Delícias sonoras de 2012

Escrito por laklobato em 23/01/2012

Faz bastante tempo que não falo dos meus encantamentos sonoros, né?

Pois é, é que conforme o tempo vai passando, os sons vão se tornando cada vez mais familiares e os deslumbramentos ficam espaçados. Que nem gente grande hehehe

Mas assim, algumas coisas ainda me encantam, me comovem, me fazem derramar algumas lágrimas por poder ouvir.

No final de dezembro, estive em Saquarema. Fazia uns 6 anos que eu não ia lá. Saquarema, que fica na região dos lagos, litoral do Rio de Janeiro, é um lugar muito especial pra mim, em diversos sentidos. Praticamente cresci lá. Ia pra lá todos os anos. As vezes, mais de uma vez por ano.

Foi lá, inclusive, que passei o último verão que ouvi, então muitas das minhas últimas lembranças sonoras, estão ligadas a Saquarema.

Quando voltei lá, agora implantada, tive uma surpresa maravilhosa. Como o mar estava revolto, o barulho das ondas se fazia marcante mesmo antes da gente colocar o pé na areia. Eu gosto do barulho do mar, já contei aqui, já inclusive coloquei um vídeo da primeira experiência ouvindo o mar…

Imagem da praia de Itauna, em Saquarema. O céu azul com poucas nuvens, o mar num tom azul profundo, revolto, e a areia bege clara. Há também uma placa vermelha indicando sinal de perigo.

Mas, ouvir o mar de Saquarema me arrancou boas lágrimas, porque o barulho lá é único. E também, foi o último barulho de mar que ouvi. E ele estava exatamente do mesmo jeito, 25 anos depois: forte e sonoro, de ondas que quebram de maneira poderosa e que arrancam até um pouco de medo disfarçado entre os risos “melhor a gente não entrar na água não hehe”

Comecei a chorar assim que me dei conta da familiaridade do som. E continuei chorando por um bom tempo. Porque é engraçado, quando me dou conta que eu tinha medo de nunca mais ouvir  tal coisa de novo, acabo chorando por alívio.

No mesmo instante, publiquei uma foto no Facebook e me deliciei com os comentários de quem ficava encantado de saber que eu tinha realizado um sonho que eu nem conhecia…

Poucos dias depois, estava no Rio de Janeiro, para participar do encontrinho de Implantados que houve lá e visitar a Joana, minha babyborg favorita e fui com o pai da Joana e o irmãozinho dela, Miguel, passear pelo local onde o encontro foi realizado, Forte de Copacabana.

De repente, ouvi um barulho familiar e olhei pro céu (foi de reflexo, porque na realidade, nem sabia direito o que era aquele som). Descobri imediatamente o que se tratava: o barulho do teco-teco que “arrastava” uma faixa de propaganda. Lembrei de estar na praia quando criança e que eu adorava aquele barulho. Delícia…

Imagem de um pequeno avião vermelho, arrastando uma faixa, num céu azul com poucas nuvens.

E uma terceira emoção de ouvir…

Edu, o marido, passou mal esses dias e acabou indo parar no hospital. Na sala de avaliação primária do pronto atendimento, testavam um monte de coisas: pressão, temperatura, oxigenação, etc.  Enquanto ele respondia um inquérito sobre dores e sintomas, ouvi um barulho repetitivo. Pensei ‘é um relógio? mas alto assim?’. E perguntei: “Edu, que barulho é esse.” Mas, antes mesmo que ele pudesse me responder, “minha ficha caiu” e me dei conta que, pela primeira vez, estava ouvindo os batimentos cardíacos dele.

O mundo, com seus incontáveis sons e barulhos indescritíveis, é um lugar deslumbrante!

Adoro que o Implante Coclear me permita fazer parte dele!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Encontrinho de São José dos Campos, 29 de janeiro.

Escrito por laklobato em 20/01/2012

Pessoas,

2012 começa agitada no que se refere a encontros de implantados, candidatos ao IC, familiares, profissionais e interessados nessa maravilhosa tecnologia que permite que surdos profundos se divirtam ouvindo grilos e cigarras, no finalzinho da tarde….

Desta vez, o encontro será em São José dos Campos,SP, organizado pela Lesle Maciel e pelo Marcelo de Paula. Lembram do Marcelo? Contei a história dele aqui, que fui visitá-lo no Hospital das Clínicas, assim que ele foi operado do IC. Não falei mais dele aqui, né? Mas soube que o Marcelo é um caso de extremo sucesso do IC e, inclusive, já se vira muito bem ao telefone (falar no telefone é o parâmetro de sucesso máximo do IC, porque representa 100% de autonomia auditiva), o que pra mim é um orgulho, já que passamos juntos por todo o processo da cirurgia dele!

Então, repassando o convite na íntegra:

Você está convidado à participar de nosso:

ENCONTRO DE IMPLANTADOS, CANDIDATOS AO IMPLANTE COCLEAR E AMIGOS, NA CIDADE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP

DATA: 29-01-2012  -  DOMINGO

HORÁRIO: DAS 14h30  ás 16h30

LOCAL: Mesas em frente ao cinema no SHOPPING COLINAS

Av: São João 2200, Jd. das Colinas – São José dos Campos/SP

Contamos com sua presença, em um momento de bate papo descontraído,

novas amizades  e troca de informações

sobre o implante coclear.

Até lá!!

Atenciosamente,

Marcelo de Paula,  usuário de implante coclear –(Contato através do Facebook- “tchelodipa”)

Lesle Maciel,  psicóloga e mãe de usuário de implante coclear

Vamos????

Beijinhos sonoros,

Lak

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Sobre o Projeto de Lei 6706/06 – educação especial

Escrito por laklobato em 16/01/2012

Há um tempo atrás, postei um repúdio ao Projeto de Lei do Senador Cristovam Buarque a respeito da educação especial, que tornaria obrigatório o ensino de LIBRAS pra estudantes deficientes auditivos de qualquer grau.

O problema não é que eu seja contra a obrigação das escolas de disporem dessa modalidade de ensino, mas da maneira em que está sendo proposto, parece que o aluno é obrigado a aprender em LIBRAS e não a escola é obrigada a oferecer a matéria (ou as outras matérias, nesse idioma).

Porque, sejamos sinceros, uma lei não pode dar margem pra dupla interpretação e não são todos os alunos com deficiência auditiva que querem ter aula de LIBRAS obrigatoriamente. Repetindo algo que eu já cansei de falar: deficiência auditiva não forma um grupo homogêneo, ela pode se dar em qualquer fase da vida e existe várias maneiras de se lidar com ela. Usar a língua de sinais não é a única forma e não é necessariamente a melhor pra todo mundo, portanto, ela não é o único recurso que deve ser levado em consideração.

Enfim, semana passada tive o prazer de ler no blog SULP (Surdos Usuários da Língua Portuguesa) sobre um outro Projeto de Lei, o 6706/06, que também fala de educação especial, oferecendo LIBRAS e Braile para quem precisa (e quer), mas que também fala sobre oferecimento de outros recursos de acessibilidade.

A Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania aprovou nesta quinta-feira proposta que obriga as escolas públicas e privadas a oferecer a seus alunos com necessidades especiais as linguagens específicas que lhes permitam uma perfeita comunicação, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o sistema Braile.

A proposta, que foi aprovada em caráter conclusivo e segue para o Senado, estabelece que “os sistemas de ensino deverão assegurar aos alunos com necessidades especiais métodos pedagógicos de comunicação, entre eles: Língua Brasileira de Sinais (Libras), tradução e interpretação de Libras, ensino de Língua Portuguesa para surdos, sistema Braille; recursos áudios e digitais, orientação e mobilidade; tecnologias assistivas e ajudas técnicas; interpretação da Libras digital, tadoma e outras alternativas de comunicação”.

O texto aprovado, que altera o capítulo sobre educação especial da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/96), também amplia o conceito de educação especial. Conforme a definição atual, trata-se da “modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”.

Conforme a proposta, a educação especial é a “modalidade de educação escolar que realiza o atendimento educacional especializado, definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar e suplementar os serviços educacionais comuns oferecidos, preferencialmente, na rede regular de ensino”.

As demais características da educação especial, descritas no artigo 59 da lei, são mantidas pela proposta aprovada hoje.

O texto aprovado é uma emenda do relator da proposta na CCJ, Efraim Filho (DEM-PB), que se baseou no substitutivo aprovado anteriormente pela Comissão de Seguridade Social e Família ao Projeto de Lei 6706/06, da ex-senadora Ideli Salvati (PT-SC), hoje ministra das Relações Institucionais.

A proposta original previa apenas a inclusão da Libras no currículo, mas foi ampliado, atendendo às demais pessoas com deficiência. O texto volta para o Senado por ter sido alterado.
Íntegra da proposta:
PL-6706/2006
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Wilson Silveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara de Notícias

É de projetos assim que precisamos: que ofereçam aquilo que o aluno precisa, de acordo com a necessidade dele e não criar um padrão-do-que-é-certo-pra-categoria, deixando apenas uma parcela das pessoas com tal deficiência satisfeitas e as outras, tendo que engolir goela abaixo uma obrigatoriedade que não condiz em nada com as necessidades intrínsecas da condição sensorial dela.

Como alguém que perdeu a audição em idade escolar, sempre teve português como língua materna e que sempre se virou perfeitamente bem com a leitura labial e a fala oral, é esse o tipo de acessibilidade coerente que eu acredito! Funciona!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Divulgando: Abaixo Assinado pela Manutenção do IC via SUS

Escrito por laklobato em 13/01/2012

Pessoal,
era pra ter postado isso ontem, mas graças a um contratempo pessoal sério, só consegui ter tempo de fazer o post hoje.

Como a maioria já deve ter ficado sabendo, o próprio SUS recorreu no Ministério Publico pra não ser obrigado a cobrir implante bilateral nem manutenção do IC após a cirurgia. Isso é um absurdo, porque nós pagamos os mais altos impostos do mundo e deveríamos ter retorno da mesma medida. O IC bilateral é fundamental SIM, porque sem ele, é difícil fazer localização dos sons – por isso temos dois ouvidos e não um só – e quem tem indicação de bilateral, precisa do bilateral. O AASI não substitui o segundo IC em 100% dos casos. Cobrir a manutenção do IC – e dos aparelhos doados! – é igualmente importante, porque a reposição de peças, consertos, terapias de reabilitação, etc. são caríssimos e nem todo mundo tem condição de pagar (especialmente pessoas com deficiência, já que estamos carecas de saber que PcDs tem salários abaixo da média).

Portanto, organizaram um abaixo assinado para solicitar que o Supremo Tribunal exija essa manutenção do SUS.

“Se você é a favor do tratamento do implante coclear para todas as pessoas surdas, saiba que apesar de existir um programa nacional de saúde auditiva/SUS que fornece a cirurgia e as próteses, ainda não prevê a manutenção dessa cara tecnologia, comprometendo a continuidade do tratamento. Muitos usuários podem obter êxito e escutar mesmo que sejam surdos profundos. Os maiores beneficiados são as crianças que precisam adquirir a linguagem para se desenvolverem globalmente. Para isso precisam ter acesso ao tratamento completo, previsto pelo SUS e pela legislação pertinente à deficiência auditiva. Você pode ajudar assinando a nossa petição que será enviada ao Supremo Tribunal Federal em apoio a uma ação civil pública que teve início no Rio de Janeiro e foi ampliada a nível nacional. Contamos com você. Assine, divulgue, participe!”

Assinar não custa nada e não exige mais de 5 minutos, mas pode fazer uma diferença IMENSA na vida de alguém que depende de uma prótese para ouvir e, a qualquer momento, pode ficar sem condição de fazer manutenção da prótese, portanto, vamos assinar e divulgar ao máximo. Ajudem na divulgação, por favor!

Para assinar, acesse: Abaixo Assinado Manutenção do Implante Coclear pelo Programa Nacional de Saúde Auditiva/SUS.

Beijinhos sonoros,

Lak

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2012 Começando com o Pé Direito: Encontrinho de Implantados do Rio

Escrito por laklobato em 10/01/2012

2012 começou a pleno vapor na comunidade de implantados. Na primeira semana do ano, já tivemos o prazer de realizar um encontrinho na Capital Carioca, pra troca de informações e convivência entre os implantados, pré-implantados e interessados…
Mas, antes de contar como foi, permitam-me fazer um jabá da linha aérea Avianca, pois foi a primeira vez que voei com eles. Na hora de escolher o vôo, escolhi essa companhia pelo horário, mas acabou se revelando uma boa surpresa. Por quê? Porque as instruções de segurança de bordo passaram uma televisão individual com: LEGENDA. Tá que a maioria das informações dadas pelo comandante não tinham qualquer recurso visual (mas eu me diverti de ouvir “Senhores Passageiros” no alto falante), mas pelo menos as instruções vieram legendadas. Não é, assim, A SOLUÇÃO, mas cá entre nós, uma diferença, por menor que seja, já anima bastante, vai?
Chegando no Rio, fui recebida no aeroporto por Bruno e Mariana, que são pais da pequena Joana, de 7 meses, usuária de AASIs e futura implantada.
O encontro foi na Colombo – uma das mais tradicionais lanchonetes do Rio de Janeiro, que existe desde 1894 – de Copacabana. O local escolhido não poderia ser mais bonito, com uma belíssima vista para a praia de Copacabana. Aqui em particular, Copacabana é o bairro onde eu nasci e, portanto, é um lugar muito muito especial para mim.
Como foi o primeiro encontrinho do ano, marcado em época de férias, fomos poucas pessoas. Mas assim, é bem agradável, porque dá pra conversar com calma. O gostoso desses encontros é a troca de experiência, de informações, de esclarecimento de dúvidas.. A maioria já se conhece pela internet, mas a amizade passa para outro nível quando ocorre o encontro real. Deixamos de ser apenas palavras digitadas e lidas através de uma tela, para nos transformar em seres humanos reais e palpáveis, que tem histórias de vidas parecidas…
Gente que fez o IC recentemente, que já tem bastante tempo de implantado, que acabou de ser operado e nem ativou o aparelho ainda, que está com a cirurgia marcada ou pensando em fazê-la.
O IC ainda é uma mudança que assusta, porque ele ainda não é um aparelho corriqueiro. Muita gente não conhece, muita gente nunca ouviu falar, muita gente acha que ele é muito mais complicado de usar que realmente é. Daí, os encontros são para esclarecer essas dúvidas e descobrir que, apesar da gente brincar com o termo cyborg, nós usuários do IC somos tão humanos quanto quaisquer pessoas. Apenas usamos uma prótese parcialmente interna para aproveitar os sons do mundo.
Inclusive porque amizades precisam de pontos em comum e esse é um ponto excelente para servir de ponto de partida à ela.
O encontro foi delicioso e regado a muito suco de laranja, por ter sido de manhã hehehe
Pelo que soube, durou mais de 10 horas, pois o pessoal trocou de lugar, mas continuou junto, falando do IC.
Eu preferi ficar em companhia do Bruno e da Mariana, cuja filha Joana seria implantada em breve. Passei o resto do sábado e a manhã de domingo com eles.
Foi uma experiência maravilhosa em diversos sentidos.
2012 promete!
Beijinhos sonoros
Lak
Abaixo, as fotos do evento (clique na imagem para ampliá-las):

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