Um dia de domingo

Escrito por laklobato em 11/01/2010

Domingo é dia santo (embora eu ache que sagrada mesma é a sexta-feira, mas quem sou eu pra determinar isso?) e ontem foi um dia realmente especial.

Comecei o dia indo almoçar com o Raul. Quem lê o blog desde o comecinho, já deve estar familiarizado com essa criatura importantíssima na minha vida. Ele foi, junto com Anahi, a pessoa que me obrigou a fazer o Implante Coclear. Digo, obrigou porque me fazia morrer de inveja com as histórias e conquistas dele como implantado.  E não tem nada melhor do que você ser exemplo pra alguém que, logo depois, está se aventurando pelos mesmos caminhos que você e comparilhando essa felicidade.

E papo de implantado é papo de implantado. Muito da conversa gira em torno do implante, do aparelho auditivo, da audição. Ele contou como é pra ele agora, 5 anos depois do implante e quais são as coisas que possivelmente me aguardam. Foi uma sensação mágica de expectativas promissoras, de alegrias que a vida tinha me tirado e agora, a tecnologia me possibilita (plagiando a Sun Melody, do blog Ouvido Biônico).

No sentido horário: Marcelo, Raul, Dario, eu e Branco.... Edu, pra variar, não foi. Acordar cedo (tipo meio-dia) de domingo, não é com ele não hihihi

No sentido horário: Marcelo, Raul, Dario, eu e Branco.... Edu, pra variar, não foi. Acordar cedo (tipo meio-dia) de domingo, não é com ele não hihihi

Depois do almoço, quando cheguei em casa (foi à pé) esbarrei com um cara que estudou comigo lá pela 6ª, 7ª série que, coincidentemente, hoje é meu vizinho. Ele puxou papo comigo e ficamos conversando – até hoje, só tínhamos trocando um oi no elevador – por uns 5 minutos. Perguntei dos irmãos dele (sabia que ele tinha um irmão com deficiência, mas não sabia detalhes sobre a deficiência dele) e ele comentou que o irmão dele também é surdo, mas sinalizado. Nisso, comentei que eu tinha feito o Implante Coclear – porque eu, bobinha, achei que pelo fato dele ter um irmão surdo, ele já teria ouvido falar disso – e mostrei o aparelho e a antena. Ah, mas pra quê? Ele me olha com cara de horrorizado e pergunta: “Como isso fica preso na sua cabeça?”.

Gente, eu sou uma pessoa (que tenta ser) legal e respondi que era  um imã, que tenho outro imã colocado cirurgicamente dentro da cabeça. Que o aparelho capta o som e manda via ondas de rádio, pra dentro da cabeça, onde estimulam eletricamente alguns eletrodos que enviam o som diretamente pro nervo auditivo. Mas confesso que deu vontade de dar uma resposta irônica tipo:

  • “Ah, fizeram um buraco e parafusaram na minha cabeça. Sempre tive parafuso frouxo, agora deram um apertada” ou
  • “Grudaram com chiclete, o problema é que agora não consigo tirar…” hihihi

Mas o melhor do domingo veio depois. Como todo mundo me cobra sugere que eu ouça música pra ser uma pessoa normal estimular a audição, pedi pro Edu colocar algumas músicas (a critério dele, já que não tenho nenhum) no iPod pra eu trazer pro trabalho.

À noite, fiquei 1 hora ouvindo algumas músicas e tal, aprendendo a usar o iPod pra isso… Até aí, nada demais, ainda estou reaprendendo a ouvir, música é apenas parte integrante desse aprendizado.

Mas sabe, logo que eu fiquei surda, ainda tinha ousadia pra dançar (hoje em dia, já não tenho muita) e, pra poder ter uma referência, imaginava alguma música específica mais ou menos no ritmo que eu supunha que fosse similar a que eu dançava. Por exemplo, para dançar música rapida, dessas que a gente dança sozinho, imaginava uma música da Madonna “Papa don’t preach”. Depois de um tempo, infelizmente, fui perdendo o hábito e essa música caiu no esquecimento.

Ontem, enquanto eu ouvia as músicas sugeridas pelo Edu e fuçava na lista, para ver se conhecia alguma,  deparei-me com “Papa don’t Preach”. Resolvi ouvir só de farra, porque não costumo assimilar música muito bem ainda. Bom, começa  a tocar…

Geralmente, diante de alguma novidade, eu fico emocionada. Meus olhos enchem d’água, eu dou uma risadinha abobada e coisa assim. Mas ouvir “Papa Don’t Preach” a reação não foi meramente emocional, foi física. Senti o corpo inteiro arrepiar, o coração disparar e, claro, os olhos marejarem… Ainda não separo a voz da Madonna da melodia, mas já valeu a pena mesmo assim.

Pra quem é fã, pra quem curte ler o blog e até pra quem não conhece (tem a letra para quem não ouve também), senhoras e senhores: Papa don’t preach!

Beijinhos dançantes,

Lak

p.s. e eu, aqui fofinha querendo escrever “enquanto escrevo o post, ouço não-sei-qual-música no iPod”. Mas não pude, porque acabei com  a bateria já hihi (e esqueci o cabo do carregador em casa!!)

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