Como todo mundo já deve estar sabendo, recentemente a Apple lançou o novo iPhone 3GS que deve chegar ao Brasil só em agosto com um monte de recursos novos e interessantíssimos.
O iPhone deve ser um dos melhores celulares para deficientes auditivos porque dá para acesar a internet e mandar mensagens de texto numa tela razoavelmente grande.
Por outro lado, deve ser um dos piores celulares para deficientes visuais. A interface toda baseada na tela não oferece respostas táteis para quem vê o mundo com os dedos. Mas nessa nova versão do iPhone a Apple resolveu dar uma ajudinha para pessoas com vários graus de deficiência.
Abaixo algumas novidades:
VoiceOver
Ao passar o dedo sobre algum texto, o iPhone lê em voz alta o que está escrito sob seus dedos.
Zoom
Uma espécie de lente de aumento que amplia qualquer parte da tela, ideal para quem tem dificuldade para ler aquelas tetrinhas miúdas.
White on Black
Aumenta o contraste da tela.
Mono Audio
Para quem tem alguma deficiência auditiva em apenas um dos ouvidos. Faz com que o àudio dos fones esquerdo e direito fiquem idênticos.
Speak Auto-text
Lê as palavras enquantoo você digita
Além destes há um novo recurso de controle por voz que pode ser muito útil para quem tem deficiência visual ou motora e não consegue utilizar os controles da tela tão facilmente.
Foto Divulgação
E, o que me deixa realmente feliz e animada, é ver que não é só a Apple que trabalha pra melhoria da nossa qualidade de vida. Saca só o designer dessa capinha de silicone feita especialmente pra deficientes visuais terem acesso ao iPhone: clica no link
(Não é tipo, uma notícia super recente, mas eu só fiquei sabendo da existência disso agora. Foi uma criação do designer portugues Bruno Fosi. Pensa nisso a próxima vez que for fazer piadinha com portugas. Você já teve uma idéia de inclusão tão legal? Se não, é melhor não fazer piadinha com os lusitanos por enquanto!!)
Se eu tenho um? Não, por enquanto tenho que me contentar com meu celular simplezinho mesmo, mas que faz o que eu preciso: mandar e receber SMS. Claro que sem tanto encanto, mas uma hora, chego lá.
Uma coisa que aguça a curiosidade ao meu respeito é essa tal de leitura labial. Afinal, a menos que você também seja surdo ou conviva constantemente com um, certamente a idéia de que sem audição, a conversa humana é impossível através da fala oral, existe ou já existiu na sua mente.
Leitura labial – acho esse termo sexy pra caramba, admito – não é e nunca será a mesma coisa que ouvir, admito. Mas, também não é o bicho de sete cabeças que as mentes mais limitadas imaginam. A capacidade de adaptação humana impressiona qualquer um que não tenha envergadura mental suficiente para compreender que o corpo humano é a “máquina orgânica” mais adaptável e programada pra sobreviver em qualquer circunstância que existe na face da Terra.
Inspirado ícones do design como a cadeira lounge de Charles e Ray Eames, o artista austríaco, David Pompa criou incríveis cadeiras de roda baseadas em móveis famosos.
A idéia dele é lembrar aos designers que eles precisam criar produtos mais inclusivos, ou seja, que possam ser usados por toda a sociedade.
Elas podem não ser muito úteis no dia-a-dia, mas a arte é isso mesmo. Serve mais para refletir sobre a função do design do que para ser realmente usada.
Abaixo o depoimento do artista sobre a sua coleção “Objetos Inclusivos”:
Por que nós sempre pensamos em funções, inclusive quando falamos de design?
Ícones do Design são ícones apenas para uma fatia exclusiva de nossa sociedade. Por quê isso?
Quero criar objetos que satisfazem as necessidades de nossa mente e nosso desejo de comunicação e interação.
A comunicação e a interação entre os seres humanos e objetos. – David Pompa
Uma coisa que sempre foi difícil para mim é entender como uma pessoa com daltonismo enxerga. Para mim o mundo sempre foi colorido, sempre enxerguei perfeitamente todas as cores do arco-íris e não conseguir diferenciar o verde do vermelho não entrava na minha cabeça.
Não entrava até eu descobrir que o novo Photoshop CS4 tem uma nova ferramenta de acessibilidade que permite que um designer, fotógrafo ou ilustrador veja sua criação como se fosse vista por uma pessoa com daltonismo.
Você pode até entender como funciona aqueles testes de daltonismo.
Vira e mexe, esse debate vem a tona: Como é que um surdo sobreviveria sem ouvir o alarme, no caso de um incêncio?
Sempre respondo que nosso olfato é mais sensível, mas não adianta. As pessoas gostam de ver as limitações das pessoas com deficiências bem agravadas e dizem que não, quando fosse possível sentir o cheiro de fumacê, a ponto de acordar, o fogo já estaria perto demais pra eu conseguir escapar com vida.
Inclusive, essa era a desculpa dos meus pais pra não me deixar dormir sozinha em casa até os 16 anos, quando minha irmã já podia fazer isso desde os 13 anos. Sim, eu sou competitiva!!
Segundo o google: "houseradish" (nunca tinha visto raiz-forte, confesso)
Felizmente, os japoneses pareceram levar a sério essa argumentação que eu usei (e que, obviamente, não é só minha, muitos de nós falam isso, porque realmente o cérebro sempre tenta compensar a falta de um sentido acentuando os outros, como o famosíssimo tato desenvolvido dos cegos) e criaram um alarme de incêndio que exala cheiro de rábano (aqui no Brasil, conhecida como raiz-forte).
Fizeram um teste com 14 pessoas, 2 delas com “audição desabilitada” (essa tradução literal é um charme, vai?) e, adivinha, os deficientes auditivos foram os primeiros a acordar. Um deles, levou apenas 10 segundos. Diz-a-lenda que o equipamento deve estar no mercado em até 2 anos (ainda que a notícia ai seja de 2008).
Certamente, eu teria um na minha casa ♥.