Como o título do post já explica muito bem, finalmente os cariocas não vão mais precisar se deslocar para poder fazer o Implante Coclear pelo SUS. O que é importantíssimo, já que nem todo mundo pode pagar e muito convênio dá uma verdadeira dor de cabeça para cobrir a cirurgia (e tem o inconveniente de não cobrir ativação nem mapeamento, que custa pesado pagar isso do bolso, viu?).
Mas agora… ah, vale ler a notícia na íntegra:
No dia 18 de dezembro de 2009, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) foi credenciado, pelo Sistema Único de Saúde, a fazer a cirurgia de implante coclear, também conhecido como ouvido biônico. O hospital é o único lugar no estado do Rio de Janeiro a prestar tal serviço. Agora, os pacientes não são mais obrigados a se deslocar a São Paulo para realizar a cirurgia.
A professora Maria Isabel Kós, chefe do Serviço de Fonoaudiologia do HUCFF e coordenadora do Programa de Saúde Auditiva, explica que o implante coclear permite aos surdos que a audição seja quase que completamente restaurada. Para realizar o procedimento é necessário que o problema se localize na cóclea, órgão do ouvido interno que transforma sons em impulsos elétricos. Quase 99% das perdas auditivas enquadram-se neste caso, e podem ter causas variadas, como meningite e rubéola, além de doenças genéticas.
O procedimento consiste em implantar eletrodos no ouvido interno, que farão o papel da cóclea. Externamente, é colocado um aparelho que capta os sons do ambiente e os manda, por uma antena, para a parte interna. O som produzido é diferente do captado pelo ouvido normal, mas permite resultados muito além do aparelho de audição convencional.
“O tratamento é realizado em conjunto com o Serviço de Otorrinolaringologia, coordenado pelo professor Shiro Tomita, e vai desde uma avaliação da perda auditiva, com a audiometria, até testes como a tomografia e a ressonância magnética. Antes da cirurgia, o paciente conversa com psicólogos e faz também uma avaliação de saúde para atestar a possibilidade de receber anestesia geral”, explica a professora Maria Isabel. A ativação do aparelho não é feita logo após a cirurgia, para que o corte possa cicatrizar. Depois de um mês ele é ativado e o paciente deve fazer tratamento fonoaudiológico para aprender, ou reaprender, a ouvir.
Após a cirurgia, ele deve comparecer mensalmente ao hospital para a calibração dos eletrodos. O tratamento todo é custeado pelo SUS, que antes de credenciar o HUCFF concedia o transporte até São Paulo. Este era um tempo longo que trazia custos tanto para pacientes quanto para a prefeitura. Agora, com a possibilidade de tratamento no Hospital Universitário, mais pessoas podem ter esse benefício.
No dia 18 de dezembro de 2009, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) foi credenciado, pelo Sistema Único de Saúde, a fazer a cirurgia de implante coclear, também conhecido como ouvido biônico. O hospital é o único lugar no estado do Rio de Janeiro a prestar tal serviço. Agora, os pacientes não são mais obrigados a se deslocar a São Paulo para realizar a cirurgia.
A professora Maria Isabel Kós, chefe do Serviço de Fonoaudiologia do HUCFF e coordenadora do Programa de Saúde Auditiva, explica que o implante coclear permite aos surdos que a audição seja quase que completamente restaurada. Para realizar o procedimento é necessário que o problema se localize na cóclea, órgão do ouvido interno que transforma sons em impulsos elétricos. Quase 99% das perdas auditivas enquadram-se neste caso, e podem ter causas variadas, como meningite e rubéola, além de doenças genéticas.
O procedimento consiste em implantar eletrodos no ouvido interno, que farão o papel da cóclea. Externamente, é colocado um aparelho que capta os sons do ambiente e os manda, por uma antena, para a parte interna. O som produzido é diferente do captado pelo ouvido normal, mas permite resultados muito além do aparelho de audição convencional.
“O tratamento é realizado em conjunto com o Serviço de Otorrinolaringologia, coordenado pelo professor Shiro Tomita, e vai desde uma avaliação da perda auditiva, com a audiometria, até testes como a tomografia e a ressonância magnética. Antes da cirurgia, o paciente conversa com psicólogos e faz também uma avaliação de saúde para atestar a possibilidade de receber anestesia geral”, explica a professora Maria Isabel. A ativação do aparelho não é feita logo após a cirurgia, para que o corte possa cicatrizar. Depois de um mês ele é ativado e o paciente deve fazer tratamento fonoaudiológico para aprender, ou reaprender, a ouvir.
Após a cirurgia, ele deve comparecer mensalmente ao hospital para a calibração dos eletrodos. O tratamento todo é custeado pelo SUS, que antes de credenciar o HUCFF concedia o transporte até São Paulo. Este era um tempo longo que trazia custos tanto para pacientes quanto para a prefeitura. Agora, com a possibilidade de tratamento no Hospital Universitário, mais pessoas podem ter esse benefício.
Antes, preciso confessar, vez ou outra, me perguntam se meus sonhos são silenciosos, porque afinal de contas, eu estive surda por mais de duas décadas. Mas, como meu cérebro é rebelde, meus sonhos sempre tiveram som sim… Obviamente, com o passar do tempo, devem ter se tornado bem distorcidos, mas como foi uma mudança gradual e sem referêncas, nem tenho com o saber!
Enfim, mas meus sonhos sempre tiveram sons. Eu sonho bastante em outros idiomas também, especialmente francês que é o que eu domino melhor, depois do português…
Mas, esta noite, sonhei que estava cantando e elogiavam minha voz. E, como eu podia ouví-la perfeitamente, realmente ela me soava bonita.
Confesso que a minha voz é algo que me deixa insegura, pelos 20 anos de surdez e 10 sem fazer fonoterapia (tá, eu sei que não é certo eu fazer isso, mas não aceito reclamações retroativas). E sonhar que gostaram dela, ainda por cima cantando, pra mim, é um prognóstico de melhora. De saber o que quero, qual o meu objetivo com o IC (ou um deles, pelo menos), manter o foco e seguir em frente, sabe?
Outra coisa bacana que aconteceu, foi quando eu vinha para o trabalho hoje cedo. Parei o carro num semaforo, praticamente vazio, só meu carro por ali. Ouvi um barulho, ele se repetiu. Fiquei tentando deduzir o que era, até que lembrei de já tê-lo ouvido, perguntado para o Edu o que era e ele responder: “Latido de cachorro, Lak!”. E como não havia nenhum cachorro visivel, logo, foi uma questão de segundos para achar a referência na memória auditiva e reconhecer o som.
Heis que, no meio das enchentes que aparentemente não vão parar mais (faz o que? 3 meses que as chuvas castigam São Paulo) o barulho da chuva teve um significado todo especial…
Ontem à tarde, para variar, começou mais uma dessas chuvas que alaga tudo por essas bandas…
Eu estava no trabalho, onde divido uma sala com mais umas 20 pessoas, quando ouvi um barulho forte e pensei “uau, está chovendo de novo…”. Dei uma espiada pelo canto do olho, para confirmar se era uma chuva forte ou um temporal. De reflexo msmo, porque pela barulheira dos trovões que começou logo em seguida, já ficaria bem fácil deduzir.
Segundos depois, eu me dei conta: era a primeira vez, em 23 anos, que eu reconhecia auditiva e espontaneamente o som da chuva.
Chorei de emoção, claro…
Depois, fiz aquela brincadeirinha boba, tipica de propaganda do Mastercard:
Guarda-chuva: R$15,00
Implante Coclear: R$ 70.000,00
Reconhecer o som da chuva, pela primeira vez, em 23 anos: Não tem preço!
Voilà, mais uma contribuição do Edu, meu geekzinho de estimação fissurado em tecnologia (especialmente essas que podem melhorar a qualidade de vida de uma pessoa com deficiência).
Bom, que a tecnologia já evoluiu muito, disso não discordo. Antigamente, quem não tinha audição, não tinha como se virar mesmo. Depois, chegaram os pagers ao mercado. Que, com a internet, quebrava um galhão, porque dava para entrar no site da operadora e digitar a mensagem. Mas, não era todo mundo que tinha pager…
Na sequência, chegou o celular com SMS. Ai sim, tornou-se prático, porque quase todo mundo tem celular. Ainda mais quando aliado a internet, com os MSNs, ICQs, gTalks e programas de conversação.
Mas, claro que nem todo mundo fica satisfeito. Até porquê, quando se trata de resolver burocracias, ao telefone, a gente continua sofrendo. Afinal, nem todas as empresas tem Atendimento Online, muitas usam o serviço de TS (telefone para surdo) que a maioria de nós sequer tem o aparelho em casa, visto que só serve para ligar para outro aparelho igual.
Felizmente, nem todo mundo vê a vida da forma X e fica satisfeito (ou simplesmente reclamando que “é horrível, mas não dá pra mudar”). Tem gente que pensa alto e decide mudar… Foi justamente um desses projetos que deu origem a um textinho bacana extraído do Gizmodo.
Não damos muita atenção aos usuários de telefones de surdos, mas o estudante Suhyun Kim do Pratt Institute tem trabalhado arduamente neste conceito impressionante chamado Visual Sound, que converte voz em texto e vice-versa. O dispositivo enrolável tem uma tela tátil para o texto ser digitado e depois convertido em voz para a outra pessoa na linha, cujo áudio, em seguida, se transforma em texto para o usuário surdo do telefone poder ler. Se o conceito do Visual Sound for colocado em produção, eu serei um dos primeiros a ter um – ele não apenas parece ótimo, mas pode ajudar quando telefonar de locais barulhentos, como eu estou acostumado a fazer.
Infelizmente, ainda é um conceito. Mas, no dia que deixar de ser, compro o meu pra ontem (mesmo que eu consiga falar maravilhosamente bem ao telefone com o IC, vai ser a desforra de todos os anos de reclusão telefônica!!). O melhor é que, tal como o pessoal do Gizmodo já disse, serve também para ouvintes, já que deve ser ótimo para locais barulhentos ou aqueles dias em que você acordou meio rouquinho…
Ontem, não vim ao blog, porque foi o dia do primeiro mapeamento do Implante Coclear.
É relativamente difícil explicar bem o que é esse mapeamento porque, infelizmente (e reconheço que também faço isso com o que desconheço) é complicado aos ouvintes com pouco ou nenhum contato com deficientes auditivos, compreender como a audição funciona, que o IC não é e jamais será um ouvido natural e que, especialmente alguém que permaneceu 23 anos sem ouvir determinadas frequencias, o retorno ao som é um processo lento e gradual. Não simplesmente liga-se o aparelho e ponto, ouve-se perfeitamente como um ouvinte. É algo artificial implantado no meu corpo, que requer tempo, paciência, aprendizado, curiosidade, esforço, força de vontade para funcionar o mais próximo possível da audição natural.
Mais do que simplesmente o som chegar no cérebro, ouvir requer memória do som (saber que tal som significa tal coisa), algo que fui perdendo ao longo do tempo e preciso refazer todas as sinapses de identificação auditiva praticamente como se recomeçasse do zero.
E, como se trata de um impulso elétrico, o cérebro vai se acostumando com o volume aos poucos, uma das razões pela qual fazemos mapeamentos.
O mapeamento serve, além de aumentar o volume dos sinais enviados ao cérebro (para ver como funciona exatamente o IC, basta assistir o video do post Visualizando a Audição), ele funciona como uma espécie de afinamento do som, tal como cordas de violão sendo afinadas e equalizadas até que seja possível produzir notas musicais perfeitas.
E assim como é difícil compreender algo que não se passa em você, é ainda mais difícil explicar algo que se passa em você, mas que os outros precisam de uma referência completamente aleatória para compreender.
Bom, voltando à consulta de ontem…
Em primeiro lugar, eu precisei desabafar no ombro da Dra. Valéria (um anjo de candura e paciência com meus questionamentos) que me sentia um pouco frustrada, porque pra tudo, eu preciso de confirmação visual para saber o que é. Sempre que dá, pergunto a outra pessoa para explicar/confirmar o que se trata o som. E que isso me desanimava, porque me sentia preguiçosa, já que auditivamente, não sou lá muito capaz de reconhecer quase nada. Ela explicou que isso não é ruim, mas excelente. Que ela sempre pede aos pacientes para serem curiosos assim na primeira etapa do IC. Que nenhum som deve passar sem confirmação do que ele é, porque é pela visão (ou satisfazendo a curiosidade através de perguntas) que o cérebro começa a fazer conexão de que tal som é de determinada coisa. Que no começo é assim, já que o tempo de silêncio fez o cérebro esquecer o som de cada coisa, mas que com o tempo, passarei a reconhecer com cada vez mais autonomia auditiva cada som, até que se tornará automático. Manter a criança curiosa que existe dentro da minha cabeça é uma aliada nessas horas hehehe
Contei de todas as coisas que eu já relatei aqui no blog… Do barulho da garrafa de refrigerante, do barulho da chuva, do alicate da manicure. As músicas que eu tento ouvir (ela disse que música é importante, embora não seja prioridade, porque também ajuda o cérebro a habituar-se em apenas ouvir, sem usar a visão junto).
Depois, veio o que é o mapeamento. Basicamente, a parte externa fica conectada a um computador, que aumenta a sensibilidade enviada a cada eletrodo. Dos sons mais baixos até os mais altos, sem deixar de ser “confortável” ouvir. Quando terminamos de mapear (dura aproximadamente uns 20 minutos) ela fez um teste de fala e percebi sons ajudos que eu não estava mais habituada a ouvir: “shhh” “ssss” “ttttch” até mesmo melhor do que os sons graves.
Falei também da minha capacidade de reconhecer os sons pelo padrão que produzem. Dra. Valéria disse que isso é uma percepção excelente, porque trata-se do cérebro trabalhando com presença e ausência de som. Seria mais ou menos como enxergar tudo num tom de cinza borrado, para depois enxergar preto-e-branco com pouca nitidez, depois com mais nitidez, para finalmente enxergar nuances de cores até que elas se tornem cada vez mais saturadas.
Pediu para deixar a sensibilidade do microfone mais baixa do que eu estava deixando, porque eu vou com sede ao pote e quero ouvir todos os barulhos e ruídos do mundo, mas a gente deve se concentrar nos sons da fala, que podem passar despercebidos com o excesso de ruídos ambientes e são a nossa prioridade. Afinal, eu sempre disse que queria de volta, mais que tudo, a voz de todas as pessoas que amo e gosto!
Logo mais, começarei uma fonoterapia intensiva para me ajudar nesse processo de transição de retorno ao barulhento mundo em que vivemos…
Quem sabe, uma hora dessas o telefone de vocês toca e serei eu para dar um alô? Sonhemos alto hehehehe