Implante coclear & fonoterapia

De tanto falar do Implante Coclear – vulgo IC, para os íntimos – achei que seria bom trazer o parecer de especialistas para esclarecerem qualquer dúvida que os meus doces leitores poderiam ter.

Hoje, trouxe o texto de uma fonoaudióloga especializada em reabilitação auditiva de implantados. Espero que gostem…

Meu nome é Raquel Stuchi, tenho 28 anos, moro em SP sou fonoaudióloga
Sempre fui apaixonada por comunicação e sempre tive interesse pelo estudo da vida.
Em 2002, no curso de fono da USP Bauru, comecei a estudar o implante coclear e os resultados para a comunicação oral das crianças com deficiência auditiva.
Deparei-me com resultados altamente benéficos, as crianças com deficiência auditiva severa-profunda entendiam o que era dito (auditivamente), falavam e ….cantavam!
Continuei meus estudos nessa área no curso de especialização em Audiologia do Centro de Pesquisas Audiológicas da USP Bauru e, depois, no mestrado na disciplina de Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas FM USP SP. Atualmente trabalho na Politec, empresa que representa a Cochlear, uma das marcas de implante disponível no mercado.

A importância da audiometria desde o nascimento.

A partir da 20ª semana de gestação o bebê já é capaz de ouvir sons. Aos 4 ou 5 anos a criança já tem bases sólidas para se expressar com eficiência em sua língua.
Foi constatado por inúmeros estudos que se a criança recebe o implante coclear até os 2 anos de idade, tem maiores chances de desenvolver a linguagem oral como a de uma criança ouvinte. Conforme essa idade avança, mais favoráveis terão que ser os fatores influentes, como qualidade da terapia fonoaudiológica, envolvimento da família, entre outros. Assim, é fundamental saber se ao nascer a criança escuta ou não.

File
Hoje em dia, a maioria das maternidades faz um exame conhecido por “teste da orelinha” que é capaz de identificar se o órgão da audição (a cóclea) está funcionando normalmente ou não. Entretanto, algumas alterações auditivas acontecem além da cóclea, por exemplo, no nervo auditivo. Assim, mesmo que o resultado do teste mostre que a cóclea está funcionando bem, é importante os pais acompanharem o desenvolvimento auditivo de seus filhos. Além disso, pode acontecer da criança adquirir uma deficiência auditiva em decorrência de alguma doença como a meningite.

Os pré-requisitos para o implante.

Na etapa pré-operatória, a equipe de profissionais envolvida no atendimento de pacientes com implante coclear tem em comum um único objetivo: investigar se o implante coclear trará benefícios ao paciente. O implante é um dispositivo de altíssima tecnologia mas que ainda não é melhor que o nosso órgão da audição: a cóclea. Portanto, só deve ser indicado para pessoas nas quais a cóclea exista mas não esteja “funcionando”. Nesta etapa, alguns pontos são investigados:

  • Exames de imagem da cóclea, do nervo e do cérebro.
  • Outros exames médicos.
  • Exames de audição, incluindo exames para saber a resposta auditiva com os melhores aparelhos de amplificação para a perda auditiva do paciente.

Além disso a equipe irá analisar a idade da criança, o tempo de surdez e o tipo de comunicação usado pela criança. Também a participação dos pais dentro desse processo é levada em consideração. É muito importante que os pais entendam que ouvir com implante coclear é um processo de aprendizagem e que depende muito da participação deles.

Como é a cirurgia em si e o implante

Seria melhor se um médico explicasse, mas nós, fonoaudiólogas temos uma pequena participação fazendo um exame para saber se os eletrodos que foram inseridos estão funcionando e se o nervo está respondendo. Caso o nervo não responda, não devemos ficar preocupados, pois isso não indica que necessariamente não haverá resposta auditiva. O médico sempre se certifica que o implante está no local certo pelo exame de imagem.

Os cuidados pós-cirúrgicos

Um mês após a cirurgia, o implante coclear será ligado, chamamos esse processo de ativação e será a primeira vez que o sistema auditivo irá receber esse tipo de estimulação, portanto é muito importante saber que:

Primeiro dia:

Ao ativar o implante, todo tipo de resposta é esperado. Até mesmo nenhuma resposta.

Isso porque é necessário um período para que o cérebro entenda esses estímulos como sons. Muitas vezes nós sabemos que o nervo está recebendo o estimulo, porque conseguimos registrar as respostas, mas a criança ainda não é capaz de identificar isso como som.

Primeiro mês:

A fonoaudióloga irá fazer programas suaves para que os pais aumentem gradativamente dentro do primeiro mês de uso… O primeiro mês de uso do implante, é portanto, um período de adaptação e poucas ou nenhuma resposta é esperada.

Meses seguintes:

Depois desse primeiro mês de uso do implante há um novo retorno com a equipe, uma nova conversa, uma nova programação do implante e avaliação de como está indo o processo de desenvolvimento da linguagem oral da criança, sua inserção no mundo ouvinte, na escola, etc… Os pais comparecem a esses retornos com os filhos de tempos em tempos: de 3 em 3 meses no primeiro ano de uso do implante, de 6 em 6 meses de uso no segundo ano e anualmente a partir do 3º ano de uso pelo resto da vida. É importante saber que esses períodos podem variar de acordo com as necessidades de cada paciente. É fundamental também que os pacientes (e pais) compreendam que esses retornos são importantíssimos.

A fonoterapia e acompanhamento adequado para o sucesso do implante

Uma criança deficiente auditiva que recebe o implante coclear precisa aprender a entender os sons, a escutar e depois a falar através da terapia fonoaudiólogica e o estímulo dos pais.
Cada criança tem um desempenho individual e não deve ser comparada a outras crianças. Devemos estar atentos para a evolução individual de cada uma delas, é importante saber se a criança está evoluindo. E nesse momento eu gostaria de chamar a atenção para sinais de evolução que as vezes passam despercebidos aos pais:

  • Olhar em resposta a algum som apresentado ou seja: procurar o que está fazendo barulho.
  • Saber que o que está fazendo aquele som (ex. quando há um latido a criança identifca que é o cachorro).
  • Responder ao nome quando chamado.
  • Aumento da produção de sons e da freqüência dos mesmos, como se ele estivesse “falando em outra língua”.

É muito importante ressaltar que o aprendizado da LIBRAS não impede que a criança aprenda a linguagem oral. A LIBRAS nos casos de pais surdos e crianças surdas, muitas vezes pode ser fundamental e não impede que a oralização dessas crianças aconteça paralelamente.

O indice de sucesso na cirurgia

Pode-se dizer que praticamente todas as pessoas que recebem o implante coclear tem uma cirurgia de sucesso, ou seja, não existem complicações, o implante funciona e a pessoa é capaz de ouvir um som bem baixinho.
Entretanto o que ela fará com os sons baixinhos que vai entender é uma outra história… se ela colocar o implante bem pequena e tiver uma família que participe do processo as chances dela desenvolver linguagem oral como a de uma criança ouvinte são enormes!
A meu ver, sempre que você puder dar a uma criança a chance de escutar, você já tem uma história de sucesso, desde que os pais saibam o que realmente esperar e como aproveitar o que ela estiver escutando para fazer com que tenha uma melhor qualidade de vida.

O melhor momento para decidir pelo IC

Quanto menos tempo de privação a criança tiver melhor, assim, de uma maneira geral a partir de um ano de idade, quanto mais cedo fizer melhor chance de desenvolvimento ela terá.

 

Beijinhos,

Lak

16 palpites

  1. sheyna disse:

    Gostaria de saber sobre o ganho das cçs que usam o ic, tempo que normalmente levam pra iniciar a fala com significado e o exatamente será próximo do normal e o que ouvirá com distorção? ouve bem música? obrigada

  2. Alini disse:

    A cirurgia é indicada também para pessoas com mais de 70 ano com apenas 20% de um auvido e 0% em outro, ou somente para crianças? 😐

    • laklobato disse:

      Olha, a principio, não tem restrição de idade. Existe chance de ser indicado pra esse caso sim. Mas só um otorrino pode confirmar se, especificamente pra cada pessoa é indicado ou não, porque varia de pessoa pra pessoa. Acho que compensa verificar com um médico.
      Grande beijo e boa sorte.

  3. Viviane disse:

    Oi querida td bem?
    Sou mãe de um D A de 12 anos , que faz fono desde os 07 meses e é protetizado desde 01 e 08 meses nesta idade foi pcte do centrinho em Bauru , atualmente é pcte do Cedalvi em Bauru. Acontece que qado ele tinha esta idade 01 ano e 08 meses, por falta de informação , minha baixa idade e mto medo não batalhei pelo implante. Agora está em processo de ser implantado pelo HC USP Rib Preto… Minha dúvida é a seguinte: a fono que o atende é do SUS e infelizmente não é especializado em D A… tem mtas dificuldades, seria necessário uma especialista ou termos chance com essa. Ela é extremamente dedicada… só que não sabe como é o processo… pode encarecidamente nos ajudar, onde ela pode buscar ajuda para se informar… tudo está recente e novo!!! Retornamos ontem de Rib Preto , sei que o HC vai nos orientar mas gostaríamos de já ir nos preparando… Desde já agradeço, Viviane (34 anos) mãe de Kahique.

    • laklobato disse:

      Viviane, eu não sou fonoaudióloga, então vou pesquisar isso pra você e te dou um retorno via email, ok? De repente, até serve, se ela tiver orientação de alguma fono especializada.
      Enfim, te retorno assim que souber como te informar adequadamente.
      Beijocas

  4. marta disse:

    bom ja fiz tratamento muito tempo mais ainda nao encontrei a oporturnidade de pode ouvi direito porque o aparelho nao me ajuda muito fiz tratamento em bauru ai na cedalvi mais ate hoje nada fui muito bem recebida em bauru

  5. marta disse:

    mais uma veze tenho muita esperanca de cedalvi me receber um dia pra os medico me ajuda a volta a ouvi de novo agora fique surda de tudo nao consigo trabalha sem o aparelho mais trabalho ele me machuca quondo faco movimentaçaos poristo tento de tudo faço qualque coisa pra mim consegui

  6. marta disse:

    mais uma veze tenho muita esperanca de cedalvi me receber um dia pra os medico me ajuda a volta a ouvi de novo agora fique surda de tudo nao consigo trabalha sem o aparelho mais trabalho ele me machuca quondo faco movimentaçaos poristo tento de tudo faço qualque coisa pra mim consegui 😯

  7. marly disse:

    Tenho uma filha de 33 anos, desde os 13 ela tem perda de audição, agora esta com 60% de audição, não consegue se adaptar com aparelhos, fica tonta, com mal estar, confusa, ela se formou este ano em radiologia, e gostaia de saber se existe algum implante ou algo parecida que poderia ajudá-la, os médicos falam que ela tem o ouvido perfeito, não consigo entender esta perda de audição

    • laklobato disse:

      Olha, o Implante não é aconselhavel para quem tem perda moderada, o que é o caso dela. Mas, vocês podem procurar um especialista em implante para confirmar, porque não posso atestar a informação que te dou, pois sou apenas uma entusiasta no assunto, não médica nem fono.
      Talvez, o caso dela seja para esperar até a Anvisa liberar o Esteem, que é um aparelho totalmente implantável (que ao contrário do Implante Coclear, usa a audição residual, ampliando o som) e, por isso, não tem tanto chiado quando os aparelhos convencionais, que realmente dão essa sensação de mal estar do qual ela reclama.
      Até o momento, não tenho qualquer informação extra sobre o Esteem que ficou de ser aprovado em janeiro de 2011, mas se te interessar, posso te dar o contato da mãe de um usuário que, de vez em quando, me dá uma mãozinha aqui no DNO.
      Espero que sua filha ache solução para o caso dela, viu?
      Beijocas

  8. ana disse:

    amei seus comentarios e acredito que pessoas como vc devem sim manter todos informados pois o implante nao foi criado para o mal dos surdos mais para trazer beneficios.agora so una pergunta como vc fez o coraçao la em cima me manda….beijinhos 🙂 😳

    • laklobato disse:

      Legal, que bom que gostou.
      Olha, é uma montagem, acho que não consigo te mandar, desculpa!! Mas, não é dificil de fazer, basta um AASI e a parte externa do IC e tirar a foto, pq o formato deles, naturalmente, forma um coração.
      Beijão

  9. RENATO NOMOTO LEME disse:

    Doutora, sobre esse tal, IC, seria possível para minha mãe? Ela perdeu a audição aos 9 anos de idade e está atualmente com 73 anos. Encontramos um padre em Aparecida(SP) que nos contou sobre o Cedalvi e ficamos interessados, pois pode ser uma chance de realizar um milagre e minha mãe voltar a ouvir.
    Tentei entrar em contato com o Cedalvi pelo e-mail: cedalvi@centrinho.usp.br, mas o e-mail retornou com endereço incorreto.

    • laklobato disse:

      Olha, não sou médica e não posso te responder como profissional. Sou apenas leiga interessada no assunto. Só um médico ou fono podem indicar com precisão. Mas, acho que se você olhar no site htt://www.implantecoclear.org.br que lá tem todas as informações que você precisa, inclusive endereços de contato.
      Boa sorte e espero que sua mãe consiga ouvir de novo. Perdemos a audição na mesma idade, eu e ela…
      Beijos