Sentiu cheiro de queimado?

Escrito por laklobato em 06/05/2009

Vira e mexe, esse debate vem a tona: Como é que um surdo sobreviveria sem ouvir o alarme, no caso de um incêncio?
Sempre respondo que nosso olfato é mais sensível, mas não adianta. As pessoas gostam de ver as limitações das pessoas com deficiências bem agravadas e dizem que não, quando fosse possível sentir o cheiro de fumacê, a ponto de acordar, o fogo já estaria perto demais pra eu conseguir escapar com vida.
Inclusive, essa era a desculpa dos meus pais pra não me deixar dormir sozinha em casa até os 16 anos, quando minha irmã já podia fazer isso desde os 13 anos. Sim, eu sou competitiva!!

Segundo o google: "houseradish" (nunca tinha visto raiz-forte, confesso)

Segundo o google: "houseradish" (nunca tinha visto raiz-forte, confesso)

Felizmente, os japoneses pareceram levar a sério essa argumentação que eu usei (e que, obviamente, não é só minha, muitos de nós falam isso, porque realmente o cérebro sempre tenta compensar a falta de um sentido acentuando os outros, como o famosíssimo tato desenvolvido dos cegos) e criaram um alarme de incêndio que exala cheiro de rábano (aqui no Brasil, conhecida como raiz-forte).
Fizeram um teste com 14 pessoas, 2 delas com “audição desabilitada” (essa tradução literal é um charme, vai?) e, adivinha, os deficientes auditivos foram os primeiros a acordar. Um deles, levou apenas 10 segundos.
Diz-a-lenda que o equipamento deve estar no mercado em até 2 anos (ainda que a notícia ai seja de 2008).
Certamente, eu teria um na minha casa ♥.

Link da notícia: WCTV
Beijinhos
Lak

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Fala, Raul…

Escrito por laklobato em 06/05/2009

Estereótipos fazem parte do nosso dia a dia. Fazemos isso sem perceber. Mas para acabar com isso, o conhecimento é a melhor forma de se quebrar os estereótipos sociais, bastando estar aberto às dicas que a vida dá.
A primeira imagem mental que as pessoas tem, quando pensam numa pessoa privada de audição é o típico surdo-mudo, termo errado e politicamente incorreto para denominá-los, que os deficientes auditivos há muito tentam mudar. Antigamente, a legislação via o “surdo-mudo” como alguém totalmente incapaz, visto que ele era alguém que não podia expressar sua vontade. Isso mudou, mesmo quando um surdo não fala oralmente, quando não sabe ler os lábios com precisão, ele ainda pode expressar sua vontade seja pela língua de sinais, seja escrevendo. Já falei sobre isso e, ainda assim, o meu exemplo acaba não sendo o melhor para ilustrar a verdadeira face do surdo oralizado (pelo menos, no ponto de vista de quebrar o estereótipo).Pra muita gente, eu sou oralizada porque aprendi a falar ouvindo normalmente, antes de ter sequela de caxumba. Mas isso não é verdade, a oralização pode se feita numa criança que nunca ouviu e ela tornar-se-á um surdo plenamente oralizado.
Como tudo fica melhor quando ilustrado com exemplos, tomei a iniciativa de convidar um grande amigo meu, Raul Sinedino, surdo de nascença, oralizado e hoje usuário do implante coclear.
Nós nos conhecemos no Orkut, na comunidade Surdos Oralizados e nos tornamos grandes amigos. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e garanto que foi uma das experiências mais marcantes que tive, pois Raul tem muito a ensinar. A experiência dele tem toda a poesia necessária para contar uma grande história de sucesso.
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