Como muitos já sabem, perdi a audição em fevereiro de 1987, 55 dias antes de completar 10 anos de idade.
Quem tem mais de 30 anos, deve se lembrar dessa época, em que se ouvia MUITO música nacional (na década seguinte imperou as músicas internacionais, né? Sei lá, eu já era surda mesmo, se tiver falado bobagem, tenho desculpa sensorial comprovada haha). A música do auge era “Eduardo e Mônica” do Legião, que tocava adoidado em tudo quanto era lugar. Era meio impossível não ouvir essa música pelo menos uma vez por dia.
Logo, meus últimos momentos de audição foram bombardeados por essa música.
Os anos passaram, o silêncio veio, as músicas tornaram-se uma vaga lembrança na memória auditiva que ia definhando com o passar do tempo. E foram muitos anos de pouquíssima música e muito muito silêncio.
Quando fiz o Implante Coclear, confesso que não tinha grandes ambições. Meu caso não era dos mais promissores, porque eu tenho muitos anos de estrada com pouquissima e até nenhuma estimulação sonora. Sem falar que eu já não tinha tanta plasticidade cerebral para aprender a ouvir de novo tão bem assim (tinha mais de 30 anos quando fui operada). Então, eu decidi que iria comemorar os ganhos que fossem, mesmo que pequenos. E é o que faço. Eu comemoro ouvir barulho de lata de refrigerante. Comemoro reconhecer o toque do meu celular. Comemoro quando reconheço falarem meu nome. Comemoro conhecer a melodia de uma música nova (tipo Save Tonight)…
Esta noite, estava sentada no computador, de costas pro marido, que estava no computador dele. Ele é barulhento no computador, sabe? Tudo o que ele faz, eu ouço, porque o cara não usa fone de ouvido. Normalmente, eu deixo o áudio do meu computador desligado ou uso o cabo especial que liga-o direto no processador do IC.
De repente, ele começou a ouvir uma música. Eu achei absurdamente familiar, embora não soubesse qual era. Só pensei ‘Nossa, essa é uma música que eu gosto!” e comentei isso com ele.
Ele fez uma cara de desdém, tipo ‘duvido que você conheça’ e disse: “Eduardo e Mônica”, conhece?
Respondi que foi uma das últimas músicas que ouvi e ele me mandou o link da propaganda da Vivo que homenageia essa música, vocês viram?
Só posso dizer que:
1. eu chorei copiosamente (pra variar) quando vi o vídeo. Um pouco pela música, um pouco pelo filme, um pouco pelo milagre de ouvir a música graças à tecnologia do implante coclear.
2. reconheço que a música me afetou mais do que supõe a vã filosofia mundana: meu marido é mais novo que eu e se chama Eduardo hahaha
Recebemos essa informação no FIC (Fórum do Implante Coclear) e repasso, porque o que mais rola é reclamação do tempo da fila de espera quanto à cirurgia do IC.
Realmente, o processo costuma ser demorado (pode levar até mais de um ano) mas vale a pena insistir e dedicar tempo a isso.
Enfim, segue a informação completa:
O Departamento de Otorrinolaringologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo passou por uma reforma total. A Equipe de Implante Coclear da Santa Casa tem agora capacidade para realizar até 10 cirurgias de Implante por mês, mas só realizam de 5 a 6 cirurgias devido à FALTA DE PACIENTES. Ou seja, há vagas para interessados ao Implante, mas não há pacientes.
Significa que não há filas e a cirurgia poderá sair mais rápido, após cumprir o processo de seleção de candidatos. As cirurgias são através do SUS.
O Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa é comandado pelo Prof. Dr. Jose Eduardo Lufait Dolci, que tambem é o atual presidente da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. A Equipe de Implante Coclear da Santa Casa de Misericordia de São Paulo é comandada pelo Prof. Dr. Carlos Alberto Herreiras de Campos, e é uma excelente e conceituada Equipe. Fazem parte da Equipe a Fga. Sonia Maria Simões Iervolino, excelente profissional com mais de 25 anos de carreira.
Aqui no FIC, temos a honra de ter como associado o PRIMEIRO implantado da Santa Casa de Misericordia de São Paulo, o Henrique Beltrame Onuki, filho da nossa querida Fono Cristina Onuki. Ele foi implantado pelo Prof. Dr. Carlos Herreiras de Campos.
Quem se interessar, pode entrar em contato com a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, lembrando que para pacientes de outros estados há o TFD – Tratamento Fora do Domicilio.
Visitem o Sitio do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa no Linque abaixo:
O texto abaixo foi um comentário feito no post que falácamos sobre aquela mudança de coberturas de convênios quanto às cirurgia de Implante Coclear, feito pela Geraldine, mãe do Mauricyo, implantado de 1 ano e 9 meses.
Achei importante que fosse divulgado como post, para o maior número de pessoas ter conhecimentos a respeito de como anda essa Consulta. Infelizmente, as notícias não são muito animadoras, mas não vamos desistir, né?
A consulta pública acabou em SP. E o pessoal ficou indignado, pois o Procurador Federal de lá não atendeu mais os telefonemas e mandou a secretária avisar que a documentação havia sido encaminhada para o MPF do Amazonas.
Só que a Tatiane Braga representante da ‘AMADA’ (Associação Amazonense de apoio aos deficientes auditivos e usuários do Implante Coclear) no Amazonas e que interpôs com a ajuda minha, da Diana – assessora do MPF da Bahia – (implantada de Baha) e da advogada dra. Maria Aparecida Cossenti, que assinou para nós a ação, averigou no MPF de lá que eles iriam somente juntar a documentação no processo e atuariam somente como fiscal da Lei.
O MPF de SP e do Amazonas não sabem que o juiz federal já recebeu a exceção de incompetência da ANS e essa papelada toda vinda de SP – daquela consulta pública – a ser juntada ao processo de nada adiantará, pois o juiz federal vai extinguir o processo em face da competencia territorial!
Para não perdermos tempo vamos ajuizar a ação no RJ!! Enquanto isso o MPF de todos os Estados do Brasil somente fica no jogo de empurra e empurra e não faz absolutamente nada em favor dos deficientes auditivos e implantados!!
Será que eles tem medo do governo?? Afinal, é este que paga o salário deles… Ou será que não querem trabalhar e meter os peitos para cumprir a sua função que é defender a sociedade e estão deixando tudo para a associação – AMADA – fazer??
Embora o MPF de SP soubesse que a ação seria extinta no Amazonas – o procurador de SP mandou toda documentação assim mesmo para lá e tirou férias até outubro!!
Walter bi-implantado, Scheila, mãe da Amanda (usuária de AASI), Dennis (implantado), L. Filipe – moderador do FIC (implantado), Trycia, mãe do fofo bi-implantado Gael – todos nós estamos indignados, pois o Procurador de SP sequer recebeu o pessoal e dignar-se a dizer os motivos da documentação da consulta pública estar indo para o Amazonas já que lá estava sendo extinta. Mandou a secretaria falar e não quis nem falar com o pessoal de SP que foi a várias reuniões. pouca vergonha!!
É um descaso total com várias crianças deficientes auditivas, pais de implantados e implantados!!
Mas, em breve a ação civil pública da AMADA estará sendo ajuizada no RJ, sede da ANS, pois esta e o Juiz entendem, por divergencia de jurisprudencia, que a mesma deve responder na sua sede que é no RJ. Além disso, não iremos recorrer da decisão e perder tempo, pois o TRF1 entende no mesmo sentido e com a morosidade da justiça o mérito da questão fica sendo deixado de lado. Para se discutir qual juiz é competente para julgar a causa!!
E criança continuam surdas aguardando uma decisão da justiça…
É uma pouca vergonha esse Brasil!!
Abraços sonoros, Geraldine, mãe do bebê implantado Maurícyo – quase bilateral – aguardando feitura da segunda cirurgia aprazada para final de setembro/outubro ja autorizada pela Unimed Porto Alegre.
Apesar da Cirurgia ser feita no Brasil há 20 anos, só agora os cariocas não precisam mais recorrer ao TFP (tratamento fora do domicílio) para conseguir realizar a cirurgia em outro Estado. Pode parecer bobagem se preocupar com viagem diante da possibilidade maravilhosa de realizar uma cirugia de retorno (ou ingresso) ao universo sonoro, mas é muito mais agradável você poder se recuperar em casa, sem precisar viajar logo depois de um procedimento médico desses.
O felizardo foi o menino Yago Bueno, de 6 anos, que tinha perdido a audição aos 6 anos (há menos de 6 meses como surdo) por sequela de meningite. No caso dele, a gente sabe que a chance de sucesso e rapidez de adaptação estará a anos luz da minha (já morri de inveja aqui, mas fico feliz por ele conseguir a cirurgia tão rapidamente).
Vale a pena dar uma lida no link da matéria, que tem uma bela imagem que explica muito bem a cirurgia.
No mais, o que realmente curti na reportagem foi a menção contra a mudança do ROL de procedimentos da ANVISA, já que ele estava numa faixa etária que não era mais coberta pelos convênios (entre 6 e 18 anos). Que bom que pelo menos o SUS cobre esse tipo de cirurgia fundamental. Imagine ter que explicar pra uma criança “você já ouviu e poderia ouvir de novo, porque existe recurso pra isso, mas não vai poder fazer a cirurgia, porque algum “simpático” resolveu que gente da sua idade não pode mais fazer esse procedimento pelo plano que o papai paga pra cuidar da sua saúde”.