O céu é o limite

Escrito por laklobato em 19/01/2010

Há um tempo atrás, minha amiga Diéfani publicou uma série de texto no blog dela, Igualmente Diferentes, sobre pessoas famosas com deficiência auditiva. Uma delas, era a atriz americana Marlee Matlin, surda.

De vez em quando, alguém comenta que “viu uma atriz surda nalgum programa” e me pergunta se eu sei de quem se trata.

Sei quem ela é, claro, porque por uma dessas coincidências inexplicáveis do destino, ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz exatamente 1 mês depois de eu perder a audição. O que foi absolutamente fundamental para eu saber que não existia limite para a minha limitação sensorial.

Segue abaixo uma minibiografia da atriz, devidamente sequestrado do Blog da Di, com os devidos créditos, claro.

Marlee Beth Matlin nasceu em Morton Grove, Illinois no dia 24 de Agosto de 1965. Ficou surda devido a seqüelas deixadas por roséola quando tinha somente 18 meses de vida, o que a fez  perder completamente a audição no ouvido direito e 80% no ouvido esquerdo. Ela terminou o colegial na John Hersey High School, que apesar de ser uma escola normal, sempre foi muito bem renomada por sua acessibilidade para pessoas com deficiência, especialmente aos surdos. Depois de terminar o colegial, freqüentou Harper College por dois anos.

Marlee com a estatueta do Oscar, em 1987.

Marlee com a estatueta do Oscar, em 1987.

Marlee debutou nos palcos quando tinha 8 anos como Dorothy, em uma adaptação de O Mágico de Oz realizada pelo Centro Internacional de Surdez e Artes. Ainda trabalhando em adaptações especiais, Marlee foi descoberta por Henry Winkler e estreou nos cinemas com Children of a Lesser God (traduzido para o português como: Os filhos do silêncio) que deu a ela o Oscar de melhor atriz, tornando-a a atriz mais jovem a receber uma estatueta e também lhe rendeu um Globo de Ouro por melhor atriz na categoria drama.

Matlin atuou em várias séries televisivas como CSI:NY, E.R., Desperate Housewives, Reasonable Doubts, Seinfield, The Outer Limits, Law and Order, Blues Clues e the West Wing.Em 2006 ela integrou o time do programa Extreme Makeover: Home Edition e tamém escreveu um romance chamado Deaf Child Crossing que foi baseado em sua própria infância.

Foi também em 2006 que Marlee estrou em The L Wordcomo uma escultora lésbica e surda. Ela apareceu nas temporadas 4,5 e 6 como namorada de Bette Porter ( Jennifer Beals). Foi esse papel que fez com que ela ficasse conhecida e fosse muito admirada pela comunidade LGBT.

Em The L Word, além de Jennifer Beals, Marlee atuou ao lado de grandes nomes como Cybill Shepherd, Laurel Holloman e Pam Grier.

Em The L Word, além de Jennifer Beals, Marlee atuou ao lado de grandes nomes como Cybill Shepherd, Laurel Holloman e Pam Grier.

Marlee continou fazendo algumas participações especiais em seriados e em 2008 participou do programa Dancing With the Stars e foi muito bem até ser eliminada na 6ª semana. Ela foi a primeira deficiente auditiva a participar do programa.

Em Dancing With the Stars com Fabian Sanchez

Em Dancing With the Stars com Fabian Sanchez

Além de atriz, Marlee está envolvida em várias causas beneficentes como; Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation, VSA artes, e a Cruz Vermelha. Ela recebeu doutorado honorário da Gallaudet University em 1987 e em 2007 foi apontada para fazer parte do Comitê de Confiança da Gallaudet University.

Matlin é casada desde 1993 com o policial Kevin Grandalski. O casal tem 4 filhos; Sara Rose nascida em 1995, Brandon Joseph nascido em 2000, Tyler Daniel que nasceu em 2002 e Isabelle Jane nascida em 2003.

Com o marido, Kevin Grandalski e os filhos.

Com o marido, Kevin Grandalski e os filhos.

Em Abril de 2009, Marlee lançou outro livro entitulado I’ll Scream Later (Eu Gritarei Depois) onde fala de sua relação abusiva com o ator William Hurt, e conta sobre o abuso sexual que sofreu nas mãos de uma babá.

Espero que gostem.

Beijinhos sonoros,

Lak

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Visualizando a audição

Escrito por laklobato em 18/01/2010

Você já parou pra pensar exatamente como funciona o Implante Coclear? Alias, em como funciona a audição, no sentido prático?

Coisas habituais passam despercebidas, mas parar para ver como é pode ser bastante divertido, não?

Como muita gente me pergunta como o IC funciona, raptei o video abaixo para poder mostrar como funciona ambos (IC e audição convencional).

Ele tem legenda em inglês bem facinha de entender. Mas caso seu inglês não seja lá essas coisas, segue a transcriação abaixo. (feita pela minha excelentissima pessoa, pra Crisaidi – minha professora de inglês – morrer de orgulho)

“Na audição normal, as células ciliadas do interior do ouvido (cóclea ou caracol) transmitem informações para o nervo auditivo que envia os sons para o cérebro. Na maioria dos casos de surdez, o nervo auditivo mantém suas funções, mas as células ciliadas sofrem grandes danos ou são totalmente danificadas.

Através do sistema do Implante Coclear, os sons são captados pelo microfone, passando por um microcomputador chamado processador da fala. O som é processado e convertido em informações digitais. Essas informações digitais são enviadas através de uma antena transmissora para a parte interna (inserida cirurgicamente) do sistema.

O implante transformará as informações sonoras em impulsos elétricos por meio de um feixe de eletrodos inserido no interior da cóclea (ou caracol). Esses eletrodos estimulam diretamente o nervo auditivo, enviando as informações sonoras ao cérebro, ultrapassando a área danificada do ouvido.

O implante coclear fornece um mecanismo completamente novo de audição.”

E como sei que adoram minhas redescobertas auditivas por aqui, um casinho rápido:

Sábado em casa, ouvi um monte de criança falando (consigo perceber nitidamente quando a voz é de criança) ai olhei a TV e o Edu estava assistindo Cocoricó…

Eu perguntei, meio surpresa: Ué? Os bonecos tem voz de criança?

Ele respondeu: Tem sim, por que? Você não sabia?

E eu: Bom, na verdade, eu nunca tinha pensado nisso. (Confesso que meu cérebro meio que bloqueia pensar em coisas que não estão ao meu alcance)

Dai ele deu risada e ficou traduzindo uma parte do “papo” hahaha

Bom, eu tenho 1 mês de resnascida, vai? É compreensivel me deslumbrar com programas infantis!

Beijinhos sonoros

Lak

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Notícias do Implante Coclear do futuro

Escrito por laklobato em 15/01/2010

A melhor coisa da tecnologia é, sobre tudo, a possibilidade dela ser utilizada para corrigir ou curar doenças/deficiências humanas (e em animais também, afinal, o ser humano é inteligente para o bem comum, não somente para si) melhorando a qualidade de vida de uma pessoa.

Ainda que nem todo mundo busque corrigir aquilo que vai contra o padrão - com todo o direito e compreensão do mundo, cadum cadum, como dizem – para os que buscam uma evolução da condição física ou sensorial, ficar de olho nas notícias se torna um hábito.

Mais uma vez, essa notícia é contribuição do Marcus, um amigo orkutiano implantado há quase uma década. A notícia é meio antiga, mas eu mesma só soube disso recentemente e achei bem interessante trazer pro blog…

Implantes diretos no nervo auditivo deverão substituir implantes cocleares

Redação do Site Inovação Tecnológica – 12/06/2007

A idéia de implantar minúsculos aparelhos auditivos eletrônicos no ouvido interno de pessoas com surdez profunda tem cerca de 30 anos – uma idéia radical para a época, quando a miniaturização da eletrônica dava seus primeiros passos.

Agora, cientistas da Universidade de Michigan, Estados Unidos, estão sugerindo um passo ainda mais radical para o tratamento de casos de surdez muito graves: implantar um dispositivo diretamente no nervo auditivo.

Implante no nervo auditivo

Ainda que a proposta ainda gere dúvidas sobre as possibilidades da tecnologia atual, a equipe do Dr. John C. Middlebrooks acaba de demonstrar em animais que a implantação de um conjunto de eletrodos ultrafinos diretamente no nervo auditivo permite a transmissão de uma grande faixa de sons diretamente para o cérebro.

A imagem mostra um desses eletrodos. Dezesseis deles são inseridos no nervo auditivo com um espaçamento entre eles de apenas 1/10 de milímetro. “Em virtualmente todos os aspectos, eles funcionam melhor do que os implantes cocleares,” diz Middlebrooks.

Implantes cocleares

Os implantes cocleares, agora já tradicionais, também são formados por conjuntos de pequenos eletrodos que recebem sinais de um processador de sons externo. Mas esses implantes não ficam em contato com o nervo auditivo – eles ficam separados por um fluido e por uma parede óssea.

“O efeito é como conversar com alguém do outro lado de uma porta fechada,” diz o pesquisador. Com a estimulação intraneural, esse efeito desaparece. E a ativação direta das fibras permite a transmissão de freqüências mais precisas, além de reduzir a energia necessária para que o aparelho funcione e a interferência entre os diversos eletrodos quando vários são acionados simultaneamente.

Testes clínicos

Os resultados são promissores e, se a continuidade dos experimentos não demonstrar nenhum efeito adverso, espera-se que os eletrodos finalmente permitam que os deficientes auditivos possam voltar a ouvir sons de baixa freqüência comuns nas conversas normais, assim como conversar comodamente em ambientes ruidosos, identificar vozes altas e baixas e até apreciar música – todas áreas nas quais os implantes cocleares, embora fantásticos, têm limitações significativas.

O consumo de energia do novo implante é extremamente baixo, o que permite aos pesquisadores sonhar com uma versão futura que seja totalmente implantável, não dependendo de baterias externas. Eles ainda terão que fazer novos experimentos em animais antes de passar aos testes clínicos em humanos. Segundo Middlebrooks, a nova tecnologia levará de cinco a 10 anos para estar disponível para uso.

Bibliografia:

Auditory Prosthesis with a Penetrating Nerve Array
John C. Middlebrooks, Russell L. Snyder
Journal of the Association for Research in Otolaryngology
June, 2007
Vol.: Volume 8, Number 2
DOI: 10.1007/s10162-007-0070-2

Será que chegamos lá? Tomara que sim!!
Beijinhos sonoros,
Lak
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Preconceito no trabalho

Escrito por laklobato em 14/01/2010

Nas minhas andanças pela internet, vou fazendo amigos por onde passo. E, como jamais omito a minha condição auditiva (porque perderia  a chance de “me auto-aloprar”) acabo conhecendo um pouco das dificuldades e deficiências das outras pessoas. É engraçado isso de que, quando você se abre em expor sua fragilidade, as pessoas se sente a vontade para abrir as dela pra você.

Há uns anos, numa comunidade do genérica do Orkut (falo genérica por não ter nenhum foco específico, é apenas de debate) resolveram fazer uma entrevista comigo, para as pessoas saberem um pouco mais sobre a vida de um bicho esquisito uma deficiente auditiva. Ainda que a maioria das pessoas só tivesse interesse em como sofri preconceito ou a minha vida deve ser horrorosa e infeliz (porque, convenhamos, uma pessoa com deficiencia feliz, plena e realizada pode ser bem incômodo, para que não se sente assim, mesmo gozando de plena condição física e sensorial) e, logo eu, não ser a melhor indicada pra falar de desgraça, já que  tenho uma bizonha capacidade abstração no que se refere a obstáculos, dificuldades e sofrimento, a entrevista acabou resultando no início de uma amizade muito querida, com a Christal.

Ela também tem deficiência auditiva, mas felizmente, apenas moderada e consegue se virar muito bem falando no telefone, por exemplo. Mas, dada essa empatia com a deficiência compartilhada, a gente acabou criando um vínculo de amizade e apoio mútuo.

Esses dias, ela teve um problema sério no trabalho, decorrente tão-somente da ignorância de uma “colega”, somada à vista grossa que algumas empresas são capazes de fazer, mascarada por uma política de “já que a gente é obrigado a contratar pessoa com deficiência, que eles não incomodem nem exijam nada.”. Admito que isso aconteceu comigo também, embora eu não veja  a menor graça de comentar sobre o assunto, já que é passado e hoje, estou muito bem empregada numa das melhores agências de publicidade do mundo.

Mas, como muita gente não tem idéia do que uma pessoa com deficiência pode passar, vale a pena dar uma lida no relato dela. Afinal, um blog que visa informar sobre a condição de PcD, não pode se ater a falar somente de coisas boas, senão fica a impressão de que estamos tentando maquiar o lado duro da vida.

Texto extraído do blog da Christal: http://christais.blogspot.com/

Hoje foi um daqueles dias em que a gente preferiria pular e riscar do calendário.
Como algumas pessoas sabem, minha audição é bastante prejudicada, escuto numa frequência diferente dos outros. É difícil ajustar com aparelhos, mas é unilateral, ou seja, meu ouvido direito consegue dar conta do recado.
Quando fui trabalhar na empresa onde estou agora, como corretora, não falei a respeito, pois em nada prejudicaria meu trabalho. Tanto é que consigo estar bem no ranking de vendas e falo e ouço tranquilamente ao telefone.
Acontece que, como a sala não é muito grande e dividimos entre quinze corretores, muitas vezes fica ruim de ouvir os que falam comigo mais afastados de minha mesa.
Tem uma colega que logo que percebeu esta minha, digamos, deficiência, começou a fazer brincadeiras de toda sorte de mau gosto e que se tornaram logo o grande motivo de diversão de alguns outros.
Não ligava,tentava levar numa boa,por vezes fazia “tiradas” inteligentes que nem ela entendia. Mas reclamava,pedia pra ela parar com isso,chamava-a de lado, só nós duas e tentava por fim nesta situação. Fui ficando irritada, pedí ajuda pra minha supervisora que (…), nada fez além de falar com ela que parasse.
Não parou!
Hoje, chego na empresa por volta de meio dia, a tal colega estava na mesa da plantonista, um colega, um colega na outra mesa e uma terceira de frente pra ele e nossa supervisora na mesa dela, central. Sentei-me ao lado do primeiro e a plantonista começou a falar (não se dirigiu a ninguém em especial) que até aquele momento só atendera uma ligação e nem era pra ela pois tinha feito “triagem” e era pra outra colega. Virei-me pra ela e, sem nenhuma alteração, disse que estava surpresa pois era a primeira vez que ouvia a palavra “triagem”( alí não fazem isso, é cada um por si e sua sardinha); ela se exasperou e berrou num tom agressivo demais que eu não sabia disso porque era muito burra e surda, muito surda, sem competência e que ela jamais mentia. Na hora não entendi, a ficha demorou a cair, cheguei a comentar que a ferradura estava nova hoje, havia sido polida. Ela continuou a berrar, dizia que somente assim eu ouviria, que surdas são o que de pior há. Pedí que se calasse, que poderíamos conversar sozinhas do lado de fora, no corredor, mas ela continuou a me destratar como se eu fosse o cristo que ela estava esperando pra descarregar um dia infeliz. Aí não aguentei. Disse-lhe que não “bateria” boca e que sairia dali direto pra uma delegacia. Minha supervisora que havia saído momentos antes, entrou de volta; ela, a colega, continou a falar toda sorte de insulto a mim; e o máximo que a nossa chefe fez foi pedir pra ela se calar e a respeitar.
Desci aos prantos e fui pra nossa emergencia. O médico me atendeu, minha pressão subiu muito e fiquei alí, sem entender o que eu havia feito àquela criatura pra me tratar daquela forma. Os rapazes que ficam na admistração e cuja sala é separada por divisórias e vidraças, perceberam tudo, não sei se ouviram pois ela gritava demais. Morrí de vergonha, porque ela sempre espalhou pela empresa que eu não ouvia e ria fazendo piadas e alguns riam também. Enquanto pude, aguentei. Agora não mais. Já recebí encaminhamento da DEAM pro Ministério do Trabalho (…).

Revolta, tristeza profunda e decepção. São estes os meus sentimentos agora. O que irei fazer a partir de amanhã só Deus sabe. Há a possibilidade de abrir o jogo com o dono da empresa, mas minha demissão será cotada. Não sei qual será reação dele, mas me demitir estará na pauta. De agora em diante, represento problema, pois não vou me calar sob nenhuma pressão.
Que Deus me ajude!!!
Chris.

O pior de tudo, certamente, é ler algumas pessoas dizendo que ela deveria se comportar, senão a empresa irá cortar a vaga dela, pejudicando a possibilidade de outro PcD conseguir emprego.

Acho isso engraçado. Diante de uma situação de injustiça  e preconceito, exigirem que a vítima (odeio esse termo, mas cabe aqui) se comporte melhor, para não piorar a situação; sem perceberem que quem precisa mudar é o algoz, que é preciso extrair o problema da fonte, que não é exigindo bom comportmento de quem sofre com preconceito, que a intolerância deixará de existir.

Espero, de verdade, que esse tipo de coisa pare de acontecer. Que um funcionário com deficiência seja julgado pela sua capacidade e competência, como qualquer outro funcionário, não pela sua condição física e/ou sensorial. Não ser conforme o padrão não significa, de forma alguma, ser menos humano.

Torcendo para o tribunal que julgar o caso da Chris lembrar disso!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Audição unilateral

Escrito por laklobato em 12/01/2010

Semana passada, recebi um comentário num post antigo que, provavelmente, muita gente nem lê mais (mas acredite se quiser, tem quem leia, porque dá busca no Google sobre o assunto e cai aqui no DNO e aí, comenta uma postagem superantiga, que eu respondo, mas nem sei se a pessoa volta pra ler.)

O que é muito comum é perguntarem dos direitos de quem tem perda auditiva num ouvido só. Confesso que sei pouquíssimo sobre audição unilateral, porque no Brasil, sequer é considerado deficiência – o que é um absurdo, já que privação de um sentido é privação de um sentido e sem audição de um lado, a pessoa tem algumas dificuldades SIM. Sei disso, porque eu ouço bem  melhor como IC + AASI do que meramente com o IC, justamente por ele ser unilateral.

Pois bem, um simpático leitor do blog, Alexandre Costa (ocasional ou frequente não sei, ele não disse) deixou uma informação importantíssima, que precisava de um post só pra ela.

Perdoem-me, meus queridos leitores, o juridiquês, mas realmente precisa ser copiado, porque pode servir de informação para quem necessita dela. Voilà:

Boa tarde!!
Gostaria de parabenizar este Blog e de ajudar aos deficientes auditivos e surdos que tenham acesso a ele.
Antes de mais nada existe um conflito JURÍDICO DE NORMAS entre a Lei nº 7.853/89, que foi regulamentada pelo Decreto nº 3.298/99. O art. 4º, II, e alíneas, descrevem e tificam quais os tipos de deficiências auditivas. Ocorre que, o Decreto nº 5.296/04, em seu art.5º,§1º,I,”b”, revogou o art.4º do decreto anterior, classificando os deficientes como perda bilateral, parcial ou total com no mínimo 41 dB ou mais nos dois ouvidos.
Isso foi uma aberração não só jurídica como médica.
Um deficiente no Exterior, é o mesmo que temos aqui no Brasil. Como pode por exemplo na Europa e nos Estados Unidos, um DEFICIENTE AUDITIVO UNILATERAL ser considerado deficiente e aqui no Brasil não ser?
A área de saúde, não pode ser considerada como a área jurídica. O que é ilegal aqui , não é ilegal lá e vice – versa.
Não se trata de costumes e tradições ou interpretações, se trata de problema físico , de ciência e isso é mundial.
O que ocorreu, foi uma aplicação distorcida com intuito POLÍTICO – ECONÔMICO, para amenizar os cofres públicos dos gastos com os deficientes.
Existem no Brasil, aproximadamente, 05 (cinco) milhões de DEFICIENTES AUDITIVOS de todos os níveis (unilateral – bilateral – surdo) e desta quantidade toda, 68 % são DEFICIENTES UNILATERAIS, ou seja, 3.400.000 (três milhões e quatrocentos mil). Equivalente quase a um país de porte médio da Europa.
Por isso, que o Governo Federal, mudou a legislação. Estima-se que daqui a 15 e 20 anos, esse número suba para 18 milhões de pessoas, devido os altos ruídos. Com essa mudança, aos que já possuíam a deficiência antes da revogação da lei, foram extirpados, ou seja, tiveram os seus direitos adquiridos violados. O art.5º, XXXVI da CRFB c/c art.6º, § 2º da LICC, garantem o DIREITO ADQUIRIDO. Violaram o Princípio da Irretrotividade das Leis. Os deficientes auditivos unilaterais e os deficientes auditivos bilaterais, tinham os mesmos direitos, logo havia Isonomia.
Com a revogação, feriram o Princípio da Isonomia Constitucional, art. 5º, caput da CRFB. A deficiência auditiva é uma questão de Direitos Humanos, no qual o Brasil é signatário. Com isto feriram o PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, art. 1º , III da CRFB / 88. O mais engraçado, é que o Decreto anterior, não foi totalmente revogado e sim alguns artigos. Portanto, cabe ressaltar que, o art. 3º , I,II,III do Decreto nº 3.298/99 , entra em conflito com o art. 5º,§1º,I,”b” , do Decreto nº 5.296/04. Pois é totalmente ao contrário e se chocam . Ambos estão em vigor . Isso é explicado, pois, existem duas leis de 2000. A Lei nº 10.048/00 e Lei nº 10.098/00. Estavam na gaveta, pois tinha apenas 01 ano que foi aprovado o decreto revogado conforme supracitado. Com a Resolução nº 17 / 2003 do CONADE, art.2 , que considera não sendo deficientes, os DEFICIENTES AUDITIVOS UNILATERAIS, só estimulou o congresso Nacional a tirarem da gaveta e aprovarem a lei. Sem nenhuma análise técnica – jurídica e muito menos médica. Por isso que o STJ ( Superior Tribunal de Justiça ) DEFERIU através de MANDADO DE SEGURANÇA , uma DEFICIENTES AUDITIVA UNILATERAL , em concurso que fora aprovada. Alegando ser o CONADE com sua resolução , INFRACONSTITUCIONAL e não pode sobrepor a Constituição Federal e Leis Federais. Espero ter ajudado e quem quiser mais explicações, envie e-mail para alexandre.senac@bol.com.br
Pretendo somar a este blog para ser parceiro. A finalidade é ajudar.

IMPORTANTE: não confirmo as informações (exceto que realmente a lei de cotas, por exemplo, só vale para quem tem perda mínima de 25Dbeis nos dois ouvidos, porque já trabalhei do departamento de RH e soube disso) e também não posso dizer que esta lei teve intuito político-econômico porque sou publicitária e não advogada. Ademais, eu não fiz pesquisa de campo para confirmar, já que eu não ganho pra fazer o blog. Sugiro que, quem precise usar essa informação judicialmente, confirme com seu advogado, a fim de evitar conflitos.

No mais, a função do blog é entreter e informar.

Beijinhos sonoros,

Lak

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