Etapa seguinte: iniciando a fonoterapia
Pronto, não teve jeito de fugir mais…
Depois de enrolar à exaustão, finalmente sucumbi à fonoterapia, dever de todo implantado!
Agradeço aos leitores, que me indicaram várias fonos e pude chegar às mãos de uma fono maravilhosa, Fga. Aline.
Admito que eu sou rebelde (sem causa?) e não me entendo muito bem com a disciplina de qualquer terapia que seja. E fono requer disciplina sim. A gente vai 1 ou 2 vezes por semana, mas tem que continuar praticando em casa e ao longo do dia. Enfim…
Chegando lá, primeira consulta e tal, chamada de entrevista, contei pra ela meu caso, porque perdi a audição, tempo de surdez, tempo de cirurgia, tempo de ativação, percepções auditivas, blablablá whiskas sachê, que já contei bastante aqui no DNO.
A partir daí, ela perguntou qual meu objetivo principal na terapia: focar em exercícios de fala ou de audição.
Admito que, pra mim, foi uma escolha fácil e clara: eu quero ouvir! Ouvir bem! Extrair o máximo de informações sonoras do mundo. Quero quebrar em milhões de farelos a redoma que me separa do mundo auditivo.
Mas é claro que existe muita gente que entra na fonoterapia focando-se na fala, mesmo depois do Implante. Porque fala de surdo fica com sotaque sim, a gente não ouve normalmente, baseia-se na ressonância óssea princialmente e, porque não ouve como um ouvinte, geralmente fica com a fala mais “vibrada” (ou nasal). E, quando a pessoa faz o IC, a primeira coisa que quer é acabar com esse sotaque ou exercitar melhor a fala (caso dos surdos pré ou peri-linguais implantados depois de adultos).
Eu gosto muito da minha voz, porque ela sempre me permitiu fazer tudo, mesmo sabendo que eu tenho sotaque sim. Então, preferi não me preocupar tanto com isso agora, visto que melhorando a percepção auditiva, melhorar a fala será consequência. Mas, mesmo assim – imagina se eu deixaria passar alguma coisa – pedi pra ela me passar alguns exercícios de fala pra fazer em casa. Um pouco de reforço não fará mal a ninguém, né?
Não posso falar por todos os surdos implantados do mundo, mas reconheço que, pra mim, o IC foi a maior das benções. Ele pode não curar a minha surdez, mas cura a ferida de ter perdido a audição tão cedo, porque me permite ter esperanças. Mesmo com a labirintite que tive, mesmo pelo ‘suplicio’ de ter que fazer fono, mesmo por depender de uma máquina, eu agradeço a cada instante por cada som mais besta e sem sentido que posso ouvir. Que gosto. Que me delicia. Que me surpreende. Que eu posso compartilhar com vocês, aqui no blog…
Beijinhos sonoros,
Lak
Texto de autoria de Lakshmi Lobato e licenciado sob a Licença Creative Commons 3.0 Brasil:Sempre atribua a autoria - Vedado uso comercial - Proibido obras derivadas.
Tags: auditiva, fonoaudiologas, implante coclear, oralização, reabilitação