O ponto de percepção
Às vezes, percebo como é difícil mudar aquilo que eu me acostumei a ser. Seria complicado deixar de comer coisas que eu estou acostumada, ou passar a seguir uma religião que não é minha, ou simplesmente colocar uma idéia fixa na cabeça diferente daquilo que eu tinha como verdade.
Falo isso, porque estou num período de transição, entre o silêncio e o som do mundo. Diariamente, reaprendo a ouvir, reensinando meu cérebro a prestar atenção nos sons à minha volta. Ele sente dificuldade e eu percebo isso, porque a resistência é forte, porque foram 23 anos de silêncio contínuo. Mas, a batalha é longa e eu não desisto fácil, muito pelo contrário.
Vez por outra, pego-me diante de situações quase risíveis, quando dou-me conta de como sou/fui/era.
Eu e o Edu adoramos assistir algumas sitcoms americanas, dessas que tem risada gravada (eu já sabia, porque já me haviam dito, mas só fui comprovar o fato recentemente, porque só agora assisto a tevê com aparelho ligado). Outro dia, ele comentou comigo:
- Puxa, Lak, alguém colocou um capítulo dessa série tal no youtube, sem as risadas gravadas. A série não tem graça sem elas! Como você consegue rir? – porque realmente, eu dou altas gargalhadas.
Respondi, com a mesma cara de interrogação que ele:
- Puxa, Edu, eu assisti essa série com o IC recentemente e achei que as risadas são tão sem graça. Não entendi a função delas. Elas atrapalham a naturalidade do diálogo. Como você consegue rir com elas?
E olhamos um pro outro e percebemos que, mesmo vendo a mesma coisa, nossa percepção dela era completamente diferente.
Beijinhos sonoros,
Lak
p.s. pra quem quiser ver o tal vídeo sem risada e testar se vê graça do mesmo jeito:
Texto de autoria de Lakshmi Lobato e licenciado sob a Licença Creative Commons 3.0 Brasil:Sempre atribua a autoria - Vedado uso comercial - Proibido obras derivadas.