Escrito por laklobato em 20/05/2009
Iniciando uma nova categoria aqui no blog, pra trazer ao debate (de quem quiser debater, claro) notícias interessantes ou irrelevantes, relacionadas ou não, com o universo dos PcD’s (people com deficiências).
Pra inaugurar, claro, meu assunto-xodó: Células-tronco podem curar surdez.
Duas coisas importantes devem ser ditas sobre essa notícia:
1. O que eu realmente gosto na Terapia de Células Tronco é a capacidade, ainda que não imediata ou a curto prazo, de se fazer coisas que se assemelham a milagres. Se antigamente estavam restrita a santos milagreiros, hoje a gente pode por um pouco (sem exagero) de fé na ciência e perceber que podemos nós, humanos, cuidarmos uns dos outros. Quem sabe, estarei viva pra ver esse dia chegar?
2. Topo ser cobaia, alguém me inscreve na pesquisa, por favor? hahaha
Beijinhos
Lak
p.s. Eu tive um hamster quando criança, ele passava a noite toda girando a rodinha da gaiolinha. Morreu um pouco depois de eu ficar surda – de velhice mesmo, ele tinha 3 anos - e a única coisa que eu me lembro, quando meu pai veio me contar, todo preocupado que o bichinho tinha passado dessa pra melhor, foi eu respondendo:
- Não tem problema. Ele viveu bastante, né?
Não, eu nunca fui normal!!
Escrito por laklobato em 20/05/2009
Confesso um segredo aqui no blog, eu tenho uma certa reserva, no que se refere a proximidade com crianças. Não que eu não goste delas, elas são incríveis e fascinantes, mas é realmente difícil eu ter disposição para a energia incessante delas. E, pra piorar essa ressalva, sons agudos, pra mim, estimulam as células da base da cóclea e me soam como alta frequência, fazendo com que a voz delas me pareçam muito mais finas e estridentes do que realmente são; de modo que se torna realmente sofrido suportar os gritos de várias delas de uma só vez.
Pois bem, que eu sou encrenqueira quando se trata de defender um ponto de vista, qualquer pessoa que já tenha batido boca comigo está careca de saber. E se tem um assunto que eu pego pesado e não abro mão é o que se refere a inclusão social. Conheço muita gente que se põe contra a inclusão, sob a alegação de que criança com deficiência em escola normal sofre perseguições dos coleguinhas e, assumindo uma postura de “coitadinho, ele já tem um problema, não merece passar por isso”, diz que deve-se esperar ela ter condição de se defender (se é que ela terá condição disso um dia, depois de passar a infância acreditanto que é fraca demais pra enfrentar o mundo). Eu sou radicalmente contra a postura derrotista que impede as pessoas de se fortalecerem. E não, não acho que pessoas superprotegidas conseguem ter melhor auto-estima. Acho que é necessário muita coragem pra ter uma deficiência e não sucumbir à auto-comiseração e enfrentar o mundo com garra.
Sempre afirmo que essa luta, de inclusão, é uma luta que não será ganha para esta geração pioneira desfrutar das conquistas, é uma batalha que transcende o tempo e possivelmente só nossos netos e bisnetos serão capazes de viver num mundo onde pouco importa se a pessoa ouve bem ou não, se ela caminha com as pernas ou girando rodas, se ela enxerga com os olhos ou com tato. E, é evidente que, qualquer pessoa que ousa levantar as armas de batalha, ouço de volta que “é um absurdo exigir que criancinhas sejam usadas como mola para essa mudança”, sem perceber que é justamente inserindo desde cedo ao convívio social com as diferenças, que se evita a formação do preconceito.
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