2º Aniversário do Blog “Assim Como Você”

Escrito por laklobato em 19/04/2010

Oi!

Passando rapidinho só pra postar o link de duas galerias de fotos maravilhosas, do encontro que teve sábado.

Direto no blog: Assim como você!

Direto para a Galeria: “clica no Bozo” (o Jairo fala isso, mas não tenho um Bozo aqui)

Foi demais e bem no dia do aniversário do DNO! (alias, quando você fala a sigla, fala como? Díno ou Dinô? hihi) Sincronicidade divina haha

Beijinhos sonoros,

Lak

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Sexta feira livre: para falar de aniversário 2 “Um ano de desculpas!”

Escrito por laklobato em 16/04/2010

Amanhã, dia 17 de abril, “Desculpe, não ouvi!” completa um ano no ar.

Tenho que admitir que não esperava um blog na qualidade que ele se tornou. Desde o começo, fiquei surpresa com esse cantinho. Seja pelo layout fofo que o Edu fez. Seja pelo interesse das pessoas pelos meus causos e histórias.

Quando resolvi fazer o DNO, tinha o intuíto de informar as pessoas sobre algo que falta na mídia: o conhecimento sobre a diversidade existente dentro da deficiência auditiva.

Todo mundo sabe que existe surdo sinalizado (os famosos errôneamente chamados de surdos-mudos) e, hoje em dia, também sabem que existe a língua de sinais, a Líbras, que é um idioma reconhecido por lei.

Mas quantas pessoas sabem que um surdo pode ser oralizado? Que a leitura labial existe? Que o Implante Coclear é uma excelente opção para a surdez?

Certamente, agora tem mais gente do que há 1 ano atrás sabendo! Inclusive os meus conhecimentos se ampliaram, graças as maravilhosas contribuições, como a história do Henrique (que usa o Esteem, aparelho auditivo implantável). E até pelo conhecimento prático – que faço questão de dividir aqui – no meu implante recém feito.

Hoje, faço 4 meses de ativada e ontem, pela primeira vez em 23 anos, pude falar com meu pai ao telefone. Claro que um ainda é uma conversa básica e quase monossilábica da parte dele, mas o suficiente pra um recado rápido e uma segurança para tanto que eu não sentia, desde que me entendo por surda.

O post mais acessado? O do próprio Henrique, já linkado. Muita gente baixa aqui do nada, interessado nesse novo aparelho auditivo.

O post mais comentado? As minhas notícias pós-cirúrgicas. Sei que deixei muita gente de coração na mão até avisar que estava tudo bem. Mas também sei que sem tanto apoio moral, emocional e físico, eu não teria entrado acordada na sala de operações, de tão calma que me sentia. Tinha gente suficiente pra segurar todo o meu nervosismo, a ponto de não sobrar quase nada pra eu sentir hehehe

O comentário mais emocionante? Foram muitos. Gente que perdeu a audição depois da aquisição da fala e  se sentia um peixe fora d’agua por não falar libras. Gente cujo filho, neto, sobrinho é deficiente auditivo e os meus relatos bem humorados tiravam o peso da deficiência. Gente que acabou de perder a audição e se sente perdido, até se encontrar aqui…

Mas a melhor parte do blog são as amizades que surgem por causa dele. Amizades que vão além de conselhos e partilhar da dor. Acompanhar a decisão pelo IC de amigos. Acompanhar os medos pré cirurgicos de quem vai ter um parente entrando na faca.

Certamente, o DNO mudou a minha vida, me fez crescer como ser humano (e não só como escritora) e me fez acreditar que a amizade supera qualquer distância.

Feliz aniversário pra todos nós.

Beijinhos sonoros,

Lak

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Instantes de reflexão

Escrito por laklobato em 13/04/2010

Minha mãe me emprestou um livro de crônicas da Martha de Medeiros, chamado “Coisas da Vida”. Gosto do jeito que ela escreve, leve e com a mistura perfeita entre a lucidez e a loucura. Num determinado capítulo, fala sobre apaixonar-se. Diz que a paixão nos faz reinventar-nos, de forma que a gente passa a se ver de forma melhorada, pelos olhos do outro. É, faz sentido, porque ninguém merece o tédio de passar a vida se vendo somente pelo reflexo realista do espelho.

Mas existe momentos pra tudo e a vida também faz a gente mudar de percepção de si sem, necessariamente, ser sob o olhar de alguém apaixonada – e ó, nada contra!

Percebo que é isso que vem me acontecendo, o Implante Coclear tem me mudado na maneira como eu me enxergo. E, claro, nem tudo que vejo me agrada. Mas, certamente, tem sido um aprendizado necessário e acredito que todo mundo deveria se permitir reinventar-se de vez em quando.

Uma das coisas que me incomoda é pensar no tempo que eu perdi confinada ao silêncio. Aprendizado necessário, karma, destino blablablá whiskas sachê. Mas também medo, desinformação e até recomendação errada do médico.

Vários médicos que eu fui pareceram ter noções absolutamente equivocadas do se trata o Implante Coclear e, em vez de reconhecer que simplesmente não sabem o suficiente e nos encaminhar a especialistas, dizem que “mas você fala bem, você é bem sucedida, você entende bem leitura labial, você ouve um pouco com a prótese convencional”.

Ora, veja bem, surdos adquiridos falam bem usando ou não o implante. O implante não serve somente para incentivar a aquisição da fala oral. Sucesso não tem a ver com ouvir, assim como ouvir não tem a ver com sucesso. Ler os lábios é ótimo, mas não serve para um monte de outras coisas relativas a sons. E a prótese convencional não é equiparável ao Implante Coclear. Enquanto a prótese se limita a ampliar a capacidade da audição que naturalmente, um deficiente auditivo ainda tem, o Implante Coclear permite a sensibilidade auditiva, de modo artificial, que a audição residual não alcança de forma alguma.

O implante é imediato? Não, ele leva tempo, especialmente quando o tempo em silêncio foi muito grande. Mas, veja, hoje eu levo DOIS segundos pra reconhecer o toque de telefone. Há seis meses, eu sequer os ouvia.

Não falo que uma pessoa não possa ser feliz sem ouvir. Pode e se ela opta por isso, quem sou eu pra criticar?

Mas é natural do ser humano ter sensibilidade auditiva. Ouvir os sons do mundo. Deliciar-se com uma música, com o miado de um gato, com o som da chuva. E se privar disso, é privar-se de uma parte do seu potencial de vida.

Antigamente, não havia escolha. Mas a tecnologia torna isso possível! “Mas o som é metálico”. Ora, o silêncio é a única alternativa, qual o problema de ouvir de forma metalizada, ainda é ouvir! “Mas não é igual a audição natural”. Não, não é, é uma maneira única, especial e nova de se perceber as sensações auditivas e tão maravilhosa quanto. E vale a pena, porque traz alguém que perdeu tantos anos em silêncio de volta ao universo sonoro.

Claro que não serve pra todos os casos. Claro que não é todo mundo que quer ouvir. Claro que não funciona igual pra todo mundo…

Mas, acreditem no Implante Coclear. Ele vale  a pena! Corram atrás e confirmem com um especialista se realmente não é para o seu caso. Pense em tudo que a prótese convencional não alcança e veja se vale a pena abrir mão disso!

E, como diz a Sun Melody, fico por aqui curtindo as estrelas sonoras que caem diretamente no meu ouvido e penso “estou viva, estou viva, estou viva!”

Beijinhos sonoros,

Lak

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Encontro: Assim Como Você.

Escrito por laklobato em 12/04/2010

Pessoas,

Eu tive um maravilhoso aniversário, que não fiz absolutamente nada (e não ganhei nada também, o povo me deu dinheiro e disse “compre o que quiser”), então não tenho assim, nada pra contar e também nada a reclamar hehehe

Sábado agora, dia 17 de abril, haverá o encontro do blog do Jairo Marques: Assim Como Você. A maioria já deve saber, mas pra quem por via das duvidas tiver perdido o post que ele falou disso, será  às 17hs, no Mr. Jack’s (antigo Best Burgues) do Shopping Paulista, aqui em Sampa Capital.

Quem estiver afim de ir – eu irei, com certeza, afinal, pra mim, vai ser também a comemoração do meu aniversário – precisa confirmar presença via email, para: maysa.mascarin@hotmail.com ou arquiteta_bia@yahoo.com.br.

Vou adorar encontrar vocês lá!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Sexta-feira livre: Para falar de aniversários!

Escrito por laklobato em 09/04/2010

Eu não me lembro de todos os meus aniversários, claro. O primeiro que me lembro é o de seis anos. A gente estava de mudança para SP e passou meu aniversário num hotel. Minha mãe colocou um incenso (é, na falta de vela, valia o que tinha a mão) num bolo de mel para cantar “Parabéns pra você”. Engraçado como essa lembrança me agrada. Adoro lembrar do cheiro do incenso misturado ao bolo de mel. É uma lembrança new age, sabe?

Depois desse, me lembro de praticamente todos, porque sempre tive uma certa obcessão pelo meu aniversário. Lembro de um que minha mãe contratou um grupo de teatro pra animar a festa. Lembro de outro que minha avó (já falecida) fez pirulitos de chocolate em forma de botão de rosas para animar o bolo.

Lembro de outro cuja festa foi um monte de gente que eu nem conhecia. E outro que passei com dois amigos. Lembro da minha festa surpresa aos 16 anos, que não acreditaram que eu era surda e ficaram me pentelhando a festa toda.

Eu comecei a namorar meu ex, no dia do meu aniversário. E também conheci o Edu pessoalmente, noutro aniversário.

Já comemorei ele com a melhor companhia do mundo e completamente sozinha… Faz parte de ter uma vida boa e plena.

Há 23 anos, eu passei meu primeiro aniversário em silêncio, depois de perder a audição em fevereiro. Eu lembro que estava triste, porque  não queria esse silêncio. Teve uma festa animada, mas dentro de mim, morava uma sensação de vazio quase sufocante.

No ano seguinte, ja tinha passado tempo suficiente pra eu me conformar e tudo bem. E cada vez mais, aquela sensação dava lugar a uma outra visão do  mundo.

23 anos depois, daquele aniversario, confesso que a sensação que sinto hoje é parecida – meu aniversário é amanhã, dia 10 – como se aquela sensação de sufoco estivesse vindo à tona de uma vez só, pelos 22 anos que ficou sendo ignorada num canto.

Eu sei que deveria estar feliz, afinal é o meu primeiro aniversário como cyber-ouvinte, mas em vez disso, só sinto pavor e nem sei por que. Sinto vontade de chorar por todos os aniversários em que estive presa dentro de uma bolha silenciosa, vontade de pegar uma marreta e quebrá-la em milhões de pedaços. Uma raiva retroativa do tempo que tive que me acostumar com o que não devia.

No mais, deixando a raiva de lado, o sabor de saber que ouvirei de novo, neste dia, não tem preço!

Eu amo o Implante Coclear!

Beijinhos sonoros,

Lak

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