Acessibilidade é para todos!

Escrito por laklobato em 19/12/2011

Semana passada, soube que saiu uma matéria sobre meu trabalho aqui no DNO na revista A República (Revista da Associação Nacional dos Procuradores da República).

Essa entrevista se deve à minha participação no documentário feito pelo MPF/MS em homenagem ao Dia da Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro). Já coloquei o vídeo aqui, mas caso alguém não tenha visto: http://www.youtube.com/watch?v=iCRCeqhK1KQ

O mais legal é que me fizeram várias perguntas, mas na hora de editar, minha fala se resumiu justo à minha frase mais importante, que eu repito à exaustão: “É preciso parar de achar que Acessibilidade é um favor que se faz aos outros. Acessibilidade é uma necessidade, uma obrigação social, justamente porque é para todos. Qualquer pessoa pode tornar-se deficiente temporária ou permanentemente.” Por é isso mesmo. Quem está livre de quebrar uma perna e precisa de uma rampa? Ou adquirir uma deficiência permanente? Não achem que deficiência só acontece na casa dos outros, é uma realidade que qualquer um poderia, a qualquer momento, ser obrigado a encarar. Por isso, tornar tudo acessível é um direito de e para toda a sociedade!

Imagem da entrevistaPara quem quiser ver  a versão digital da revista: A República – Ano I nº 2 – Dezembro/2011

Espero que gostem!

Beijinhos sonoros,

Lak

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[Lembrete]: Encontrão de 10 anos do FIC em SP

Escrito por laklobato em 23/11/2011

Imagem de bolo de dois andares, com o logo do FIC (um perfil de rosto com um aparelho em forma de coração no lugar da parte externa do implante). O bolo está decorado com corações e a frase 10 anos - 2001 - 2011Pessoas, só pra relembrar:

Sábado agora, dia 26 de novembro de 2011, será nosso encontro de 10 anos do Fórum do Implante Coclear, aqui em São Paulo Capital.

Acho que já ficou meio em cima para se inscrever (mas confirmação, só com a Renata Lé, pelo email: renataclef@gmail.com ) com antecedência. Mas, ainda dá pra ir pagando na porta.

Quando: dia 26/11/2011 das 12h às 17h
Onde: no Espaço Zumba, R. Onze de Junho, 1290. Vila Clementino (fica perto da estação Santa Cruz do Metrô)
Porque: Para comemorar os 10 anos de sucesso do FIC com os paulistas, a comissão de organização do evento escolheu um buffet infantil com brinquedos e monitores (e até um minizôo, para a criançada implantada ou não poder se divertir tanto quanto nós, adultos, nos divertimos batendo papo).
Quanto: Valores por pessoa
- Crianças de 0 a 7 anos de idade – Grátis
- Crianças maiores de 8 anos até 12 anos – R$ 20,00
- A partir de 13 anos – R$ 40,00

Vamos Vamos Vamos?

Beijinhos sonoros,

Lak

 

 

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Em respeito à liberdade de escolha.

Escrito por laklobato em 06/11/2011

Aqui, querendo debater…

Pessoalmente, eu não tenho nada contra o povo surdo se vender como cultura, porque existe cultura skatista, cultura emo, cultura geek (não sei se no sentido antropológico do termo, mas no sentido popular do emprego ao termo CULTURA), mas enfim… E, alias, se também quiserem se comparar aos índios, negros, aborígenes ou qualquer outro povo do universo,  tranquilo.

Levando em conta que o Brasil tem 270 línguas (li alguém alegar isso, mas não confirmo, porque não estou nem um pouco afim de vagar em busca de evidências sobre o tema), embora só tenha UM idioma oficial, o português (inclusive é um dos pontos fortes do Brasil, visto sobre o ponto de vista empresarial) que faz as empresas multinacionais se animarem de vir pra cá, uma vez que apenas um idioma terá que ser ensinado aos funcionários e apenas um idioma é escrito na maioria dos produtos (salvo aqueles que seguem a regra do Mercosul e incluem o espanhol). Se os nativos das outras 269 linguas não tem direito a privilegiá-la ao português, pode até ser visto como algo meio desrespeitoso os surdos terem, mas ainda assim, tô nem ai. De repente, não batalharam pra ter a emancipação do seu idioma e, quem sabe futuramente, sigam o exemplo da Cultura Surda e o Brasil se torne como a Índia, com 2 idiomas oficiais administrativos, 23 idiomas  federais oficiais, 200 Línguas reconhecidas e mais de 2000 dialetos e o povo se comunique mesmo em hindi e num inglês macarrônico que serviu para dominarem o mercado de telemarketing dos EUA (sem ofensas, porque acho isso sensacional!).

O que pega é aceitarem essa apologia de ódio aos ouvintes e a quem compactua com a oralização. Sairem pregando que a oralização é uma tortura a que crianças são submetidas. Saírem ridicularizando a voz dos surdos oralizados. Saírem pregando contra o Implante Coclear e quererem barrar o teste da orelhinha (se alguém duvida, eu posto link de vídeos falando mal desse exame!). Saírem dizendo que todos os deficientes auditivos que não se submetem à supremacia da Cultura Surda são infelizes e não sabem. Ao ponto que são chamados de suicidas em potencial e precisam ser salvos de si mesmos. Precisam reconhecer que só existe uma verdade absoluta: só a cultura surda funciona como estilo de vida. Que só existe um caminho para a felicidade suprema. Que quem não quer aprender LIBRAS está sendo preconceituoso e blablablabla sem fim, exigindo-se aqui um respeito em via de mão única. Acho absurdo que seja permitido que, para se autoafirmar e se firmar como modo de vida aceitável, queriam exterminar quem pensa diferentes. Querer se vender como cultura, ok. Querer provar pra Deus e o mundo que são felizes assim, perfeitamente. Querem alterar a constituição pra LIBRAS virar idioma oficial junto com a língua portuguesa, tô nem aí, não opino. Mas, acho inaceitável que seja permitido que preguem o preconceito, a intolerância e o ódio com a calma que fazem. Atacarem blogs por falta de interpretação correta de texto. Mandarem email xingando mães que optam pela oralização e dizerem que é melhor pra criança surda ser morta do que oralizada! Isso sim, deveria ser passível de processo na justiça!

Pior ainda são ouvintes que compactuam com essa mentalidade e ficarem atormentando os surdos oralizados, ridicularizando a voz deles (li aqui alguém escrever que a voz dos oralizados não é, pasmem, HUMANA!), dizer que foram condicionados a pensar como pensam, simplesmente porque se acham no direito de saber sobre o outro mais que ele mesmo.
Num mundo que não existe apenas uma religião, uma filosofia de vida, uma única regra de dieta alimentar, um único time de futebol, vão exigir que todo e qualquer deficiente auditivo se comporte do jeito que dita e determina a cultura surda?

Respeito é via de mão dupla. Defendam o lado de vocês, MAS PAREM DE ATACAR QUEM NÃO QUER VIVER ISSO! PAREM DE EXIGIR QUE ESSE SEJA O ÚNICO CAMINHO ACEITÁVEL! PAREM DE IMPOR QUE SURDOS ORALIZADOS TEM QUE ENXERGAR QUE SÃO INFELIZES!
Uma coisa é você achar que está no caminho certo. Outra é achar que é o único caminho! Até segunda ordem, o Brasil é um país onde a liberdade de escolha é respeitada, portanto, não lhes cabe o direito de cercear essa liberdade.

EU E MEU BLOG DIZEMOS SIM A ORALIZAÇÃO! SIM AO PORTUGUÊS COMO PRIMEIRO IDIOMA! SIM AO USO DA PRÓTESE AUDITIVA, DO IMPLANTE COCLEAR, DO IMPLANTE BAHA e qualquer outra tecnologia que nos permita ouvir artificialmente! SIM AO TESTE DA ORELHINHA! E, SOBRE TUDO, SIM A LIBERDADE DE PODER ESCOLHER ESSA CORRENTE DE PENSAMENTO!

Não interessa se somos minoria, se somos apenas 20% da população surda (a base dessa porcentagem estatística? Comentários dos próprios defensores da comunidade surda), ainda temos o direito de existir. Deficientes auditivos representam apenas 3% da população brasileira e estão exigindo emancipação como cultura e do idioma, não é mesmo? Então, que aceitem a existência desses 20% oralizado tal qual querem que 97% da população ouvinte os aceitem.

Quem quiser pensar e agir diferente, tem o mesmo direito que eu. Mas, em momento algum, tem direito de me atacar por pensar como penso!

beijinhos sonoros,

Lak

p.s. E aos ouvintes que compactuam com a cultura surda e se acham no direito de ridicularizar a voz do surdo oralizado, fiquem ciente que não importa que a nossa voz soe como o grasnado de uma avestruz ou um zunido de besouro, se um deficiente auditivo consegue se fazer entender perfeitamente com a voz oral, ele tem todo o direito de usá-la! E vocês não tem o direito de ridicularizá-los por isso, tentando usar da vergonha para justificar que deveriam abraçar tão e somente a língua de sinais! Vocês podem ter vozes bonitas e sonoras, mas as palavras amargas que proferem torna vocês os verdadeiros monstros!

E um vídeo que considero altamente inspirador quando se fala em acabar com o ódio:

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A sutileza que beira à mediocridade

Escrito por laklobato em 31/10/2011

Hoje, o texto é de Renato Amaral, um amigo, a respeito do pensamento de algumas pessoas de compararem as dificuldades que OS OUTROS passam.

Gostei da argumentação dele, porque concordo que há coisas que não podem ser comparadas, porque cada uma delas tem suas mazelas que outras coisas não teriam. Portanto, é falta de sensibilidade ficar fazendo hierarquia de quem pode reclamar mais ou menos, diante de uma dificuldade pessoal. Bem aquela frase do Caetano “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

A sutileza que beira à mediocridade

Absurda é a afirmação de que é mais sutil ser surdo do que cego ou que, há entre uma deficiência e outra maior ou menor incapacidade.

Tão absurdas quanto essas afirmações é pensar, que o surdo teria uma vida melhor se ao invés de surdo fosse cego, ou que o cego, ao invés de ser cego fosse surdo teria ele uma vida menos sofrida. Toda a deficiência, seja ela de que natureza for, traz em seu bojo a sua perda, o seu sofrimento e a sua superação. De modo que, é imprudente ao deficiente imaginar que sua vida seria melhor se pudesse escolher entre uma desgraça a outra, isto porque, não tem ele, o deficiente, mecanismo para conhecer a perda de outra deficiência mas, a sua própria. De tal sorte, se imprudente seria aos deficientes assim pensar, aos não deficientes então, que não carregam em seus ombros algum tipo preconceito ou limitação, é de se supor que seria arrogância e prepotência de sua parte, imaginar a possibilidade de tal absurdo.

Ninguém escolhe ser deficiente. Ninguém escolhe o tipo de deficiência que possui. Mas aprender a lidar com a sua limitação, superar os reveses e não raras vezes, surpreender a si mesmo, fazendo da deficiência um estímulo para vencer os obstáculos que a vida impõem, é sem dúvida o caminho para a busca de uma vida feliz.

Que os homens e mulheres esbravejam as suas sutilezas mas não essas, que beiram a mediocridade humana com afirmações desprovida de conhecimento e irrelevância social pois dessas, o mundo já esta fadado. Precisamos todavia, das sutilezas que vêem além de si mesmo, que visam o bem comum, a coletividade, o bem estar e a inclusão social de aproximadamente vinte e quatro milhões de deficientes Brasil afora. A sutileza de guerrear por melhorias ao cadeirante no transporte público, nas calçadas, na ampliação de leis aos cegos, menor restrições aos cães guias, melhoria na adaptação dos profissionais com alguma limitação nos locais de trabalho, melhor qualificação de profissionais para lidarem com os mais diversos tipos de deficiências no ensino da rede pública e tantos outros projetos engavetados no Congresso Nacional. Mas mais do que isso, respeito e consciência humana, bem como solidariedade para com aqueles que necessitam de maior atenção é fator essencial quando não, elementar a inclusão social em prol da exclusão dos mesmos.

É dessas sutilezas que o Brasil precisa e que milhões de deficientes necessitam. Sutilezas feitas por corajosos e que agigantam-se diante da hipocrisia social pois, conhecem a necessidade e a importância da inclusão social. Quando então, a mediocridade for deixada de lado e essas sutilezas surgirem, haverá a efetiva inclusão de milhões de brasileiros hoje excluídos da sociedade, abrindo assim, espaço para que a esperança, o respeito e o amor ultrapasse todas as barreiras da desigualdade social e o sonho de muitos se tornem realidade.

Renato Cézar Ananias do Amaral – 25 anos, natural da cidade de Itápolis – Estado de São Paulo. Bacharel em Letras pela Faculdade Claretiano de Batatais. Bacharel em Direito pela Faculdade da UNAERP – Ribeirão Preto. Deficiente auditivo portador de AASI e Implante Coclear. e-mail: renatocamaral@ig.com.br

Beijinhos sonoros,

Lak

 

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“Nosso Lar” com Legenda e Audiodescrição, no CCBB do Rio e SP, em novembro.

Escrito por laklobato em 27/10/2011

E o CCBB continua – pelo menos, até  o final do ano – promovendo acessibilidade aos deficientes auditivos e visuais no cinema. Em novembro, o filme exibido será “Nosso Lar”.

Segue abaixo a ficha técnica do filme:

Imagem do cartaz do filme, com o texto "Nosso Lar". A imagem é de um céu azul claro, onde se vê de maneira bem discreta a imagem do rosto de alguns personagens. Na base da foto, é possível ver a cidade do filme, em forma de circulo e arborizada, com um mastro no centro.“NOSSO LAR” COM LEGENDA E AUDIODESCRIÇÃO PARA DEFICIENTES VISUAIS OU AUDITIVOS DE GRAÇA NO CCBB, EM NOVEMBRO

O projeto ‘Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito’ (CNLA) exibe o filme “Nosso Lar”, nos dias 5 e 6 de novembro (às 15h), em São Paulo, e 12 e 13 (16h), no Rio de Janeiro, com recursos inclusivos – ou seja, com audiodescrição e closed caption para que pessoas com algum tipo de deficiência visual ou auditiva compreendam mais facilmente o filme sem precisar do auxilio de outras pessoas para que isso aconteça.

Em cartaz desde novembro de 2010, o projeto CNLA conta com uma sala de cinema acessível para ao público cego e surdo, e aberta para o público em geral. O padrão closed caption transcreve através de legendas o que está sendo falado (informações literais), assim como sons não literais que ajudam ao espectador a compreender melhor o filme como música, risos, aplausos, a chuva, etc. Na audiodescrição, o sistema descreve, em paralelo ao som original e quando não existe fala dos personagens, ações relevantes, mudança de cena, expressões faciais, com o objetivo de informar ao cego o que está acontecendo. “Esse era um papel que o acompanhante vidente precisava fazer: narrar baixinho durante o filme o que acontecia na tela. Hoje o cego ou o surdo são mais independentes”, explica Helena Dale, curadora do CNLA.

O Centro Cultural Banco do Brasil fica na Rua Álvares Penteado, 112, São Paulo, e conta com acesso e facilidades para pessoas com deficiências físicas e transporte gratuito até as proximidades.

NOVEMBRO 2011 (SP: 05 e 06/11 às 15h) e (RJ: 12 e 13/11 às 16h)

“Nosso Lar”

Direção: Wagner de Assis

Atores: Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Othon Bastos, Paulo Goulart, Rosanne Mulholland, Werner Schünemann, Paulo Goulart, e outros.

Duração: 102 min

Ano: 2010

Gênero: Drama

Estúdio: Cinética Filmes / MIgdal Filmes / Globo Filmes

Distribuidora: Fox Filmes do Brasil

Classificação: 14 anos

Sinopse: Ao abrir os olhos, André Luiz (Renato Prieto) sabe que não está mais vivo, apesar de ainda sentir sede e fome. Ao seu redor, ele apenas vê uma planície escura e desértica, marcada por gritos e seres que vivem na sombra. Após passar pelo sofrimento no purgatório, André é levado para a cidade de Nosso Lar. Lá ele tem acesso a novas lições e conhecimentos, enquanto aprende como é a vida em outra dimensão.

Classificação Indicativa: 10 anos.

Entrada franca mediante retirada de senha a partir de uma hora antes do início do evento.

Vamos?

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. A única coisa que me deixa chateada em divulgar tal evento é que o pessoal que não é do Rio nem de SP reclama que não tem esse tipo de cinema acessível em sua cidade, já que  ainda não existe uma política de fazer sessões acessíveis para todos os filmes, em todo o país. Temos que nos contentar (e agradecer, claro) a projetos como esse do CCBB em parceria com a Trixie Comunicação Empresarial, que abrange apenas Rio de Janeiro e São Paulo capitais.

Por isso, gostaria, de verdade, de parabenizar o CCBB e a Trixie pelo interesse de levar cultura e lazer à população com deficiência auditiva e visual, que se beneficia com esse belíssimo trabalho de legendar e audiodescrever o cinema nacional! Tem sido especial para  o DNO divulgar este trabalho!

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