A linguagem do tato – parte 3
**Soyez Patient, petit bonhomme!! (Tenha paciencia, queridinho), que esse texto é longo!!
Algumas coisas que a gente faz, sem propósito nenhum, podem gerar resultados jamais esperados.
Quando eu era criança, no local onde meus pais trabalhavam, havia uma moça que sofria de nanismo. Ela era o amor da minha vida, porque eu amava de paixão a companhia de uma pessoa grande, do meu tamanho. O destino levou-a embora da minha vida, mas o carinho sempre permaneceu.
E eu, na minha ingenuidade infantil, jamais via uma pessoa com deficiência como alguém excluído da sociedade. Meus pais, mesmo antes de eu perder a audição, nunca me passaram essa imagem de preconceito que a sociedade teima em manter.
Falei pro meu pai recentemente, num dia que almoçamos juntos, que ele tinha me dado uma das mais importantes lições de vida e eu não sabia sequer se ele tinha noção disso.
Quando perdi a audição e meus pais transferiram a escola/consultório deles pra perto de casa (porque onde era anteriormente dificultava pra eu falar com eles, se precisasse, já que a falta de audição me impedia de usar o telefone) acabei tendo contato com o grupo de deficientes visuais que aprendiam massagem oriental com meu pai. A convivência com eles foi crucial pra afirmar a convicção – propensa a ser bastante frágil – de que uma pessoa com deficiência pode e deve viver perfeitamente inclusa na sociedade.
Meu pai, na hora, não conseguiu emitir nenhum parecer, mas pude ler a expressão no rosto dele de satisfação, de que tudo tinha dado certo.
E, como não poderia deixar de ser, pedi pra ele falar como foi isso, sob a ótica dele: