Poupe-me tempo

Escrito por laklobato em 10/02/2010

Sei que muita gente lê o blog, acha fofo mas não comenta, porque comentário massagem-no-ego não é o forte de todo mundo, nem o objetivo do blog (embora eu adore, claro).

Mas o post de hoje tem a proposta de debate e quem quiser deixar a opinião, eu agradeceria muito, porque realmente é algo que ficou me martelando na cabeça agora pela manhã.

Hoje, acordei as 5h30 da matina porque precisava tirar uma 18ª via (exagero, mas deve ser lá pela 4ª via) do meu RG e resolvi chegar o mais cedo possível, pra não comprometer meu horário de trabalho, mesmo tendo avisado o chefe que chegaria tarde…

Tinham me falado que o Poupatempo da Sé (sou de Sampa Capital, caso alguém não saiba) era o mais organizado e foi lá que fui.

Sai de casa 6h, ainda escuro – deu até medo porque achei que as ruas estariam desertas, mas felizmente descobri que não era o caso – peguei um ônibus relativamente vazio e um metrô também vazio. Cheguei lá e já tinha uma fila monstruosa, mas decidi encará-la assim mesmo, dada a falta de opção e a necessidade urgente de um RG novo…

Enfim, 40 minutos depois, sou atendida por uma senhora nada simpática que me pede a certidão de nascimento ou casamento. Entreguei a certidão de casamento já avisando que não tinha alterado meu sobrenome, só precisava de um RG mais recente. Ela me olhou meio torto (acho que falei baixo, dada a dor que eu estava sentindo, porque, lembrem-se, eu tô de pé quebrado, mas encarei 40 minutos de fila assim mesmo, já que a imobilização que fizeram só envolve metade do pé e eu não estava afim de ser chamada de golpista) e não disse nada sobre isso.

Passado alguns minutos, ela me fez uma pergunta. Eu não entendi e pedi para ela repetir. Ela repetiu de má vontade e eu expliquei: Desculpe, senhora, não estou fazendo pouco caso, sou deficiente auditiva (puxando o AASI para ela ver).

A expressão facial dela  - uma carranca quase caricata – mudou completamente. Ela me deu um sorriso dócil e repetiu falando devagar sei lá o que e completou:
- Olha, vou te dar senha preferencial por você ter deficiência.

A priori, eu recusaria, já que nada me impede de esperar na fila como todo mundo, mas como meu pé doia feito um condenado, acabei aceitando.

Ela me mandou pro banco pagar a taxa  e volta – frizando para eu falar com ela, porque ela me daria a senha preferencial.

Fui mancando até lá, me mandaram pra fila preferencial também (dessa vez, porque a moça me viu mancando). Paguei a taxa – não antes de ser questionada porque estaria na fila preferencial, respondido por “surda e de pé machucado”.

Voltei, recebi a senha e fui sentar num banco para esperar ser chamada, o que levou menos de 2 minutos, por conta da preferência.

Chegando no guinche de atendimento, o mocinho com crachá “atendente multitarefas” (quase perguntei se ele era multimidias também) me faz a pergunta “atendimento preferencial por quê?”. Respondi, mostrando o AASI de novo “deficiente auditiva”.

Ai ele me fez 1799379380 perguntas pro cadastro, sujou meus dedos e me mandou voltar amanha pra pegar o RG (haha que eu volto lá amanhã!!).

Sai de lá pensando se deficiente auditivo deve ou não usar o atendimento preferencial. Porque em principio, nada nos impede de ficar na fila. Mas tratando-se de  um serviço que depende de conversação, requer que o atendente tenha paciência de repetir, boa vontade para entender-nos. Então, em parte, concordo com esse atendimento preferencial sim. O que você acha disso??

No fim, voltei pra casa pegando um metrô e um ônibus mega lotados, com medo de ter o pé pisoteado ou o que esbarracem no IC e ele voasse longe – o que felizmente não aconteceu, até porque tirei a parte externa do IC e fiquei segurando como se minha vida dependesse disso hehehe

Beijinhos de pé dolorido, mas sonoros….

Lak

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