No llores por mi, Argentina!

Escrito por laklobato em 27/02/2010
Bueno, estoy de vuelta a São Paulo…

E vi vários comentários pedindo para contar da minha primeira viagem de implantada. A priori, salvo pelo detector de metais não houve nada de novo, já que eu não entendo vozes auditivamente, então tanto faz se falam português, espanhol, grego ou latim, tudo soa mais ou menos a mesma “nhunhunhu”  indecifrável. Mas, tanto dessa vez com o IC, quanto da vez que eu estava com os AASI apenas e até da vez que viajei sem nada, eu compreendo pelo menos o básico por leitura labial e sempre consegui me virar maravilhosamente bem onde quer que eu esteja. Não sou uma pessoa que se permite limitar pela deficiência.

Mas é claro que o IC, a longo prazo, fará muita diferença. O caso apenas é que ainda não discrimino vozes e, dos sons ouvidos, só posso falar de pequenas coisinhas que me chamaram a atenção, como ouvir o barulhinho do apito do metrô porteño e achá-lo incrivelmente chato hihihi Quer dizer, na primeira vez, até achei legal. Lá pela 10ª estação, já estava irritada com aquele piiiiiiiiiiiii plen plen plen ploin (o apito seguido das portas fecharem).

O que teve de mais especial na viagem, sem dúvida, foi perceber como esse blog foi/tem sido importante na minha vida, afinal tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente uma queridissima amiga e leitora (nos conhecemos via comentários dos blogs), Olivia, do blog Olivia Cranwell.

Ela é, assim como eu, usuária do Implante Coclear. Foi implantada exatamente 1 ano antes de mim. Ela é artista plástica, mostrou-nos diversos trabalhos belíssimos feitos por ela. Depois, fomos tomar Mate na cuia (o nosso chimarrão gaucho) e conversamos sobre os blogs, sobre deficiencia auditiva – pois ela também é surda adquirida e cada história tem a sua beleza e a sua dor – sobre o fato de quanto lá quanto aqui, nem todos os deficientes auditivos aceitarem o Implante Coclear (que respeitamos quem não quer usar, mas não sentimos esse respeito da parte deles, como se o fato de optarmos pelo implante fosse algo que eles não tivessem que respeitar também. Como se respeito não fosse algo de mão dupla).

Fiquei impressionada com o carinho mutuo, nascido e cultivado pela troca de experiencias de vida via blog, inicialmente por compartilhar a deficiência. É, nessas horas que percebo que manter este blog tem sido uma das melhores experiências da minha vida. E sim, quando alguém lê meu blog, quando eu leio o blog de alguém, é sempre o início  de uma possível grande amizade!!

Olivia preparando nosso chimarrão (ela estava me ensinando a tomar)

Olivia preparando nosso chimarrão (ela estava me ensinando a tomar)

Eu, encarando sem açucar. É, dá pra beber, mas com açucar fica tão melhor....

Pausa no mate para uma foto das duas

Beijinhos sonoros,

Lak

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