O circo da borboleta
Terça-feira agora, dia 2 de março, Jairo do blog Assim Como Você teve a candura de colocar um belíssimo video, dividido em duas partes. É uma dessas histórias de superação de limites. Não limites físicos, mas emocionais e psicológicos (os tais que eu venho comentando que são a parte mais difícil do processo de readaptação cerebral, por conta do Implante Coclear).
Quem frequenta o blog dele, já viu, já se emocionou, já chorou de precisar de lencinho…
A legenda em português foi feita por Silva Dutra.
Mas pra quem não viu, vale a pena.
Não sei se o nome do vídeo é uma coincidência ou foi inspirado nesse belíssimo texto de Antoine de Saint-Exupéry (sabia que eu estudei numa escola com esse nome?), no capitulo 9 de O Pequeno Príncipe. Primeiro, o texto original em francês – pra vocês treinarem – depois a tradução.
Il fut surpris par l’absence de reproches. Il restait là tout déconcerté, le globe en l’air. Il ne comprenait pas cette douceur calme.
- Mais oui, je t’aime, lui dit la fleur. Tu n’en as rien su, par ma faute. Cela n’a aucune importance. Mais tu as été aussi sot que moi. Tâche d’être heureux… Laisse ce globe tranquille. Je n’en veux plus.
- Mais le vent…
- Je ne suis pas si enrhumée que ça… L’air frais de la nuit me fera du bien. Je suis une fleur.
- Mais les bêtes…
- Il faut bien que je supporte deux ou trois chenilles si je veux connaître les papillons. Il paraît que c’est tellement beau. Sinon qui me rendra visite ? Tu seras loin, toi. Quant aux grosses bêtes, je ne crains rien. J’ai mes griffes.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.
- É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz… Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.
- Mas o vento…
- Não estou assim tão resfriada… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos…
- É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe… Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
Nem sempre a ajuda que precisamos é que resolvam os problemas por nós. Um incentivo para acreditarmos em nós mesmos pode fazer muito mais diferença. É aquele ditado: “Não me dê os peixes, ensina-me a pescar.”
Beijinhos sonoros,
Lak
Texto de autoria de Lakshmi Lobato e licenciado sob a Licença Creative Commons 3.0 Brasil:Sempre atribua a autoria - Vedado uso comercial - Proibido obras derivadas.