Ahhh, é carnaval…

Escrito por laklobato em 12/02/2010

Fonte: Google

Semana que vem, mais precisamente na terça-feira de carnaval, faz 2 meses que eu  me tornei oficialmente ciborgue. Dois meses de ativação, de redescobertas sonoras, muitas risadas de surpresa e lágrimas de emoção. O universo sonoro é rico demais para ser resumido em 2 meses de audição, mesmo que muita gente fique indignadinha (sim, começa a me irritar alguém vir com papinho “ah, então esse troço não funcionou pra nada” quando explico que não, ainda dependo 100% da leitura labial, como  se um bebê de  60 dias tivesse um vocabulário de compreensão riquissimo, sendo que ele tem milhões de células nervosas contra os meus míseros 18 eletrodos) de eu ainda não estar compreendendo até dialeto élfico só de ouvido.

Mas, na terça-feira de carnaval, também seria o dia que completaria 23 anos que acordei completamente sem audição, em fevereiro de 1987. Tempo demais para alguém viver em silêncio…

A minha memória vem sendo reativada, para reconhecimento sonoro – tem sons que já reconheço de imediato, sem nenhum apelo visual, como o som da chuva, latido de cachorro ou o timmer do forninho elétrico lá de casa – mas também vem resgatando lembranças que haviam ficado adormecidas com o tempo.

Nos primeiros meses de sons silenciados, o que me assustava era a ausência de coisas que eu nem sabia que gostava. Por exemplo, a primeira vez que vi uma escola de samba na avenida (a gente acompanha pela tv, né?) sem o som do samba enredo enchendo o ambiente. Aquilo parecia insano, um bando de gente fantasiada dançando em coreografia marcada por… silêncio. A sensação de perda que me invadiu acabou virando uma pneumonia de tristeza…

Com o passar do tempo, fui deixando essa sensação de lado. A gente aprende a viver sem o que não tem mais. Aprende a ler o movimento das coisas e criar um som mental. Aprende a colocar, por imaginação, som em tudo – que nem sempre corresponde à realidade, mas ao que a gente gostaria que fosse.
Aprende a superar a dor, porque é simplesmente dolorido demais ficar alimentando-a.

Eu deixei de gostar de carnaval com o passar do tempo, mas acho que tem mais  a ver com a idade – já que criança sempre adora uma farra –  e, raramente, me dou ao trabalho de assistir uma escola de samba passar pela avenida. Perdi o hábito, simplesmente.

Mas agora, com o implante, fico entre o medo e o desejo, de assistir um desfile pela televisão, ouvindo o samba enredo encher o ambiente que eu estiver…

Sou medrosa, admito, tenho medo de decepções, de frustrações e fico pensando “de repente, ano que vem é melhor”….

Hehehe seja como for, desejo a todos um maravilhoso carnaval, cheio de luz, cheio de festa, cheio de sons, cheio de graça e que as lembranças sejam sempre as melhores!

Beijinhos sonoros,

Lak

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