A evolução do implante coclear
Todo mundo sabe que o IC tem parte interna e externa, né? Mas, como nem todo mundo teve o prazer de ver um ciborguezinho zanzando por ai, segue imagens do atual implante:

Parte interna, colocada no interior da coclea, que fica conectado com a parte externa, por uma antena (de imã) subcutânea.

Parte externa: processador da fala (que fica pendurado atras da orelha) e antena externa (com imã)
Embora o implante seja a melhor tecnologia de auxílio a alguns casos de surdez (não é recomendado nem útil pra 100% dos casos) ainda há alguns inconvenientes pra algumas pessoas. Por exemplo, ele não é à prova d’água e a gente tira pra dormir (o que eu considero ótimo). Pensando nisso, as empresas que desenvolvem os implantes, lançaram recentemente uma versão totalmente interna (ainda em fase experimental e dependendo de aprovação).
Segue a matéria da Folha de São Paulo, na integra:
Novo aparelho de surdez é invisível
CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.PauloOs aparelhos de surdez visíveis podem estar com os dias contados. Um novo sistema totalmente implantável está sendo testado no Hospital das Clínicas de São Paulo. Sete pacientes já passaram pela cirurgia, ainda experimental no Brasil.
O equipamento só é indicado para pessoas com perda auditiva moderada ou severa. É colocado através de um corte atrás da orelha e fica totalmente imperceptível. O aparelho promete mais qualidade sonora.
Segundo o otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, professor da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelas primeiras cirurgias no país, ele permite uma distinção mais eficiente dos diversos ruídos que ocorrem ao mesmo tempo.
“O som é muito mais natural do que no aparelho eletrônico comum. E a pessoa fica 24 horas com o aparelho ligado. Não precisa tirá-lo para dormir, para tomar banho ou para fazer esporte, como acontece com o aparelho comum”, afirma.
Outra vantagem é que a bateria do implante dura de sete a dez anos (é trocada com uma nova cirurgia, mais simples). A dos aparelhos eletrônicos atuais dura, no máximo, 15 dias.
“Esse é o primeiro passo para o futuro. Em 20 anos, ninguém mais vai andar com aparelho pendurado no ouvido.”
O implante pode ser ajustado por controle remoto. A pessoa pode aumentar ou diminuir o volume, ligar e desligar. Também tem programas que se ajustam automaticamente em locais ruidosos ou silenciosos.
Por enquanto, o implante é vendido a US$ 18 mil apenas na Europa. Nos EUA, a FDA (agência americana que regula fármacos e equipamentos) ainda não o aprovou. Espera mais testes de segurança, especialmente se houver a necessidade de reverter a cirurgia.
Segundo a médica Mariana Hausen, representante da Câmara Técnica de Implantes da AMB (Associação Médica Brasileira) na área de otorrinolaringologia, durante a cirurgia é feito um corte em um dos ossículos do ouvido, a bigorna.
“A FDA quer saber, por exemplo, se esse osso pode ser reconstituído se houver uma falha e o aparelho tiver que ser retirado”, explica.
Das 300 cirurgias feitas até agora, apenas três foram revertidas, com a reconstrução da bigorna-todas com sucesso, segundo Hausen. “A FDA ainda considera esse número pequeno. Mas acontece que a reconstrução só pode ser feita se houver falha. E o índice de falhas foi pequeno. Não se pode quebrar a bigorna de alguém que escuta e reconstrui-la só para teste.”
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve avaliá-lo a partir de fevereiro de 2010, quando termina o estudo clínico realizado USP. O trabalho é financiado pela empresa Envoy Medical, fabricante do implante.
Na opinião de Hausen, dificilmente o SUS ou os convênios médicos brasileiros irão custear o aparelho em razão do alto custo e do fato de existirem alternativas mais baratas.
“Ele é uma nova opção, mas não é o único tratamento. Oferece mais qualidade de som e resolve a questão estética. Muitas pessoas, especialmente as mais jovens, relatam preferir não escutar direito a ter que usar os aparelhos externos.”
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u673441.shtml
A equipe do HC-SP é a mesma que me operou, heim? Hehehe
Só acho triste que tenha gente que prefira não ouvir só pra não usar próteses (embora não querer ouvir por pura opção, não tenho nada contra), mas cada um, cada um, né?
A única coisa que eu considero imperdoável é quem é contra o implante dos outros. Tem gente que é realmente contra o IC, como se fosse uma agressão contra os deficientes auditivos. Acho que quem quer fazer faz, quem não quer fazer não faz. Pais de crianças surdas devem se informar sobre o Implante/Oralização e sobre a Libras/Cultura Surda e optarem (e participarem ativamente) no que acreditarem ser mais adequado, tudo tem dois lados e não existe opção errada, se for feita de forma consciente.
Falando nisso, um amigo fez um topico legal no blog dele, falando sobre respeitar as opções de diversidade. O senso de humor dele é meio politicamente incorreto, mas eu gostei desse post dele: link. Acho até que combina (vagamente) com o que escrevi hoje (será?).
Enfim, beijinhos
Lak
Texto de autoria de Lakshmi Lobato e licenciado sob a Licença Creative Commons 3.0 Brasil:Sempre atribua a autoria - Vedado uso comercial - Proibido obras derivadas.