Alargador auditivo

Escrito por laklobato em 11/02/2010

Que muita gente deixa de usar prótese auditiva por vergonha é uma realidade, triste, mas real. Fazer o que? Se tem quem prefira não ouvir a usar o AASI, a gente respeita, né? Direito inalienável (acho que a palavra é essa) de cada um.

Mas, tem uns gringos que pensam longe e resolveram… hummm, modernizar… o layout do troço.

Verdade que ficaria modernoso e talvez ajude algumas pessoas, mas não sei não, heim?! Digamos que é um projeto, no mínimo, bastante ousado.

Saca só esse novo modelo de AASI:


Repara bem no alargador...

Repara bem no alargador...

Yes, o projeto é um aparelho em forma de alargador.

Yes, o projeto é um aparelho em forma de alargador.

Sei não, apesar de eu ter aberto a cabeça pra inserir o Implante Coclear, não sei se furaria a orelha pra usar esse alargador hehehe

Via: Gizmodo

Beijnhos sonoros

Lak

12 palpites
 

Poupe-me tempo

Escrito por laklobato em 10/02/2010

Sei que muita gente lê o blog, acha fofo mas não comenta, porque comentário massagem-no-ego não é o forte de todo mundo, nem o objetivo do blog (embora eu adore, claro).

Mas o post de hoje tem a proposta de debate e quem quiser deixar a opinião, eu agradeceria muito, porque realmente é algo que ficou me martelando na cabeça agora pela manhã.

Hoje, acordei as 5h30 da matina porque precisava tirar uma 18ª via (exagero, mas deve ser lá pela 4ª via) do meu RG e resolvi chegar o mais cedo possível, pra não comprometer meu horário de trabalho, mesmo tendo avisado o chefe que chegaria tarde…

Tinham me falado que o Poupatempo da Sé (sou de Sampa Capital, caso alguém não saiba) era o mais organizado e foi lá que fui.

Sai de casa 6h, ainda escuro – deu até medo porque achei que as ruas estariam desertas, mas felizmente descobri que não era o caso – peguei um ônibus relativamente vazio e um metrô também vazio. Cheguei lá e já tinha uma fila monstruosa, mas decidi encará-la assim mesmo, dada a falta de opção e a necessidade urgente de um RG novo…

Enfim, 40 minutos depois, sou atendida por uma senhora nada simpática que me pede a certidão de nascimento ou casamento. Entreguei a certidão de casamento já avisando que não tinha alterado meu sobrenome, só precisava de um RG mais recente. Ela me olhou meio torto (acho que falei baixo, dada a dor que eu estava sentindo, porque, lembrem-se, eu tô de pé quebrado, mas encarei 40 minutos de fila assim mesmo, já que a imobilização que fizeram só envolve metade do pé e eu não estava afim de ser chamada de golpista) e não disse nada sobre isso.

Passado alguns minutos, ela me fez uma pergunta. Eu não entendi e pedi para ela repetir. Ela repetiu de má vontade e eu expliquei: Desculpe, senhora, não estou fazendo pouco caso, sou deficiente auditiva (puxando o AASI para ela ver).

A expressão facial dela  - uma carranca quase caricata – mudou completamente. Ela me deu um sorriso dócil e repetiu falando devagar sei lá o que e completou:
- Olha, vou te dar senha preferencial por você ter deficiência.

A priori, eu recusaria, já que nada me impede de esperar na fila como todo mundo, mas como meu pé doia feito um condenado, acabei aceitando.

Ela me mandou pro banco pagar a taxa  e volta – frizando para eu falar com ela, porque ela me daria a senha preferencial.

Fui mancando até lá, me mandaram pra fila preferencial também (dessa vez, porque a moça me viu mancando). Paguei a taxa – não antes de ser questionada porque estaria na fila preferencial, respondido por “surda e de pé machucado”.

Voltei, recebi a senha e fui sentar num banco para esperar ser chamada, o que levou menos de 2 minutos, por conta da preferência.

Chegando no guinche de atendimento, o mocinho com crachá “atendente multitarefas” (quase perguntei se ele era multimidias também) me faz a pergunta “atendimento preferencial por quê?”. Respondi, mostrando o AASI de novo “deficiente auditiva”.

Ai ele me fez 1799379380 perguntas pro cadastro, sujou meus dedos e me mandou voltar amanha pra pegar o RG (haha que eu volto lá amanhã!!).

Sai de lá pensando se deficiente auditivo deve ou não usar o atendimento preferencial. Porque em principio, nada nos impede de ficar na fila. Mas tratando-se de  um serviço que depende de conversação, requer que o atendente tenha paciência de repetir, boa vontade para entender-nos. Então, em parte, concordo com esse atendimento preferencial sim. O que você acha disso??

No fim, voltei pra casa pegando um metrô e um ônibus mega lotados, com medo de ter o pé pisoteado ou o que esbarracem no IC e ele voasse longe – o que felizmente não aconteceu, até porque tirei a parte externa do IC e fiquei segurando como se minha vida dependesse disso hehehe

Beijinhos de pé dolorido, mas sonoros….

Lak

41 palpites
 

Palavras importantes

Escrito por laklobato em 09/02/2010

Quando eu decidi colocar o Implante Coclear, sempre me perguntavam qual era a primeira coisa que eu queria escutar.

Porque a diferença entre ouvir e escutar – comumente tidas como sinônimos – pode ser confusa, mas existe. Ouvir é o ato de captar o som e ele chegar ao cérebro. Escutar é assimilar o que ouviu e interpretar o som.

Eu sabia que a primeira coisa que iria escutar não seria voz. E contei aqui qual foi: uma garrafa de pespsi sendo aberta.

Mas, ainda assim, quando me perguntavam, eu respondia: Pois bem, a primeira coisa que quero escutar é “eu te amo” porque nunca escutei essa frase se não dos meus pais (o que é maravilhoso, mas não é tudo).

Uma noite dessas, estava falando com o Edu e ele disse “eu te amo”. Fechei os olhos,  pois estava com o IC e pedi pra ele repetir. Escutei algo como “tchenhamu” e comecei a rir, porque foi a primeira vez que entendi essa frase de olhos fechados.

Não sei se vale como progresso, já que sabia que ele diria isso, mas adorei demais ouvir essa frase! E não poderia, é claro, deixar de relatar aqui no blog…

Beijinhos sonoros

Lak

14 palpites
 

Desventuras ciborguisticas

Escrito por laklobato em 05/02/2010

Essa semana, foi tudo tão corrido aqui no trabalho, que nem deu tempo de vir ao blog. É engraçado que, quando a inspiração vem,  o tempo falta. E vice e versa, parece perseguição. hihihi

Essas semanas, me deu um cinco minutos de querer mudar radicalmente o corte de cabelo. Tudo porque prefiro ficar de cabelo solto para disfarçar o implante. Não que eu tenha vergonha dele, muito pelo contrário, orgulho-me para caramba, mas por medidas de segurança, já que sendo preto, ele pode ser facilmente confundido com um celular. E, sabe como é, essa peça não tem nenhum valor comercial, mas pra repor, me custaria uma pequena fortuna.

Meu cabelo estava compridão (e feio) e nesse calor, dava um certo desespero usá-lo solto. Então decidi cortá-lo.

Chego no salão (meu cabelereiro cuida do meu cabelo há 20 anos, mas ele troca de assistente que nem troca de sapato) e me mandam lavar o cabelo. Pedi alguns minutos pra tirar o IC, já que ele não é à prova d’água. Mas aí a mulher me olhou com uma cara de horrorizada – o que me fez ter que segurar o riso –  e eu falei: Oh, eu tenho um calombo na cabeça, porque tem uma peça ai dentro.

Gente, a cara de pavor que ela fez foi tão engraçada, que não sabia se ria ou se explicava do que se tratava. Ai pensei: “Ah, quer saber? Vou deixá-la na curiosidade, pensando coisas, porque tô com preguiça.” Aí ela lavou meu cabelo com total pavor! Hihihihi

Cortei o cabelo e pans. Ai a mesma mulher veio secar meu cabelo. Pedi pra ela evitar deixar o secador muito em cima da tal peça da cabeça… Juro que eu achei que ela fosse chorar, mas continuei sem dar explicação nenhuma. Ai ela fez o trabalho dela quase chorando de novo. Bateu um pouco de culpa até, mas a vontade de explicar era tão inferior a nenhuma, que não deu mesmo!

Mas, aí, eu não curti o corte de cabelo, porque ele ficou armado demais. Dai resolvi fazer uma escova de chocolate, pra tirar um pouco do volume. Só que dessa vez, fiz com outra cabelereira, que minha mãe teve toda a simpatia do mundo pra explicar da pecinha da cabeça hehehe E ela ficou um pouco menos assustada…

E no fim, meu cabelo ficou lindão, com o implante devidamente protegido.

De cabelo novo

Esse lance de proteger o implante tem dado uns efeitos colaterais que…

Ontem, pra protegê-lo da chuva, dei uma acelerada no passo e… escorreguei, cai de bunda no chão, bati a cabeça numa porta e o pé no trilho dessa mesma porta. O IC não molhou nem quebrou, felizmente. Mas meu pé sim. Resultado, pé de molho por duas semanas (fraturinha besta, mas dolorida que só).

Moral da história: Pé se conserta, IC não! haha

Beijinhos sonoros (e doloridos) e bom final de semana, pessoas.

Lak

17 palpites
Categorias: Causos silenciosos
 

Desejos proibidos

Escrito por laklobato em 02/02/2010

Esse texto requer um pouco de ousadia da minha parte e, portanto, peço aos mais púdicos que não o leiam, para que não fira a integridade moral de quem prefere não adentrar no assunto sexualidade.

Mas, para quem se interessa, acho que esse post vale a pena.

De vez em quando, alguma pessoa sem noção pergunta se tem diferença entre transar sem audição. Como perdi a audição aos 10 anos – e naquela época era uma Lakinha inocente – eu ficava completamente sem parâmetro para responder essa pergunta. Para saber a diferença é preciso que se conheça bem os dois lados de uma situação e eu só fui iniciar a minha vida sexual muito depois dos 10 anos…

Ainda que eu já tenha tentado curtir momentos íntimos com o AASI (aparelho de amplificação sonora individual, as próteses convencionais) ficar deitada com isso pendurado na orelha costuma ser bem desagradável, porque além de ter um “molde” que fica no interior do pavilhão auditivo, vulgo orelha, que incomoda e até provoca dor dependendo de como se apoia a cabeça, também tem o inconveniente de apitar (por conta da microfonia) conforme o movimento da cabeça ou qualquer coisa que deixe-o com som abafado. Enfim, acabava nem compensando a pouca resposta auditiva que me dava.

A priori, a audição não é exatamente o sentido mais importante no ato erótico. Ela faz parte, mas o importante é principalmente o tato. Ainda assim, há algumas pequenas diferenças que valem a pena ser levadas em conta.

Sabe essa história que homem adora luz acesa e mulher adora luz apagada? Bem, não temos essa opção. Para uma pessoa que depende da visão para “ouvir” (já vi deficiente auditivo brincar dizendo “quando a luz apaga, eu fico surdo”), é importante manter um mínimo de luz sempre. Claro que nem sempre a luz do teto acesona mantém o clima, mas sempre precisamos de uma meia luz, nem que seja a luz da televisão hihihi

Outra coisa é que juras de amor ao pé do ouvido é algo completamente fora de alcance, se a pessoa não tiver audição suficiente para discriminar a fala auditivamente apenas. Todas as “juras de amor” nessas horas, tem que ser ditas olhos-nos-olhos, sabe?

O mesmo vale para… ãh… posições em que um fique de costas pro outro ou que não dê para visualizar os lábios, a comunicação fica limitada e, conversar, fica completamente fora de propósito (tá, eu sei que  praticamente ninguém bate papo nessas horas, mas usando a criatividade, falar algumas coisas pode ser interessante).

Música é algo que, sem audição, não dá pra compartilhar, então nem se cogita música de fundo, coisa que muita gente considera importantíssima e a 7ª Arte sempre dá imenso valor nas cenas mais românticas dos filmes.

Enfim, salvo por essas pequenas adaptações, falta de audição não impede ninguém de curtir o erotismo, ter anseios e desejos ou de ter uma vida sexual boa e saudável.

Uma vez, eu conversava com uma amiga que trabalha com acessibilidade e condição das pessoas com deficiência e ela me contou que conheceu um rapaz implantado que confidenciou-lhe que depois do implante, a vida sexual dele tinha mudado imensamente para melhor.

Fiquei com isso na cabeça e até cheguei a perguntar para alguns amigos implantados se isso realmente acontecia. Tive das mais variadas respostas e há quem diga que sim e há quem diga que não curte o implante nessas horas.

Mas para a gente formar opinião, é preciso tentar, não é mesmo?

Sei que falar de sexo só é bacana quando a gente fala tercerizando o discurso, mas não tem como eu dar um parecer sem falar na primeira pessoa. E, como eu sou casada, faz-de-conta que soa menos grosseiro hehehe

O que eu pude perceber – depois de semanas de enrolação, porque na hora H eu tirava o implante, por puro medo de tentar uma experiência nova – é que ouvir faz diferença SIM. Quanto mais percepção se tem, maior a sensibilidade. A experiência torna-se mais rica, mais completa. Fechar os olhos sem ficar a mercê apenas do tato, tendo a audição como referência do outro, eleva a percepção sensorial a outro estágio de compartilhar o momento. É difícil explicar, mas com certeza, vale a pena fechar os olhos e simplesmente ouvir os sussurros e suspiros.

Ainda que, no meu caso, requeira um certo cuidado de não esbarrar no imã e perder tudo aquilo por uns segundos (o que dá pra evidenciar mais ainda a diferença que pode fazer com e sem audição).

Mas, compartilhar o prazer, de qualquer forma que seja (de comum acordo, entre pessoas adultas e blablablá) vale a pena, não acha?

Beijinhos sonoros,

Lak

20 palpites

Copyright © 2012 Desculpe, não ouvi! All rights reserved. Visite www.laklobato.com