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	<title>Desculpe, não ouvi! &#187; debates</title>
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	<description>por Lak Lobato</description>
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		<title>Desabafando: Plágio é crime digital!</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 23:19:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[autoria]]></category>
		<category><![CDATA[citação]]></category>
		<category><![CDATA[cópias sem autorização]]></category>
		<category><![CDATA[crimes digitais]]></category>
		<category><![CDATA[falta de respeito]]></category>
		<category><![CDATA[Plágio]]></category>

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		<description><![CDATA[Gente, geralmente uso o DNO mais pra contar coisas bonitas do que para reclamar. Eu sou assim, gosto de poesia, gosto de achar o lado bonito da vida. Gosto de compartilhar, dividir e me doar. Tudo o que vivo de bom, quero que os outros possam &#8211; se assim quiserem &#8211; experimentar também. Alias, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, geralmente uso o DNO mais pra contar coisas bonitas do que para reclamar.</p>
<p>Eu sou assim, gosto de poesia, gosto de achar o lado bonito da vida. Gosto de compartilhar, dividir e me doar. Tudo o que vivo de bom, quero que os outros possam &#8211; se assim quiserem &#8211; experimentar também.</p>
<p>Alias, não apenas experiências minhas, mas experiências que incentivem outras pessoas. Quantas vezes não trouxe entrevistas, relatos e textos pessoais de amigos próximos, de amigos de amigos, de gente que só conheço virtualmente, para ilustrar as páginas do DNO?</p>
<p>Meu blog, que alias nem é meu, é de todos nós, é uma salinha de descanso, feito para jogar conversa fora com direito a cafezinho. Tem textura de algodão doce. É o porto seguro de muita gente (essas palavras não são minhas, foram ditas por diversos leitores que são, sobretudo, parceiros de jornada).</p>
<p>Graças ao DNO, fui convidada para escrever em outros lugares, para contar minha história ao vivo, para fazer parte da fraternidade de implantados, que cresce a cada dia. Ele é uma parte importantíssima de quem eu sou.</p>
<p>Várias vezes, textos meus foram copiados para outros sites. Eu fico feliz, vou lá comentar, agradecer por espalharem minhas palavras muito mais longe do que o DNO alcança. A maioria das minhas opiniões, estou ciente, são juízo de valor, elas servem mais como conselhos do que como afirmações.</p>
<p>Mas hoje, pela segunda vez em pouco tempo, vi texto meu copiado na íntegra pra outros lugares, sem qualquer citação de autoria ou simples link para o texto original. Gente que se acha no direito de &#8216;porque achou bonito&#8217; se apropriar das palavras de outra pessoa.</p>
<p>Na primeira vez, foi hardcore, porque a pessoa disse que era dela, porque ela tinha registrado em cartório. Mas, acontece que era um texto copiado com a minha autoria pra vários lugares. Inclusive, um amigo tinha a versão original em word salva no computador dele, porque foi escrito especialmente a pedido dele. Eu não quis me aborrecer, mas conversei com uma advogada e, só com essas provas, eu teria facilidade de provar SIM que o texto era meu. A revelia de outra pessoa ter registrado como dela.  Inclusive porque a minha linguagem é muito pessoal e fácil de se reconhecer. Não levei o processo a diante, porque a pessoa sumiu do mapa.</p>
<p>Hoje, aconteceu de novo. Só que, dessa vez, o texto estava disponível online. Esse texto meu sobre o <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/12/14/espaco-escuta/">Espaço Escuta</a> (uma experiência subjetiva, pessoal e particular, escrita em primeira pessoa) foi copiado para outro site. Soube porque o wordpress &#8211; sistema para administrar o DNO &#8211; tem um recurso que, ao darem copy + past num texto em outro site com wordpress, ele me avisa para onde foi copiado.</p>
<p>Como disse, não me incomodo que textos meus sejam copiados, mas com a condição <span style="color: #ff6600;"><em>sine qua non</em> </span>(do Latim “sem a/o qual não pode deixar de ser”) de ser citada a autoria e haver link para o texto original. Não se trata apenas de uma questão de respeito, mas porque cópia sem citação de autoria é plágio e é um crime digital.</p>
<p>Reclamei lá e avisei no Facebook da situação. Vários amigos entraram reclamando sobre a copia sem citação de autoria.</p>
<p>Logo depois, o link foi tirado do ar e eu recebi um email mal-educado:</p>
<blockquote><p>Prezada Lak Lobato,<br />
Sou responsável pelo blog blablablá. A nossa intenção foi a<br />
melhor possível, pois a idéia é sempre divulgar boas notícias e fortalecer<br />
a causa, como no seu caso.<br />
Não retiramos o texto diretamente do seu blog, mas sim, de um blog que<br />
postava várias noticias interessantes e que reproduzimos.<br />
Infelizmente, você e seus amigos, interpretaram a nossa ação de forma<br />
errada, chamando inclusive de plágio, coisa que provavelmente você não<br />
sabe o que é, pois plágio, é quando copiamos um texto de alguém e<br />
assinamos como se fossemos nós os autores, e não foi o que aconteceu,<br />
simplesmente por desconhecimento não tinhamos o seu nome para assinar.<br />
Eu como de costume, arrumariamos o erro, pediriamos desculpas e<br />
colocariamos o seu crédito por merecimento, mas diante de tantos e-mails<br />
indelicados dos seus amigos, nos criticando, decidimos tirar o seu texto<br />
do nosso blog.<br />
Bastava nos mandar um e-mail nos comunicando a nossa falha e a autoria do<br />
texto, que teriamos o maior prazer em arrumar, mas não foi esta a posição.<br />
Pedimos desculpas pela falha, e comunicamos que nunca mais citaremos o seu<br />
blog ou seus textos.<br />
Atenciosamente</p></blockquote>
<p>Segundo a wikipédia: <span style="color: #ff0000;"><em>&#8220;O plágio é o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original.&#8221;</em></span></p>
<p>Fazendo de conta que eu não sei o que é plágio e que as intenções deles eram as melhores, há um pequeno detalhe: o <span style="color: #008000;"><strong>pingback gerado pelo control C + control V </strong></span>dado aqui no DNO. Ou seja, não se trata meramente de um caso de plágio do mais descarado, como tem gente que não sabe que copiar e colar deixa rastros e que a pessoa que fez isso tinha SIM acesso ao nome do autor do texto, além de ter SIM acesso ao link com o texto original, de onde foi copiado.</p>
<p>Se por acaso eles tivessem copiado meu texto de outro site, porque não citaram o autor do site de onde pegaram? Pelo menos assim eu iria reclamar com o suposto plagiador original.O mais interessante é que há centenas de textos naquele site sem qualquer citação de autoria. Inclusive textos copiados na íntegra de veículos como a Globo. Ou seja, o DNO não foi a primeira &#8216;vítima&#8217; nem a única.</p>
<p>Mas, o que em deixa mais abismada nessa história toda é a falta de caráter e ética das pessoas. Não basta elas errarem &#8211; errar é humano, quem não erra? &#8211; mas tentarem virar vítimas da situação que elas próprias causaram, ao se apropriar de algo que não lhes era devido. Escreverem coisas tipo &#8220;Era só você avisar que o texto era seu&#8221;. Ora bolas, copiam meu texto e EU tenho que avisar que é meu? Por que não, junto de copiar o texto já não copiam também o nome do autor e o link? E precisam resolver isso ameaçando me banir do site deles? Como se o DNO dependesse do site deles, quando na verdade o site deles depende de notícias plagiadas?  Não seria muito mais fácil pedir desculpas e assumir a mancada, simplesmente colocando autoria no texto copiado?</p>
<p>E, o que é pior? Fazem isso com um texto feito com a proposta de ajudar outras pessoas, o texto sobre o Espaço Escuta, que é um trabalho seríssimo e importantíssimo realizado para a melhoria da qualidade de vida de crianças implantadas.</p>
<p>Verdadeiramente fico horrorizada de ver que além de cometerem plágio, fazem isso em cima de um trabalho feito para ajudar outras pessoas.</p>
<p>Em que mundo vivemos, heim?</p>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
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		<title>Em respeito à liberdade de escolha.</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 22:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[lugar nenhum]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[implante coclear]]></category>
		<category><![CDATA[oralização]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[teste da orelhinha]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui, querendo debater&#8230; Pessoalmente, eu não tenho nada contra o povo surdo se vender como cultura, porque existe cultura skatista, cultura emo, cultura geek (não sei se no sentido antropológico do termo, mas no sentido popular do emprego ao termo CULTURA), mas enfim&#8230; E, alias, se também quiserem se comparar aos índios, negros, aborígenes ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui, querendo debater&#8230;</p>
<p>Pessoalmente, eu não tenho nada contra o povo surdo se vender como cultura, porque existe cultura skatista, cultura emo, cultura geek (não sei se no sentido antropológico do termo, mas no sentido popular do emprego ao termo CULTURA), mas enfim&#8230; E, alias, se também quiserem se comparar aos índios, negros, aborígenes ou qualquer outro povo do universo,  tranquilo.</p>
<p>Levando em conta que o Brasil tem 270 línguas (li alguém alegar isso, mas não confirmo, porque não estou nem um pouco afim de vagar em busca de evidências sobre o tema), embora só tenha UM idioma oficial, o português (inclusive é um dos pontos fortes do Brasil, visto sobre o ponto de vista empresarial) que faz as empresas multinacionais se animarem de vir pra cá, uma vez que apenas um idioma terá que ser ensinado aos funcionários e apenas um idioma é escrito na maioria dos produtos (salvo aqueles que seguem a regra do Mercosul e incluem o espanhol). Se os nativos das outras 269 linguas não tem direito a privilegiá-la ao português, pode até ser visto como algo meio desrespeitoso os surdos terem, mas ainda assim, tô nem ai. De repente, não batalharam pra ter a emancipação do seu idioma e, quem sabe futuramente, sigam o exemplo da Cultura Surda e o Brasil se torne como a Índia, com 2 idiomas oficiais administrativos, 23 idiomas  federais oficiais, 200 Línguas reconhecidas e mais de 2000 dialetos e o povo se comunique mesmo em hindi e num inglês macarrônico que serviu para dominarem o mercado de telemarketing dos EUA (sem ofensas, porque acho isso sensacional!).</p>
<p>O que pega é aceitarem essa apologia de ódio aos ouvintes e a quem compactua com a oralização. Sairem pregando que a oralização é uma tortura a que crianças são submetidas. Saírem ridicularizando a voz dos surdos oralizados. Saírem pregando contra o Implante Coclear e quererem barrar o teste da orelhinha (se alguém duvida, eu posto link de vídeos falando mal desse exame!). Saírem dizendo que todos os deficientes auditivos que não se submetem à supremacia da Cultura Surda são infelizes e não sabem. Ao ponto que são chamados de suicidas em potencial e precisam ser salvos de si mesmos. Precisam reconhecer que só existe uma verdade absoluta: só a cultura surda funciona como estilo de vida. Que só existe um caminho para a felicidade suprema. Que quem não quer aprender LIBRAS está sendo preconceituoso e blablablabla sem fim, exigindo-se aqui um respeito em via de mão única. Acho absurdo que seja permitido que, para se autoafirmar e se firmar como modo de vida aceitável, queriam exterminar quem pensa diferentes. Querer se vender como cultura, ok. Querer provar pra Deus e o mundo que são felizes assim, perfeitamente. Querem alterar a constituição pra LIBRAS virar idioma oficial junto com a língua portuguesa, tô nem aí, não opino. Mas, acho inaceitável que seja permitido que preguem o preconceito, a intolerância e o ódio com a calma que fazem. Atacarem blogs por falta de interpretação correta de texto. Mandarem email xingando mães que optam pela oralização e dizerem que é melhor pra criança surda ser morta do que oralizada! Isso sim, deveria ser passível de processo na justiça!</p>
<p>Pior ainda são ouvintes que compactuam com essa mentalidade e ficarem atormentando os surdos oralizados, ridicularizando a voz deles (li aqui alguém escrever que a voz dos oralizados não é, pasmem, HUMANA!), dizer que foram condicionados a pensar como pensam, simplesmente porque se acham no direito de saber sobre o outro mais que ele mesmo.<br />
Num mundo que não existe apenas uma religião, uma filosofia de vida, uma única regra de dieta alimentar, um único time de futebol, vão exigir que todo e qualquer deficiente auditivo se comporte do jeito que dita e determina a cultura surda?</p>
<p>Respeito é via de mão dupla. Defendam o lado de vocês, MAS PAREM DE ATACAR QUEM NÃO QUER VIVER ISSO! PAREM DE EXIGIR QUE ESSE SEJA O ÚNICO CAMINHO ACEITÁVEL! PAREM DE IMPOR QUE SURDOS ORALIZADOS TEM QUE ENXERGAR QUE SÃO INFELIZES!<br />
Uma coisa é você achar que está no caminho certo. Outra é achar que é o único caminho! Até segunda ordem, o Brasil é um país onde a liberdade de escolha é respeitada, portanto, não lhes cabe o direito de cercear essa liberdade.</p>
<p>EU E MEU BLOG DIZEMOS SIM A ORALIZAÇÃO! SIM AO PORTUGUÊS COMO PRIMEIRO IDIOMA! SIM AO USO DA PRÓTESE AUDITIVA, DO IMPLANTE COCLEAR, DO IMPLANTE BAHA e qualquer outra tecnologia que nos permita ouvir artificialmente! SIM AO TESTE DA ORELHINHA! E, SOBRE TUDO, SIM A LIBERDADE DE PODER ESCOLHER ESSA CORRENTE DE PENSAMENTO!</p>
<p>Não interessa se somos minoria, se somos apenas 20% da população surda (a base dessa porcentagem estatística? Comentários dos próprios defensores da comunidade surda), ainda temos o direito de existir. Deficientes auditivos representam apenas 3% da população brasileira e estão exigindo emancipação como cultura e do idioma, não é mesmo? Então, que aceitem a existência desses 20% oralizado tal qual querem que 97% da população ouvinte os aceitem.</p>
<p>Quem quiser pensar e agir diferente, tem o mesmo direito que eu. Mas, em momento algum, tem direito de me atacar por pensar como penso!</p>
<p>beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
<p>p.s. E aos ouvintes que compactuam com a cultura surda e se acham no direito de ridicularizar a voz do surdo oralizado, fiquem ciente que não importa que a nossa voz soe como o grasnado de uma avestruz ou um zunido de besouro, se um deficiente auditivo consegue se fazer entender perfeitamente com a voz oral, ele tem todo o direito de usá-la! E vocês não tem o direito de ridicularizá-los por isso, tentando usar da vergonha para justificar que deveriam abraçar tão e somente a língua de sinais! Vocês podem ter vozes bonitas e sonoras, mas as palavras amargas que proferem torna vocês os verdadeiros monstros!</p>
<p>E um vídeo que considero altamente inspirador quando se fala em acabar com o ódio:</p>
<p><object width="580" height="435"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yY5SL1B9t-U?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/yY5SL1B9t-U?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="580" height="435" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Rumo à ditadura?</title>
		<link>http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/09/12/rumo-a-ditadura/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 16:14:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[Cristovam Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Libras obrigatória]]></category>
		<category><![CDATA[respeito à oralização]]></category>

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		<description><![CDATA[Evito o máximo que posso falar sobre LIBRAS aqui no DNO simplesmente porque não faz parte da minha realidade e chega uma hora que cansa de ficar dando respostas diplomáticas &#8220;não tenho nada contra&#8221;, porque muita gente entende isso como psicologia reversa e acha que tenho algo contra sim. Sinceramente? Acho um porre deficiência auditiva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Evito o máximo que posso falar sobre LIBRAS aqui no DNO simplesmente porque não faz parte da minha realidade e chega uma hora que cansa de ficar dando respostas diplomáticas &#8220;não tenho nada contra&#8221;, porque muita gente entende isso como psicologia reversa e acha que tenho algo contra sim.</p>
<p>Sinceramente? Acho um porre deficiência auditiva ser confundida com LIBRAS e me ver obrigada a abordar esse tema toda hora. Como reclamei no <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/09/07/acessibilidade-para-surdos-oralizados-e-as-polemicas/">meu post de quarta passada</a>, quero liberdade pra falar de surdez sem ter que entrar no assunto &#8220;língua de sinais&#8221; porque existe um grupo que não a utiliza e que precisa ser divulgado também.</p>
<p>Mas, vez em quando, aparece umas situações que fica praticamente impossível não entrar nesse assunto. Semana passada, fiquei sabendo que existe um projeto de lei para exigir toda a educação básica de deficientes deficientes auditivos de qualquer nível ser obrigatoriamente ser feita em LIBRAS.  O autor desse projeto é senador Cristovam Buarque. Quem acha que é exagero meu, dá uma lida nessa matéria do Correio do Brasil: <a href="http://correiodobrasil.com.br/comunicacao-por-libras-podera-ser-obrigatoria-para-alunos-deficientes-auditivos-da-educacao-basica%C2%A0/281190/" target="_blank">Comunicação por Libras poderá ser obrigatória para alunos deficientes auditivos da educação básica.</a></p>
<p>Veja bem, uma coisa é a escola especial com educação bilíngue estar à disposição de quem acredita que esse é o melhor caminho para as crianças com deficiência auditiva. Outra, bem diferente, é exigir que esse seja a única opção de educação disponível.</p>
<p>É certo exigir que um deficiente auditivo de grau moderado, com boa compreensão da fala com apoio de aparelho seja forçado a estudar obrigatoriamente através da LIBRAS? Ou uma criança implantada antes dos 2 anos, com 90% de chance de ter audição similar a de ouvintes, que nem mesmo utiliza a leitura labial, ser forçada a isso? E uma criança que perdeu a audição depois da aquisição da fala e se vira perfeitamente por leitura labial? Ou simplesmente negar à familia o direito de escolher qual tipo de educação prefere para a criança, num país onde se respeita escolha de credo, religião, alimentação, time de futebol e várias outras coisas? Onde está o respeito por aqueles que optam não ter LIBRAS como Língua 1 ou simplesmente não querem aprender?</p>
<p>Que a LIBRAS deve ser oferecida como opção, não dou palpite. Mas oferecer é bem diferente de impor e negar qualquer alternativa. Direito e dever são coisas bem diferentes.</p>
<p>Eu concordo com a lei da LIBRAS, que deve ser uma forma de comunicação das comunidades surdas reconhecida pro lei. Concordo com acessibilidade através dela. Concordo que haja intérpretes de LIBRAS em tudo que é lugar e cursos de LIBRAS a disposição da população que se interesse de aprender. Mas discordo piamente que ela é uma obrigação de todo deficiente auditivo e que tem que ser a primeira e principal língua utilizada por todo e qualquer deficiente auditivo de qualquer grau. Isso é uma escolha de foro íntimo, de núcleo familiar. E não pode ser o governo ou a cultura surda a decidir. Os pais devem ter autonomia do que consideram melhor para seus filhos. Assim como a própria criança ensurdecida depois da aquisição da fala, deve ter o direito garantido de manter o português como primeiro (ou único idioma). Esse projeto de lei fere o direito de escolha individual!!</p>
<p>Da mesma forma que pedem respeito pela LIBRAS, é preciso que respeitem também a opção de quem prefere português como primeiro idioma. E/ou quem tem afinidade com aparelhos e implantes auditivos. E/ou quem perde a audição e quer manter o idioma que sempre falou. O respeito deve ser sempre em via de mão dupla, nunca exigido apenas de um dos lados!</p>
<p>E o pior, enquanto debatemos isso, vem nego dizer que não podemos ser exemplo de nada, porque nem todas as crianças surdas tem a mesma condição que nós. Acho um desaforo essa mania de alguns de nivelar tudo por baixo. Quer dizer que se os pais tem condição de pagar fono, dar aparelho ao filho, todo o suporte de apoio para que ele esteja numa escola inclusiva que corresponda às necessidades dele a ponto da lingua portuguesa ser tida como primeiro idioma da criança, ela não tem o direito de optar por isso, só porque tem crianças que não tem o mesmo acesso?</p>
<p>Será mesmo que essas pessoas que exigem essa conivência da nossa parte com uma lei que prega a DITADURA da LIBRAS, que nega o direito de escolha educacional à família, deixa de comer comida de boa qualidade ou comprar coisas de boa qualidade, só porque a maior parte dos brasileiros não tem acesso ao mesmo?</p>
<p>Fácil exigir que o outro seja humilde e comportado, assistindo de longe. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, não é mesmo?</p>
<p>Em tempo, eu respeito a lingua de sinais sim, embora prefira não debater o assunto. Mas, jamais vou respeitar DITADURAS! Não se nega ao cidadão o direito de escolha, principalmente em casos como esse!</p>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Acessibilidade para surdos oralizados e as polêmicas</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 04:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Bancos]]></category>
		<category><![CDATA[Panelaço]]></category>
		<category><![CDATA[surdos oralizados]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a saga da nossa luta pró acessibilidade em bancos, empresas e mais um montão de coisas. O que temos observado, ao longo dessa semana que nos mobilizamos para debater, além de acessibilidade, a divulgação do nosso grupo de  surdos oralizados, é que falar de deficiência auditiva sem focar na LIBRAS é quase cometer um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/twittaco.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-3537" title="twittaco" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/twittaco-580x258.jpg" alt="Imagem de uma passeata antiga, dos tempos da ditadura, com um grande numero de pessoas. E uma faixa aplicada com as palavras #acessibilidade #SurdosOralizados e imagem do logo do twitter (desenho de um passarinho azul) segurando uma placa escrito &quot;twittaço&quot;" width="580" height="258" /></a></p>
<p>Continuando a saga da nossa luta pró acessibilidade em bancos, empresas e mais um montão de coisas. O que temos observado, ao longo dessa semana que nos mobilizamos para debater, além de acessibilidade, a divulgação do nosso grupo de  surdos oralizados, é que falar de deficiência auditiva sem focar na LIBRAS é quase cometer um crime.</p>
<p>Veja bem, a nossa luta não invalida a luta de quem usa LIBRAS. Em momento  algum falamos contra ela. Só dizemos que ela não contempla as necessidades de todo e qualquer deficiente auditivo. E que surdos oralizados existem e que precisam de acessibilidade. Boa parte das coisas que pedimos  servem para todos os deficientes auditivos, a revelia se são oralizados, sinalizados, bilingues ou bimodais. Se são surdos adquiridos ou congênitos. Se são pré, peri ou pós linguais.</p>
<p>Mas, damos ênfase no grupo de <strong><span style="color: #ff0000;">surdos oralizados </span></strong>justamente porque nosso grupo tem pouca divulgação e muita gente nem sabe que existimos. Daí, quando se depara com um surdo oralizado, acha que é um caso raríssimo e por isso, nem deve ser considerado como um grupo que precisa de acessibilidade. Ou acha que não precisamos de nada, já que &#8220;estamos tão bem&#8221;. Divulgamos o grupo junto com a solicitação de acessibilidade, estamos aproveitando o gancho apenas para debater dois assuntos relevantes&#8230;</p>
<p>Só que, durante essa divulgação, aparece um monte de gente reclamando como se falar de surdos oralizados fosse crime. Como ousar falar sobre deficiencia auditiva sem focar na LIBRAS fosse uma ofensa. Veja bem, não estamos falando contra ela, ninguém disse que é desnecessária ou dispensável. Apenas estamos dizemos que nem todo deficiente auditivo se comunica através da LIBRAS somente.</p>
<p>Mais de uma vez, me vi discutindo com alguém que dizia que surdos oralizados não existem. Ou que é um absurdo essa divisão entre os grupos de deficientes auditivos. Ou até falando mal da oralização. Sendo que nossa luta em momento algum fala mal da LIBRAS. Nós reconhecemos a importância da língua de sinais, achamos ótimo que a Lei da LIBRAS esteja em vigor. Sabemos que é fundamental que haja acessibilidade através dela e que é preciso ter interprete em todos os lugares públicos. Mas, ainda assim, os surdos oralizados existem e precisam de acessibilidade também.</p>
<p>O problema maior, talvez, seja o fato das pessoas esquecerem que deficiência pode ser adquirida. E em qualquer momento da vida. Que uma pessoa pode perder a audição de uma hora pra outra. E que talvez não queira aprender outro idioma &#8211; sim, porque a LIBRAS é um idioma inteiro, não apenas uma outra forma de comunicação &#8211; porque já tem uma língua base.</p>
<p>Teve alguém que me acusou de discriminar os outros surdos e disse que era crime. Respondi que falar de um grupo não invalida o outro. Não negamos que existem surdos que preferem ou só usam LIBRAS, só estamos dando foco no nosso grupo simplesmente porque ninguém o conhece.</p>
<p>Outro foi dizendo: &#8220;Surdo oralizado são minoria, então vocês não podem se pautar em vocês&#8221;. Simplesmente respondi: &#8220;Só porque somos minoria não temos o direito de existir? Nem de reinvindicar o que precisamos?&#8221;.</p>
<p>Será mesmo que é tão ofensivo assim falar de surdez sem falar também de LIBRAS? Será que pedir para as necessidades de surdos que falam somente português é tão prejudicial à luta do outro grupo assim? Por que é tão importante invalidar a nossa existência? Por que é tão importante tentar homogenizar os deficientes auditivos e impor à LIBRAS aos oralizados? Essa imposição soa menos injusta que forçar um surdo sinalizado a falar oralmente ou impor o português a eles, por quê?</p>
<p>Não seria mais fácil admitir que existe dois grupos com necessidades distintas, promover acessibilidade a ambos e coexistir em harmonia, sem que as necessidades de um grupo se sobreponha às necessidades do outro grupo?</p>
<p>Tenho certeza que o mundo é grande o bastante para ter espaço suficiente para ambos!</p>
<p>Beijinhos</p>
<p>Lak</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Campanha: Videoaulas Legendadas para Concurseiros Surdos Oralizados</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 13:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[concursos]]></category>
		<category><![CDATA[legendas]]></category>
		<category><![CDATA[videoaulas]]></category>

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		<description><![CDATA[A idéia é de uma amiga, Marcela, que também é surda oralizada. Quem não tem  deficiência não sabe, mas deficiente vive ouvindo que deveria prestar concurso pelo fato de termos direito a cota. Basta a gente reclamar do emprego ou estar desempregado que falam isso &#8220;presta concurso&#8221;. Aqui entre nós, nada contra concursos, mas acho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A idéia é de uma amiga, Marcela, que também é surda oralizada.</p>
<p>Quem não tem  deficiência não sabe, mas deficiente vive ouvindo que deveria prestar concurso pelo fato de termos direito a cota. Basta a gente reclamar do emprego ou estar desempregado que falam isso &#8220;presta concurso&#8221;.</p>
<p>Aqui entre nós, nada contra concursos, mas acho meio chato ser a única opção além de trabalhar em ONGs, mas estamos ai. Tem gente que prefere mesmo ser funcionário público e, se é mais fácil pra gente entrar (por ter menos concorrência) por que não?</p>
<p>Esses dias, estava conversando com Marcela a respeito, porque ela tem vontade de prestar concurso. O problema é que concursos, em geral, pedem muita matéria e fazer cursinho preparatório é a melhor saída.</p>
<p>Porém, aí mora um impasse: &#8220;Como acompanhar as aulas sendo surdo oralizado?&#8221;. Como eu nunca fiz cursinho, nem me arrisco a opinar a respeito, então aqui vai relato da Marcela a respeito da experiência dela:</p>
<blockquote><p>&#8220;Eu me matriculei em um cursinho preparatório para concursos muito famoso aqui em São Paulo capital. Desde o começo, quando fui efetuar a matrícula, expliquei que era surda e que precisava fazer leitura labial, portanto, precisava que os professores estivessem de frente para mim quando dessem as aulas. Eles prontamente me falaram: “Claro, pode deixar, avisaremos os professores, eles vão falar olhando pra vc, o coordenador vai explicar o seu caso para cada um deles, não se preocupe etc etc.”</p>
<p>Isso foi na teoria, né? Antes de começar as aulas, eu pessoalmente ia falar com cada professor e explicava que eu era surda, que precisava de leitura labial, se ele poderia fazer a gentileza de falar olhando pra mim, enfim, explicava tudo. Agora, quantos daqueles professores já sabiam, de antemão, que eu era surda? Nenhum deles aparentou já estar sabendo de algo previamente. Ou seja, se eu não avisasse, ficaria por isso mesmo e fim. E a promessa da coordenação de avisar a todos os professores antecipadamente? Nada, né? Enfim&#8230; Mas voltando aos professores, todos eles, quando avisados da minha dificuldade, me respondiam: “Claro, pode deixar, vou prestar atenção a isso, fique tranquila&#8230;”</p>
<p>Só que, na prática, mesmo sabendo que eu era surda, na correria da aula, muitos deles falavam mais rápido do que eu poderia ou conseguiria acompanhar. Outros, pelo seu estilo de dar aulas, ficavam dando voltas pela sala&#8230; eu tinha que ficar girando meu pescoço pra lá e pra cá. Nessas horas seria bom ter um pescoço que girasse 360 graus! E quando o professor ia para os fundos da sala? O jeito era me resignar, a não ser que eu pegasse o professor pelo braço e falasse: “Por favor, fique aqui na minha frente, eu sou surda e preciso ler seus lábios.” Confesso que cheguei a fazer isso uma vez, e o professor ficou olhando para mim com uma cara de: “O quê?”. Morri de vergonha e nunca mais fiz isso.</p>
<p>Acho que muitos, por falta de informação, não compreendem que um surdo pode ser capaz de falar e se comunicar normalmente&#8230;</p>
<p>É muito difícil ser surdo oralizado. Há um preconceito velado, porque, ao mesmo tempo em que você, sendo surdo oralizado, tem mais autonomia que um surdo sinalizado, o pensamento geral dos ouvintes é o seguinte: “Você fala e se comunica, né? Você entende as pessoas por leitura labial, você é independente, se vira, então, por que você precisa de acessibilidade, se vocêentende tudo por meio da leitura labial?&#8221;</p>
<p>Acontece que as coisas não são bem assim&#8230; a leitura labial é falha, principalmente se um professor fala muito rápido ou tem o hábito de andar pela classe. Dificulta enormemente ter que se concentrar em ler os lábios de pessoa que não para de andar pela sala! E quando uma explicação crucial está sendo dada e o professor, bem na hora H, se vira em direção à lousa e fala virado par a lousa? Eu tenho vontade de gritar nessas horas!</p>
<p>Só que gritar só adianta se nós, surdos oralizados, pudermos ser ouvidos&#8230; por isso, fica aqui o meu apelo. A melhor forma de acessibilidade que consigo vislumbrar agora são as vídeo-aulas legendadas, já que, dessa forma, a liberdade do professor de dar aulas não seria tolhida e, ao mesmo tempo, o acesso à informação pelo surdo ficaria muito mais fácil&#8230;&#8221;</p></blockquote>
<p>Aí começa aquela história: legenda é caro e difícil e blablablá. Não é bem assim. O problema é falta de interesse. É acharem que não existe demanda. Legendar não tem nada de caro.  Ainda mais se os videos estiverem disponíveis na internet.  Qualquer um pode baixar um programa de legendagem pela internet. Basta apenas um pouco de paciência pra copiar tudo que é dito e inserir no vídeo. No Youtube mesmo, é automático a inserção de legenda em vídeo (uma vez tendo o arquivo do texto transcrito). Só que precisa ser ouvinte pra fazer isso, senão eu mesma faria. Precisa ouvir toda a aula e copiar todo o texto pro arquivo de legenda. Não é apenas barato, como dá pra baixar esse programa de graça. É trabalhoso, porque exige tempo. Mas quantas coisas exigem tempo e assim mesmo são feitas porque pessoas precisam delas?</p>
<p>Então, pessoas, vamos lançar uma campanha para que haja videoaulas legendadas para concurseiros surdos oralizados? Tenho certeza que existe demanda SIM, afinal muitos de nós tem interesse de prestar concurso, não é mesmo?</p>
<p>Beijinhos,</p>
<p>Lak</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Discriminação contra surdos oralizados existe?</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 13:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas da Surdez]]></category>
		<category><![CDATA[Legenda]]></category>
		<category><![CDATA[Paula Pfeifer]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[surdos oralizados]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse texto é da Paula Pfeifer e o debate foi originalmente publicado no blog Crônicas da Surdez. Mas, achei extremamente relevante para nós prolongar o debate: Passeando pelo YouTube, assisti a alguns vídeos sobre acessibilidade para surdos. Fiquei chocada e, confesso, irritada com alguns pontos. Instituições respeitadas falando bobagem e disseminando informações erradas. Quando foi que ficou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse texto é da <a href="http://cronicasdasurdez.com">Paula Pfeifer</a> e o debate foi originalmente publicado no blog <a href="http://cronicasdasurdez.com/discriminados-somos-nos">Crônicas da Surdez</a>.</p>
<p>Mas, achei extremamente relevante para nós prolongar o debate:</p>
<blockquote><p>Passeando pelo<strong> YouTube</strong>, assisti a alguns vídeos sobre <strong>acessibilidade para surdos</strong>. Fiquei chocada e, confesso, irritada com alguns pontos. Instituições respeitadas falando bobagem e <strong>disseminando informações erradas</strong>. Quando foi que ficou decidido que os únicos <strong>surdos</strong> que precisam de ajuda/acessibilidade são os<strong> surdos sinalizados</strong>? Essa, eu perdi.</p>
<p><a href="http://cronicasdasurdez.com/wp-content/uploads/2011/08/ACESSIBILIDADE.jpg"><img title="ACESSIBILIDADE" src="http://cronicasdasurdez.com/wp-content/uploads/2011/08/ACESSIBILIDADE.jpg" alt="" width="538" height="356" /></a></p>
<p><span id="more-3413"></span></p>
<p>Que <strong>fique claro</strong>: eu não tenho absolutamente nada contra a Libras e contra os surdos sinalizados.<strong>Muito pelo contrário</strong>. O problema, na minha opinião, é que a <strong>mídia</strong> fez uma algazarra desnecessária em cima de uma <strong>manchete errada</strong> que foi se multiplicando exponencialmente. <em>‘E que manchete é essa’</em>, vocês devem estar se perguntando. <strong>Que todo surdo usa Libras</strong>. Que todo surdo precisa de um <strong>intérprete de Libras</strong>. Que todo surdo só será feliz se fizer parte da ‘cultura surda’, tiver uma ‘identidade surda’ e utilizar a ‘língua dos surdos’. Que basta colocar um intérprete de Libras nos vídeos/programas de TV e qualquer surdo entenderá tudo o que está sendo dito. Que a ‘comunidade surda’ é única e exclusivamente composta por cidadãos que usam Libras. Que todo surdo deve estudar em escola especial.</p>
<p>E assim se forma e se baliza esse <strong>imaginário social</strong> a respeito da <strong>surdez</strong> e dos <strong>surdos</strong> que condiz com a realidade <strong>apenas</strong> de<strong> um grupo</strong> de pessoas que convive com a <strong>deficiência auditiva</strong>.</p>
<p>Alguém avisa, pelo amor de Deus, que existem <strong>DIFERENTES TIPOS DE SURDEZ</strong>?? Que nem todo surdo/deficiente auditivo sabe/usa/conhece Libras?? Que <strong>acessibilidade para surdos oralizados</strong>não tem absolutamente nada a ver com língua de sinais? Que milhares de pessoas têm e terão<strong>surdez pós-lingual</strong> e que estas pessoas <strong>não utilizam a Libras</strong> para se comunicar mesmo que não escutem?</p>
<p>Eu, <strong>portadora de deficiência auditiva neurosensorial bilateral severa e irreversível</strong>, usuária de AASI e oralizada, me sinto<strong> discriminada</strong> sempre que fico sabendo de <strong>políticas de acessibilidade</strong>para surdos que atendem somente às necessidades dos <strong>surdos sinalizados</strong>. A Libras não é a minha língua, mas continuo sendo <strong>surda</strong>. Porque não mereço políticas adequadas às minhas necessidades? Só porque uso <strong>aparelhos auditivos</strong> e me comunico<strong> oralmente</strong> sou ‘<em>menos</em>‘ surda? Porque somente os <strong>surdos sinalizados</strong> são lembrados quando se fala a respeito de<strong>acessibilidade?</strong></p>
<p>Lembro de uma vez que me convidaram para ir ao<strong> teatro</strong> e eu disse que não gostava porque nem sempre entendia o que era dito pelos atores, principalmente se sentasse longe do palco. Aí a pessoa me disse “<em>mas podemos disponibilizar intérprete de Libras</em>“. “<em>Mas não uso Libras, será que não poderia ter algo tipo um closed caption da peça</em>?”. E a resposta: “Ah, aí <strong>você já tá querendo demais</strong>!!!”. Intérprete de Libras, sem problemas. <em>Closed caption</em> é querer demais. Ok, fazer o que?</p>
<p>Às vezes me pergunto se isso não ocorre porque, além da <strong>surdez</strong> ser uma <strong>deficiência invisível</strong>, ela é ainda<strong> MAIS</strong> invisível em <strong>surdos oralizados</strong>. Sinto como se as pessoas sentissem necessidade de enxergar algo de errado em você para sentir compaixão ou acharem que você merece algum tipo de ajuda. Só que, cá entre nós,<strong> acessibilidade</strong> não é <strong>FAVOR</strong>. É um<strong> direito</strong>.</p>
<p>Tive a oportunidade de ler um ótimo artigo na <strong>Rede Saci</strong> (<a href="http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=32113" target="_blank">cliquem aqui para ler também</a>) e fiquei aliviada de saber que não sou a única que pensa assim. Como foi muito bem dito neste artigo, é uma ‘<strong><em>exclusão</em></strong> <em>que ocorre dentro do próprio grupo de <strong>excluídos</strong>‘</em>.</p>
<p>Em outro artigo, no blog<a href="http://acessibilidadeparasurdos.blogspot.com/2011/07/grupo-de-surdos-criticam-tecnologias-de.html" target="_blank"> Acessibilidade para Surdos</a>, li o seguinte: “<em>O Executivo da Empresa Viable, Alexandre Grade, citou que <strong>93% dos surdos brasileiros conhecem pouco a Língua Portuguesa</strong> e por isso é necessário o uso do vídeo chamada para comunicar em LIBRAS pois nos Estados Unidos e Europa que todos comunicam em Língua de Sinais através de vídeo chamada e distribuídos gratuitos para pessoas surdas”.</em></p>
<p>O único comentário que me permito fazer a respeito desta colocação é o seguinte: <strong>OOOOOI???? Qual é a fonte </strong>da informação de que 93% dos <strong>surdos brasileiros</strong> conhecem pouco o português? Imagino que a pessoa que disse isso faça parte do grupo que considera surdo apenas o indivíduo que se comunica exclusivamente através de Libras. E me pergunto qual deve ser a sensação de conhecer pouco a língua do país onde se mora – mas, mais que isso, creio que para ser um<strong>cidadão independente</strong> e obter uma boa colocação no <strong>mercado de trabalho</strong>, um bom conhecimento do português é o mínimo indispensável.</p>
<p>Enfim…</p>
<p><strong>Surdos oralizados</strong> e <strong>surdos sinalizados</strong> possuem <strong>diferentes necessidades</strong> quando se fala em<strong>acessibilidade</strong>. Nenhum dos dois grupos é <strong>melhor ou pior</strong> que o outro e muito menos <strong>mais ou menos surdo</strong> que o outro. Estamos falando de <strong>seres humanos</strong>, de <strong>deficiências</strong>. Desinformação ou disseminação de informações erradas são <strong>inadmissíveis</strong> quando se trata dos direitos das pessoas com deficiência. Não quero discutir o que é certo/errado, bom/ruim para cada um – cada<strong>surdo</strong> tem o direito e o dever de cuidar da própria vida e fazer suas <strong>escolhas linguísticas</strong>. O ponto da discussão aqui é que <strong>surdos oralizados</strong> têm tanto <strong>direito à acessibilidade</strong> quanto os sinalizados. Isso é indiscutível. E é também patético que se tente<strong> menosprezar</strong> as opções de vida de quem possui a mesma deficiência que você.</p>
<p>Outro ponto que considero uma tremenda <strong>discriminação</strong> diz respeito à lei que<strong> isenta</strong> de IPI e ICMS as <strong>pessoas com deficiência</strong> que compram<strong> carros</strong>. Até mesmo os deficientes que não conduzem veículo automotor estão contemplados pela isenção mas os<strong> deficientes auditivos</strong> não!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O que vocês pensam a respeito disso tudo?</strong></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>A minha resposta lá no Crônicas foi essa:</p>
<blockquote><p><span style="color: #800000;">Esse post é maravilhoso e vou comentá-lo por partes.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">1. Falei na </span><a href="http://www.acessibilidadetotal.com.br/legenda-ou-janela-de-interpretes/"><span style="color: #800000;">minha coluna do Acessibilidade Total hoje</span></a><span style="color: #800000;"> sobre isso. Que surdos oralizados precisam de legenda. E que não é impondo que mudem a lingua com a qual se comunicam que se promove acessibilidade. Aprender Libras é um direito, não uma obrigação. E sendo um direito, tenho o direito de não querê-la e preferir português escrito e a leitura labial.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">2. Acessibilidade é dar acesso a cada um da maneira como ele precisa. Não tentar moldá-lo a um padrão. Se for assim, promover acessibilidade é completamente desnecessário, pois já existe um padrão pras pessoas que não tem deficiência e as minorias que se virem.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">3. Ontem, vi alguém dizer que ‘informação errada é melhor do que informação nenhuma’. Uma ova! Informação errada é tão ou pior que a ignorância, porque da total falta de informação, não se forma conceito nenhum. O preconceito, por sua vez, vem de informações equivocadas.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">4. Divulgar as necessidades dos usuários da Libras, a Cultura Surda e a própria Libras é importante! Mas isso não se faz tentando omitir que muita gente não vive através dela. Especialmente porque boa parte dos oralizados são surdos adquiridos. E qualquer ouvinte pode se tornar surdo oralizado, mesmo que ele aprenda Libras fluentemente. Por isso, é absolutamente necessário que se divulgue a existência dos oralizados e suas necessidades SIM! Se uma pessoa perde a audição amanhã, possivelmente irá querer continuar tendo acesso a língua que sempre usou, independente de usar ou não a Líbras.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">5. Esses “93%” da noticia que você leu foi uma deturpação de uma amostra do Censo de 2000. Dizia que 93% dos 700 mil surdos até 24 anos estavam fora da escola. Só que não dizia até que idade estudaram, qual o tipo de educação que tiveram, nem que tipo de surdez tinham (se era congênita ou adquirida, pré, peri ou pós lingual). Também não dizia respeito aos maiores de 24 anos. E o mesmo Censo de 2000 dizia respeito a 6 milhões de deficientes auditivos. Quantos faltam nessa amostra de 700 mil pra completar os 6 milhões e poder alegar que realmente 93% da população surda só fala Libras? </span></p>
<p><span style="color: #800000;">Está certo que em vez de puxar a sardinha pro nosso lado, temos que divulgar a diversidade. Mas, é preciso enfatizar que nossas necessidades são distintas e que adaptar tudo apenas através na Líbras não serve.</span></p></blockquote>
<p>Tenho plena consciência de que não é agredindo a LÍBRAS e os usuários dela que se consegue alguma coisa. Mas, não acho que devemos ficar em silêncio fingindo que não precisamos de nada. Precisamos de adaptações pra nós também. Infelizmente, ao contrário do as pessoas acreditam, deficientes auditivos não são um grupo homogêneo e não é uma única solução que resolverá nossas necessidades.</p>
<p>E, cá entre nós, eu poderia até aprender a língua de sinais, mas a minha língua sempre será o português! E sempre irei preferir o acesso a ele, inclusive por escrito, do que qualquer outro idioma ou forma de comunicação. Por que? Porque o português é meu idioma  materno e  a língua falada, minha forma de comunicação natural. Essa é a realidade dos surdos oralizados!</p>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Troca a pilha, minha filha!</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 03:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[Inclusão Social]]></category>
		<category><![CDATA[lugar nenhum]]></category>
		<category><![CDATA[bateria recarregável]]></category>
		<category><![CDATA[descartáveis]]></category>
		<category><![CDATA[pilhas]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim, falando de Implante Coclear, muito leigo me pergunta como é que se troca a pilha de um aparelho interno. Talvez porque  não saibam que o Implante Coclear só troca a pilha da parte externa. Dentre os modelos atuais (porque os mais antigos não tinham tal facilidade) somente o aparelho da marca francesa Neurelec não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 169px"><a href="http://www.cochlearamericas.com/Images/bte_batteries.jpg" target="_blank"><img src="http://www.cochlearamericas.com/Images/bte_batteries.jpg" alt="Imagem do aparelho, bateria e compartimento de pilhas." width="159" height="135" /></a><p class="wp-caption-text">Aparelho Nucleus Freedom, da Cochlear, com a bateria recarregável e compartimento para pilhas descartáveis</p></div>
<p>Assim, falando de Implante Coclear, muito leigo me pergunta como é que se troca a pilha de um aparelho interno. Talvez porque  não saibam que o Implante Coclear só troca a pilha da parte externa.</p>
<p>Dentre os modelos atuais (porque os mais antigos não tinham tal facilidade) somente o aparelho da marca francesa Neurelec não tem opção de bateria recarregável ou pilhas descartáveis. O aparelho Freedom da Cochlear vem com 2 baterias recarregáveis, além do compartimento de pilhas descartáveis. Já o da MedEl, vem com 3 baterias recarregáveis. E o americano Harmoy, da Advanced Bionic vem com 4 dessas recarregáveis, excluindo quase totalmente a necessidade de usar as descartáveis!!</p>
<p>Aí, todo mundo que coloca o IC, começa a ter dúvidas quanto a melhor bateria/pilha para usar.</p>
<p>Antes de tudo, saibam que a proposta desse texto é levantar debate, não aconselhar, afinal é uma opinião subjetiva  apenas.</p>
<p>A princípio, essa é uma decisão de cunho pessoal. Há quem prefira as descartáveis, especialmente porque costumam durar o dobro (ou bem mais) que as recarregáveis.</p>
<p>Mas, a vida útil da carga, seja qualquer um dos modelos, depende da programação e do ambiente. Normalmente, quanto mais alta for a velocidade de pulsos elétricos por segundo (exemplo, eu uso o IC a 12000 ppm, o que teoricamente é baixo para o meu modelo, mas tenho complicações se usar numa velocidade mais alta) menos tempo as pilhas irão durar. O mesmo vale para a quantidade de ruídos processados. Quanto mais barulhento for o ambiente, menos tempo a bateria/pilha durará. Ouvir música durante horas também detona as baterias rapidinho. Outra coisa que diminui a duração das pilhas/baterias é o uso do Sistema FM!</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 110px"><a href="http://www.hearingreview.com/content/HPR/2006/09/img/HPR_f16.jpg" target="_blank"><img src="http://www.hearingreview.com/content/HPR/2006/09/img/HPR_f16.jpg" alt="imagem do pacote de 6 pilhas redondas para implante coclear" width="100" height="165" /></a><p class="wp-caption-text">Blister com 6 pilhas descartáveis, modelo especial para Implante Coclear</p></div>
<p>As pilhas descartáveis duram, em média, entre 24 e 30hs, conforme a programação máxima possível. Lembrando que a gente tira para dormir, isso equivale a  mais ou menos 2 ou 3 dias.  Já as baterias recarregaveis duram entre 7 e 14hs (menos de 1 a 2 dias).</p>
<p>Ambas as formas de alimentação de bateria costumam ter resultados similares, embora os usuários tenham preferências pessoais. Eu não vejo muita diferença entre elas, salvo na hora de trocar, já que a bateria recarregável é uma só e muito mais prática do que tirar 3 pilhas do compartimento e colocar 3 novas pilhas no compartimento. Mas, na maior parte do tempo, uso as descartáveis, só porque sempre esqueço de recarregar a bateria!</p>
<p>A única coisa realmente ruim do IC é que tanto as pilhas, que são especiais para implante coclear, quanto as baterias são caríssimas e não são fornecidas pelo SUS. Quando alguém me fala que fará o IC, essa é a primeira coisa que eu aviso: esteja preparado para gastar com pilha e bateria!</p>
<p>A vida útil de cada bateria recarregável é de 2 anos e recarrega em 3 a 4h.</p>
<p>Nem tudo são flores na vida dos cyborgs!!</p>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Levando um papo na Câmara Municipal</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 17:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Aro de Indução Magnética]]></category>
		<category><![CDATA[Hearing Loop]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema FM]]></category>
		<category><![CDATA[Surdez]]></category>
		<category><![CDATA[surdos oralizados]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de chegar de uma reunião em que participei, na Câmara Municipal/SP. Fui a convite da Clarice Kammer, Conselheira e Coordenadora da Pasta de Educação &#8211; CMPD/SP (Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência) e Diretora do INIS &#8211; Instituto Nacional de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida. A princípio, eu havia ido apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de chegar de uma reunião em que participei, na Câmara Municipal/SP. Fui a convite da Clarice Kammer, Conselheira e Coordenadora da Pasta de Educação &#8211; <strong>CMPD/SP </strong>(Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência) e Diretora do <strong>INIS</strong> &#8211; Instituto Nacional de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida.</p>
<p>A princípio, eu havia ido apenas como observadora, uma vez que não havia preparado nada para apresentar nessa reunião sobre Acessibilidade &#8211; e também em termos gerais, já que eu não sou exatamente ativista da área de acessibilidade, sou apenas uma implantada que escreve um blog sobre surdos oralizados e Implante Coclear.</p>
<p>Mas, durante a reunião, começaram a falar sobre o <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/05/10/sistema-fm-para-implante-coclear-e-aparelhos-auditivos/">Sistema FM</a>, uma vez que é caro e difícil de conseguir pelo Ministério Público, embora seja importante para quem usa AASI e IC e acabaram me entregando o microfone, para que eu pudesse explicar.</p>
<p>Veja bem,  sou uma boa escritora (não, não vou bancar a modesta agora, me perdoem) mas falar em publico nunca foi o meu forte, nem  mesmo quando eu ouvia. Primeiro, porque eu falo rápido, segundo porque eu tenho dificuldade de transmitir o que penso pela fala, embaralho tudo e fica uma coisa louca de se acompanhar.</p>
<p>Só que, dessa vez não tive como escapar. Peguei o microfone, respirei fundo, perguntei se o volume da voz estava bom, pedi desculpas por eventuais tropeços de linguagem, que era a primeira vez que me via falando em publico.</p>
<p>Comecei explicando o que era um surdo oralizado e sobre a existência de deficientes auditivos de graus moderado e severo que usam aparelho e conseguem ouvir relativamente bem, mas que sofrem pra discriminar ruidos ambientes da voz principal e, por isso, o Sistema FM é de grande ajuda. Falei sobre o Hearing Loop (aro magnético, um sistema de transmissão de som ambiente direto para a bobina do aparelho, similar ao sistema FM, mas mais adequado à salas de conferência, etc. Preciso fazer um post sobre isso aqui ainda!!). Falei sobre a necessidade de maior divulgação de interpretes oralistas (também preciso fazer um post sobre eles  aqui, já consegui uma vitima, digo, profissional que faz esse trabalho para ajudar o DNO). Falei sobre o custo de usar um aparelho ou um Implante Coclear, que as pilhas consomem dinheiro e isso atrapalha na aquisição do Sistema FM. Que pais de crianças que podem ser beneficiadas pelo FM demoram até anos para conseguir pelo Ministério Público, nos anos críticos de alfabetização da criança.</p>
<p>A reação foi absolutamente inesperada, confesso. Principalmente porque, com meu sotaque de surda oralizada, com meu nervosismo e até meu raciocínio embaralhado (lembrem-se que falei isso de improviso, não tinha qualquer roteiro pronto ou estudo prévio) entenderam perfeitamente minhas colocações, fizeram várias perguntas e se mostraram indignados com essa informação só estar chegando aos ouvidos deles agora.</p>
<p>Quiseram saber quanto custava as pilhas e ficaram chocados de saber o quanto a gente gasta com isso. No fim, foi citado especialmente para as minhas colocações, um trecho da constituição sobre assistência para qualidade de vida (não lembro o que, me perdoem, eu estava  emocionada de conseguir ter realizado o feito). E demonstraram estar interessados em prover essas solicitações levantadas às necessidades dos deficientes auditivos que ouvem por próteses e/ou implantes e/ou são oralizados.</p>
<p>Conversei rapidamente com o Presidente da Sessão (é esse o termo? desculpe se tiver falado bobagem), que queria saber sobre meu caso. Contei e disse: &#8220;Eu só quero que se o senhor ou qualquer pessoa aqui presente, se tiver o infortúnio de perder a audição esta noite &#8211; afinal, eu perdi a audição dormindo &#8211; tenha acesso ao que precisar para continuar ouvindo mesmo que artificalmente e ao idioma que o senhor tem como materno, no caso, a Língua Portuguesa.&#8221;. Ele concordou plenamente. Afinal, perder a audição com a idade é algo bastante conhecido, não é mesmo?</p>
<p>Soube também que um dos vereadores já pediu para o assessor dele entrar em contato com a Phonak para colocar um sistema de audio adequado para quem usa AASI ou IC na Câmara Municipal. Vamos torcer pra rolar isso mesmo!!</p>
<p>Por fim, eu deixei claro que não tenho qualquer interesse em prejudicar a luta pela Líbras, que respeito os surdos que fazem uso dela e que as necessidades deles devem ser ouvidas e  respeitadas.</p>
<p>E as nossas também. Afinal, como sempre digo, há espaço suficiente para todos. Um brinde à diversidade!</p>
<p>Beijinhos Sonoros,</p>
<p>Lak</p>
<div id="attachment_2670" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><img class="size-large wp-image-2670" title="camara1" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/camara1-580x435.jpg" alt="" width="580" height="435" /><p class="wp-caption-text">Eu, Clarice Kammer e Carlos Perl (CMPD e INIS) E Adelino Azores (Rede Atitude)</p></div>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-2671" title="camara2" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/camara2-580x435.jpg" alt="" width="580" height="435" />Aos amigos deficientes visuais, ambas as fotos mostram nós quatro (Eu, Clarice Kammer e Carlos Perl, ambos do CMPD e doINIS e Adelino Azores  da Rede Atitude, na Câmara dos Vereadores, durante uma audiência. Adelino com microfone em mãos, fazendo seu relato sobre acessibilidade.</p>
<p>P.s. E uma foto capturada do site da Câmara, fazendo careta enquanto falava:</p>
<div id="attachment_2673" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><img class="size-large wp-image-2673" title="cpi_acessibilidade_21" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/cpi_acessibilidade_21-580x346.jpg" alt="" width="580" height="346" /><p class="wp-caption-text">Foto: Fábio Jr Lazzari/CMSP</p></div>
<p>Priceless!!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A falta de legenda em programa de televisão e A Associação de Surdos Oralizados da França</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 14:37:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[associação]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão social]]></category>
		<category><![CDATA[Legenda]]></category>
		<category><![CDATA[SULP]]></category>
		<category><![CDATA[surdos oralizados]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, me aborreci a beça no twitter (e por consequência, aborreci os outros) pela falta de consideração dos programas de televisão que não colocam legenda oculta (Closed Caption). Tudo bem que é utópico achar que todos os programas vão se dar ao trabalho, mas tratava-se de um suposto programa de denuncias, chamado A LIGA e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, me aborreci a beça no twitter (e por consequência, aborreci os outros) pela falta de consideração dos programas de televisão que não colocam legenda oculta (Closed Caption). Tudo bem que é utópico achar que todos os programas vão se dar ao trabalho, mas tratava-se de um suposto programa de denuncias, chamado A LIGA e cuja proposta era mostrar como a sociedade não está adaptada para as pessoas com deficiência. Dizem que o programa foi bacana, mas cometeu um erro crasso: não tinha qualquer acessibilidade para os deficientes auditivos e surdos oralizados.<br />
O maior problema, aqui no Brasil, é a briga constante entre os surdos usuários da língua portuguesa (que abrange: oralizados, bilingues, deficientes auditivos de graus mais leves e qualquer pessoa com deficit auditivo que seja fluente na língua portuguesa escrita) e os surdos usuários da Líbras, que muitas vezes não tem qualquer fluência na língua portuguesa.</p>
<p>De um lado, nós querendo legendagem dos programas de entretenimento, dos filmes nacionais e internacionais em português. Do outro, eles querendo janelas de intérprete, porque não conseguem ler a legenda em português. E tanto eles alegam que não conseguem (nem são obrigados) a aprender português com fluência, quanto nós alegamos que aprender Líbras com fluência é inviável. Eu, particularmente, tenho que traduzir mentalmente uma frase em Líbras pra português, senão ela perde o sentido, a revelia de eu saber ou não quais são os sinais. Isso porque a Líbras tem morfosintaxe própria, completamente diferente do português.<br />
Bom, brigas à parte, o programa em questão não abordou surdez nenhuma (suponho que surdez não seja uma deficiência interessante o bastante) e tampouco ofereceu qualquer tipo de acessibilidade.</p>
<p>E o pior, a maioria das pessoas que poderia ajudar faz vista grossa, porque acham que nossa briga é boba. Ou não dão a mínima, já que não afeta a vida deles&#8230;<br />
E quantas vezes nós, surdos oralizados, participamos de brigas que não são nossas. Até aqui no DNO já fiz post sobre respeito às vagas demarcadas, que NÃO SÃO direito meu, NÃO SERVEM pra minha deficiência, mas eu respeito e brigo pelo respeito mesmo assim?</p>
<p>Conversando com a Sô, do blog-parceiro do DNO, o <a href="http://sulp-surdosusuariosdalinguaportuguesa.blogspot.com">SULP</a> (sigla de: surdos usuários da língua portuguesa), ela comentou &#8220;quase todo tipo de deficiência tem representantes os surdos não-sinalizados não tem associações, somos invisíveis.&#8221;</p>
<p>De imediato, eu respondi: Não tem aqui no Brasil. Na França, por exemplo, existe a AFIDEO &#8211; ASSOCIATION FRANÇAISE POUR L`INFORMATION ET LA DÉFENSE DES SOURDS S&#8217;EXPRIMANT ORALEMENT (Associação Francesa de para Informação e Defesa dos Surdos que se expressam oralmente)</p>
<p>Segundo o site: <a href="http://www.afideo.org/">http://www.afideo.org/</a>:</p>
<blockquote><p>A combinação de reabilitação e de defesa de surdos fundada em setembro de 1969, é uma associação nacional sem fins lucrativos, regida pela lei de 1901.<br />
Através de sua adesão, a ARDD é a maior associação francesa, não-denominacional, a população com surdez adquirida.<br />
Seus objetivos são:<br />
Comunicando-se com situações de audição,<br />
desenvolver a assistência mútua,<br />
Promover a integração profissional e social ;<br />
Contribuir para a melhoria e desenvolvimento de ajudas técnicas;<br />
Ampliar a acessibilidade para surdos e deficientes auditivos.<br />
Com sede em Paris, seus ramos regionais agir local, distrital e regional e proporcionar atividades de divulgação aos seus membros.<br />
ARDD membros residem em todas as regiões da França ou outros países.<br />
O ARDD oferece diversas atividades para seus membros, publica uma revista trimestral jornal La Caravelle.<br />
O ARDD realiza ações com outros órgãos e atua em nível nacional com os grupos de associações de pessoas com deficiência auditiva (surdos, pais com filhos surdos, etc.) E intervém a nível nacional, pública ou privado, através dos seus membros ativos.<br />
Seus slogans principais são a <strong>promoção da leitura labial e acessibilidade para os deficientes auditivos</strong>.<br />
O ARDD está intimamente ligada à história das associações em Paris e, mais geralmente na história da surdez, na França. Na verdade, é um dos três fundadores da BUCODES e participou na criação de UNISDA.<br />
aulas em grupo Gratuitos em leitura labial<br />
Associação da revista, o Artigo Ajuda Sobre Técnicas:<br />
<a href="http://www.ardds.org/fichiers-pdf/cara182.pdf">http://www.ardds.org/fichiers-pdf/cara182.pdf</a></p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2553" title="cartesurdite" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/cartesurdite.gif" alt="" width="250" height="166" /><br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>Carteirinha dos Membros, com os dizeres: Não ouço. Fale olhando para mim e articulando bem as palavras. Ou escreva. Obrigado</strong></span></p>
<p>Só a título de informação, ARDD significa: L&#8217;ASSOCIATION DE RÉADAPTATION ET DÉFENSE DES DEVENUS SOURDS ET MALENTENTS (Associação de Readaptação e Defesa das Pessoas que se tornaram Surdas ou Deficientes Auditivas)</p>
<p>O nosso maior impasse por aqui, é justamente só haver associações que defendem os surdos que usam Líbras, fazendo com que a maioria da população acredite que a Língua de Sinais é universal de toda pessoa que tem déficit auditivo. Falta uma associação defendendo os Surdos Oralizados e Deficientes Auditivos Usuários da Língua Portuguesa!!</p>
<p>Enquanto isso, cabe aos blogs da internet fazerem o trabalho de divulgação!<br />
Beijinhos sonoros,<br />
Lak</p>
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		<title>Filosofâncias sobre a maternidade</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 16:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[adaptações]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[mães]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Surdez]]></category>

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		<description><![CDATA[Como ultimamente muitas mães de implantados, pré-implantados e deficientes auditivos tem comentado no blog, tenho refletido muito a respeito de como as mães agem. Sempre percebo como, de uma forma ou de outra, o comportamento delas se parece com o da minha mãe, quando eu perdi a audição. Já comentei aqui, mas talvez ninguém se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como ultimamente muitas mães de implantados, pré-implantados e deficientes auditivos tem comentado no blog, tenho refletido muito a respeito de como as mães agem. Sempre percebo como, de uma forma ou de outra, o comportamento delas se parece com o da minha mãe, quando eu perdi a audição.</p>
<p>Já comentei aqui, mas talvez ninguém se lembre, que perder a audição me tornou observadora. Sem a audição como referência, a visão passa a pesquisar o ambiente de forma quase automática. E, apesar de que perder um sentido tenha me desnorteado, talvez pelo fato de eu ser muito nova,   não tinha muita compreensão da gravidade da situação. Mas, meus pais, que eram adultos e tinham maturidade e discernimento de sobra para compreender, sofreram muitissimo. E, sendo honesta, o meu sofrimento não chegava aos pés dos deles.</p>
<p>Percebo que mãe e pais são as pessoas que mais sofrem antes da cirurgia do Implante Coclear, mesmo de candidatos adultos. Mexer com a prole de alguém, é mexer com o instinto mais básico da pessoa!</p>
<p>Portanto, quando converso com alguma mãe, percebo que isso é também um aprendizado para mim, uma vez que, como não sou mãe, é difícil compreender o que se passa no íntimo de uma pessoa cujo filho tem uma deficiência. Cujo filho precisa de cuidados especiais. Cujo filho precisa passar por uma cirurgia corretiva. Então, conversar com elas é uma aprendizado imenso, porque elas me dão o ponto de vista delas, que vai me ajudando a, cada vez mais, saber o que elas precisam que eu responda. Não adianta, de forma alguma,  eu dizer &#8216;é, o IC vale a pena porque é melhor do que o AASI&#8217; de forma crua, porque não serão elas que irão usar e elas querem proteger o filho de tudo e nenhuma argumentação lógica vai ser mais forte do que o instinto de preservação da prole.</p>
<p>Este post é, sobretudo, um agradecimento a todas as mães que comentam no DNO, que se abrem a conversar com um implantado adulto. Que se permitem ouvir o que eu tenho a dizer e que me ajudam a compreender melhor o outro lado da história.</p>
<p>Mas, também é uma reflexão particular. Já comentei que não tenho vontade de ser mãe. E isso é uma coisa que percebo que as pessoas tem dificuldade de entender. E sempre tentam argumentar que &#8216;eu vou mudar de idéia&#8217;. Ok, quando mudar de idéia mudei, mas no momento, continuo não sentindo vontade. E ninguém deveria se obrigar a fazer o que não tem vontade. Especialmente quando envolve a vida de outra pessoa, já que não dá pra desistir no meio do caminho ou devolver o filho, então&#8230;</p>
<p>Não me incomodo de responder 10382028308292 perguntas sobre isso, nem de ter que explicar pela enézima vez que não existe um motivo, é apenas falta de vontade pura e simples. Mas, me incomodo DEMAIS quando alguém evoca a deficiência como argumento.</p>
<p>Acho absolutamente desagradável alguém dizer &#8220;Ah, mas seu marido ouve e pode ajudar&#8221;. Se acham que um deficiente precisa de supervisão, então não cobrem filhos dele. É nojento ter que explicar que deficiência não precisa, necessariamente, incapacitar alguém de ter filhos. Ou achar que uma pessoa com deficiência é estupida o suficiente de não pensar nas adaptações que precisa para realizar o sonho da maternidade.</p>
<p>Mais ainda, acho grotesco quando me perguntam &#8220;você não quer ter filhos porque tem medo de passar a deficiência pra ele?&#8221;. Primeiro, a minha deficiência é adquirida, canso de falar isso, então essa possibilidade não existe. Mas, supondo que existisse, ninguém é obrigado a ter que passar recibo genético pra receber aval de ter filhos. E, caso a deficiência seja genética, nem todo mundo deve se sentir a vontade para falar disso, portanto essa pergunta pode soar como uma invasão de privacidade.</p>
<p>Não acredito, de verdade, que exista obstáculos para se ter filhos, quando a vontade existe. Quem quer ter filhos, encontra um meio. Seja contratando uma babá em tempo integral. Seja fazendo triagem embrionária. Seja por doação de óvulos ou espermatozoides. Seja por fertilização <em>in vitro</em>. Seja por adoção. Para quem quer ser mãe, sempre existe um meio! E se a pessoa quer de verdade, será a melhor mãe que existe, porque quem batalha para conseguir valoriza o que conseguiu. Conheço mães com deficiência que são mães excelentes, incríveis  e que superam qualquer expectativa negativa.</p>
<p>Mas, para quem não quer, nenhuma argumentação é  o bastante. Vontade a gente tem ou não tem, pura e simplesmente!</p>
<p>Beijinhos sonoros, em especial para todas as mamães que lêem o DNO! Vocês são incríveis!! Obrigada pelos comentários e pela ajuda constante.</p>
<p>Lak</p>
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