cinema todinho… nem precisei de guloseimas para deixa-lo quieto.
    beijos

  5. Mari Hart disse:

    hahaha…Vc é incrível!!

    Fico feliz tb qdo vejo em desenhos animados na tv personagens com deficiência. Quem sabe um dia teremos a tão sonhada inclusão de verdade!

  6. Silvia disse:

    Aaaaaa. vc deixou o “Lobinho” de fora?? Ele vai ficar com ciúmes hein???

  7. Maíra disse:

    eu quero uma pelúcia IGUAL a sua!!!!!!!

  8. Maíra disse:

    Tanto faz! Com AASI combina mais comigo! Quero o pelucia tb! Onde q sua mae comprou escrito “não escuta” ??

    Eu queroooooooo!!!!!!!!!!!!!!

  9. zuleid disse:

    Sensacional! Nós que somos pediatras sabemos da importância da identificação da criança com os brinquedos e/ou objetos de transição e sempre “brigamos” para que fabriquem brinquedos assim com deficiências, bonecos negros, amarelos, brancos e indios, bonecas que mamam no peito e não somente com mamadeiras, gordinhos, com óculos…Precisamos mostrar para nossas crianças que o mundo e as pessoas são diversas e nisto consiste a beleza da vida; conviver com o diferente da forma adequada a cada um, sem superproteção e sem preconceito!
    Mas o ponto alto do post foi seu bonequinho de Lego!
    Só podia ser publicitário prá sacar tão bem assim!!!
    Beijos!

    • laklobato disse:

      Hahahahaha o prefiro o Arthuro, afinal, eu me identifico com ele… Mas, realmente, o boneco de Lego acaba sendo uma costumização fácil e acessivel. Crianças precisam mesmo disso, conhece a diversidade desde cedo e crescerem achando que existe espaço pra todos (inclusive pra ela, se ela não for padrão) no mundo. Acho que faria uma diferença incrivel!
      Beijos

  10. Mariana disse:

    Oi Lak,
    te vejo (“leio”, na verdade) muito na comunidade, e li que você implantou. Fiquei bastante curiosa com isso (tenho vontade, mas medo da cirurgia), e fui lendo teu blog… muito emocionante! Você, a Anahí (em que ela fala sobre o bem-te-vi), a entrevista de Raul e as entrevistas das mães, estão me motivando fortemente a fazer o implante também. Já li deipomentos catados no google, mas acho que por eu estar mais “familiarizada” com vocês, apesar de vocês não saberem quem sou (não tenha medo, haha), me motivou bem mais. Muito obrigada! 😳
    Beijos

    • laklobato disse:

      Que ótimo, Mari. No fundo, é pra isso mesmo que faço o blog!
      Quer dizer que você vem pro time cyborg também? Te aguardamos ansiosamente, então… Dê notícias, se possível.
      Beijocas e não tenha vergonha de comentar por aqui, meu blog, seu blog. Fique a vontade pra puxar uma cadeira, pegar um cafezinho e dar rumo à prosa.
      Lak

  11. keika disse:

    QUE LINDO seu LEGO cadeirante! =)))

    Adorei!
    Fazia tempo que não passava por aqui.. seu blog tá muito mais lindo!!!
    😛

    Sempre saiu fumaccinha do seu cafezinho ou eu só vi agora porque meu monitor aumentou ?? HEHE
    MUITO LOKO!
    😎

    Smacks
    keika

  12. Lizandra Oliveira disse:

    Que que eu votedizê?

    Lindo, como sempre.
    Mas desta vez [sei lá! pode ser pq sou vó e não mãe de criança com deficiência auditiva] me trouxe uma emoção diferente.
    Algo do tipo “como não pensei nisso antes?”.
    A gente é tão absorto no mundinho que esquece dos “detalhes que fazem MUITA diferença” nesta vida!
    Toni ainda é um bebê! Nem tem consciência plena da sua deficiência [apesar de gritar impaciente qdo não atendemos adequadamente seu desejo!] mas percebo que “este inicio” deve ser lúdico, cheio de sentimentos e significados.
    Quem sabe começamos assim? Com brinquedos inclusivos e realistas?
    Adorei a idéia! Na verdade AMEI!
    um bj
    😀

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