Mais um vídeo de uma usuária do implante coclear

Escrito por laklobato em 24/10/2011

Pessoas,

dia 21 de setembro foi comemorado o primeiro dia da luta da pessoa com deficiência. E eu, muito educadamente, esqueci de divulgar isso aqui no DNO, disfarça.

Aí você me pergunta “mas porquê seria sua obrigação divulgar isso?”

Acontece que o Ministério Público Federal fez um vídeo para transmitir no evento que realizou para comemorar esse dia e a belíssima autora do DNO estava no vídeo…

Entonces, faz de contas que 1 mês a mais, a menos, não faz diferença e olha só o vídeo agora.

Meio longo e eu só apareço nos últimos minutos, mas vale muito a pena assistir e prestigiar o trabalho do MPF.

Depois me contem o que acharam, por favor.

Beijinhos sonoros,

Lak

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Ouvir pela primeira vez com o IC, emoção que transborda…

Escrito por laklobato em 30/09/2011

Há 1 ano e 9 meses de ativada já, ainda me lembro da emoção de ouvir pela primeira vez com o IC, depois de 23 anos de silêncio.

Eu sou travada com emoções e, no máximo, fui incapaz de conter algumas lágrimas, mas nada transbordante. Só fui chorar de soluçar, quando o Edu colocou Save Tonight, do Eagle-Eyes Cherry para eu ouvir, já no carro. Aí não deu mesmo, a alma ficou tão grande que ela inundou!

Mas, não gravei aquele momento, ele só existe na minha memória e do Edu… Algumas pessoas ficam curiosas de saber como é….

Hoje, estão divulgando na net o vídeo de uma americana que ouviu pela primeira vez, aos 29 anos. Essa sim, é digna de ser compartilhada à exaustão, porque é uma poesia dessas que faz a gente se desconsertar…

Pra vocês, com carinho:

Beijinhos sonoros e ótimo final de semana,

Lak

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Histórias que ficam: A Memória do Silêncio

Escrito por laklobato em 18/08/2011

O Histórias que Ficam é um programa de consultoria, fomento e difusão do documentário brasileiro.

É um concurso nacional que selecionará quatro projetos de documentários inéditos, obrigatoriamente de diferentes regiões do Brasil. Cada selecionado receberá o valor de até R$300.000 (trezentos mil reais) para a produção de um filme de 70 minutos que tenha Memória como tema.

Os doze projetos finalistas participarão de um pitching. A defesa será feita perante uma banca composta por três profissionais do mercado audiovisual brasileiro que selecionará os quatro projetos vencedores.

Para saber mais, clique aqui.

Uma amiga, Paula Szutan, é uma das organizadoras desse projeto e me pediu para gravar um dos vídeos-modelo para o concurso. Foram gravadas algumas entrevistas de 3 minutos, de pessoas contando a relação delas com o tema: MEMÓRIA.

O meu video se chama “A Memória do Silêncio”. O vídeo foi gravado em português, mas possui legenda por conta do meu sotaque (sempre tem gente que implica com voz de surdo oralizado) mas também porque eu pedi para que ele fosse acessível aos meus amigos surdos oralizados:

Segue o resultado

A Memória do Silêncio de Histórias que Ficam. Vídeo acessível para deficientes visuais.

E algumas fotos da festa de abertura do Projeto “Histórias que ficam…”

Imagem de um palco, com uma tela no fundo onde aparece a apresentação do projeto, com vídeos e explicação. Duas moças estão no palco, atrás de um pequeno balcão, explicando sobre o projeto.

Apresentação do projeto "Histórias que ficam..."

Imagem minha e da Paula, abraçadas, ambas olhando para a câmera e sorrindo. Eu seguro numa das mãos, um pequeno caderno, com o texto "Histórias que ficam...". Em segundo plano, é possivel ver um violinista e algumas pessoas participando da festa. O local é a Cinemateca do Estado de São Paulo, que fica num casarão antigo de tijolos postos e vigas de metal.

Com Paula Szutan, no coquetel de abertura do projeto.

Espero que gostem!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Propaganda nostálgica via Implante Coclear

Escrito por laklobato em 08/06/2011

Como muitos já sabem, perdi a audição em fevereiro de 1987, 55 dias antes de completar 10 anos de idade.

Quem tem mais de 30 anos, deve se lembrar dessa época, em que se ouvia MUITO música nacional (na década seguinte imperou as músicas internacionais, né? Sei lá, eu já era surda mesmo, se tiver falado bobagem, tenho desculpa sensorial comprovada haha). A música do auge era “Eduardo e Mônica” do Legião, que tocava adoidado em tudo quanto era lugar. Era meio impossível não ouvir essa música pelo menos uma vez por dia.

Logo, meus últimos momentos de audição foram bombardeados por essa música.

Os anos passaram, o silêncio veio, as músicas tornaram-se uma vaga lembrança na memória auditiva que ia definhando com o passar do tempo. E foram muitos anos de pouquíssima música e muito muito silêncio.

Quando fiz o Implante Coclear, confesso que não tinha grandes ambições. Meu caso não era dos mais promissores, porque eu tenho muitos anos de estrada com pouquissima e até nenhuma estimulação sonora. Sem falar que eu já não tinha tanta plasticidade cerebral para aprender a ouvir de novo tão bem assim (tinha mais de 30 anos quando fui operada). Então, eu decidi que iria comemorar os ganhos que fossem, mesmo que pequenos. E é o que faço. Eu comemoro ouvir barulho de lata de refrigerante. Comemoro reconhecer o toque do meu celular. Comemoro quando reconheço falarem meu nome. Comemoro conhecer a melodia de uma música nova (tipo Save Tonight)…

Esta noite, estava sentada no computador, de costas pro marido, que estava no computador dele. Ele é barulhento no computador, sabe? Tudo o que ele faz, eu ouço, porque o cara não usa fone de ouvido. Normalmente, eu deixo o áudio do meu computador desligado ou uso o cabo especial que liga-o direto no processador do IC.

De repente, ele começou a ouvir uma música. Eu achei absurdamente familiar, embora não soubesse qual era. Só pensei ‘Nossa, essa é uma música que eu gosto!” e comentei isso com ele.

Ele fez uma cara de desdém, tipo ‘duvido que você conheça’ e disse: “Eduardo e Mônica”, conhece?

Respondi que foi uma das últimas músicas que ouvi e ele me mandou o link da propaganda da Vivo que homenageia essa música, vocês viram?

Só posso dizer que:

1. eu chorei copiosamente (pra variar) quando vi o vídeo. Um pouco pela música, um pouco pelo filme, um pouco pelo milagre de ouvir a música graças à tecnologia do implante coclear.

2. reconheço que a música me afetou mais do que supõe a vã filosofia mundana: meu marido é mais novo que eu e se chama Eduardo hahaha

Beijinhos sonoros,
Lak

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Reencontros sonoros pelo IC: a história de Willa

Escrito por laklobato em 08/06/2011

Lá na comunidade do Implante Coclear do Orkut, uma história chamou a atenção e resolvi trazê-la ao blog, especialmente porque dessa vez, o usuário teve o prazer de postar o vídeo da cirurgia, algo que há muitas queria trazer pro blog (mas não, eu não vi, eu não assisti vídeo de cirurgia, tenho aflição)
O caso é ainda mais especial do que parece, porque foi altamente divulgado na mídia, como por exemplo, no site da Deputada Estadual Mara Gabrilli: Com ouvido biônico, pai ouve a voz do filho pela primeira vez.
Aproveitei e entrevistei o Willa especialmente para o DNO:

1. Conte-nos um pouco de você. De onde você é, qual a sua idade, o que você faz….
Sou de Diadema-SP e tenho 32 anos, atualmente estou trabalhando de auxiliar de almoxarifado. Trabalhava como mecânico de manutenção até 2008, quando afastei do trabalho e entrei no INSS. Voltei a trabalhar, mas tive que mudar de profissão e setor…

2. Você perdeu a audição como?
Perdi minha audição no dia 24/03/2003, após coleta de sangue (exames médicos) em uma clínica em São Bernardo do Campo-SP. Ao sair da clinica, fui à uma lanchonete me alimentar porque estava de jejum e a clinica não ofereceu alimento. Então sai da clinica e fiquei em duvida em pegar o carro e ir pro serviço ou ir lanchar, fiquei na esquina.
Resolvi ir à lanchonete…
Só me lembro até ai, o resto só sei porque me contaram. Perdi a memória e fiquei três dias em coma.
O dono da lanchonete contou que eu cheguei normal lá e solicitei um lanche com café. Quando trouxe o lanche e foi me entregar, eu cai pra trás e bati a cabeça na soleira da porta.
Imediatamente, ele chamou o resgate que chegou em cinco minutos e fui encaminhado ao Hospital Público de São Bernardo. Cheguei no Hospital as 8h10, mas não havia nenhuma ambulância com UTI para me tranferirem para um hospital particular. Só consegui chegar no Hospital Assunção às 17h50, que fica a menos de dez minutos do Hospital São Bernardo. Até ser transferido ao Hospital Assunção, fiquei numa maca no corredor do hospital público, o que foi uma negligência atrás da outra, desde a clínica onde tirei sangue de manhã!

3. Quando você ensurdeceu, como foi o impacto emocional?
Quando acordei do coma, às 16h do dia 26/03/2003, seu soube que havia sofrido o acidente e já fui informado do meu estado clinico: surdo, não andava e crise convulsiva. Já imaginou???
Mas sempre tive fé em Deus que iria melhorar e entre os meses de abril e julho tive uma recuperação fantástica, e depois o quadro estabilizou, mas restou a surdez!!
Daí em diante, foi muito triste, deixei varios sonhos e metas da minha vida pra trás (terminei o técnico em mecatronica em janeiro de 2003 e no meio do ano iria entrar na facudade pra presta engenharia mecanica), porque era o meu sonho e desde os 14 anos. Sempre fiz cursos nesta area… Por causa da surdez, abandonei o inglês, parei de jogar bola, de ir à festas. Entrei em depresão, chorei muito e fiquei muito irritado.

4. Quem te esclareceu sobre o implante coclear?
Foram o Dr. Raul Zanini (que além de explicar, ajudou muito na briga com o convênio) e a Dra. Priscila Borgar e o Dr. Francisco Tadeu Pacheco que me encaminhou a esses especialistas.

5. Quanto tempo você ficou na fila para conseguir o IC? Fez onde e com quem?
Se não fosse a BURROcracia do convênio, a cirurgia teria sido realizada um mês e meio após o Dr. Raul Zanini solicitá-la.
A guia de internação para a cirurgia que foi solicitada no dia 18/10/2010 e estava marcada para o dia 06/12/2010, mas o convênio fez um monte de exigências e cometeu vários erros com a guia de internação e a solicitação dos materiais e aparelho, o que atrapalhava para a realização da cirurgia.
Felizmente o dr. Raul Zanini sempre estava por dentro de tudo e nos ajudou a vencer esta luta com o convênio. A cirurgia acabou sendo realizada no dia 12/03/2011.

6. Foi difícil optar pela cirurgia? Teve dúvidas? Se teve, como conseguiu lidar com elas, teve algum apoio?
Não foi difícil porque eu estava com plena confiança em Deus que tudo iria dá certo. Dúvidas que eu tive, esclareci com o Dr. Raul Zanini e a Dra Priscila Borgar.
Também pude contar com grande apoio por parte da minha familia e amigo.
Pra você ter uma ideia, toda vez que iria fazer algum exame em que teria que tomar remédio ou injeção, eu ficava em pânico e com as mãos geladas. Mas quando foi o dia da cirurgia eu estava muito confiante minhas mãos estava normal e eu tambem. Quando eu estava na sala cirurgica eu vi o Dr. Raul e sua equipe, todos sorrindo e alegres e nisso me passou mais tranquilidade, tambem pedi pra meu bom Deus me acompanha nesta cirurgia, falei pra Ele ficar do meu lado e abençoar as mãos dos médicos e enfermeiros… E Ele me atendeu!!!
Deus fez um milagre em mim! Levei meu celular, que eu usava só para mandar mensagem e nele programei que quando eu acordasse após a cirurgia, ao ligá-lo apareceria essa mensagem de tema “Deus fez um milagre em mim”.

7. Como foi a espera até a ativação? E como foi a ativação em si? Quais foram as primeiras coisas que você fez logo depois da ativação?
Muito ansioso e feliz, a única coisa esquisita foi o corte de cabelo (hahaha) que estava estranho. Era dificil sair pra rua! Só retornei ao trabalho 15 dias após a cirurgia.
A ativação foi emocionante! Muita alegria! Eu, sempre feliz, fiquei brincando com o som das vozes, passos dos os medicos e as fonos e camera que estava filmando. Quando estava ativando, pedi pra descer do prédio e ir à rua pra saber se o barulho la fora iria me incomodar.
Ao sair da sala, ouvi o barulho do elevador chegando no andar, e na rua via o barulho dos caminhões, ônibus, carro e moto, mas era um som diferente do que ouvia antes. Agora, a que eu ouvi legal e nítido foi a âmbulancia que passou lá, fiquei impressionado com o aparelho. Deiz dias após a ativação, pude fazer uma ligação aos meus pais, que moram no Maranhão. Só posso dizer uma coisa:fiz muita gente chorar de emoção!
Já coloquei som no meu carro, as músicas que escutava antes de perder a audição, estou escutando legal a voz e um pouco dos instrumento musicais (violão e bateria muito nitidamente). Isso, sem falar sobre a minha comunicação com o meu filho. Mudou muito! Vou até fazer uma viagem de avião ao Maranhão com ele em outubro, nas minhas férias!

8. Está gostando de usar o implante? O que gostaria de dizer para quem está pensando em fazer a cirurgia mas tem dúvidas de fazê-la?
Estou gostando muito!!!
Porque minha vida mudou muito após o IC e não esperava essa mudança toda!
Olha que eu estou a 50 dias com ele e fiz meu primeiro mapeamento agora no dia 02/06. As fono e medico falam que eu estou tendo uma adaptação e reconhecimento fantásticos. Eles estão muito felizes com o resultado.
As palavra que eu quero dizer aos proximos cadidatos ao IC é:
Tenha Fé em Deus, porque Ele existe e Ele é generoso e sabe a hora certa!
Deus fez um Milagre em Mim!

Um forte abraço !!!

Willa Costa Monteiro

Abaixo, o vídeo da cirurgia:

Espero que gostem (e consigam assistir, porque eu admito que não consigo mesmo snif snif)
Beijinhos sonoros,
Lak

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