Implante Coclear (IC) Versus Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI)

aparelhos

Seres humanos e sua incrível capacidade de rivalizar.
Já notaram isso?
É impressionante que enquanto existir duas ou mais alternativas para determinada coisa, vai haver rivalidade entre os partidários de cada uma delas.
E, no que se refere a deficiência auditiva, rivalizar por todos os motivos que se possa imaginar, é de praxe.
Portanto, haver rivalidade entre usuários de IC e de AASI (o aparelho convencional) é mais que esperado.
Até porque os usuários de implante coclear vem tendo um benefício cada vez maior com ele, graças aos avanços da tecnologia, que vem trazendo melhorias na qualidade dos aparelhos e das programações.
É verdade que um usuário de implante coclear hoje, tem grandes chances de escutar bem o suficiente para diminuir a necessidade de usar a leitura labial. E, com reabilitação adequada (se o caso permitir) pode até chegar a utilizar o telefone ou ouvir música (da nossa maneira particular de escutar música através do IC).
Porém, isso não significa que os aparelhos auditivos ficam atrás ou são que são tecnologicamente menos evoluídos ou que permitem menos percepção auditiva.
A principal diferença entre o IC e o AASI é a indicação para cada tipo de perda auditiva.
Veja bem, o aparelho convencional é um amplificador. Ele aumenta o som, permitindo que a pessoa ouça através da própria audição natural residual. Ele pode ser programado para o tipo de perda da pessoa (ampliando mais os graves ou os agudos, por exemplo) e tem diversos tamanhos, desde o intracanal quase invisível, ao retroauricular, que fica atrás da orelha. Os aparelhos de hoje, estão cada vez menores, ao ponto que são cada vez menos perceptíveis aos olhares curiosos.
Já o implante coclear, é indicado para quem não tem audição residual suficiente para ter um ganho muito expressivo com o aparelho convencional. Então, o IC cria uma percepção artificial do som, através das partes interna e externa.
Geralmente, o AASI pode ser indicado para quase todos os tipos de perda, da leve à perda profunda e praticamente todas as pessoas tem algum ganho com ele. Sim, já conheci pessoas com perda profunda que tiveram excelentes resultados com AASI, embora para perda moderada e severa costume ser mais indicado e ter melhor resultado.
O implante coclear, por sua vez, é indicado para perda severa a profunda (com exceções, mas prefiro falar dos casos mais comuns) que não tiveram bom resultado com o AASI. Ou seja, é a etapa seguinte, depois de testarem aparelhos convencionais.
Infelizmente, é muito comum usuários de IC desmerecerem o AASI, porque não tiveram bons resultados com ele. Eu mesma nunca tive um resultado minimamente razoável com AASI e, por isso, quando me perguntam a respeito, sempre falo que sou a pessoa menos indicada para falar sobre o assunto.
Assim como também é comum usuários de AASI acharem que o implante é um recurso agressivo demais, pois requer cirurgia e pode ter sequelas permanentes.
Porém, não é uma questão de rivalidade, mas de indicações para cada tipo de perda auditiva e quais os recursos mais indicados para cada pessoa com deficiência auditiva.
Para quem não pode escutar sem ajuda da tecnologia, qualquer que seja o recurso usado, se a pessoa tem um bom ganho com ele e pode escutar o barulho do mar, o som de aplausos, a risada das crianças, a voz da pessoa amada, vale a pena!
O resto, é discussão sem sentido!
Beijinhos sonoros,
Lak

19 palpites

  1. Marta Gil disse:

    🙂
    Lak, que bom ler seu comentário ponderado, recheado de informações atualizadas, claras, objetivas e de bom senso! Acho até que vou sublinhar o bom senso 😀

    A tecnologia se soma – convergência é a palavra. Imagina se alguém dissesse: falar é só por telefone; música é só pelo rádio ou vitrola (sim, usei esta palavra de propósito) e o lugar de filme é no cinema…

    Esse raciocínio é prá tudo: tecnologia para audição, para outros tipos de comprometimento…

    Obrigada!!!

    beijos, redundância, convergência e flexibilidade

  2. Marcelo valente disse:

    Não acredito em rivalidade, isso pode ser nocivo para os usuários de AASI e IC, cada um deve ter sua própria versão individualmente, o lado bom é que os avanços tecnológicos chegam mais rápido e quem ganha são os usuários. Acho que aparelhos auditivos são para perdas leves e moderadas. Para perdas profundas é uma questão de anos, o IC é praticamente inevitável com raras exceções.

    • Lak Lobato disse:

      Quem dera as pessoas fossem tão sensatas assim. Já vi gente desmerecer AASI e IC. Já vi gente dizer que não sei qual é melhor. Mas ambos são excelentes. O que varia é o tipo de surdez e qual o melhor recurso pra ela… Beijos

  3. Debora Liotti Debora Liotti disse:

    Meu filho tem 5 anos e usa o IC há 4. Os benefícios são visíveis. Ele canta o tempo todo, adora seu papapa!! Se alguém pergunta ele mesmo mostra e tenta explicar. Quando fiz o implante sofri com a incerteza de algumas pessoas da família. Explicar que a surdez profunda bilateral dele era irreversível, e que naquela situação este era o melhor recurso, era falar Grego. Nunca tive dúvidas que esta tecnologia é espetacular e só pode ajudar. Usaria o que for para dar a ele esta oportunidade. Se o AASI tivesse dado resultado, tb usaria sem problemas. Para ele era muito limitado. Adorei seu texto!

  4. Lak Lobato Lak Lobato disse:

    Debora Liotti exatamente. Quando funciona, funciona. E é o que interessa.

  5. soramires disse:

    Muito oportuno você fazer este texto. Con sua inteligência, informação e bom senso colocou o pingo no i. Deixa muito claro que tudo depende da perda auditiva, da adaptação, do grau de perda…O mais importante: a melhor tecnologia é aquela que melhor ajuda a pessoa a ouvir…infantilidade ficar fazendo torcida organizada de tecnologia ou marca…

  6. Carla Cristina Bueno disse:

    Lak, muito bom este texto. Eu posso contribuir um pouco da minha experiência. Tenho perda auditiva bilateral profunda neurossensorial, usei aparelho auditivo deste 1 ano de idade, começando pelo famosinho “walkman” chamado pelas crianças da escola onde estudava, passando para o AASI. Uso até hoje. Os AASI tem me ajudado muito, cada período em que eu fazia a troca do AASI, sentia um avanço cada vez melhor. Em outubro tive uma perda maior no ouvido em que uso AASI, testei novos aparelhos e não senti muita firmeza. Agora vou ver para testar mais um outro AASI da Siemens Micon que me dizeram que é muito bom. E estou já na fila para o implante coclear. Então, não tenho rivalizado em nenhum momento entre estas tecnologias, porque estou buscando o que vai ser melhor para mim! O que eu quero: É simplesmente VOLTAR A ESCUTAR E COM RECONHECIMENTO DE PALAVRAS. Um beijão!

    • Lak Lobato disse:

      Exatamente… o que interessa é o que é capaz de fazer por nós, não a tecnologia em si. E se dá resultado, pouco importa se é um aparelho comum, se é um implante, se é mágica. Torcendo pelo seu IC. Beijos

  7. Paulo disse:

    Lak, acabei de saborear as emoções de seu livro! Gostaria de tirar uma dúvida. Meu filho usa AASI. Se ele receber o IC, perderá a audição residual? Em caso de necessidade, por qualquer motivo, pode usar o AASI?

    • Lak Lobato disse:

      Oi, Paulo! Tudo bem? QUe bom que você gostou do livro!

      Então, sobre a audição residual, é imprevisível. Pode ser que ele perca e pode ser que ele mantenha. Eu mantive num ouvido e perdi no outro hehehehe e conheço quem manteve e conheço quem perdeu.

      Acredito que o AASI só possa ser usado em situações emergenciais, mas nem sei se alguém já voltou a usar AASI depois de implantado. Posso pesquisar isso e depois te responder?

      Abraços,

      Lak

  8. Ana claudia disse:

    Ola Lak. Encontrar esse seu cantinho foi uma bênção. Meu bebe tem 28 dias e ha a suspeita que eletenha deficiência auditiva. Eu entendo que conhecimento e poder entao estou tentando me informar sobre quais serao as alternativas dele. Voce me indica alguma leitura, blogs ou afins para. E ajudar nesse processo? Queria tambem conversar com maes que passaram por isso.

  9. maria lucia lima cardoso disse:

    Lak, como vai? Maravilhosa sua informação, e quando não escutar mais pelo AASI? SOS1

  10. Marina Brum Oliveira disse:

    Lak, adorei ler seu post. E pensei em dar minha contribuição ou uma parcela dela por enquanto de acordo com a minha experiencia.
    Tenho 28 anos, sou surda tenho perda severa profunda e bilateral. Durante muito tempo usei AASSI , e uma porção deles. Tenho uma boa experiencia com eles os intra o mini retros e os retros. Graças a eles pude viver todos estes anos, minha surdez começou aos 4 e foi progredindo com o tempo. Sem ele não teria sido possível muitas coisas… alfabetização uma delas. No entanto esgotei as possibilidades e chegou o dia de fazer o implante coclear na orelha direita. Operei fazem duas semanas, ativo no dia 28, usarei um nucleus 5 . E estou contando os dias. Sou muito grata pela minha experiência com AASSI e ainda o uso e pretendo durante um tempo na orelha esquerda, porém as expectativas com o implante são grandes. E ainda mais de um gostar do outro ( risos) pois sei que o som chegará de forma diferentes e precisarei de paciência. Mas acredito que tudo vale se for pra ouvir o som do mar novamente!
    beijocas

    • Lak Lobato disse:

      Oi, Marina… Meu conselho, para alguém que teve boa audição com o AASI é: vá devagar. É bem possivel que vc estranhe no começo, porque são fontes de sons muito diferentes. Mas, acredito que depois que vc se acostumar com o som do IC, você irá amar. Só mantenha a fé.
      Beijinhos