Pedido de indicação de música

Escrito por laklobato em 31/07/2009

Alex, do blog Olhares Dispersos, me perguntou se tinha alguma música ícone da luta pró-acessibildiade, pró-inclusão social. Eu entendo vagamente de música, mas, infelizmente, essa não foi uma resposta que eu tive.

Já que não sou muito de postar nos finais de semana, mas sei que tem gente que lê e até quem comente, vocês não saberiam responder essa pergunta dele? Seria muito bem vindo!!

Pensei em Imagine, do John Lennon, porque fala de utopias, mas não sei… E ai? Alguém me ajuda?

Beijinhos

Lak

11 palpites
Categorias: Contribuições
Tags:
 

Tempos modernos

Escrito por laklobato em 30/07/2009

De vez em quando ouço (licença poética) alguém dizer que as coisas não são mais como  eram antigamentes. Quase sempre com uma conotação de “antigamente era muito melhor”. E me pergunto quando foi que o mundo foi livre de violência, de intolerância, de desrespeito, porque nas aulas que tive de História, era sempre um povo tentando se sobressair sobre os outros, às custas do bem estar, da qualidade de vida e dos direitos dos demais. Mas, talvez eu seja uma pessoa muito pessimista no que se refere ao passado, não sei. A verdade é que eu não vivi no “antigamente” e não posso atestar que lá era melhor ou pior do que aqui.

O que eu posso falar é dos meus 30 e tantos anos de vida. E não, não acho que “antigamente era muito melhor”. Exemplo disso, foi que soube ontem pelo blog Deficiente Alerta, da querida Cybelle Varonos (conheci essa figura pessoalmente no aniversário do Blog do Jairo, Assim Como Você) que a lei de cotas – de empregos para pessoas com deficiência – completou 18 anos na semana passada – leia a Carta de São Paulo em apoio à Lei de Cotas no  link do blog da Cybelle.  E, como eu tenho deficiência auditiva há mais do que isso, pude acompanhar sentindo na pele a evolução desse sistema. Até uns 10 anos atrás, eu sequer tinha ouvido falar nisso. Vi as vagas melhorarem lentamente, passando de auxiliar de limpeza a assistente de Marketing ou Analista Financeiro; embora essa ainda não seja a regra. Continua sendo a esmagadora maioria empregos de cargo mínimo, mas tudo bem. Tendo a pessoa oportunidade de crescer na empresa, é aceitável.

E, ainda assim, existe empresários que “aceitam” contratar “essa gente com deficiência”, contanto que elas saibam o seu lugar e nunca peçam aumento nem promoção. Eles já estão fazendo a gentileza de permitir que a PcD trabalhe na empresa dela, mas só porque não querem pagar multa, entende? Mas não esperam nem desejam que ela cresça nem precise de nada. Afinal, ela deveria conhecer o seu lugar insignificante e ficar grata de deixarem-na trabalhar, mesmo que a salário de fome; já que em “antigamente, quando tudo era muito melhor” lugar de inválido – esse termo bonito que usavam para referirem-se a nós – era em asilo. Portanto, a gente que não reclame…

Mas, as mudanças que observo não se limitam a PcDs nem à oportunidades profissionais. São mudanças sociais de drástica inversão de valores. E não, isso não é ruim, eram valores errados. “Antigamente quando tudo era muito melhor” só merecia respeito, segundo os valores da época – aqueles que pertencia à maioria dominante. As minorias, tinham que aguentar caladas as piadinhas, os descasos, a indiferença, o desrespeito. Porque era assim, você não merecia respeito pelo simples fato de ser humano. Sua humanidade era menos significante que a sua cor de pele, sua classe social e financeira, sua compleição física, sua condição sensorial, seu gênero. Isso era mais importante, porque, afnal de contas, havia gente demais no mundo, então não dava pra respeitar todas, respeitava-se apenas uma parte delas. já que – aparentemente – respeito era algo limitado, não dava pra sair gastando a toa. Bizarro…

Hoje em dia, não é mais assim. Ainda que muita gente mantenha essa mentalidade – com as alegações mais esdruxulas, do tipo “eu aprendi desde cedo que podia chamar um marciano de coisinha ridicula verde e não vejo por que tenho que mudar” – a lei já reconhece que SERES HUMANOS merecem respeito simplesmente por serem  humanos. Essa semana mesmo, tem rolado o maior bafafá em relação a uma frase dita no twitter (sim, eu tenho 2 contas, se quiser me seguir: lakl & desculpenaoouvi) pelo Danillo Gentilli do CQC. Na versão dele, a frase não foi dita para ofender. Mas, não é mais o autor das ofensas que decide o que pode ofender os outros ou não e quem não acreditar nele, que se resuma a sua insigficância. Se alguém se ofende, a liberdade de expressão que garante que alguém diga um disparate desses, garante também o direito do outro de reclamar. E a lei, hoje, protege quase sempre a ‘vitima’.

E a gente também tem levado a sério. Ontem mesmo, me desentendi feio no Orkut, porque fizeram um tópico com um poema que terminava com “mudos, se matem” que eu reclamei que era ofensivo. As pessoas, diante a minha reclamação, tentaram alegar que era metaforico. Eu reclamei que literal ou metafórico, me ofende que haja pessoas que achem que é brincadeira seguir  a linha espartana de que quem tem um problema ou uma deficiência deveria ser eliminada. Se for metafório, pior ainda, porque beira ao deboche. No fim, recebi o pedido de desculpas do autor do poema. Se eu peguei pesado? Talvez, mas acredito piamente que foi-se o tempo que a ‘vitima’ tinha que ser compreensiva, levar na esportiva, que era dela que se exigia boa vontade, não do agressor…

Por isso que eu acredito que dizer que “antigamente era muito melhor” beira a covardia. Afinal, eu conheço o meu lugar: aqui e agora.

E você?

Beijinhos,

Lak

8 palpites
Categorias: debates
Tags:
 

Notícias do Mundo

Escrito por laklobato em 27/07/2009

Recebi essa notícia por email, de uma moça de um grupo de discussão da qual faço parte (na verdade, nem comento muito, só leio): “Tv Acessível”, Geni Aparecida Faveiro.

Achei linda e resolvi trazer pro blog. Vale a pena ler e torcer para que isso seja colocado em prática o quanto antes…

Obama assina Convenção e diz que toda criança com deficiência tem que estudar na escola perto de sua casa

Julho 25, 2009

Patricia Almeida, de Nova York

Na presença da Secretária de Estado Hillary Clinton, e de lideranças americanas com deficiência, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem que o país vai assinar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Obama qualificou a Convenção, o primeiro tratado internacional do século XXI, de um documento “extraordinário”.

Em seu discurso, o Presidente norte-americano disse que está orgulhoso do progresso feito no país, mas não vai ficar satisfeito até que todo americano com deficiência esteja estudando na escola mais perto de sua casa da maneira que for melhor para ele.

O Presidente disse que se lembra das pessoas com deficiência todos os dias, ao passar pela rampa construída para a cadeira de rodas do Presidente Franklin Roosevelt. Naquela época, disse ele, medo e preconceito com relação às pessoas com deficiência era a norma, mas a maioria dos americanos nem sabiam que o Presidente Roosevelt tinha uma deficiência. Isso quer dizer, completou, que a maioria dos americanos também não sabiam que a deficiência de Roosevelt não prejudicou sua habilidade de recuperar o país. Roosevelt governou os EUA, enfrentando os efeitos da grande recessão e a Segunda Guerra Mundial durantte 4 mandatos. Faleceu no cargo no último deles.

Ele lembrou ainda de seu sogro, Fraser Robinson, já falecido, diagnosticado com esclerose múltipla na década de 1930. Segndo o Presidente, ele nunca reclamou, nunca buscou tratamento especial e nunca perdeu um dia de trabalho, embora precisasse usar duas bengalas para se locomover. Robinson, disse Obama, fez tudo isso e mais, antes da legislação americana, ADA (Americans with Disabilities Act) existir, um dos herós silenciosos que mostraram que pessoas com deficiência podem contribuir integralmente para sociedade, apesar da falta de reconhecimento dos outros.

O ato foi realizado no aniversário de 19 anos da ADA. O Presidente instruiu a Embaixadora dos EUA junto à ONU a assinar o documento. O tratado precisa  ainda ser ratificado pelo Senado americano. 140 países já assinaram a Convenção. O Brasil está entre os 60 países que já ratificaram o documento.

Fonte: Agência Inclusive
Maria Isabel da Silva
Jornalista-SP

Beijinhos,

Lak

4 palpites
 

Onde existe luz

Escrito por laklobato em 24/07/2009
* o título do post é referente a um livro de Paramahamsa Yogananda, mestre de Kryia Yoga e fundador do Self-Realisation Fellowship. O livro fala sobre encontrar inspirações para enfrentar os desafios diários da vida.

Ultimamente, percebi que meu blog não é meramente um diário virtual. Ele é um elo de uma corrente de amizade, de inspiração e de força de muitas pessoas – inclusive eu – que tem ou não deficiência auditiva. Não apenas o meu, mas todos os blogs que falam de superação de alguma deficiência, doença ou simplesmente de quem partilha a vida virtualmente e tem o objetivo de ajudar e ser ajudado.

Por conta disso, não poderia ficar de fora a opinião e o parecer daquele filão de profissionais que nos ajudam a carregar o peso do mundo nas costas: os psicólogos.

Minha melhor amiga, a Kali, é psicóloga, por isso, tenho um carinho todo especial por essa classe de profissionais.  Acho que tem horas na vida que ninguém merece carregar o fardo e a dor sozinho. E, nalgumas dessas horas, uma ajuda profissional pode fazer toda a diferença.

Esses dias, fizeram um tópico na Surdos Oralizados (comunidade do orkut) que me inspirou a correr atrás da pessoa pedindo um depoimento aqui pro blog. Olha só:

Bem Pessoal, antes de mais nada deixe me apresentar

Sou psicóloga clinica há  15 anos. Sou especializada em atendimento psicoterapico para adolescentes, adultos, terapia de casal e familar, terceira idade ( atendimento em home care ou no consultório )surdos e familiares.

Atendo deficientes auditivos/surdos oralizados e sinalizados e também com ou sem interprete dependendo do caso.

Agora que vcs já me conhecem um pouquinho quero dizer que quando fui convidada pela Lak, para escrever um texto para este Blog, a primeira cosia que me veio a cabeça  e que não poderia deixar de citar aqui é uma frase que para mim é a base para o meu trabalho.

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.” (Hermann Hesse)

Vejo no meu consultório que os pacientes buscam mais que a “chave”, mais que o impulso do o seu “próprio mundo de imagens” e quando eu falo em pacientes estou me referindo aos surdos e ouvintes .

A minha experiência clinica me permiti perceber que os surdos são sem sombra de dúvida pessoas independentes e automotivacionais,assim como os ouvintes, porque não são diferentes.Muitas vezes o que os impulsiona a desistir de algo ou a se sentirem “menos” do que os ouvintes é a própia família que não os aceita como surdos.

Ai eu me pergunto…Afinal porque não aceitar ?Se são pessoas como qualquer outra. Todos nós temos nossos transtornos, nossas limitações, nossos desafios e objetivos, pelo simples fato de sermos seres humanos.

Acredito na teoria que diz que a desigualdade esta dentro de cada um de nós , precisamos do “diferente” para nos alimentar de vida, de emoções  “boas ou “ruins”, para que possamos nos desenvolver como pessoa,  as diferenças são como um combustível, um estimulo, para nos tornarmos ainda maiores do que podemos, pois todos sem exceções somos GRANDE! Já vencemos pelo simples fato de estar vivos neste mundo tão difícil.

Vocês não imaginam como cresço e aprendo a cada atendimento psicoterápico com os surdos e ouvintes , vocês me alimentam a cada dia, com suas emoções fazendo desta forma com que juntos nos tornamos seremos humanos mais adaptáveis a s emoções  que nos aguardam do dia a dia, mais harmonizados no sentido total da plenitude da palavra.

Quero manifestar aqui o meu incondicional OBRIGADO! Á todos meus pacientes surdos, ouvintes, mas em especial aos surdos que me confortam e me ensinam, me impulsionando a pegar a “Chave” a  qual se refere ao citação acima e a passa-lá para frente.

Amo vocês e sou apaixona pela minha profissão!

Um beijo de luz no coração de todos vocês.

Dra Silvana Resaffi

Contato para atendimento 11 8555-8422

Email silvana.resaffi@uol.com.br

Local de atendimento: consultório  em São Paulo Capital, próxima a região da Av Paulista a 200 metros do metrô Trianon-Masp. Bairro Cerqueira Cezar.

Horário de atendimento – de 2ª à  6ª fª das 09 ás 19h. Sábado das 09 ás 13h.

Alguém aqui já fez terapia e gostaria de partilhar a experiência?

Beijinhos

Lak

- palpites
Categorias: Contribuições
Tags: ,
 

Caridade afetiva

Escrito por laklobato em 23/07/2009

Outro dia, estávamos conversando eu, o Edu e uma amiga. Não lembro exatamente qual era o tema da conversa, até que ela falou:

- Um amigo meu, sabendo do casamento de vocês, disse “Edu deve ser uma pessoa realmente muito boa!”. Eu perguntei por que ele dizia isso, ao que ele respondeu: “Ora, ele namora uma deficiente

Antes mesmo que eu pudesse esboçar uma reação ou ela, contar qual  o comentário de resposta dela, Edu se adiantou:

- Eu não namoro ninguém por caridade não!

Eu e ela rimos do jeito que ele falou, num misto de indignação e ironia. Ela continou:

- Foi o que falei pra ele. Que o Edu não namora “uma pessoa deficiente”, ele está com você porque gosta de você.

Mantive a calma e comentei:

- É, diante do ‘conhecimento’ de uma pessoa sem deficiência namorar outra com deficiência, as reações, em geral, variam apenas entre duas, específicas. Ou a pessoa é vista como um poço de bondade – por namorar alguém quebrado, que ninguém mais iria querer – ou é vista como aproveitadora, que está abusando de alguém indefeso e ASSEXUADO, o que é pior.

O problema da deficiência, em boa parte dos casos, não são as dificuldades que ela acarreta apenas. Limitações fisicas e/ou sensoriais nos tiram dos procedimentos comuns em relação às coisas que essa limitação atrapalha, mas é algo que, com o tempo, a própria pessoa se acostuma e passa a viver com aquele novo procedimento padrão. Ou seja, quebra-se o paradigma do habitual aprendido e encontra-se um novo padrão, que passa a ser o “natural”. O que é mais complicado – no sentido de ser chato  mesmo – é lidar com as limitações dos outros, para com relação a deficiência. O tempo todo você tem que se explicar, ser balcão de informações de gente que simplesmente tem preguiça de pensar (ontem mesmo pedi pra uma pessoa, que me repetia uma pergunta que já expliquei pra outras oitocentas pessoas, esquecer que eu tenho deficiência auditiva, porque ando sem paciência de sempre ter que satisfazer todas as curiosidades, algumas bobíssimas, de todo mundo que conheço), é você ter que se justificar de “como, quando, onde e porque” você não segue o estereótipo, não é uma pessoa fracassada e infeliz (já que pra muitos, a felicidade e o sucesso parece depender mais das condições físicas e sensoriais, do que da força de caráter e da grandeza de espírito) e, ainda assim, continuam te vendo como um coitadinho, sem sexualidade nenhuma, já que não é “normal”.

Pare. Pense. Uma pessoa com deficiência é apenas outro ser humano e mais nada. No máximo, ela precisa de mais algumas coisas que a maioria não precisa ou não pode fazer algumas poucas coisas, que a deficiência dela atrapalha. Mas não é menos humana, menos instintiva, menos natural que os outros.

Em vez de tentar ver as mazelas da vida de acordo com as suas limitações mentais, simplesmente viva e deixe viver.

Mal não faz.

Beijinhos,

Lakinha

10 palpites
Categorias: debates
Tags:

Copyright © 2012 Desculpe, não ouvi! All rights reserved. Visite www.laklobato.com