A história de Guilherme, implantado.

Escrito por laklobato em 31/08/2011

Estereótipos são estereótipos e paradigmas foram feitos para serem quebrados.

Com perdão do floreio introdutório (sim, eu copiei essa expressão de outra pessoa, cara de pau não me falta!) sem pé nem cabeça,  a entrevista de hoje é especial, porque quebra um paradigma a respeito de pessoas com deficiência auditiva.

Uma coisa as pessoas tem o hábito de achar é que surdo em geral, não fala. E os poucos oralizados são restritos ao idioma que aprenderam antes de perder a audição (ou, se pá, o idioma oficial do País e olhe lá). Quando conto que falo francês, que aprendi francês depois de ensurdecida, que faço aulas de inglês e até que estudei espanhol em Madrid deixo muita gente com cara de tacho, me olhando como se eu tivesse acabado de chegar de Krypton. Mas, heroísmos à parte, eu sou eu e todo mundo já está careca de ter certeza que devo ser alguma aberração da natureza.

Como modéstia e humildade são virtudes que eu nunca vou ter, admito que, às vezes, cometia a bobice de pensar que eu realmente era um caso à parte, portanto, quando conheci o Gui, soube que ele era causo perfeito para ser trazido ao DNO. Ele é surdo oralizado, perdeu a audição com menos idade que eu. Foi implantado no tempo certo (com poucos anos de privação sonora, ainda na adolescência, portanto, o resultado dele com o IC é muito bom) e me contou que fala inglês fluentemente e, na ocasião, estava passando uma temporada morando fora do Brasil, sozinho…

Tudo que vai contra o senso de que surdos tem dificuldade de se comunicar, que sempre dependem do apoio alheio e que aprender idiomas é algo bem além das nossas possibilidades…

Resolvi fazer uma entrevista dinâmica, via MSN. Segue o rumo da prosa:

Você nasceu surdo ou perdeu a audição?

Guilherme: Não, nasci ouvinte fui perdendo a audição aos poucos até ficar no nível atual, surdez profunda bilateral.

Sabe a causa?

Guilherme: Doença de Menière, suspeitam. Mas, achei estranho, as informações que achei foram que acontece mais em mulheres, em um lado só e em idade avançada, é dose né?

Tem histórico de perda auditiva na sua família?

Guilherme: ninguém…

E você tinha quantos anos quando ficou completamente surdo?

Guilherme: acho que 4 anos (Gui tem 24 anos atualmente)

Como sua família lidou com isso?

Guilherme: ficaram preocupados em como proceder, porque não conheciam outros surdos. Não sabiam se me colocavam em escola normal ou especial. Testaram nas duas.

E como foi em cada uma delas?

Guilherme: Na escola especial, minha mãe disse que eu saí correndo! Fiquei assustado. Já na escola normal, aceitei bem, então acabei ficando…

Você fez fono? Como desenvolveu a leitura labial?

Guilherme: Sim, fiz fono, aprendi a fazer leitura labial lá. Fazia fono até o final do ano passado.

Sua voz é muito boa,  você usou aparelho? (já conversei com o Gui por videoconferência!)

Guilherme: Obrigado =)
Usei sim, nos dois lados.  Atualmente só de um lado,  no outro tenho Implante Coclear.

E quando você soube do Implante Coclear?

Guilherme: por volta de 2001.  Eu fiz a cirurgia em 2003 só. (Aos 16 anos)

Por que demorou para fazer?

Guilherme: Teimosia, burrice…pensei que o IC me deixaria igual a todo mundo e queria continuar sendo diferente, aí não quis fazer no primeiro instante.

Você fala outros idiomas além de português, né? Aprendeu antes ou depois de fazer IC?

Guilherme: sim, eu sabia inglês escrito antes do IC, mas pra falar era um desastre, não sabia o som nem ler lábios em inglês. Espanhol aprendi antes do IC também, o IC facilitou no entendimento porque a articulação labial também era diferente. Hebraico eu tinha aprendido bem mal sem o IC, com ele ficou bem mais fácil. A leitura labial mais o som captado juntos, me dão praticamente toda a informação que preciso. Só leitura labial não resolve, nem só escutar; tem que ser juntos, com a maioria das pessoas… (nota da Lakinha: implantados tem a tendência de entender a voz de pessoas familiares com mais facilidade que outras vozes em geral, como se o cérebro aprendesse a ouvir pessoa por pessoa)

Você sofreu preconceito na escola, por ser surdo oralizado?

Guilherme: Não. Pelo menos, não ouvia nada de preconceito, pelas costas não entendia nada hehehe
A única situação que me senti diferente foi em uma aula de Ed. Física que tinha uma pessoa no centro, com uma bola. Ela gritava o nome de uma pessoa e a pessoa chamada tinha que pegar a bola e jogar em outra pessoa. Aí, a pessoa que fosse acertada aí pro centro. Fizeram maldade! A pessoa no centro me procurou no círculo ao redor e se virou, dando as costas pra mim. Gritou algum nome e todos saíram correndo…  Foi o meu nome que foi gritado… Como não li os lábios, não fui na bola…

E quanto a sua família, você notou algum preconceito?

Guilherme: Não, nunca! São as melhores pessoas que já conheci!

E como foi encarar a cirurgia do IC? Sentiu medo? Teve receios?

Guilherme: Não lembro direito, mas acho que não tive medo… Me doparam e caí no sono rapidinho uhahuahu Quando acordei, tava com a cabeça mais pesada num lado que no outro por causa dos curativos. Foi um desafio divertido ficar equilibrado ^^

E sua cirurgia foi tranquila? A recuperação foi rápida?

Guilherme: Sim, foi tranquila. Foram 3 semanas de recuperação acho. Nada de esportes nesse período… Fala isso pra um pré-adolescente de 16 anos viciado em esportes…

Por 3 semanas  apenas? Ou  te disseram pra não praticar mais esportes?

Guilherme: Sem esportes, sim bueno, falaram pra não praticar esportes também, principalmente os que envolvem a cabeçaentão futebol até vai, mas sem dar cabeçadas. Na real, jogo até hoje, dou cabeçadas e nunca deu nada… Preocupação em excesso dos médicos!
Jogo sem IC, claro…

Quando você voltou pra escola implantado, notou diferença?

Guilherme: Ah. não foi ativado de imediato, mas senti diferença porque tava de cabeça inteira raspada a zero, pessoal me cercava mó curioso hehe
Quando ativaram senti diferença, conseguia escutar uma das professoras sem precisar fazer leitura labial. Podia anotar e escutar como uma pessoa normal

Você conseguiu compreender a fala de imediato?

Guilherme: Não, tive alguns meses de adaptação, fono, mapeamento etc… Foi um processo gradual, mas fiquei muito feliz de poder entender alguém de novo sem depender de leitura labial.

E quanto a Líbras, você teve contato com ela ainda na infância?

Guilherme: não, não tive. Só recentemente tive vontade de aprender LIBRAS. Tô aprendendo aos poucos

E  está gostando?

Guilherme: Sim. Sei muito pouco, mas tô gostando. Os professores na universidade são surdos sinalizados, mas respeitam o IC. Infelizmente vejo que um deles acha que IC e LIBRAS trilham caminhos inversos, o que é verdade na maioria dos casos…

E falando das suas experiências com viagem… Você morou fora, né? Como foi morar em outro país, sendo deficiente auditivo?

Guilherme: Sim, morei nos EUA por 3 meses e Israel por 6. Foi um desafio, pela dificuldade de entender um idioma que não é o português, mas cada vez me sinto mais seguro para ir para fora, sozinho.

O que você pensa do IC bilateral?

Guilherme: Não conheço quem tenha, mas não vejo necessidade de ter 2 ICs. Prefiro salvar a outra orelha por alguma solução mais definitiva, que não precise de pilhas, como células-tronco… Não sei se quem tem 2 ICs pode retirar sem problemas para a aquisição de uma nova tecnologia porque compromete a cóclea…

Pois é… Mas então… conte do seu blog – Um Novo Começo – que bilíngue português/inglês… Como nasceu a idéia de criá-lo?

Guilherme: Criei logo após a formatura da universidade. Estava com vontade de escrever fazia tempo e finalmente tive tempo. É bilíngue porque queria treinar o inglês. Ainda não achei um tema para escrever sempre no blog, então escrevo sobre coisas do meu cotidiano filmes, viagens, aulas…

Imagem de Guilherme, de perfil, de modo que aparece o aparelho auditivo que ele usa na orelha não implantada. Ele segura um filhote de gato, que também aparece de perfil. Guilherme o segura com apenas uma mão, de modo que seu nariz e o do gato, se tocam. O gato está de olhinhos fechados.

Foto durante a estada em Israel. O gato era de um amigo canadense.

Beijinhos sonoros,

Lak

 

12 palpites
 

A história de Marcus Felipe, usuário do Implante Coclear há uma década

Escrito por laklobato em 13/07/2011

A gente fala do Implante Coclear como se fosse uma tecnologia recente. Bom, se for comparado com… sei lá, carro… realmente é novidade. Mas, os primeiros estudos foram feitos na década de 70. Ficou em fase experimental na década de 80. Nos anos 90, começo a ser feito e larga escala nos países desenvolvidos. E chegou aos SUS em 1999 aqui no Brasil. Por isso, tem gente usando o IC há mais de uma década, sabia?

Dado o fato que pouca gente sabe disso, resolvi trazer ao DNO uma entrevista com um amigo, Marcus Felipe, que usa o IC há 11 anos! Espero que gostem!

Foto de um homem jovem com um crachá no pescoço, sentado em frente a um computador em ambiente de trabalho, olhando para frente e sorrindo.
1. Você é surdo de nascença ou adquirido? Sabe a causa? Qual o grau da sua perda?

Sou surdo de nascença, tenho genes recessivos da surdez. Tenho perda de 106 dB no ouvido esquerdo, no ouvido direito não sei quanto é minha perda. Minha surdez foi aumentando com o passar dos anos, pois ela é progressiva.

 

2. Você usou AASI antes do IC? Qual modelo? Dos dois ouvidos? Gostava deles? Ouvia bem com eles?

Sim, uso o AASI desde os 4 anos de idade. Eu usava somente no lado esquerdo. No lado direito eu não ouvia nada. Naquela época minha perda auditiva no ouvido esquerdo era moderada, aos 14 anos ela passou a ser profunda.

 

3. Fez fonoterapia?

Sim, quando criança.

 

4. Como soube do Implante Coclear?

O meu otorrino me indicou.

 

5. Você foi operado em 2000, né? Onde? Como era o IC naquela época? Tinha muita diferença a cirurgia daquela época com a cirurgia atual?

Sim, fui operado em Agosto de 2000 no HC-USP por um aluno do Ricardo Bento, creio que o nome dele era Fernando. Fui a 19° pessoa a colocar o IC no HC-USP. O IC naquela época tinha somente 22 eletrodos e era de caixinha. A cirurgia era mais “grosseira”, tinha que fazer um corte grande na cabeça. Estou com uma cicatriz grande na forma de “C” que fica visível quando eu raspo a cabeça. Fiquei cerca de 3 dias no hospital.

 

6. Quanto tempo depois de operado você foi ativado? Com qual aparelho?

Fui ativado cerca de 40 dias depois. Meu implante era o Nucleus Spectra 22.

 

7. Como foi a ativação? Você gostou ou achou ruim?

Não gostei da ativação, fiquei muito decepcionado. O som era muito irritante, muito metálico, incomodava muito.

 

8. Quantos mapeamentos precisou fazer para realmente ficar satisfeito com a cirurgia?

Cerca de 1 ano depois eu já estava ouvindo melhor.

 

9. Como foram os primeiros meses de ativado? Quais foram as mudanças na sua vida?

Nos primeiros meses de ativado eu tinha muita vergonha de usar o IC. Eu não usava muito. Me sentia um ET, me sentia a única pessoa a usar o aparelho. Só ia com o IC para a rua se eu usasse um boné para tapar a anteninha e o microfone. Mas, eu fui notando uma melhora na audição.

 

10. Você acha que o IC fez diferença? Precisou abrir mão de alguma coisa ou faz tudo que tem vontade?

O IC faz uma enorme diferença! É muito melhor que o AASI! Hoje eu consigo falar ao telefone e ouvir música. Faço as coisas que eu gosto, faço trilhas, vou à praia, vou à sauna, luto Jiu-Jitsu (o IC fica guardado, é lógico). Fiz cursos de Inglês, Espanhol e Francês. A única coisa com que tenho que me preocupar é com os campos magnéticos fortes.

 

Foto do Marcus visto de perfil, com a parte externa do implante coclear aparecendo. Uma parte do aparelho fica atrás da orelha, ligada por um fio (chamado de antena) até outra parte que fica colada no crânio, por meio de imã.

Marcus, já com o Freedom.

11. Você mudou de aparelho recentemente, né? Gostou do Freedom? Notou muita diferença?

Sim, troquei o Nucleus Spectra 22 pelo Freedom 22 em outubro de 2010. O Freedom realmente é muito melhor que o Spectra 22! Sem contar que me livrei daquele fio incômodo que ia do microfone até a caixinha!

 

12. Na época, havia pouco debate a respeito. O FIC também completa 10 anos, não? Você foi um dos fundadores do Forum?

Realmente o IC era muito desconhecido. Ter que lidar com o IC sem conhecer alguém que também usasse era muito complicado. Não fui um dos fundadores do FIC, eu fiquei sabendo do FIC por meio de alguma divulgação. Hoje eu tenho muitos amigos que também usam o IC e a gente se ajuda bastante. Estou sempre trazendo outros usuários para as comunidades de implante coclear, organizando encontros de implantados com a ajuda de meus amigos.

 

13. Fique a vontade para falar das suas próprias considerações e conquistas como cyberouvinte…

O IC realmente mudou minha vida para melhor!!! Ele me deu muita segurança para lidar com os meus desafios do dia-a-dia de forma independente! Sem contar que cada som que eu ouço é como uma música!

 

Beijinhos sonoros,

Lak

 

8 palpites
 

Aulas adaptadas

Escrito por laklobato em 11/07/2011

Desenho de um professor em frente à uma lousa com várias equações matemáticas ilegivais, virado para a lousa e com um giz na mão, mas com a cabeça virada para o lado oposto e apontando o dedo, como se explicasse algo.Percebo que um dos maiores obstáculos aos surdos oralizados (ou seja, aqueles que não usam Libras no dia a dia) costuma ser no campo acadêmico, porque as Universidades não parecem ter qualquer adaptações às nossas necessidades.
Nesse ponto, os surdos que usam Líbras estão um pouco na nossa frente, visto que já conquistaram o direito de ter intérpretes de Libras em sala de aula (excelente conquista!!).
Claro que aí alguém vai pensar ‘por que, então, os oralizados não aprendem Libras, pura e simplesmente’.
Primeiro porque a Líbras é um idioma com estruturação própria como qualquer outro. E ninguém aprende um idioma inteiro do dia pra noite. Segundo, porque nem todo mundo tem afinidade com a Líbras, que é bem diferente na estruturação do raciocínio lógico em relação ao português e aprender através dela, só sendo realmente bem fluente, porque senão, pode soar bem confuso. Terceiro, porque não é forçando uma drástica mudança de forma de comunicação de alguém que se resolve qualquer coisa. Acessibilidade e inclusão significa que a pessoa tem acesso ao que precisa, da maneira que precisa. E os oralizados precisam de outras coisas que não intérpretes da Líbras.
Já contei que eu me formei na faculdade antes de se começar a falar em inclusão escolar, né?
O jeito que encontrei era sentando na frente, pedindo caderno emprestado (porque não dava para copiar a matéria e fazer leitura labial em simultâneo), conversar e pedir ajuda para os professores (alguns tem a minha gratidão eterna), pedir material de apoio, etc. Muitos tinham boa vontade de ajudar, outros nem tanto, mas eu conseguia me virar bem e fui até o final do curso e me formei numa boa.
Mas, hoje em dia, existe inclusão e ninguém precisa (ou ao menos, não deveria precisar) estudar tão ‘na raça’ assim. Existe algumas adaptações viáveis, tipo intérpretes oralistas (juro que farei um tópico sobre eles, mas ainda não consegui entrevistar nenhum) que são interpretes de Líbras que também reproduzem oralmente o que é dito, em português, aos surdos que não usam Líbras.
Enfim, conversando com uma amiga que conheci aqui no DNO, no MSN, ela me contou que estava em busca de uma solução para a situação acadêmica dela, já que sendo surda oralizada, vem enfrentando algumas dificuldades para estudar. O resultado foi tão bacana, que resolvi trazer aqui pro DNO. Leiam o email que ela mandou para várias universidades do Brasil e a resposta que ela teve de uma professora, da única faculdade que respondeu.
Um exemplo a ser seguido – inclusive da nossa parte, divulgando tais adaptações.

Sou Bárbara, tenho 20 anos, moro em Teresina -PI. Sou deficiente auditiva bilateral de moderada a severa (oralizada), faço uso de aparelhos auditivos, não sei Libras. Gostaria de saber como são as aulas especiais aos deficientes auditivos, pois minha instituição não tem preparo para atendê-los.
Curso Arquitetura e Urbanismo, estou com dificuldades de acompanhar uma matéria chamada Desenho Projetivo. Se vocês pudessem dar algumas dicas de como são elaboradas as aulas, seria de grande ajuda.

Barbara,

Aqui na Institução XXXX (nota: vou omitir o nome da professora e da faculdade, porque não recebi autorização resposta do pedido para publicação do texto) temos à disposição dos alunos o serviço de interprete de Libras que atendem também os alunos com deficiência auditiva bilateral que não sabem Libras, como você, atuando como tomador de nota. Durante as aulas, enquanto o aluno faz a leitura labial, o interprete toma nota dos pontos que estão sendo tratados fazendo uma espécie de caderno memória para o aluno. Além disso, é pedido aos professores que disponibilizem o material de apresentação das aulas dadas com uso de computador e Datashow. Procuramos estar perto do aluno para garantir o acesso a informação e incentivamos sempre a comunicação e diálogo entre professor e aluno. Cada um tem uma forma de se expressar e de conduzir a aula e tem questões que só poderão ser resolvidas a partir da interação professor/aluno, dentro da sala de aula, com pequenas mudanças de comportamento pelos dois. Estamos aprendendo a cada dia com as experiências que vão surgindo, não temos uma única fórmula. Você tem por lei o direito de auxílio nas aulas e isso o seu departamento deve garantir a você. Mas, na prática a sensibilização do professor e entendimento da situação podem trazer mudanças que facilitam a transmissão das informações.
Sugiro que converse com o seu professor, explique a sua condição, diga que precisa da ajuda dele porque faz leitura labial. . São cuidados que você vai ter que contar para ele e sabe melhor que eu, como: falar virado para você e você procurar sentar sempre de frente para ele; falar um pouco mais devagar, para os que falam rápido e você não consegue acompanhar; e você vai ter que ficar sempre atenta e não se envergonhar de perguntar mais de uma vez até que tenha esclarecido qualquer dúvida. Espero ter colaborado de alguma forma.
Atenciosamente, Profa. XXXX”

Quem quiser saber mais sobre Bárbara, ela publicou-a no blog da Paula Pfeifer, Crônicas da Surdez: A História de Bárbara.

Beijinhos sonoros,

Lak

14 palpites
 

I Encontro de Pais de surdos e Equipe do HCFMUSP

Escrito por laklobato em 04/07/2011
Nota do post: Como o texto é longo, fiz quebra na página inicial do blog.  O restante do texto pode ser lido no continue lendo. (se você não visualizar o item ‘continue lendo’ é porque já está no link do post.
A galeria de fotos está no final do post. Algumas pessoas não tiveram nome inserido nas fotos porque eu esqueci de anotar o nome de todos os participantes. Depois atualizo, caso tenha acesso à essa informação. E peço desculpas pela qualidade das imagens, pois foram feitas com iPhone.

Banner do evento

Sábado, dia 2 de julho, foi o primeiro encontro da Equipe de próteses auditivas do HCFMUSP e pais de crianças com surdez. Como comentei aqui no blog que iria, fiz mesmo questão de ir. Em parte, porque queria poder divulgar como foi e, em outra, porque eu precisava assistir esse tipo de palestras já que gosto de divulgar o IC e conversar com pais de crianças deficientes auditivas que estão pensando em fazer o IC nelas.
Acordei cedinho e peguei o metrô até o Hospital das Clínicas. O encontro seria no auditório da Fundação de Otorrinolaringologia, que fica uma quadra abaixo do hospital.
Chegando no local, fui recebida pelo Walter Kuhne representante da POLITEC SAÚDE, que importa os implantes da australiana Choclear. O modelo que eu uso, Nucleus Freedom é dessa empresa.
Os participantes recebiam uma sacolinha com vários folhetos informativos de implantes (coclear e SISTEMA BAHA) e próteses auditivas de várias marcas como Choclear, MeD-el e Phonak, além de uma revista do próprio HCFMUSP, chamada OUVIR BEM, dentre outros mimos.
Continue lendo…

9 palpites
 

Fonoaudiólogas formadas em reabilitação auditiva

Escrito por laklobato em 01/07/2011

A gente se conheceu no twitter. Acho que ela caiu aqui no blog e me adicionou lá. E aí, começamos a conversar, para trocar figurinhas sobre o Implante Coclear.
Aline é fonoaudióloga especializada em reabilitação auditiva e, somado ao fato de ser xará da minha fono, isso acabou rendendo boas conversas entre nós duas.
Dia aí, pensei em trazê-la ao DNO, porque sei que mães e pais de crianças com deficiência auditiva lêem blogs e poderiam se beneficiar conhecendo um pouco mais essas profissionais dedicadas ao treinamento auditivo de quem ouve através de uma prótese ou implante.

1. Aline, fale um pouco de você. De onde você é, qual sua idade, essas coisas.
Olá pessoal, meu nome é Aline Nascimento dos Santos, tenho 27 anos e sou de João Pessoa – PB. Sou formada pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPE (2005) e Especialista em Audiologia Clínica pela Universidade Potiguar UNP – RN (2007).

2. Como você teve seu primeiro contato com fonoaudiologia? Por que escolheu essa carreira?
No começo não esperava cursar fonoaudiologia. Uma grande amiga já cursava e começou a me contar o que ela realizava com seus pacientes. A partir desse dia, decidi fazer o curso. Fui vencida pela curiosidade de ser uma profissão nova e que teria um mercado de trabalho mais amplo.

3. Durante a faculdade, o que te fez optar pela área de reabiliação auditiva?
Na faculdade, temos aulas teóricas e práticas de todas as áreas da fonoaudiologia. São atuações voltadas para uma clientela muito especial. Trabalhar com linguagem em portadores de síndromes, por exemplo, é a terapia mais bela que existe, entre outras patologias. Cada pequena evolução desses pacientes é uma grande vitória para nós. Mas, eu queria algo que pudesse ver a evolução imediata, que visse o retorno clínico do trabalho que estava realizando. Foi aí que encontrei na Audiologia as respostas imediatas que tanto buscava. Não desmerecendo as outras áreas que são belíssimas, mas minha paixão é Audiologia.

4. Como foi seu primeiro contato com pacientes?
Só começamos a clinicar no ultimo ano de curso. Durante um ano, atendemos em todas as áreas da fonoaudiologia. Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira paciente de reabilitação auditiva. Na Audiologia educacional realizamos a reabilitação auditiva em grupo com crianças da mesma faixa etária. Cada pessoa do grupo fica responsável em estudar o caso de seu paciente e expor a melhor terapia que possa realizar em conjunto. E para minha surpresa, adivinhem quem era o/a paciente e o que tinha de especial? Minha paciente era uma menina linda de olhos azuis, cabelos curtinhos e raspados pela metade. A pequena Bia, 3 anos, tinha acabado de fazer o implante coclear. O tamanho da minha surpresa foi proporcional ao amor que tive com aquela paciente e pelo implante coclear.

Aline (a terceira da direita pra esquerda) com sua paciente Bia (a mocinha de camiseta da Minie, minissaia e cabelo curto)... Descrição da foto aos amigos com deficiência visual: Grupo de de fonoaudiólogos abraçados com pacientes crianças.

5. Como vc soube do Implante Coclear? O que pensa a respeito dele?
Depois do meu primeiro contato com o implante coclear na universidade, comecei a estudar sobre ele. Vi claramente que minha paciente, na faculdade, evoluía rapidamente ao passo que as outras crianças que só usavam próteses não alcançavam o mesmo rendimento. O resultado que pude observar com seu uso do IC é incomparável em relação às próteses auditivas. É importante frisar que não são todos os pacientes que podem ser implantados, pois existem critérios audiológicos e fisiológicos que devem ser seguidos.
O implante é uma questão de saúde pública e deveria ser levado mais a sério pelas autoridades competentes em relação à busca de mais recursos financeiros, assim, mais pacientes poderão ser beneficiados com essa nova tecnologia.

6. Como é lidar com pais de crianças que foram/serão implantadas?
A relação com os pais é sempre delicada e ao mesmo tempo de confiança. Uma reabilitação só é completa se a família fizer sua parte e motivar a criança, assim como fazemos em terapia. No caso de pais de implantados é diferente. Eles estão numa ansiedade e expectativa que os filhos não vão mais precisar de terapia e de estímulo. E nessa hora que entra a cautela e a confiança, explicar como será o novo procedimento e expor os riscos de falha no processo. A rejeição do implante não é impossível, é bem real. A pequena Bia teve rejeição ao IC. Foi uma tristeza na família e um atraso em sua evolução, mas a equipe médica decidiu colocar no outro ouvido e há 5 anos ela esta implantada sem mais nenhuma complicação.

7. Já atendeu pacientes adultos?
Nunca atendi paciente implantado adulto. Os pacientes adultos que eu atendo usam próteses. Tenho vontade de estudar algum caso de paciente adulto com IC, por enquanto só tive oportunidade de estudar em crianças.

8. Já aconteceu de ter que lidar com ansiedades e frustrações da parte de pais e/ou pacientes? Como você trabalha isso?
Isso é muito comum na rotina de pacientes em reabilitação. Procuro mostrar casos de sucesso aos pais e motivá-los a querer ver essa melhora em seus filhos. Em toda área de reabilitação é assim. Trabalhar com motivação, superação, limites, frustrações é o que nós fonoaudiólogos fazemos todos os dias. Temos que estar bem todos os dias para passar tranqüilidade e confiança a essas famílias.

9. Acha que usuários do IC divulgarem informações na internet ajuda? De que maneira?
Toda informação sobre o IC é válida. Creio que mostrar as experiências e a vivencia após a cirurgia ajuda a desmistificar o implante. Divulgar os ganhos auditivos adquiridos com o uso do IC é uma forma eficaz para viabilizar mais incentivos para as cirurgias. Os profissionais envolvidos com a reabilitação auditiva possuem o dever de divulgar os ganhos concebidos, realizar estudos clínicos, divulgar pesquisar, escrever artigos, entre outros. Tudo isso com a finalidade de ajudar essa clientela que é tão bem adaptável ao IC.

O trabalho em conjunto com a fono é fundamental para o sucesso do Implante Coclear. A família deve participar desse processo, dividir todas dúvidas com a fono e ajudar na manutenção dos exercícios de audição/fala em casa. Elas são nossas parceiras de jornada pelos caminhos do implante coclear. Por isso, busquem uma profissional de confiança e trabalhem em conjunto, minha dica!

Beijinhos sonoros,
Lak

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