Dia aí, meu aparelho começou a apitar feito um condenado. O lance é que esse apito nada mais é que microfonia e, portanto, EU não ouço ele apitar, na maioria das vezes e nem percebo o quanto ele incomoda os outros.
Uma vez, saí com uma amiga que fala bobagem à beça (a VeeVee) e toda hora ela dava uma conferidinha no celular ou me perguntava se meu celular estava tocando. Determinada hora, ela me olhou com uma cara de interrogação tão grande que só aí fui me tocar que, quando eu dava risada o molde saia levemende do canal auditivo e… eles apitavam. O som é agudo o suficiente pra ser confundido com o toque do celular.
Enfim, quando começou a apitar feito um doido – e os meninos
aqui do trabalho começaram a me xingar horrores – tive que ir na assistência técnica ver o que tinha de errado.
Enquanto eu aguardava na saleta de espera, senta uma senhorinha idosa do meu lado e puxa papo:
- Oi, minha filha, você veio trazer a sua avó para ver os aparelhos dela?
Como é muito comum me perguntarem isso lá, respondi tranquilamente:
- Não, senhora, vim trazer os meus, que estão apitando muito ultimamente.
Ela fez uma cara de pena (adoro essa cara que fazem, nem te conto…) e continuou:
- Já usa aparelho? Tão novinha… Continue lendo…
Como algumas pessoas já sabem, o “Desculpe, não ouvi!” nasceu de tanto eu perturbar o Jairo Marques, do Assim Como Você com os meus causos e desventuras de desbravar o mundo como deficiente auditiva. Chegou num ponto que ou eu fazia um blog ou ficava aqui passando vontade de explicar pra Deus e o mundo como é viver sem audição. Ainda que muitos dos meus leitores (a meia dúzia de seis, como diz o Jairo) são também surdos oralizados, existem termos que eu poderia muito bem usar e que eles entenderiam perfeitamente, mas quem, por ventura, não tem deficiência nenhuma (ou simplesmente possui outra deficiência distinta) iria boiar e o blog acabaria não atingindo o objetivo necessário: informar. Uma das coisas com as quais nós, que temos audição deficiente aprendemos a conviver desde o instante que se descobre a nossa perda auditiva, é a audiometria. Um exame simples e indolor (a menos que você seja claustrofóbico) importantissimo e grande aliado na batalha pela melhor qualidade de vida de um deficiente auditivo ou surdo. Eu realmente não sou muito boa para explicar as coisas, além de prolixa, não bato bem o suficiente da cabeça pra conseguir explicar coisas simples (porque minha cabeça geralmente faz uns caminhos bizarros, tipo eu sou meio incapaz de contar as coisas de 1 a 100 de forma simples, eu divido em grupos de 3, 5 ou 10 e multiplico), então pedi ao Raul Sinedino, meu entrevistado de 06/05/2009, pra fazer a gentileza de explicar como funciona a audiometria e qual o peso da importância dela. Continue lendo…
Uma coisa que sempre foi difícil para mim é entender como uma pessoa com daltonismo enxerga. Para mim o mundo sempre foi colorido, sempre enxerguei perfeitamente todas as cores do arco-íris e não conseguir diferenciar o verde do vermelho não entrava na minha cabeça.
Não entrava até eu descobrir que o novo Photoshop CS4 tem uma nova ferramenta de acessibilidade que permite que um designer, fotógrafo ou ilustrador veja sua criação como se fosse vista por uma pessoa com daltonismo.
Você pode até entender como funciona aqueles testes de daltonismo.