Levando um papo na Câmara Municipal

Escrito por laklobato em 21/06/2011

Acabei de chegar de uma reunião em que participei, na Câmara Municipal/SP. Fui a convite da Clarice Kammer, Conselheira e Coordenadora da Pasta de Educação – CMPD/SP (Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência) e Diretora do INIS – Instituto Nacional de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

A princípio, eu havia ido apenas como observadora, uma vez que não havia preparado nada para apresentar nessa reunião sobre Acessibilidade – e também em termos gerais, já que eu não sou exatamente ativista da área de acessibilidade, sou apenas uma implantada que escreve um blog sobre surdos oralizados e Implante Coclear.

Mas, durante a reunião, começaram a falar sobre o Sistema FM, uma vez que é caro e difícil de conseguir pelo Ministério Público, embora seja importante para quem usa AASI e IC e acabaram me entregando o microfone, para que eu pudesse explicar.

Veja bem,  sou uma boa escritora (não, não vou bancar a modesta agora, me perdoem) mas falar em publico nunca foi o meu forte, nem  mesmo quando eu ouvia. Primeiro, porque eu falo rápido, segundo porque eu tenho dificuldade de transmitir o que penso pela fala, embaralho tudo e fica uma coisa louca de se acompanhar.

Só que, dessa vez não tive como escapar. Peguei o microfone, respirei fundo, perguntei se o volume da voz estava bom, pedi desculpas por eventuais tropeços de linguagem, que era a primeira vez que me via falando em publico.

Comecei explicando o que era um surdo oralizado e sobre a existência de deficientes auditivos de graus moderado e severo que usam aparelho e conseguem ouvir relativamente bem, mas que sofrem pra discriminar ruidos ambientes da voz principal e, por isso, o Sistema FM é de grande ajuda. Falei sobre o Hearing Loop (aro magnético, um sistema de transmissão de som ambiente direto para a bobina do aparelho, similar ao sistema FM, mas mais adequado à salas de conferência, etc. Preciso fazer um post sobre isso aqui ainda!!). Falei sobre a necessidade de maior divulgação de interpretes oralistas (também preciso fazer um post sobre eles  aqui, já consegui uma vitima, digo, profissional que faz esse trabalho para ajudar o DNO). Falei sobre o custo de usar um aparelho ou um Implante Coclear, que as pilhas consomem dinheiro e isso atrapalha na aquisição do Sistema FM. Que pais de crianças que podem ser beneficiadas pelo FM demoram até anos para conseguir pelo Ministério Público, nos anos críticos de alfabetização da criança.

A reação foi absolutamente inesperada, confesso. Principalmente porque, com meu sotaque de surda oralizada, com meu nervosismo e até meu raciocínio embaralhado (lembrem-se que falei isso de improviso, não tinha qualquer roteiro pronto ou estudo prévio) entenderam perfeitamente minhas colocações, fizeram várias perguntas e se mostraram indignados com essa informação só estar chegando aos ouvidos deles agora.

Quiseram saber quanto custava as pilhas e ficaram chocados de saber o quanto a gente gasta com isso. No fim, foi citado especialmente para as minhas colocações, um trecho da constituição sobre assistência para qualidade de vida (não lembro o que, me perdoem, eu estava  emocionada de conseguir ter realizado o feito). E demonstraram estar interessados em prover essas solicitações levantadas às necessidades dos deficientes auditivos que ouvem por próteses e/ou implantes e/ou são oralizados.

Conversei rapidamente com o Presidente da Sessão (é esse o termo? desculpe se tiver falado bobagem), que queria saber sobre meu caso. Contei e disse: “Eu só quero que se o senhor ou qualquer pessoa aqui presente, se tiver o infortúnio de perder a audição esta noite – afinal, eu perdi a audição dormindo – tenha acesso ao que precisar para continuar ouvindo mesmo que artificalmente e ao idioma que o senhor tem como materno, no caso, a Língua Portuguesa.”. Ele concordou plenamente. Afinal, perder a audição com a idade é algo bastante conhecido, não é mesmo?

Soube também que um dos vereadores já pediu para o assessor dele entrar em contato com a Phonak para colocar um sistema de audio adequado para quem usa AASI ou IC na Câmara Municipal. Vamos torcer pra rolar isso mesmo!!

Por fim, eu deixei claro que não tenho qualquer interesse em prejudicar a luta pela Líbras, que respeito os surdos que fazem uso dela e que as necessidades deles devem ser ouvidas e  respeitadas.

E as nossas também. Afinal, como sempre digo, há espaço suficiente para todos. Um brinde à diversidade!

Beijinhos Sonoros,

Lak

Eu, Clarice Kammer e Carlos Perl (CMPD e INIS) E Adelino Azores (Rede Atitude)

Aos amigos deficientes visuais, ambas as fotos mostram nós quatro (Eu, Clarice Kammer e Carlos Perl, ambos do CMPD e doINIS e Adelino Azores  da Rede Atitude, na Câmara dos Vereadores, durante uma audiência. Adelino com microfone em mãos, fazendo seu relato sobre acessibilidade.

P.s. E uma foto capturada do site da Câmara, fazendo careta enquanto falava:

Foto: Fábio Jr Lazzari/CMSP

Priceless!!

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O que são surdos oralizados?

Escrito por laklobato em 20/06/2011

Fiz esse texto pro blog de um amigo meu, Fred Rios, chamado Acessibilidade na Prática.

Já tinha colocado o link pro texto original aqui, mas queria trazê-lo para o DNO, então faço isso hoje:

Surdos oralizados

Por Lak Lobato
De vez em quando, alguém me pergunta o que é um surdo oralizado.
Afinal, todo mundo já ouviu falar de surdos que se comunicam por sinais (e até acham que isso é comum de todo deficiente auditivo) e de gente que ouve usando aqueles aparelhos pendurados na orelha.
Por conta dessa falta de divulgação sobre o nosso grupo, dos surdos oralizados, decidi que precisava fazer um blog contando a minha experiência, o “Desculpe, não ouvi!“. Minha preocupação principal era esclarecer sobre a diversidade que existe entre as pessoas que têm essa deficiência.
Atualmente, com a divulgação da Libras, muita gente fica deslumbrada com a Língua de Sinais e acha que este idioma é comum a todo deficiente auditivo. A Libras é um idioma belíssimo e reconhecido oficialmente como segundo idioma oficial do Brasil, mas ela não contempla as necessidades de todo deficiente auditivo.
Essa idéia de que deficiente auditivo é sempre sinônimo de Libras ocorre muito porque, quando se aborda o tema da deficiência auditiva, rapidamente se vem à mente o estereótipo (e o termo errado) do surdo-mudo. Alguém que não fala, porque não ouve. E se não ouve, não poderia falar e, por isso a solução para se comunicar é a Libras.
Existem vários tipos pessoas que convivem com a limitação auditiva. Há quem consiga driblar a deficiência com aparelhos auditivos comuns. A pessoa vai lá, coloca um aparelhinho na orelha, passa a ouvir com essa ajuda e resolve tudo. Essas pessoas são chamadas de deficientes auditivos e, normalmente, possuem perda em grau leve ou moderado.
Mas existe também quem tenha deficiência auditiva severa e/ou profunda e não faça uso da Língua de Sinais. Pessoas com deficiência auditiva que, apesar de não ouvirem nem mesmo com aparelhos, falam normalmente (ainda que com sotaque típico) e se comunicam valendo-se da leitura labial. São pessoas que perderam a audição depois da aquisição da fala através da audição (também chamados de surdos pós-linguais) ou cujos pais acreditaram na oralização através da fonoterapia. O que os diferencia dos deficientes auditivos de graus mais leves é justamente o fato de serem incapazes de discriminar a fala auditivamente, mesmo utilizando próteses auditivas. O termo usado para referir-se a essas pessoas, é surdo oralizado.
Os surdos oralizados, em geral, não costumam ter muito interesse pela língua de sinais, porque a língua que se tornou natural é o idioma comum, no caso do Brasil, o português. Quando um surdo fala português oral e Libras, é chamado de bilíngüe ou bimodal.
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A falta de legenda em programa de televisão e A Associação de Surdos Oralizados da França

Escrito por laklobato em 27/04/2011

Ontem, me aborreci a beça no twitter (e por consequência, aborreci os outros) pela falta de consideração dos programas de televisão que não colocam legenda oculta (Closed Caption). Tudo bem que é utópico achar que todos os programas vão se dar ao trabalho, mas tratava-se de um suposto programa de denuncias, chamado A LIGA e cuja proposta era mostrar como a sociedade não está adaptada para as pessoas com deficiência. Dizem que o programa foi bacana, mas cometeu um erro crasso: não tinha qualquer acessibilidade para os deficientes auditivos e surdos oralizados.
O maior problema, aqui no Brasil, é a briga constante entre os surdos usuários da língua portuguesa (que abrange: oralizados, bilingues, deficientes auditivos de graus mais leves e qualquer pessoa com deficit auditivo que seja fluente na língua portuguesa escrita) e os surdos usuários da Líbras, que muitas vezes não tem qualquer fluência na língua portuguesa.

De um lado, nós querendo legendagem dos programas de entretenimento, dos filmes nacionais e internacionais em português. Do outro, eles querendo janelas de intérprete, porque não conseguem ler a legenda em português. E tanto eles alegam que não conseguem (nem são obrigados) a aprender português com fluência, quanto nós alegamos que aprender Líbras com fluência é inviável. Eu, particularmente, tenho que traduzir mentalmente uma frase em Líbras pra português, senão ela perde o sentido, a revelia de eu saber ou não quais são os sinais. Isso porque a Líbras tem morfosintaxe própria, completamente diferente do português.
Bom, brigas à parte, o programa em questão não abordou surdez nenhuma (suponho que surdez não seja uma deficiência interessante o bastante) e tampouco ofereceu qualquer tipo de acessibilidade.

E o pior, a maioria das pessoas que poderia ajudar faz vista grossa, porque acham que nossa briga é boba. Ou não dão a mínima, já que não afeta a vida deles…
E quantas vezes nós, surdos oralizados, participamos de brigas que não são nossas. Até aqui no DNO já fiz post sobre respeito às vagas demarcadas, que NÃO SÃO direito meu, NÃO SERVEM pra minha deficiência, mas eu respeito e brigo pelo respeito mesmo assim?

Conversando com a Sô, do blog-parceiro do DNO, o SULP (sigla de: surdos usuários da língua portuguesa), ela comentou “quase todo tipo de deficiência tem representantes os surdos não-sinalizados não tem associações, somos invisíveis.”

De imediato, eu respondi: Não tem aqui no Brasil. Na França, por exemplo, existe a AFIDEO – ASSOCIATION FRANÇAISE POUR L`INFORMATION ET LA DÉFENSE DES SOURDS S’EXPRIMANT ORALEMENT (Associação Francesa de para Informação e Defesa dos Surdos que se expressam oralmente)

Segundo o site: http://www.afideo.org/:

A combinação de reabilitação e de defesa de surdos fundada em setembro de 1969, é uma associação nacional sem fins lucrativos, regida pela lei de 1901.
Através de sua adesão, a ARDD é a maior associação francesa, não-denominacional, a população com surdez adquirida.
Seus objetivos são:
Comunicando-se com situações de audição,
desenvolver a assistência mútua,
Promover a integração profissional e social ;
Contribuir para a melhoria e desenvolvimento de ajudas técnicas;
Ampliar a acessibilidade para surdos e deficientes auditivos.
Com sede em Paris, seus ramos regionais agir local, distrital e regional e proporcionar atividades de divulgação aos seus membros.
ARDD membros residem em todas as regiões da França ou outros países.
O ARDD oferece diversas atividades para seus membros, publica uma revista trimestral jornal La Caravelle.
O ARDD realiza ações com outros órgãos e atua em nível nacional com os grupos de associações de pessoas com deficiência auditiva (surdos, pais com filhos surdos, etc.) E intervém a nível nacional, pública ou privado, através dos seus membros ativos.
Seus slogans principais são a promoção da leitura labial e acessibilidade para os deficientes auditivos.
O ARDD está intimamente ligada à história das associações em Paris e, mais geralmente na história da surdez, na França. Na verdade, é um dos três fundadores da BUCODES e participou na criação de UNISDA.
aulas em grupo Gratuitos em leitura labial
Associação da revista, o Artigo Ajuda Sobre Técnicas:
http://www.ardds.org/fichiers-pdf/cara182.pdf


Carteirinha dos Membros, com os dizeres: Não ouço. Fale olhando para mim e articulando bem as palavras. Ou escreva. Obrigado

Só a título de informação, ARDD significa: L’ASSOCIATION DE RÉADAPTATION ET DÉFENSE DES DEVENUS SOURDS ET MALENTENTS (Associação de Readaptação e Defesa das Pessoas que se tornaram Surdas ou Deficientes Auditivas)

O nosso maior impasse por aqui, é justamente só haver associações que defendem os surdos que usam Líbras, fazendo com que a maioria da população acredite que a Língua de Sinais é universal de toda pessoa que tem déficit auditivo. Falta uma associação defendendo os Surdos Oralizados e Deficientes Auditivos Usuários da Língua Portuguesa!!

Enquanto isso, cabe aos blogs da internet fazerem o trabalho de divulgação!
Beijinhos sonoros,
Lak

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Cinema Legendado

Escrito por laklobato em 04/04/2011

Esses dias, Sô, do blog SULP (Surdos Usuários da Lingua Portuguesa <- termo usado para todo e qualquer deficiente auditivo, a revelia do momento em que se deu a perda auditiva e o grau desta perda, que tem a Língua Portuguesa como primeiro ou único idioma) escreveu um post sobre os equívocos dos Legisladores que resolvem abraçar a causa de acessibilidade e inclusão, sem ter conhecimento da diversidade das pessoas com deficiência.

Eu canso de bater na tecla que não existe um modelo único de deficiente auditivo, porque são cinco graus de perda auditiva, além dela poder ocorrer em várias etapas da vida, o que resulta em uma diversidade grande entre as pessoas acometidas por essa privação sensorial. E, no entanto, TODOS precisam de adaptações e essas adaptações não podem se resumir  as necessidades de apenas um grupo, porque outro grupo terá suas necessidades negligenciadas e no final das contas, haverá gente sem acesso a determinadas coisas.

Para quem não  tem deficiência auditiva compreender a situação, pense no caso da legendagem de filmes, há quem tente convencer que todo e qualquer programa/filme/seriado/documentário estrangeiro deveria ser dublado, alegando que parte da população é analfabeta. Isso é um desrepeito às pessoas que estudaram e que preferem ouvir no idioma original, tendo apoio da legenda. O certo é haver as duas opções. O que tem sido permitido oferecendo-se copias dubladas e legendadas, uso da Tecla Sap e Closed Caption dos televisores. Então, por quê reduzir a população a um único modelo de cidadão não-alfabetizado que não sabe ler legenda? Você concorda com isso?

Pois então, segundo o post da Sô, existe um projeto de lei que visa substituir a legenda descritiva para deficientes auditivos – uma legenda especial que, além de traduzir por escrito os diálogos, traduz também os sons ambientes, tais como sirene, buzina, latidos, miados, janela quebrando e até o tipo de trilha sonora – por janelas de interpretes de Líbras, acreditando que todo deficiente auditivo domina perfeitamente essa forma de comunicação.

Antes que alguém se irrite com essa dominação que dei,  isso está na Lei da Libras, Lei nº10,436, Decreto nº 5.236 de 24/04/2002, Parágrafo Único: Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.”

E isso é um desrespeito à diversidade dos Deficientes Auditivos, já que deduz que todo deficiente auditivo seja fluente na Língua de Sinais, o que não é o caso. Nem adianta discutir que todo surdo deve aprender Libras e ser fluente nela, porque existem casos diferentes demais para se homogenizar. E pra quem fala, para quem ouve (ainda que sem discriminar auditivamente a fala com clareza) por próteses externas e internas, para quem tem português como Primeiro ou Único idioma, a Líbras não pode ser imposta como única opção. No máximo, oferecida, sem que se crie expectativa de que todos irão se tornar fluente nela a ponto de abdicar o português escrito para compreensão de programa/filme/seriado/documentário estrangeiro e nacionais, na televisão ou cinema.

Da mesma forma que sou contra a oralização obrigatória de todo deficiente auditivo. Sou a favor da escolha. Há espaço suficiente no mundo para co-existência de Surdos que usam Libras apenas, surdos que usam português apenas e surdos bimodais/bilingues.

Eu concordo que os usuários da Libras precisem de janela de interprete e que a legenda não contempla as necessidades deles. Mas não concordo que essas tais janelas sejam a forma de tradução ideal para todo deficiente auditivo. Progamação adaptada deve ser oferecida nos dois tipos de tradução: Legenda em português E Janela de Intérpretes.

Do contrário, não está sendo feita a Inclusão e tão pouco pode-se chamar isso de Acessibilidade!

Sonia , no post do SULP, pede para escreverem para o Senador explicando sobre os dois tipos de deficientes auditivos: Os que usam a Língua Portuguesa e os que usam a Língua de Sinais.

Eu apoio esse manifesto, porque é errado falar em acessibilidade preocupando-se com apenas um lado. Acessibilidade é para todos!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Propaganda mais que inclusiva!

Escrito por laklobato em 21/01/2011

Ainda na vibe de falar da minha viagem à França – com 2 meses de atraso, mas eu sou meio lenta mesmo, desculpem – e aproveitando o gancho do caso do advogado cadeirante agredido em São José do Campos, por um delegado, contarei outro causo meu por aquelas bandas…

Estava eu no metrô, olhando as estações fofíssimas de Paris, quando reparei numa propaganda que chamou a minha atenção. Mas vi-a rápido demais e não deu para ler o que ela dizia. Passei as estações seguintes procurando o mesmo cartaz, porque quando algo desperta a minha curiosidade, faz cócegas até que eu elucide a questão.

Algumas estações depois, o trem parou bem em frente a outro cartaz similar e pude lê-lo…

Era propaganda da Associação de Deficientes Físicos da França, falando sobre inclusão social, de uma maneira bastante criativa.

Vaguei pelos corredores das estações subterrâneas de Paris afim de achar um cartaz indoor em bom estado, para fotografá-lo. Eis o resultado mais abaixo.

O termo ‘inclusão social’ faz muito politicamentecorretofóbico (que é uma raça que parece crescer a olhos vistos, em bando) torcer o nariz e muito mais gente ainda ter idéias equivocadas do que se trata.

Incluir não significa apenas tornar meia duzia de lugares acessíveis e fazer bonitinho na fita, dando direito do aluno com deficiência se matricular em qualquer escola (mas não dar nenhuma condição de igualdade para o aluno lá dentro, apenas enfiá-lo na escola e esperar que ele se resolva sozinho) ou colocar meia duzia de vagas exclusivas à deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida feitas de qualquer jeito (sem faixa lateral necessaria) ou sem nenhuma fiscalização.

Incluir significa permitir que o mundo seja tão acessivel à qualquer pessoa, a despeito de suas condições físicas, sensoriais ou intelectuais, por uma razão muito simples: Não existe elas e nós, eu e você. Qualquer pessoa pode se tornar deficiente temporaria ou permanentemente a qualquer segundo. Nada, mas nada mesmo, impede que qualquer pessoa quebre uma perna, a coluna ou contraia uma doença que deixa sequelas.

Logo, ninguém faz inclusão social pelos outros, faz-se inclusão social por todos nós.

O erro crasso que se comete é segmentar a sociedade achando que a vaga exclusiva é um privilegio de alguns. Ela é uma necessidade de todos, porque ninguém sabe se ou quando irá necessitar daquelas vagas.

Portanto, a propaganda perguntava, de forma criativa e até bem humorada “Nossa vida deve ser limitada aos lugares que nos são reservados?

E não, não deve, o mundo é um lugar para todos e deve ser acessivel a todos. Rampas, elevadores, banheiros adaptados, placas em braile, atendentes que saibam no mínimo o básico da Libras e que estejam também conscientes de que existe surdos oralizados e deficientes auditivos e, portanto, saibam falar oralmente também  de forma clara, virada pra pessoa e com paciência de compreender uma voz com sotaque. Respeito às particularidades pessoais e alheias.

Segue, então, a propaganda fofinha:

Nada mais que usar o símbolo da deficiência física se sentindo preso dentro de uma vaga demarcada. Hahaha adorei.

Desculpem a qualidade da imagem, é que bati a foto com o iPhone.

Beijinhos sonoros,

Lak

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