A placa de som nova…

Escrito por laklobato em 18/12/2009

Que eu não fui muito simpática no post de ontem, não fui mesmo. Não é nem que não quero falar do assunto, apenas não tenho muita paciencia de responder 10 vezes cada uma das indagações de cada pessoa. Entendo que as pessoas estejam curiosas, mas também estou curiosa  e muita coisa ainda estou descobrindo.

Mas como meu objetivo não é ser cruel,  contarei como foram as primeiras 36 horas de ciborg.

Sai do consultório da fono, assim com o IC e o AASI ligados. Não sei porquê, desliguei o AASI e me dei conta de que o IC não era nada além de um sussurro besta. Falei pro Edu: “Acho que o volume está baixo demais”. Prático como ele é, insistiu pra eu chamar a fono de novo. Ela achou que era melhor testar na rua, antes de decidir se estava baixo ou não.

Fomos tomar um café. Realmente, estava baixo demais e pulei 2 programas (porque o Freedom <- o modelo do meu IC – vem com 4 programas) e já comecei no que deveria ser pra terceira semana. Voltei lá, aumentamos e foi isso.

Saindo do consultório – na hora do rush e com direito a levar uma multa de estacioamento proibido – o Du colocou várias músicas pra eu ouvir. Claro que sem muito critério de julgamento ainda, eu demonstrei preferir músicas dançantes, tipo baladinha. Djavan, por exemplo, foi uma decepção, achei chatíssimo!

Depois, tinha uma festa pra ir, aqui da agência, de final de ano. Que, pra mim, foi comemoração dupla, afinal, também era minha primeira noite de implantada.

Primeira noite como ciborg ativada!

Primeira noite como ciborg ativada!

Logo que eu coloquei o AASI não aguentava ficar em lugares barulhentos. Até hoje, eu tiro o aparelho quando o som me cansa. Com o IC foi diferente. Eu passei a festa toda com ele ligado. Embora ainda  não consiga diferenciar a maioria dos sons (porque tudo soa muito mesclado). Mas, ao mesmo tempo, é um som agradável, que não cansa ouvir, sabe?

Ontem, o primeiro dia mesmo de implantada, eu vim trabalhar e reparei em detalhes que não ouço bem com o AASI. Por exemplo, como o meu teclado faz barulho (porque eu digito rápido).

É muito estranho ouvir sons agudos. Pra tudo, imagino um xilofone que tocam só as teclas de notas agudas o tempo todo. Mas, é tão baixo e o cérebro está tão desacostumado com isso, que eu não sei bem se ouvi ou se imaginei.

O mais especial é que os sons se parecem mais com o que eu imagino – porque meu cérebro tem essa defesa, ele imagina som pra qualquer coisa que faça movimento – do que quando ouço com AASI apenas. Embora eu ainda dependa 100% do apelo visual pra confirmar do que o som se trata.

Depois do trabalho, fui ao shopping. Percebi uma coisa engraçada. As pessoas que não conheço, com quem eu costumo ter receio de falar, estão me entendendo melhor, a ponto de eu não precisar repetir. Não sei se é impressão minha, se é psicológico (tipo, me sinto mais confiante), porque é muito cedo pra minha voz ter mudado. Mas a sensação de não  precisar repetir nada, é boa demais.

Uma hora, entrei com o Edu numa loja e um som agradável chegou ao meu cortex cerebral. Perguntei pro Edu e ele me confirmou: Era outra música! Ah, que descoberta fantástica!!

Por fim, cheguei em casa, mentalmente exausta (um pouco de exagero ficar 14hs com o IC ligado logo de cara, mas é humanamente impossível pra mim desligá-lo, é como se roubassem o ar do meu cérebro!) e fui dormir. Advinha: mesmo com o IC desligado, meu cérebro continuava processando as informações do dia. Continuei ouvindo zumbidos similares aos sons que ouvi o dia todo.

As expectativas são muitas, mas lembrem-se: não existe uma estimativa de tempo. O cérebro vai levar o tempo dele pra reconhecer sons e muitos escaparão, por conta dos 23 anos de silêncio. Mas, pra quem achava que nunca mais ouviria de novo, cada som reconhecido é um milagre por si só. Uma estrelinha sonora (como diz a Sun Melody) ajudando a preencher um enorme céu estrelado.

Beijinhos

Lak

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