Implante Coclear na Adolescência: A História de Anna Luzia

Um argumento anti-IC que muita gente usa por aí, é que na adolescência, as crianças implantadas vão rejeitar o aparelho, porque adolescente quer se sentir integrado.

Isso, partindo do pressuposto que todo adolescente implantado só vai conviver com gente mal resolvida com a vida, sei lá.

Mas, ao contrário dessa mentalidade, tem muita gente crescendo implantado e adorando usar o IC, que lhe dá acesso a muitos sons do mundo!

A história de hoje é da leitura Anna Luzia, surda pré lingual, implantada aos 10 anos. Hoje com 22 anos:

Lak, aqui está a minha história…

Meu nome é Anna Luzia, mas todos me chamam de Lu, tenho 22 anos sou universitária! Moro em Maceió, AL.

Uso IC desde 10 anos de idade, fiz minha cirurgia em BH. Três anos depois de implantada, tive que refazer a cirurgia. A parte interna do meu aparelho quebrou e teve que ser trocada. Isso nunca acontece, mas aconteceu comigo. Na época, eu jogava basquete na escola e a bola bateu forte na minha cabeça, não sei se foi isso ou se foi mesmo problema com o aparelho… Ainda lembro do dia da minha primeira cirurgia, quando voltei para o quarto vomitei e fique enjoada, foi muito ruim, mas a segunda vez, foi tudo tranquilo.

Quando eu nasci, minha mãe logo na primeira ou segunda semana de vida, desconfiou que eu não ouvia, eu não acordava quando tocava o telefone ou batiam palmas ou outros barulhos.

Meu tio é otorrinolaringologista, minha mãe falou para ele que eu tinha algum problema, então eu comecei a fazer exames, mas na minha cidade, não tinha tecnologia para esse tipo de exames, minha mãe foi para Recife, Natal e São Paulo comigo ainda bebê! Meu médico passou a ser o dr. Orozimbo, que na época era o mais conceituado do Brasil em audição.

Quando eu fiz 2 anos, fui para Bauru minha mãe queria que eu fizesse a cirurgia, mas o IC ainda era novidade e poucas crianças tinham feito aqui no Brasil, as pessoas falavam que podia acontecer vários problemas de erro na cirurgia, toda minha família ficou com medo. Oito anos depois já tinha vários casos de sucesso dos IC então minha família resolveu que eu deveria fazer.

Antes do IC sempre usei AAS, comecei com seis meses AAS e as terapias com a fonoaudióloga, na época também não tinha muita opção de fono aqui em Maceió, era particular e muito caro, mesmo assim fiz durante toda infância e até a adolescência, depois eu mesma fiquei cansada e não quis mais…

Minha deficiência nunca me proibiu de fazer nada, sempre tive muitos amigos, paqueras namorados, sempre fiz tudo que todas as meninas da minha idade faziam, o mais importante SEMPRE FUI FELIZ!

Morei toda infância em um condomínio fechado muito seguro, que me permitia ter uma vida livre, vivia de bicicleta passeando nas praças, ganhei uma moto aos 13 anos, sempre fiz esportes, (natação, tênis, basquete sapateado e ballet) ballet fiz por mais de dez anos…

Sempre fui as festas, shows, passeios com turmas de colégio, viagens, enfim vivi a vida e aproveite todos os momentos! Estudei sempre em escola regular, apenas na alfabetização eu fui para uma escola especial, aprendi a ler e escrever rápido, com a ajuda da linguagem de sinais, porem hoje não sei muito libras, porque tive pouco contato na infância. Quando comecei a faculdade todos achavam que eu precisava de um interprete eu não queria muito mas aceitei, porém eu não gostei muito, achei que fiquei muito pressa a pessoa, prefiro tentar assistir as aulas sozinha mesmo! Sei que as pessoas nem sempre consegui entender o que eu falo, mesmo assim tento levar minha vida mais independente possível… também não consigo escrever com muita clareza, por isso sempre que preciso peço ajuda, minha mãe, irmãs, amigas, etc… antes eu escrevia ninguém entendia nada, também eu não conseguia entender o que eu estava lendo, hoje melhorei bastante leio textos e consigo compreender, porém nas provas as questões abertas eu sempre me ferro (riso).

Nunca tive vergonha de meus aparelhos…

Obs: logico que nem sempre tudo na minha vida foi as mil maravilha, também fico triste como qualquer outra pessoa, mas isso não tem nada a ver com minha audição e sim comigo mesma. As vezes fico cansada da faculdade, estagio, academia, até penso em desistir de tudo, mas vou continuando tentando…

Beijinhos sonoros,

Lak

9 palpites

  1. cristiane malheiros disse:

    que linda a sua história Anna Luiza, depoimentos como o seu são balsamos pra nós mãe de deficiente auditivo, obrigada por compartilhar a sua história. Cristiane Malheiros

  2. Linda história,assim como ela meu filho Marcelo viveu praticamente isso,ainda implantou ainda mais tarde com 12 anos…
    Vive feliz da vida com seu IC.

    • laklobato disse:

      Hahaha Mônica, depois de ver o Marcelo brigando no Facebook com um pessoal que falava mal do IC, dizendo “sou feliz implantado” bateu um orgulho de conhecer vocês….
      Beijão

  3. Dijane Ramos disse:

    Estou muito orgulhosa por voce compartilhar sua experiência de vida com outras pessoas. E por aí! quando a gente passa a lembrar do outro , nossas dificuldades parecem que ficam muito mais leves. Foi muito valioso seu depoimento . Parabens! Beijo no coração.

  4. Marcelo P disse:

    Lindo relato!
    Essa menina vai longe!
    Psiu! Não vejo a hora de saber direitinho quando será o encontro lá em Maceió rsrs

    Beijos!

  5. Cris disse:

    Conheço a Anna Luzia desde 2005, é associada a ADAP e tivemos o privilégio de acompanhar seu desenvolvimento e com muito Sucesso. História linda como tantas que temos conhecimento. Parabéns a Anna pelo super Astral, família maravilhosa também. Não da nem para expressar o que sentimos ao ler mas nos da a certeza do caminho lindo e seguro que resolvemos trilhar com todos os implantados. bjo Anna

  6. Que bom saber que a minha historia, pode ajudar pais e mães de crianças ou mesmo adultos com deficiência auditiva!!!
    Mesmo tendo amigos que são contra o IC, ainda assim eu acho que VALE A PENA sempre!
    Obrigada a Lak por compartilhar minha experiência! sempre que precisar estarei aqui… Parabéns pelo blog, é muito útil, principalmente para quem mora mais distante e não tem muito contato com outros implantados! Querendo muito te conhecer pessoalmente.
    Obs:
    tia Dijane, obrigada pelo carinho.
    Marcelo, estamos querendo fazer esse encontro o mais rápido possível.
    Cris, Parabéns pelo lindo trabalho na ADAP… 😀