Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam incomodam muito mais….

Escrito por laklobato em 30/11/2009

Causozinho da Leila… Em homenagem à minha gafe hospitalar com a coca-cola (e ainda tive que ouvir o pessoal dizer que aqui em casa, coca-cola é alucinógeno!!). Afinal, todo mundo é propenso a mal entendido, mas deficiente auditivo tem que ter jogo de cintura, porque conosco é bem mais comum, enfim…

“Se tamanho fosse documento, o elefante seria dono do circo”.
(Frase de pára-choque de caminhão)

O Elefante
Sábado de bagunça. Tinha pizza, pipocas, refrigerantes e amigos para brincar. Inicialmente, foi tudo em cima da hora: veio todas as crianças de uma vez e eu não tinha programado nada. Prática, pedi pizza, refrigerantes e fiz pipoca.
Fiquei orientando o trabalho escolar para a criançada: meninas de 10 a 12 anos, do grupo da minha filha. Mas como falam!
- Meninas, hora de comer!
Todas comeram e depois saíram para terminar o trabalho. Na cozinha, a mesa estava uma bagunça. Comecei a arrumar.
Alguém chega e diz:
-Tia, podemos jogar Detetive na mesa?
-Claro!
Estavam lá, na minha mesa da cozinha, 5 crianças jogando Detetive e eu comecei a lavar a louça. Entre barulho de água, talheres e vidros, eu ouvia as crianças atrás:
-Não.
-É.
-Elefante.
-Elefante.
-É. Elefante.
-Não. AAAAAA? -  Alguém dá um berro.
-Elefante, não, sim, elefante.

“Pombas!” ? penso eu. Viro-me, indago para as meninas:
- Do que vocês estão falando, elefante, elefante?
-Não, mãe. Estamos jogando, pensando quem matou quem, que arma é,
onde aconteceu dizendo: “É RELEVANTE”.

Bem relevante.
E eu ouvindo elefantes. Podia até sonhar com um…
Estado do Rio de Janeiro, RJ, 17 de junho de 2007.

Leila.

Não importa o tamanho do seu problema. Importa somente que você tenha a manha necessária pra rir dele. O resto, a vida resolve hahaha

Beijinhos

Lak

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O pop não poupa ninguém

Escrito por laklobato em 30/11/2009

Sabe, quando eu fiz o blog, inicialmente, apesar do nome, meu objetivo não era focar o blog na surdez. Sempre foi uma convicção minha que minha vida não girasse em torno da deficiência, mas que ela fosse uma parte importante da minha vida, embora não a única.

O tempo foi passando e raramente eu me dispunha a falar de outro assunto que não surdez e/ou deficiência, muito porque era uma proposta nova, falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais ou na Cultura Surda, o que, pra muita gente, é praticamente sinônimo de surdez.

Outro dia, me mandaram um email, pedindo uma entrevista. Era uma moça fazendo faculdade de pedagogia e que tinha um trabalho sobre surdez pra fazer. Ela queria justamente a proposta do blog: falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais, porque é de praxe relacionar as duas coisas.

A entrevista dela era basicamente algumas perguntas  que viraram uma apresentação de powerpoint. Não sei a nota do trabalho, mas ela me disse que foi o único com essa temática e, portanto, causou rebuliço e foi inesperado.

Como eu sou uma pessoa muito exibida bacana, compartilharei minha fofoluxa entrevista e, obviamente, o trabalho da Andrea Petenucci e Sabrina Bohlen, estudantes de pedagogia da Universidade Anhembi Morumbi (coincidência das coindências, a universidade em que me formei em 2001):

1. Lak, obrigada pela atenção, fale um pouco de você.
Basicamente, eu sou o que diz o perfil do meu blog. Uma mulher de 32 anos, casada, que trabalha, estuda e aproveita a vida. Sou formada em publicidade e fotografia. Atualmente, trabalho como arte finalista numa grande agência de publicidade, estudo francês e inglês, curto minha casa, minha familia, meus amigos, meu marido. Fiz o blog de brincadeira, justamente porque eu não vivo em função da surdez, nada na minha vida gira em torno disso e eu queria mostrar que era possível.
2. Em seu blog você diz que perdeu a audição aos 10 anos, com seguela de caxumba. Como foi para uma menina lidar com essa mudança?
Da melhor maneira possível. Criança não perde tempo se auto-comiserando. Acha que acontece e continua vivendo. Fiquei triste, mas uma hora cansei da tristeza e fui brincar de novo.
3.Como os médicos aconselharam você e sua familia a lidar com sua deficência auditiva?
Fazer fono pra manter bem a fala e continuar inserida na comunidade ouvinte, graças a minha capacidade de leitura labial que sempre me permitiu manter uma boa comunicação.
4.Vocês buscaram informação com outros profissionais, grupo de apoio, pessoas em geral, etc?
Não, somente fonoaudiólogas. Meus pais perceberam que eu continuava vivendo tranquilamente, estudando, fazendo amigos, brincando e não atrapalharam. Apenas insistiram pra eu fazer fonoterapia sempre.
5. Conte um pouco como foi sua adolescência e juventude?
Tranquila, como de qualquer pessoa. Estudei, namorei, fiz planos pro futuro…
6.Você estudou em escola especial ou regular?
Regular
7. Sofreu descriminação por parte dos alunos ouvintes?
Não. Faziam gracinhas, mas nada de diferente de qualquer outro aluno. Sempre fui querida e tive amigos.
8. Você aprendeu ou se interessou por aprender LIBRAS? Se não, você foi criticada por ter feito essa opção?
Aprendi aos 26 anos, pra fazer um trabalho. Mas não gostei. Não, nunca me criticaram, porque eu nunca convivi com surdos.
9. Você participa da Comunidade Surda?
Não
10. Você fez o Implante Coclear ha pouco tempo. O que a fez optar pelo implante?
Vontade de ouvir de novo, nunca deixei de me sentir ouvinte, de querer fazer coisas que fazia quando criança. Demorei pra fazer porque queria ter o prazer de pagar tudo do meu bolso, sem depender da ajuda de ninguém. Coisa que me orgulha muito.
11. Foi uma decisão fácil de tomar?
E por que não seria? Eu considero a surdez uma deficiência sensorial e, ao meu ver, tendo uma cura/tratamento pra uma deficiência, não teria razão pra não fazer. Quanto melhor a minha qualidade de vida, melhor a vida será.
12. Como foi o processo da cirurgia? E a recuperação?
A cirurgia foi absolutamente tranquila. Na recuperação, eu tive um pouco de labirintite.
13. A surdez influenciou na escolha de sua profissão?
Talvez, não sei. Eu realmente não presto atenção na surdez o suficiente pra dizer onde ela influencia ou não. Faço o que tenho vontade. Sou uma pessoa, não um rótulo.
14. Quais conselhos você daria aos pais de uma criança com diagnostico de surdez?
A fazerem o que acham melhor pra si mesmos e pra criança. Pesquisem todas as opções e mergulhem nela de cabeça. Se quiserem implantá-la, façam tudo o necessário. Se quiserem mantê-la na Comunidade Surda, aprendam libras. Seja a decisão que tomarem, participem dela em conjunto com a criança.
15.Algumas pessoas surdas são contra o implante coclear e muitas optam por não terem filhos, em função da deficiência. O que você acha sobre isso?
Honestamente? Ridiculo! Mas até aí, é opção de cada um e cada um faz o que quer da vida. Não sou ninguém pra ditar regra na vida alheia. Verdade que o implante coclear não é e jamais será indicado em 100% dos casos, mas ser contra pra si é uma coisa, se meter na vida dos outros a ponto de criticar quem opta pelo implante é bem diferente.
16. Comente um pouco sobre o uso de legendas em filmes publicitários.
Bom, a legenda é fundamental para todos os deficientes auditivos que tem fluencia no portugues. Ela serve para quem tem perda leve e moderada como complemento da audição e pra quem tem perda severa e profunda como unica fonte de informação. É importante no quesito acessibilidade, uma vez que também somos consumidores e também queremos saber o que podemos adquirir.
O mesmo vale para qualquer midia televisiva/cinema/web. Sem a legenda, nosso acesso se torna bastante restrito.

O  mais legal do trabalho, sem dúvida, era a introdução:

“Navegando pela internet em busca de perfis de deficientes auditivos, nos deparamos com o blog Desculpe, não ouvi! e a cada linha lida, crescia a certeza de ter encontrado a pessoa certa para a entrevista. Uma mulher sensível, inteligente e descolada. Sem dúvida, uma contribuição incrível para nós, pois ela é o avesso do estereótipo do surdo. Neste momento, o convidamos a deixar os modelos já conhecidos de lado e se encantar com tantas possibilidades que se apresentam.”

Seguido da justificativa:

“Dentre tantos aspéctos do perfil da Lak, o que mais nos chamou atenção  foi o fato dela não utilizar a língua de sinais. Como a maioria das discussões sobre surdos são sobre o uso da LIBRAS, entendemos que seria riquíssimo trazer uma abordagem diferente sobre a surdez. Usando as palavras da Lak: Não que haja algo errado na Líbras, mas é importante considerar que nem todo surdo nasceu surdo, nem todo surdo foi encaminhado cedo para a Comunidade Surda, nem todo surdo quer se comunicar de outra forma que não oral.”

Apesar de eu parecer uma pessoa petulante – sou mesmo, admito – nunca tive a pretensão de fazer desse blog algo além de um espaço para se conhecer um pouco mais sobre os Surdos Oralizados, mas quando percebo que é mais que isso, que atinge pessoas, atinge idéias e quebra barreiras, vejo que o que a gente pretende nem sempre condiz com a realidade. É possível ir além…

Beijinhos,

Lak

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Já que estamos com a corda no pescoço….

Escrito por laklobato em 25/11/2009

Acabei de receber a maravilhosa informação de que ninguém se preocupou de pedir na cor que eu queria, então ou aceito a parte externa bege ou só mais pra frente, em preto.
Terei que esperar mais, porque detesto bege com todas as minhas forças e não dá pra trocar depois, porque a parte externa custa – sozinha – mais que o meu carro.
Fazer o que? C’est la vie…
Só nunca, jamais, me peçam pra recomendar a equipe do Hospital das Clinicias!! O trabalho deles pode ser ótimo, mas comigo, com uma sucessão infindável de descasos um atrás do outro.
Beijinhos,
Lak

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Gritos e sussurros

Escrito por laklobato em 24/11/2009

activeQue amanhã é o grande dia, todo mundo está cansado de esperar saber, mas antes da ativação chegar, a vida, pra variar, me pregou mais uma peça…

Segunda feira, eu entrei despretenciosamente no blog do Jairo Marques (Assim Como Você). Eu confesso que ando meio desanimada de acompanhar blogs. Não porque eu tenha deixado de amar as pessoas queridas, mas porque eu ando sem disposição e ânimo para qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo. Minha vida se tornou um mar de possibilidades, esperanças e incertezas. E eu sempre fui a pior das pessoas para lidar com qualquer coisa que fuja ao meu controle.

A maioria das pessoas que conheço adora  novidades. Eu detesto, adoro rotina. Gosto de coisas familiares, conhecidas, que eu sinto que estão sob o meu controle. Novidade, coisas desconhecidas me desconcertam, porque eu não sei se consigo (embora sempre consiga) lidar com elas.

E não poderia ser diferente com o implante. Vai dar certo? Super certo? Mega certo? Certissimo? Será perfeito? Levará 1 ano? 2 anos? 10 anos? Coisas que antes eram impossíveis, inalcancáveis, de repente, parecem estar QUASE ao meu alcance. E no meio disso tudo, meu coração grita e sussura, chora e dá risada, porque são emoções demais para que se permitiu adormecer para não sofrer.

A peça que a vida me pregou, vou entrar no blog do Jairinho e me deparar com a cena da novela “Viver a Vida“ - eu não vejo novela, não tenho paciência com a vida alheia, já me basta a minha – em que a personagem da Alinne Moraes, Luciana, descobre que está tetraplégica. Quem viu, não precisa rever. Mas quem não viu, segue o video:

Essa cena é apenas uma cena de novela, embora também seja a realidade de muita gente que sofreu um acidente ou tenha ficado doente. E é dolorosa, triste e eu mesma demorei para conseguir assistí-la até o final…

Não porque eu seja covarde ou me emocione demais com novela, mas porque ela lembra uma cena específica da minha vida.

Quando eu fiquei surda, eu acordei surda, isso todo mundo já sabe, porque eu já contei. Mas o que talvez muita gente não saiba é que o meu caso não foi fácil de diagnosticar. A maioria dos médicos não sabia o que dizer, porque não era um caso comum. E eles ficavam perdidos quanto ao diagnostico. Poderia ser temporário ou não. Poderia ser psicológico ou não. Poderia… poderia… milhões de possibilidades. Até aquele dia.

Meus pais me levaram num otorrino e ele mesmo não soube dar um diagnostico preciso de porquê eu tinha ficado surda como fiquei. Mas, ele disse que surdez neurossensorial não era reversível e que o meu quadro era permanente e simplesmente não existia esperanças de eu ouvir normalmente outra vez. Até aí, era o trabalho dele como médico. Mas ele esqueceu de um pequeno detalhe: eu tinha 10 anos. E eu sabia ler os lábios muito bem. E ele falou isso na minha frente.

Eu nunca me esqueci desse dia. Nunca esqueci de arrancarem a esperanças das minhas mãos e me dizerem: Agora é com você, continue vivendo.

Mas ao contrário da Luciana, eu segurei o grito, porque eu era criança demais pra entender que eu poderia gritar e berrar: NÃO, EU NÃO QUERO!

Naquele instante, eu amadureci antes da hora simplesmente acatando o que foi dito, entre lágrimas e a espera que o tempo curassse as feridas, mesmo sabendo que as cicatrizes seriam eternas.

E hoje, mais de 8300 dias depois, em vez de amarguras e tristezas, de portas fechadas e incertezas, a vida me presenteia com esperança. A mesma que me roubaram quando eu tinha 10 anos…

Enquanto as palavras me faltam, porque a emoção é grande demais, um trecho de Mark Levy (sei lá se já coloquei isso aqui no blog, mas realmente AMO esse trecho  de “E se fosse verdade?”. É ele também o autor da frase: “O tempo cura todas as feridas, embora não nos poupe as cicatrizes”)

“Nada é impossível, só os limites de nossas mentes definem certas coisas como inconcebíveis. Muitas vezes é preciso resolver muitas equações para admitir um novo raciocínio. É uma questão de tempo e limites do nosso cérebro. Transplantar um coração, fazer voar um avião de trezentos e cinquenta toneladas, andar na Lua deve ter dado muito trabalho, mas precisou, sobre tudo, de imaginação. Então, quando nossos sábios, tão sábios, declaram ser impossível transplantar um cérebro, viajar à velocidade da luz, clonar um ser humano, digo a mim mesmo que, afinal, não aprenderam nada sobre os próprios limites, deve-se pensar que tudo é possível e que é uma questão de tempo, o tempo de compreender como é possível.”

Beijinhos,

Lak

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Legenda automática em videos do YouTube

Escrito por laklobato em 20/11/2009

You Closed CaptionEsta semana o Google anunciou que o YouTube passará a contar com um recurso de legendas automáticas.

O famoso Closed Caption já é usado no YouTube desde 2006, mas a novidade agora é um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas nos vídeos em inglês.

Ken Harrenstien, engenheiro do Google, publicou ontem no blog oficial as novidades. “Cada um desses recursos teve grande significado pessoal para mim, não só porque eu ajudei a projetá-los, mas também porque eu sou surdo.” – diz ele.

As legendas não ajudam apenas surdos e deficientes auditivos. A tradução automática também permite que as pessoas ao redor do mundo acessem o conteúdo de vídeo em qualquer um dos 51 idiomas disponíveis e também melhoram a busca, permitindo que o usuário vá direto para a parte do vídeo que está procurando.

Por causa destas vantagens, o Google percebeu que poderia usar o programa de transcrição do áudio que já haviam desenvolvido para o Google Voice (uma espécie de secretária eletrônica que transforma voz em texto), afinal não se pode esperar que cada usuário coloque legendas em seus vídeos, pois é uma operação que leva tempo e a maioria não se importa com isso.

Para ativar o recurso, o usuário precisa clicar no botão inferior direito do player e excolher a opção Transcribe Audio (passo 1). Depois poderá traduzir a legenda gerada para o português usando a opção Translate Captions no mesmo menu (passo 2).

Legenda no YouTube

O sistema ainda não está perfeito e é preciso muita sorte para ele entender o inglês falado e depois traduzí-lo para o português perfeitamente. No momento, está sendo usado apenas em canais de ONGs e outros parceiros, mas até o final da semana estará disponível para todos os usuários em inglês.

Veja abaixo um vídeo demonstrando o sistema e outro com um programa da National Geographic.

beijinhos,

Lak

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