A Duende Orelhuda e outras histórias….

Escrito por laklobato em 17/04/2009
Duenda Lakinha & J.J. Gullymor, 1º Secretário do Papai Noel

Duenda Lakinha & J.J. Gullymor, 1º Secretário do Papai Noel

Há uns anos atrás, tive a oportunidade de trabalhar como duende de natal, num shopping aqui em Sampacity. Foi um evento muitíssimo bem feito, que resolveu dar acessibilidade aos deficientes auditivos, colocando intérprete de língua de sinais nos cenários onde contavam-se histórias e lendas de natal.
Não sei dizer muito bem como fui parar lá, já que meu conhecimento na língua de sinais é fraquíssimo, dada a minha falta de interesse (eu faço excelente leitura labial, inclusive aprendi francês e espanhol usando-me unicamente dela), além da dificuldade que era, até pouco tempo atrás, de achar uma escola onde se ensinasse esse idioma (hoje em dia, se acha bem facil, basta procurar na internet).
Bom, como eu estava lá mais de quebra-galho do que qualquer outra coisa, fiz o possível para me enturmar com as pessoas com quem eu trabalhei.
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Perai, que eu não entendi muito bem…

Escrito por laklobato em 17/04/2009

Quando eu estava no segundo colegial (ensino médio), mudei de escola, pra estudar com minha melhor amiga de infância, que morava numa cidade do litoral fluminense. Passei uns meses morando com ela.
Na escola onde eu iria estudar, havia um professor de matemática que tinha uma fama de ser muito durão, rígido, que dava provas dificílimas, mas que todo mundo adorava e, por conta disso, o apelidaram de Paulo Diabo, o PC.
No primeiro dia de aula, eu estava parada na porta da sala, no rápido espaço de tempo entre aulas, quando o tal professor se aproximou de mim, sem que eu percebesse, e falou alguma coisa que eu ouvi, mas não entendi e tive que pedir pra ele repetir.
Ele falou comigo de novo e eu continuei não entendendo – talvez porque tenha me assustado ou porque estivesse distraída – até que ele achou que era pouco caso da minha parte e me disse algo bem irônico do tipo:

“Se eu mandar você se ****, você me entende?”
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Mas heim?!

Escrito por laklobato em 17/04/2009

Bom, tudo começou quando eu tinha uns 10 anos. Uma noite fui dormir, logo depois de falar ao telefone com meu padrinho, que estava em Paris e, no dia seguinte, acordei completamente sem audição.
Dramas a parte – não, não foi fácil lidar com isso, mas não me convém falar disso agora – diante de uma nova forma de se viver, tive que redescobrir o mundo e a mim mesma.
Fiz tratamento por uma cura física que não veio, fiz fonoterapia e tudo o mais que a subita ausência de audição exigia.
Mas, exceto por esse detalhe, a minha vida continuou correndo normalmente. Terminei o colégio, fiz faculdade, aprendi a dirigir, namorei, estudei francês e espanhol (em Madrid), casei, comecei uma carreira, fiz e perdi amigos, me encontrei e me perdi milhares de vezes.
Por vezes, me sentia a mais normal das criaturas, noutras, uma completa aberração; assim como todo mundo.
Busquei todos os tipos de respostas pra minha deficiência, encontrei ela na filosofia hinduísta do karma, fiquei satisfeita e permiti que a vida continuasse. Não acho que todo mundo deva aceitar isso como resposta pra nada, porque cada um sente que se encontrou da sua maneira e o que funciona pra mim, não precisa necessariamente funcionar pro resto da humanidade. A única coisa que considero imprescidível é que as pessoas se sintam bem consigo mesmas e tenham paz para viver seu dia a dia, pouco importando se a pessoa é privada de audição, de visão, se tem limitações físicas, mentais ou pessoais. Somos todos parte integrante das próprias vidas.
Beijinhos,
Lak

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