A força que nos move…

Escrito por laklobato em 17/08/2009

De repente, a minha vida me prega outra peça e eu não consigo dormir. Não consigo dormir, no sentido de dormir para sonhar. Agora  eu sonho de olhos abertos…

Tento manter-me realista sem saber direito a  quem deveria direcionar a minha atenção.

Se deveria ser no médico que me dá esperanças de uma melhora de qualidade de vida verdadeira.

Se seria na fonoaudióloga que me diz que “em casos como o seu, é bem provável que o ganho não seja tão grande assim”.

Se devo me espelhar em casos do mais absoluto sucesso com o Implante Coclear, similares aos meus: surdos adquiridos depois de desenvolverem a fala.

Se em casos de pessoas que conseguem ouvir bem, mas não perfeitamente.

Se num trecho de um texto escrito pela minha amiga Anahi, que explica que quem o córtex cerebral auditivo formado (pessoas que ouvem aquela vozinha interior quando pensam) conseguem um ganho excelente quando tornam-se usuários do Implante Coclear.

Apesar de eu ser uma pessoa sonhadora, sou também alguém assustadoramente cética e realista, mas por medo. Logo que perdi a audição, me disseram que eu ouviria bem com aparelhos auditivos (AASI). Mas infelizmente, me colocaram um aparelho que não funcionou e fiquei muito frustrada, porque realmente o AASI não tem alcance para a minha perda (ou  pelo menos, aquele não tinha). Por conta disso, o peso de uma nova frustração me esmaga, fico sem saber direito o que pensar, o que desejar, até onde eu devo me permitir sonhar.

Penso em como a surdez nos maltrata. Não que ela seja uma deficiência com máculas físicas. Mas ela simplesmente nos coloca dentro de uma redoma, com todos os sons do mundo do outro lado. As músicas, o barulho da chuva, o canto dos pássaros, o som das ondas quebrando na praia e, os sons mais dolorosos de estarem longe do nosso alcance: a voz  das  pessoas que a gente ama, cada palavra que só chega a nós visualmente. As piadas ditas por alguém numa rodinha de conversa descontraída. As risadas dos amigos.  As imitações e gracejos que se faz uns com os outros. O som preciso do “eu te amo” dito por alguém que realmente ama você. Os sussurros dos segredos. Os gemidos de prazer…

Você sabe que tudo isso está a poucos centímetros de você e, mesmo assim, a deficiência te paralisa e você simplesmente não pode alcançá-los. O que você faz? Pára de desejar tudo aquilo, simplesmente para não sofrer. Passa a procurar a beleza de outras coisas para preencher o vazio que tudo isso deixou. Existe maneiras de compensá-lo? É claro, com imaginação e vontade de viver, tudo é possível…

E de repente, vem a vida e diz: “Talvez você possa ter tudo isso de volta…”

Mas, pelo medo de sofrer, pelo trauma sofrido na infância, você (eu sei que estou falando de mim, mas falar na terceira pessoa simplesmente torna mais fácil hehehe) se vê tal como uma represa. Que tem medo de deixar formar qualquer rachadura nas suas paredes, porque sabe que a partir do momento que vazar água (de esperança, de sonhos) será impossível conter a descontrução das paredes que você construiu durante tantos anos.

Por outro lado, talvez essas paredes sejam simplesmente a redoma de vidro que te afasta de tudo. E quando elas forem destruídas, eu possa me sentir novamente, tão-somente uma cidadã do mundo.

Beijinhos

Lak

A flor da deusa hindu da felicidade (e da fortuna) Lakshmi: lótus. A imagem é apenas para ilustrar o meu atual estado de espírito (de esperança)

A flor da deusa hindu da felicidade (e da fortuna) Lakshmi: lótus. A imagem é apenas para ilustrar o meu atual estado de espírito (de esperança)

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Um passo de cada vez e aí, o mundo…

Escrito por laklobato em 14/08/2009

Ontem, estava aqui no trabalho, quando entra um email do médico que provavelmente irá me operar.

Abri, sem muito saber o que seria – sabia que ele tinha meu endereço de email, porque ele é sensato, trabalha com deficientes auditivos usa email – e dei de cara com o “termo de consentimento cirurgico”.

É bem bacana o que nos mandam antes da cirurgia.  Avisam exatamente o que será feito na minha cabeça (não, não vão colocar um cérebro melhor, droga!), quais os riscos que existem, mesmo pequenos (essa parte deu medinho), quais as restrições pós-cirurgia (meu zoi encheram d’água de ler que mergulho autônomo é proibido) e, o mais importante, que eu considero fundamental, avisam que CADA CASO É UM CASO E NENHUM RESULTADO É GARANTIDO. Quando eu falo isso, ninguém acredita hahaha

Na hora que li o termo, minha reação foi de uma felicidade tão grande, mas tão grande, que o resultado foi até engraçado. Simplesmente todo mundo arrumou desculpa pra falar comigo ontem. Mesmo quem normalmente não fala. Todo mundo vinha com os motivos mais bocós puxar papo, falar alguma bobagem. Não sei se eu estava irradiando felicidade, mas a verdade é que foi surpreendente ver tanta gente falando comigo.

Não sei, penso em todas as coisas que passam pela minha cabeça. Meus medos, meus anseios, tentando afugentar qualquer expectativa, para tudo o que vier, muito ou pouco, ser lucro. Sinto um friozinho no estômago de pensar que talvez seja finalmente possível reverter parcialmente (ou quem sabe quase totalmente) aquela manhã de fevereiro de 1987 quando o mundo mudou de ares e passou a ser um misterioso silêncio que fala, que canta e grita.

Torcendo…

Beijinhos

Lak

p.s. um textinho que adoro:

“Nada é impossível, só os limites de nossas mentes definem certas coisas como inconcebíveis. Muitas vezes é preciso resolver muitas equações para admitir um novo raciocínio. É uma questão de tempo e limites do nosso cérebro. Transplantar um coração, fazer voar um avião de trezentos e cinquenta toneladas, andar na Lua deve ter dado muito trabalho, mas precisou, sobre tudo, de imaginação. Então, quando nossos sábios, tão sábios, declaram ser impossível transplantar um cérebro, viajar à velocidade da luz, clonar um ser humano, digo a mim mesmo que, afinal, não aprenderam nada sobre os próprios limites, deve-se pensar que tudo é possível e que é uma questão de tempo, o tempo de compreender como é possível.” (Mark Levy)

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Barulhos by Doisneurônio

Escrito por laklobato em 13/08/2009

Que eu gosto de escrever, já deve ter sido possível notar. Que eu tenho talento… hum, é outro departamento, xápralá hihi

Mas, faz tempo que eu me engraço na net fingindo ser uma escritora talentosa e sabichona. E esse texto, eu escrevi pro blog DoisNeurônio (foi sugestão minha – via comentário no blog – e as meninas pediram pra eu fazer as honras).

Não lembro a data exata. Suponho que tenha sido em março de 2000/2001, ou seja, faz quase uma década já. Será que eu mudei muito?

Barulhos

por Lakshmi Lobato

Um dia acordei, logo após ter tido caxumba e a minha vida mudou por completo. Até hoje me pergunto como seria a minha vida, se aquela manhã tivesse sido apenas mais uma das muitas e muitas manhãs da minha infância. Nessas horas, em que a tristeza fala baixinho, vem-me o otimismo (porque só pessimismo não agüento) e digo a mim mesma: “Aí, provavelmente você nem se lembraria dessa manhã, teria ficado perdida no tempo.”. Mas, explicando, para quem ainda não me conhece, naquela manhã, acordei e meu mundo se tornara um silêncio. Ficar surda, aos nove anos de idade, pode não ser o desejo de ninguém, mas até prefiro assim. Estou no exato limite entre os dois mundos.

O mundo dos ouvintes, porque sei como é o som e, portanto, falo “oralmente” como qualquer pessoa (ou um pouco mais enrolado, mas me dêem uma colher de chá. Isso foi há 14 anos.) e o mundo dos surdos. Sempre gostei de aventuras e acho que essa é a maior delas: você ser capaz de entender tantas pessoas. Apesar da surdez precoce, nunca me abati. Nunca deixei de fazer nada. Aos 23 anos, curso o último ano de publicidade e fotografia, namoro o Beto há mais de um ano e ele é ouvinte (nessa diferença ele sofre mais que eu, porque tem que ficar me explicando tudo sobre sons e músicas e ligando pra minha mãe por mim. Ai ai, o que o amor não faz….), já fiz estágio numa agencia de comunicação, dirijo e tenho muito amigos, ouvintes e surdos. Não tenho porque me considerar uma pessoa inferior, inválida ou mesmo um peso para ninguém. Para assistir aula, eu me viro. Se precisar, sento lá na frente, peço para me repetirem o que não entendi (um amigo meu, surdo, reclama que tem dificuldade de ler os lábios dos professores, então, estuda mais pelos livros, mas não é o meu caso, tenho boa habilidade de ler os lábios), estudo em casa também e minhas médias até que são bem razoáveis. Se, para trabalhar enfrento muito preconceito, de pessoas que me barraram antes mesmo da entrevista, quando consegui ter uma, fui contratada de primeira.

Acho que não tenho muito do reclamar, né? Nem de me sentir diferente de qualquer uma de vocês, mulheres superiores da vida. Mas, não é o caso de todas nós, que portamos deficiências. Uma vez, estava sentada, em frente à faculdade, conversando com uma amiga portadora de deficiência física. Ela é uma dessas pessoas incríveis, super esforçadas, impossível de não se admirar. Contava-me que tinha consulta marcada na ginecologista, coisa que nenhuma mulher acha agradável de fazer e até falar no assunto. Disse que tinha um pouco de trauma, pois uma vez foi numa outra médica, que lhe disse que achava um absurdo essa “mania dos deficientes de achar que podem fazer tudo o que as pessoas normais fazem”. Os olhos dela encheram de água, ao falar isso. Meu coração sentiu uma pontada e respondi: “Se ela tem preconceito, linda, o problema é dela. Honestamente, acho que quem tem preconceito, sofre muito mais do quem é vítima. Afinal, a vítima vai embora e o preconceito fica lá com ela.”. Minha amiga deu um sorriso grande e foi mais tranqüila pra consulta, no dia seguinte. Aliás, nem deve ter sido tão traumático assim, de novo, porque ela não comentou nada depois.

Claro que também quase morri de tanto orgulho, quando, nas Olimpíadas Especiais, no ano passado, os atletas deficientes trouxeram mais medalhas que os atletas normais. Isso mostra que a força de espirito está dentro de nós, não no físico. E, antes de terminar esse texto, vou lhes pedir uma coisa: Olhe um pouco a sua volta, enquanto lê esse meu relato e depois feche os olhos. ‘Desligue’ os pensamentos e deixe só os sons entrarem na sua cabeça, como se fossem uma orquestra desordenada.

Ouça um pouco o barulho dos carros, das buzinas, do liqüidificador, do teclado, do mouse rolando a tela, da campainha, do telefone, da sua própria respiração…. É um milagre, não é?! Não? Você acha a coisa mais banal que existe? Pensa que é só rotina, que você ouve isso todos os dias, então alguns barulhos até te irritam? Sabe aquele barulho de água quando você dá a descarga… Ah, vai me dizer que presta atenção nisso? Uma vez, fui ao banheiro usando meus potentes aparelhos que devolvi uma semana depois e levei um susto tão grande. Esse barulho foi uma tremenda novidade para mim…. Perder um sentido não apenas perder uma capacidade, mas também desenvolver outras. Minha visão é mais perceptiva, meu tato também, meu olfato e minha memória, nem se fala. Mesmo assim, a audição também tem suas vezes, lembro direitinho da voz da minha mãe quando ela está feliz ou quando está zangada. Lembro de ouvir o barulho do mar, das gotas caindo na chuva, do papel da bala abrindo, da mordida naqueles biscoitos recheados… Que agora são pequenos milagres que eu almejo no dia à dia…. E que se não fosse esse dom da surdez, seriam apenas simples barulhos do meu cotidiano.

Para quer quiser ver o texto no próprio blog DoisNeurônio.

Beijinhos,

Lak

p.s. repararam que eu assinava meu nome inteiro? Desisti depois de perceber que as pessoas tem muito muito muito medo de sequências de mais de 3 consoantes hehhe

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Eletromagnetismo pessoal

Escrito por laklobato em 12/08/2009

Passei o dia no hospital ontem!

Não, calma. Fui fazer o resto dos exames que faltavam, para confirmar a possibilidade de fazer o Implante Coclear. Não que antes não fosse certeza, apenas precisava confirmar a condição física para tanto (e olha que eu tô chutando os resultados, porque só sexta/segunda). 

Um dos exames de ontem realmente me deixava apreensiva: ressonância magnética. Muita gente faz e diz  que não achou nada demais. Mas também tem muita gente que diz que sofre nesse exame, porque ficar meia hora dentro de um tubo de metal não é assim, gostoso, sabe? Ainda mais quando você tem claustrofobia (medo de lugares fechados). E, o pior, eu tenho!

Uma das primeiras lembranças que eu tenho, era de ter uns 3, 4 anos e estar brincando no meu quarto, juntamente com minha irmã (1 ano mais velha) e minha melhor amiga, a KK (sempre falo dela por aqui, 1 ano mais nova). Estávamos brincando com um baú de madeira, onde ficavam nossos brinquedos. Tiramos tudo de dentro (acho que minha mãe tinha mandado fazer isso pra limpar e depois, o baú ficou vazio e foi a festa), entrava uma e as outras fechavam a tampa e ficávamos rindo). Quando chegou a minha vez e fecharam a tampa, eu comecei a gritar e pedi pra sair e nem era nada demais… Enfim, lugar fechado não é comigo!! 

Bom, voltando do tunel do tempo, ontem foi prova de fogo. Cheguei no hospital (porque tinham me falado que lá era tranquilo e eu segui a dica) . Cheguei, entreguei os pedidos do médico e já avisaram que eletrocardiograma só tinha noutra unidade. Bom, a ressonancia tinha hora marcada, então eu cheguei tipo 8h30 no hospital. O recepcionista disse que ia me mandar fazer abreugrafia (raio X do pulmão) antes da ressonancia por causa do contraste. Mas demorou tanto, que o técnico da ressonância veio me buscar e disse que o contraste de ressonância não faz mal nenhum e não tem efeito colateral (o da tomografia, eu não tomei, porque era a base de iodo e eu sou alérgica a camarão).

Bom, por conta da claustrofobia, eu li todas as informações possíveis e à disposição na internet sobre o exame. Fui com uma roupa bem confortável e sem nenhum metal, o que facilitou na agilidade do exame. Como, ainda assim, eu estava muito nervosa, o técnico ficou conversando comigo antes. Ele passava uma serenidade que transbordava. Disse que era um exame muito tranquilo, que a única coisa que poderia me incomodar era a sensação de aprisionamento, mas que ele me daria a campainha para eu pedir pra parar a qualquer momento.

Perguntei se o contraste tinha efeitos colaterais. Ele disse que raramente. Perguntei quais e ele respondeu que era melhor eu não saber, pra não ficar imaginando coisas. Depois dele deixar a agulha no meu braço já pronta pra receber o contraste, fomos pra sala onde fica o equipamento. A sensação que me deu, foi de que eu seria colocada pra dormir e enviada numa capsula para outra dimensão hehehe

Deitei na prancha do exame, o técnico perguntou se eu queria protetores auditivos, porque o exame é muio barulhento. Eu respondi que não, porque eu não ouço quase nada. Ele respondeu: Olha, é barulhento mesmo, mas você quem sabe. (confesso que me arrependi, porque é barulhento mesmo!!) Depois, prendeu minha cabeça com umas almofadas e um capacete de metal. Colocou a campaínha na minha mão e disse: Qualquer coisa, me chama.

Entrei no tubo e me dei conta do quão estreito ele é. A sensação de pavor tomou conta do meu corpo inteiro. Mas, a cada segundo que passava parecendo uma eternidade, eu pensava: “São trinta minutos em troca de se quebrar 22 anos de silêncio, vale a pena.”. Ademais, eu tinha seguido a dica do Raul e pedido pra minha mãe ir comigo. O tempo todo ela ficou segurando minha perna e eu tentava manter a mente fixa ali, imaginando que eu estava fora do tubo, olhando meu corpo semi-inserido no tunel de metal.

Como o exame é longo, pude analisar a situação de diversas óticas. Pensei em como a minha vida é peculiar. Porque, depois dessa cirurgia, eu iria simplesmente nascer de novo, coisa que já fiz quando perdi a audição. Achei graça disso, porque eu sigo a fé hindu e, para os hinduistas, o ciclo de morrer e renascer significa evolução espiritual até a perfeição. E, estar naquele tubo era parte dessa transformação. Entoei alguns mantras mentalmente e, no fim, acabei suportanto o exame com graça e elegância, sem nenhuma reclamação, nem acionar a campaínha nenhuma vez (até porque sair do tubo e entrar de novo não me animava nem um pouco). Muita gente sugeriu que eu tomasse um sedativo para aguentar o exame com mais facilidade, mas como eu faria outros exames, não quis arriscar mascarar o resultado deles. 

Por fim,  o exame acabou, segui para a abreugrafia, depois pra o eletro. Depois do hospital, fomos para o laboratório onde eu tomei as vacinas (ai meus braços!) e voltei pra casa. Tinha pedido o dia de folga, visto que não sabia o tempo que tudo isso iria levar.

Quando dei-me por mim, já estava em casa, pensando como vale  a pena enfrentar os medos! Pode até ser que a gente sofra na hora, mas depois dá aquela sensação de orgulho de si, sabe? hehehe

Beijinhos,

Lak

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SULP – Surdos Usuários da Língua Portuguesa

Escrito por laklobato em 10/08/2009

Vira e mexe, vejo alguém falando sobre a Língua de Sinais e o quanto acha ela o máximo e realmente acredita que todo surdo fala isso e, quando descobre que eu não falo, fica chocado, com cara de “como assim”?

Mas a verdade é que a diversidade dentro da deficiencia auditiva é grande o suficiente para abranger muito mais do que o estereótipo do surdo-mudo.

Não que haja algo de errado na Líbras, mas é importante considerar que nem todo surdo nasceu surdo, nem todo surdo foi encaminhado desde cedo para  a Comunidade Surda, nem todo surdo quer se comunicar de outra forma que não oral.

Ultimamente, tem se falado muito sobre a obrigatoriedade da Líbras, de se aprender Libras na escola – junto com o inglês, para crianças ouvintes – de se colocar interprete de Líbras em tudo que é lugar. De se colocar a janelinha de interprete nos programas. Ok, nada contra, mas…

Essa forma de comunicação, esse idioma não abrange e jamais irá abranger todos os deficientes auditivos; porque muita gente perdeu ou irá perder a audição depois da aquisição da fala, porque muita gente é ou será implantado, porque muita gente não mora(va) no Brasil quando criança (sim, a lingua de sinais é sempre  regional, ela só vale pra um país. Não adianta aprender Líbras achando que vai poder falar com todos os surdos sinalizados do planeta).

E a língua portuguesa, por outro lado, é falada por quase 100% dos habitantes do Brasil, portanto, é preciso considerar que uma parcela muito significativa de deficientes auditivos falam e entendem português e também precisam de adaptações. Por conta disso, nasceu o SULP – Grupo dos Surdos Usuários da Língua Portuguesa, que batalham para haver adaptações para deficientes auditivos e surdos que vá além da Lingua Brasileira de Sinais: Legenda em Portugues nos programas de TV, auditórios, teatros e etc… Etenotipia em salas de aula (transcrição da fala por escrito), etc… Vale  pena dar uma lida no blog dos SULP e ver todas as reinvindicações adequadas.

Vale lembrar que o Closed Caption não serve só para quem tem deficiência auditiva. Ela serve para idosos, crianças em fase de alfabetização, estrangeiros que estão aprendendo português e até ouvintes, em ambientes barulhentos onde fica difícil acompanhar um programa só pela audição…

LEGENDAS_EM_PORTUGU_S_J_Beijinhos,

Lak

14 palpites

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