Legenda automática em videos do YouTube

Escrito por laklobato em 20/11/2009

You Closed CaptionEsta semana o Google anunciou que o YouTube passará a contar com um recurso de legendas automáticas.

O famoso Closed Caption já é usado no YouTube desde 2006, mas a novidade agora é um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas nos vídeos em inglês.

Ken Harrenstien, engenheiro do Google, publicou ontem no blog oficial as novidades. “Cada um desses recursos teve grande significado pessoal para mim, não só porque eu ajudei a projetá-los, mas também porque eu sou surdo.” – diz ele.

As legendas não ajudam apenas surdos e deficientes auditivos. A tradução automática também permite que as pessoas ao redor do mundo acessem o conteúdo de vídeo em qualquer um dos 51 idiomas disponíveis e também melhoram a busca, permitindo que o usuário vá direto para a parte do vídeo que está procurando.

Por causa destas vantagens, o Google percebeu que poderia usar o programa de transcrição do áudio que já haviam desenvolvido para o Google Voice (uma espécie de secretária eletrônica que transforma voz em texto), afinal não se pode esperar que cada usuário coloque legendas em seus vídeos, pois é uma operação que leva tempo e a maioria não se importa com isso.

Para ativar o recurso, o usuário precisa clicar no botão inferior direito do player e excolher a opção Transcribe Audio (passo 1). Depois poderá traduzir a legenda gerada para o português usando a opção Translate Captions no mesmo menu (passo 2).

Legenda no YouTube

O sistema ainda não está perfeito e é preciso muita sorte para ele entender o inglês falado e depois traduzí-lo para o português perfeitamente. No momento, está sendo usado apenas em canais de ONGs e outros parceiros, mas até o final da semana estará disponível para todos os usuários em inglês.

Veja abaixo um vídeo demonstrando o sistema e outro com um programa da National Geographic.

beijinhos,

Lak

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Leitura Labial em Inglês – USA

Escrito por laklobato em 06/07/2009

Como já contei por aqui – quem acompanha o blog sabe, mas quem está chegando agora, puxe uma cadeira e leia com calma – eu voltei recentemente a estudar inglês.

Eu falo francês razoavelmente bem – embora eu tenha voltado a estudar recentemente também, porque a falta de prática faz a gente esquecer tudo – e fiz intercâmbio de espanhol em Madrid (tá, também voltei a estudar espanhol recentemente, porque também já estava esquecendo tudo, mas isso faço sozinha, porque não tem dinheiro que chegue pra estudar 3 idiomas de uma vez); mas o inglês sempre foi meu calcanhar de aquiles, porque embora brutalmente necessário, a afinidade com os idiomas latinos é  maior. Especialmente por conta da leitura labial, já que – segundo a Diefani, do blog Igualmente Diferentes, que é surda oralizada, brasileira e mora em New Jersey – os idiomas latinos são mais “labiais” que o inglês, cujas diferenças de sons se concentram na língua (o músculo bucal mesmo).

Sábado de madrugada, depois de ter estudado algumas horas, entrei no MSN e fiquei conversando sobre idiomas com um amigo, que disse que estava curioso de saber como eu aprendia a fonética. Expliquei que a Cris, minha fantástica professora de inglês e francês (ela é personagem cativa do blog, basta dar uma lida em textos antigos) me ensinou a ler os símbolos fonéticos que são usados em dicionários e que representam o som específico daquela letra e/ou sílaba.

Para vocês terem uma idéia clara do que se trata:

The Sounds of English

As vogais simples são, obviamente, o som das vogais que fazemos (alguns não existem referências específicas em português, como o caso do último exemplo da primeira fileira. É um som entre A e É, que eu procuro fazer falando AAAA, com os lábios postos em posição de É). As que precedem “:” são prolongadas. E ditongos são, como vocês sabem, sons de duas vogais seguidas.

O vídeo abaixo ajuda a ter uma idéia melhor – e é feito específicamente para quem faz leitura labial, porque quem não ouve bem, tem uma etapa a mais no aprendizado de um idioma: gramática, pronúncia e  leitura labial.

Difícil? Talvez, mas sou da opinião que a VONTADE supera qualquer dificuldade. Querer é poder! Ou a gente morre tentanto hihihi

Beijinhos

Lak

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surdos usuários da Líbras, surdos sinalizados ou simplesmente Surdos.

Escrito por laklobato em 01/07/2009

Ontem falei sobre a minha turma, os surdos oralizados. Há quem diga que o surdo oralizado está mais para deficiente auditivo do que pra surdo, porque muitos vêem a denominação “surdo” já embutindo o mudo, talvez porque antigamente, quem tinha mais facilidade de se comunicar com ouvinte sentisse necessidade de esconder/camuflar a deficiência. Mas hoje em dia, surdo oralizado usa o termo surdo especialmente para as pessoas saberem que ele não ouve mesmo com aparelho, o que nos diferencia dos deficientes auditivos, que conseguem contornar a deficiência com próteses.
Mas, enfim, chega a vez de falar sobre  os surdos que costumam prevalescer na imagem mental que se faz de quando se pensa numa pessoa que simplesmente não ouve: os sinalizados.
Uma coisa que é importante enfatizar é que, não importa o quanto você ache que seria melhor os pais lidarem com a surdez de uma criança dessa ou daquela forma, isso é uma decisão de foro íntimo familiar, portanto não cabe a ninguém julgar a escolha dos outros. Se você acha que preferiria ter um filho oralizado ou sinalizado ou implantado, excelente, mas essa decisão vale apenas para você.
A única coisa que eu acho essencial que a familia faça é se adaptar para a escolha feita. Se os pais escolherem pela oralização, não podem deixar todo o trabalho para a fonoaudióloga  e lavarem as mãos. O trabalho de oralização de uma criança surda pré ou peri-lingual continua mesmo em ambiente familiar. A participação dos pais faz diferença sim, porque a criança fica apenas poucas horas por semana no consultório da fonoaudióloga.
O mesmo vale para os pais que preferem que a criança aprenda a língua de sinais e  conviva somente com seus semelhantes, os pais e familiares, diante dessa escolha, tem obrigação de aprender com fluência a língua de sinais, uma vez que a criança precisa se comunicar também com sua família. Não é incomum saber de relatos que os pais optam pela língua de sinais para  o filho, mas não se esforçam para aprender o idioma!
Uma criança surda é uma criança com necessidade especial e, portanto, cabe às pessoas sem deficiência nenhuma se adaptarem à ela, não o contrário.
Enfim, eu gostaria de explicar as principais diferenças do Português e da Líbras, para que vocês pudessem compreender as particularidades da Língua de Sinais antes de adentrarem no universo do Surdo Sinalizado, porém, minha amiga que pode me ajudar com essa explicação ainda não teve tempo e, vou ter que colocar o carro um pouco na frente dos bois.
Mas uma coisa que deve ficar clara é que a língua de sinais não é apenas uma forma não oral de comunicação, ela é um idioma com estrutura própria e, portanto, você deve ver o usuário exclusivo dela (ou até mesmo um bilingue) como alguém que simplesmente fala outro idioma e nem tudo o que você fala em português fará sentido pra ele, como faz para você.
Ainda que o mais fácil fosse que todo mundo soubesse o básico da Líbras para comunicar-se com eles, a curto prazo isso é praticamente impossível – ninguém aprende o idioma de um dia pro outro, por exemplo – mas nem por isso se deve fugir de uma pessoa surda sinalizada e evitar qualquer tipo de contato com ela.
Vão aí algumas pequenas dicas fornecidas por um colega de trabalho usuário da língua de sinais:

- Se você quiser falar ele e não souber por  onde começar, a dica é a mesma de falar com um oralizado: Fale de frente pra ele, devagar e com naturalidade.

- Se ainda assim, você perceber que ele não lê bem seus lábios, apele pro papel e caneta.

- Nem todas as palavra existem ou são iguais em líbras, portanto, procure falar com clareza e de forma simples. O importante é que a mensagem que você quer passar seja bem recebida. Lembre-se, o idioma dele é diferente do seu, simples.

- Se você não conseguir entender o que ele fala – sim, alguns conseguem falar oralmente, mas nem sempre de forma compreensiva para quem não está acostumado a falar com ele – peça para ele escrever.

- Substituir a conversa oral por programas de conversação instantânea ou email, pode ser uma excelente saída para quem trabalha com um surdo sinalizado.

- Mímicas simples podem ajudar no diálogo, mas cuidado, uma mímica pode ser equivalente a um sinal de líbras com significado diferente e até ofensívo. Não abuse disso e jamais ache que mímica feita de qualquer jeito é língua de sinais.

- Evite falar com outras pessoas olhando pra ele ou apontando na direção dele. Como um surdo sinalizado nem sempre entende o que você fala, ele pode achar que vocês estão falando dele e ficar incomodado.

- Jamais faça piada da língua de sinais na frente dele. Muitos surdos realmente se sentem ofendidos por acharem que estão sendo alvo de chacota. Eu mesma já aturei uns babacas que fizeram isso porque viram meu aparelho. Mal sabiam eles que eu lia os lábios e entendi as piadinhas grotescas. Uma pessoa com deficiência auditiva não merece menos respeito.

No mais, é abusar da coragem. Pessoas diferentes daquilo que você está acostumado não são menos interessantes, portanto, vale a pena passar por cima do medo, do receio e da vergonha, expandindo seus horizontes para amizades jamais imaginadas.

Beijinhos

Lak

p.s. Quem souber mais dicas, fique a vontade de acrescentar nos comentários. Meu blog, seu blog.

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Surdos Oralizados

Escrito por laklobato em 30/06/2009
Os termos aqui utilizados podem ser encontrados no post de 29/06/2009.

Já comentei que eu perdi a audição aos 10 anos, como sequela de caxumba. Tenho perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos, meio óbvio, mas não custa explicar) severa a profunda pós-lingual e, quando meus pais procuraram médicos para tratar  - em vão – minha condição, foram aconselhados a me manter o mais longe possível de escolas especiais para crianças surdas.
Ainda que não seja sempre esse o conselho dos médicos – sei de casos de crianças que perderam a audição nessa faixa etária e foram inseridas na Comunidade Surda – no meu caso, foi ao mesmo tempo excelente e ruim. Excelente, porque graças a isso, eu me tornei a pessoa que sou hoje, uma pessoa completamente inserida na sociedade comum; mas ruim no sentido que, por conta dos dois únicos estereótipos que a maioria esmagadora de pessoas conhece, deficientes auditivos ou são surdos sinalizados ou são idosos com baixa audição, comumente ironizados em programas de comédia. E, como eu não era nenhum dos dois, toda hora eu tinha (tinha, né? hoje em dia não faço mais isso, né? hihihi) que contar a minha história para justificar por A + Z porque eu não correspondia aos estereótipos.
Em 2004, quando o Orkut começou a bombar, vi um rapaz indignado numa comunidade, por conta de um tópico estúpido que perguntava: “Como surdo-mudo pensa?”, com respostas do naipe “Surdo não pensa” e eu, junto com ele, pus-me a explicar que não apenas surdos pensam, como a visão desse tipo de pessoa (as que respondiam o tópico, não os surdos) tem uma visão limitada e preconceitosa de pessoas que nada mais tem do que uma limitação sensorial.
O rapaz acabou me contando que era surdo e me chamou para conversar no MSN. Depois de uma boa conversa – na qual contou-me sua história, surdo desde o nascimento, ensinado a falar desde cedo, formado em universidade, estudante de inglês, noivo e hoje casado e com filhos – ele me  falou de uma comunidade do Orkut onde, certamente, eu iria me identificar com as histórias, a  Surdos Oralizados.
Comunidade onde hoje, sou có-proprietária e moderadora e que é a minha fonte de inspiração pro blog.
Foi lá que eu conheci o termo acerca da minha condição: Nem surda sinalizada nem deficiente auditiva, sou surda oralizada!
Surdos oralizados tem pouco espaço na mídia, porque afinal de contas, não somos ouvintes nem utilizamos a língua de sinais e, pra maioria das pessoas, não tem nada de engraçado numa pessoa que fala com ou sem sotaque estranho, lê lábios perfeitamente (ou quase) e, raramente comete gafes (embora tenha consciência disso e, quando necessário, não tem o menor pudor de pedir pro interlocutor repetir).
Há sempre quem argumente que surdos oralizados só o são, porque adquiriram a fala auditivamente e só depois tornaram-se surdos, mas não é verdade, existes surdos oralizados pré e peri-linguais, que tem uma fala tão boa quanto a de um surdo pós-lingual. Eles aprenderam e treinaram a fala através da fonoterapia, com direito a acompanhamento familiar (o Raul contou bem sua história aqui no blog). A oralização é possível independente do estágio da aquisição da fala que a surdez ocorreu.
Quando um pai/mãe aparece na comunidade perguntando se o filho dele for oralizado, vai ter a voz igual a de um ouvinte, na tentativa de camuflar a deficiência, nossa resposta é sempre a mesma: Não, a menos que ele seja implantado (explicarei o Implante Coclear ainda essa semana) cedo e  tenha um ganho auditivo excelente (pode ocorrer sim!!), um deficiente auditivo jamais deixa de ter uma condição própria e que, mais importante do que camuflar a deficiência, ele precisa aprender a sentir-se confortável com ela, adaptando sua vida às necessidades próprias dela. E mesmo que o implante seja perfeito, sem o aparelho (a parte externa do implante é removível e não pode, por exemplo, molhar), o deficiente auditivo sempre terá deficiência auditiva, portanto, é bom saber lidar com essa limitação, mesmo que ela faça parte somente de uma parte ínfima da vida da pessoa.
Para lidar com um surdo oralizado, as dicas são:
- Fale com naturalidade, afinal, ele lê seus lábios e quanto mais natural for sua maneira de falar, melhor será a compreensão. Se você tiver o hábito de falar rapidamente, tente diminuir um pouco a velocidade.

- Não exagere na articulação. Um surdo oralizado lê os lábios e a posição da língua, não a movimentação do maxilar.

- Não ache que porquê ele usa aparelho, significa necessariamente que ele compreende o que você diz, auditivamente. Portanto, procure falar sempre de frente pra ele, de maneira que sua boca esteja visível.

- Se ele lhe pedir para repetir, não é por má vontade de lhe compreender. A leitura labial não é igual a ouvir, ela pode demorar um pouco mais na compreensão ou ser interrompida por coisas bobas, tipo uma simples virada momentânea de cabeça.

- Se você não compreender algo que ele disser, avise. Ele é consciente da limitação dele e não teria porque se ofender com um simples “por favor, repita?”.

- Evite falar com eles em locais pouco iluminados. A iluminação adequada é essencial para a leitura labial. Vale qualquer improvisação: lanterna, luz de celular, etc.

- Ler os lábios via espelho é perfeitamente possível. Estando no carro, num cabelereiro ou numa loja, por exemplo, se o espelho estiver posicionado de maneira acessível, pode abusar dele sem dó.

- Ler os lábios de lado é difícil. De cabeça pra baixo, é praticamente impossível. Se a posição não for favorável (vai saber onde a conversa se dá, né?) aguarde estarem com as cabeças viradas pro mesmo lado.

- Falar mastigando, além de não ser de boa educação, torna a leitura labial sofrida, porque vários movimentos feitos não fazem parte da conversa, portanto, é melhor esperar engolir antes de prosseguir o diálogo.

- Nem sempre um surdo oralizados lida bem com piadinhas. Já vi reclamarem,  inclusive aqui no blog, que ser chamado de “surdinho” é ofensivo. Portanto, a menos que você tenha intimidade e cartão verde, evite piadas com a condição da pessoa, mesmo que ela faça piada consigo mesma.

- Conversar numa balada com luz estroboscopia é complicadissimo. Procure um lugar melhor iluminado.

- Se você tiver curiosidade de conversar em Líbras, pergunte se a pessoa tem fluência nesse idioma. Se ela tiver (for bilíngue) terá prazer de conversar com você dessa forma. Do contrário, seria como exigir que ela converse num idioma que ela não tem fluência. Lembre-se, mímica feita de qualquer jeito não é língua de sinais e nem sempre um oralizado acha divertido brincar disso.

Quem lembrar de alguma outra dica, fique a vontade de comentar. Sugestões são sempre bem vindas.

Outra coisa, não posso falar por todos os surdos oralizados do planeta, mas falo por mim, se você tem curiosidade de saber sobre  a história dele, pergunte. Na duvida,  o faça de maneira educada: “Você se importa de falar sobre isso?”. A maioria das pessoas costuma sentir-se à vontade pra falar de sua condição, quando a abordagem é acolhedora. Melhor do que ficar deduzindo, por exemplo e soltar um grosseiro “ah, mas todo surdo nasce surdo, né?”.

Beijinhos,

Lak

Amanhã, será a vez da língua de sinais (Líbras = Língua Brasileira de Sinais), pois assim como a oralização e implante, é parte importante do universo da deficiência auditiva e, para quem tem interesse de saber bastante sobre essa deficiência, ela não pode ficar de fora.

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Jogado em Úteis & Fúteis

 

Como Conviver com a Deficiência Auditiva

Escrito por laklobato em 29/06/2009

Sei que eu já abordei sobre os tipos de surdos, mas resolvi essa semana falar mais sobre o sentido técnico da deficiência auditiva. Começo fazendo um “glossário” sobre a diversidade dentro dessa deficiência.

O título do post  remete ao livro de Antônio Cyrillo Gomes, que já faz uma introdução explicando porque, dentre tantas deficiências, a deficiência auditiva é, de longe, a menos respeitada socialmente.
Primeiramente porque, ao contrário das deficiências física, cerebral e visual, ela é menos visível, segundo, porque não é uma deficiência que, a primeira vista, afeta a independência da pessoa que a possui.

No entanto, passada essa impressão errônea inicial, a deficiência auditiva é, assim como todas as outras, uma deficiência, ou seja, falta/ausência de algo. No caso, o sentido da audição, responsável por 20% das informações sensoriais que chegam ao cérebro. O mundo auditivo não é tão ínfimo a ponto de se desqualificar a deficiência auditiva como privação de um sentido e dizer que um surdo é menos deficiente que um cego ou cadeirante. Um deficiente auditivo é privado de total ou parcialmente de todas as infomações sonoras, seja a voz de outros seres humanos, seja o sentido de alerta (aproximação de outras pessoas, animais, veículos), seja pelas pequenas coisas que se faz dependendo da audição: saber que a torneira do banheiro foi esquecida aberta estando sem contato visual, saber que a água da chaleira já ferve estando fora da cozinha, seja pela campainha que toca, seja pelo contato telefônico numa emergência.
Dizer que um deficiente auditivo não corre riscos porque a deficiência auditiva só o afeta no que se refere a comunicação interpessoal é uma visão limitada. Ele não ouve um alarme de incêndio, nem um carro ao atravessar a rua. Ainda que a sobrevivência dele seja menos ameaçada, não significa que um deficiente auditivo seja totalmente independente.
Ainda assim, a maior dificuldade que se encontra para quem tem essa deficiência, é fazer com que as pessoas compreendam a própria diversidade dentro da deficiência, seja por falta de informação/convívio com um deficiênte auditivo, seja pela mídia que só aborda um tipo de surdo: o sinalizado, usuário da lingua de sinais.
No entanto, existem diversos grupos dentro desta deficiência, de tal forma que resumir todos aqueles que possuem deficiência auditiva como usuário de lingua de sinais seria a mesma coisa que resumir todo deficiente físico a cadeirantes, que possuem essa deficiência por queda de escada, esquecendo que existem diversas causas para a deficiência física, além de diversas maneiras de se lidar com ela: Existe o deficiente físico congênito e adquirido, o usuário de cadeira de rodas, os de muletas, os de bengalas, os de próteses; assim como existe:
- Deficiente auditivos conforme o grau de perda (leve, moderado, severo, profundo): varia conforme o grau de perda auditiva, além de uma pessoa poder tem mais de um grau, por diferentes frequências. Eu, por exemplo, tenho deficiência severa em frequências graves / médias e profunda, em frequências agudas; o que impede a plena compreensão da fala somente com AASI (prótese auditiva), porque os sons são recebidos de forma distorcida pelo cérebro. E não, não é uma questão de hábito, o AASI, por si só, não resolve totalmente a minha perda, é caso de implante coclear.
- Deficiente auditivo congênito ou adquirido: tal como explica o nome, a deficiência ser por causa genética (hereditariedade) ou doença gestacional (rubéola, por exemplo); peri-natais (traumas obstétricos) ou pós-natais: provocada depois do nascimento por alguma doença (meningite, sarampo, caxumba, otosclerose, tumores etc), intoxicações (antibióticos ou substáncias ototóxicas) ou traumas(queda com rompimento de tímpano), etc
- Deficiente auditivo por estágio: como a fala e a audição são intimamente ligadas, conforme o estágio da aquisição da fala em que a perda auditiva ocorreu, o deficiente auditivo é classificado como pré-lingual (quando ocorreu antes dos 2 anos de idade), peri-lingual (quando a falta já estava sendo formada, mas não chegou a ser completa) e pós-lingual (quando a aquisição da fala, por via auditiva, já havia sindo completada).
- Deficiência auditiva por patologia: essa variação indica onde existe avaria na condução da audição, podendo ser provocada por problemas no tímpano, pela comunicação óssea (ossinhos do ouvidio: martelo, estribo e bigorna), problemas na cóclea e/ou células nervosas (que enviam a mensagem ao cérebro), nervo auditivo ou até recepção cerebral.
Portanto, como foi dito, a deficiência auditiva pode ocorrer em qualquer estágio da vida de uma pessoa, por diversas causa, de diversas formas. E, como já foi dito aqui no blog, existe:

1. Surdos sinalizados: comumente conhecido como surdo-mudo, ainda que essa definição seja incorreta, porque dificilmente  um surdo sinalizado sofre de mutismo real – embora essa deficiência também exista – mas de ausência da fala por falta de aprendizado. Comunicam-se por língua de sinais e podem ou não fazer leitura labial.

2. Surdos oralizados: pessoas que tem perda auditiva severa ou profunda, que aprenderam a falar por fonoterapia ou que perderam a audição depois da aquisição completa da fala. Falam oralmente (com ou sem sotaque caracterisco de quem tem baixa audição ou inexistente), leem os lábios e não costumam utilizar a lingua de sinais.

3. Surdos bilingues: são similares aos surdos oralizados, com a diferença de possuirem fluência na lingua de sinais.

4. Deficientes auditivos: aqueles que possuem perdas leves ou moderadas (ou profunda/severa, mas de apenas um ouvido) e que conseguem ouvir o suficiente pra discriminar  a fala, com ou sem prótese auditiva/implante coclear.

Afim do texto não ficar muito longo, divido o texto no decorrer da semana, abordando: oralização, língua de sinais, implante, etc.

Beijinhos

Lak

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Jogado em Úteis & Fúteis

 

Não ouviu? Leia meus lábios…

Escrito por laklobato em 04/06/2009

Uma coisa que aguça a curiosidade ao meu respeito é essa tal de leitura labial. Afinal, a menos que você também seja surdo ou conviva constantemente com um, certamente a idéia de que sem audição, a conversa humana é impossível através da fala oral, existe ou já existiu na sua mente.

lipsLeitura labial – acho esse termo sexy pra caramba, admito – não é e nunca será a mesma coisa que ouvir, admito. Mas, também não é o bicho de sete cabeças que as mentes mais limitadas imaginam. A capacidade de adaptação humana impressiona qualquer um que não tenha envergadura mental suficiente para compreender que o corpo humano é a “máquina orgânica” mais adaptável e programada pra sobreviver em qualquer circunstância que existe na face da Terra.

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Jogado em lugar nenhum

 

AASI via SUS

Escrito por laklobato em 27/05/2009

Gente, vocês sabiam que o sistema de saúde pública fornece próteses auditivas gratruitamente  (oferecer de graça é redundância??) pra quem não tem condição de pagar?

Os meus lindinhos – eles ilustram o cabeçalho do blog – mesmo, eu consegui pelo Hospital das Clínicas.

Como já faz um tempo e não sei a quantas anda, pedi pro meu amigo Agnaldo, que está em processo de aquisição dos seus, explicar passo a passo, o procedimento:

Ah, é fácil. Basta entrar em contato com a DERDIC nos telefones 11 5908 8017 / 11 5908 7980 para obter o endereço do posto de atendimento responsável pela triagem, indicado de acordo com a região onde a pessoa reside. No meu caso, procurei o posto de triagem da Zona Sul, localizado na Rua São Caetano do Sul, no bairro do Grajaú, telefones 11 5932 2015 / 5528 1475.

Fui encaminhado para o ambulatório da Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, localizada na Avenida Santo Amaro, 6449. É importante levar o cartão do SUS e um laudo de audiometria recente (o original e uma cópia para arquivo).

Só sei como proceder aqui em Sampa Capital. Quem for de outro Estado e souber informar isso, me avisa, que eu edito o post.

Beijinhos

Lak

Editando:

Você pode se informar sobre como adquirir os AASI no seu Estado, por esse link.

Contribuição: Sô Ramires (do Blog Surdos  Usuarios da Lingua Portuguesa – SULP)

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Parle lentement, s’il vous plaît. [2]

Escrito por laklobato em 26/05/2009

frances2Lembra que eu contei como foi aprender outro idioma?

Pois então, como sei que nem todo mundo que acompanha o blog tem deficiência auditiva e é um pouco difícil ver o mundo sob a mesma ótica que eu, resolvi fazer uma surpresa pros meus amados amigos e leitores, pedindo pra minha querida ex-professora (é temporário, ainda volto a estudar!!) contar como foi, sob a ótica dela, essa mesma história.

Confesso que foi uma experiência inédita pra nós duas. Eu até já tinha estudado inglês na escola e feito curso, mas nunca com uma  pessoa com sensibilidade suficiente pra me ensinar de verdade, a aprender a pronuncia correta, portanto, se tem alguém cujo título MESTRE é merecido, é  ela:

 

Olá! Meu nome é Crisaidi e já fui citada neste blog (me sinto famosa!). Dei aulas de Francês e de Inglês para a Lakshmi.

Um dia aparece um cartão na caixa de correio com uma mensagem: “Quero estudar Francês. Por favor, ligue para mim.”

Atendeu a mãe da Lakshmi dizendo que poderia falar com ela mesma, porque a Lakshmi não falava no telefone. Pensei: “Mais uma doidinha! Essa não fala no telefone. Tudo bem, eu também tenho minhas doidices!”

(A Lakshmi relatou essa estória de uma maneira beeeemmm mais elegante!)

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Jogado em Causos silenciosos

 

15 coisas que eu gostaria de NÃO ouvir…

Escrito por laklobato em 21/05/2009

A gente (o agente da frase = eu) está sempre falando que gostaria de poder ouvir isso ou aquilo e o quanto cada conquista sonora é digna de comemoração.

Porém, tem algumas coisas que nem mesmo sendo surdo, se escapa de ouvir e, infelizmente, é justamente o que faz a gente olhar pro céu e pensar: Meus Deuses, pra quê? (o plural aí é que sou chegada no hinduismo – desde sempre, muito antes da novela – e acredito em vários deuses)

1. “Você é deficiente? Mas você é tão bonita…” <- Essa é a campeã. Umas 500 pessoas já me disseram isso. Fico com vontade de responder: Além de surda, eu tinha que ser feia também? Não ouvir não é suficiente pra você?

2. “Seu marido também é surdo?” <- Eu sei que tenho que dar uma colher de chá, porque surdo tende a casar com quem compartilha a deficiência, inclusive, já expliquei nesse post. Porém, quando a pessoa me pergunta de maneira pejorativa, tenho vontade de dar uma resposta à altura: Não, não tenho tara por surdo. Meu negócio são os imbecis! Tá afins?

3. “O que? Você tem carro? Mas surdo pode dirigir?” <- Minha resposta sonhada: Poder, não pode, mas mesmo assim… Esse negócio de CNH é superestimado!!

4. “Ah, você não tem filhos? Deve ser porque é difícil uma pessoa surda criar uma criança, né?” <- Não tenho filhos, porque simplesmente não tenho VONTADE de tê-los. Se quisesse, a surdez seria a menor das minhas preocupações.

5. “Puxa, mas você não ouve? Que interessante. Nunca conheci uma pessoa que não ouvia.” <- Ué, nunca foi ao zoológico quando criança? Hunf

6. “Você já procurou um médico pra ver isso?” <- Médico? Que bobagem! Surdez é que nem resfriado, a gente toma remedinho em casa mesmo. Aqueles 18 senhores de branco que eu visitei durante o primeiro ano após perder a audição, eram todos pais-de-santo.

7. “Você fala com as mãozinhas?” <- Não, porque eu não sou uma matrona italiana… Mas, em todo caso, mesmo que eu saiba falar Língua de Sinais, certamente não usaria esse idioma pra conversar com um ouvinte que nem sabe o que é isso.

8. “Mas você consegue mexer os braços e as pernas normalmente?” <- Ai, meu Deus, quantas deficiências eu preciso ter pra esse povo ficar satisfeito?

9. “Como sua amiga vai ler essa carta, se ela não ouve?” <- Um menino perguntou isso pra minha melhor amiga, enquanto ela me escrevia uma carta. Chorei!!

10. “Mas você escreve normalmente?” <- Não, eu escrevo por telecinésia. E você, pensa como?

11. “Você já procurou ajuda espiritual? Lá no templo da minha religião, vi o sacerdote curar uma senhora que tinha câncer de mama, na minha frente…” <- Deixando de lado o fato de que quero morrer sem saber como essa cura foi comprovada “a olhos vistos”, se isso for verdade, no mínimo, acho que a pessoa tinha fé naquela religião. Como não é o meu caso, prefiro a medicina tradicional mesmo.

12. “Surdos podem ter uma vida sexual normal?” <- Esse negócio de normalidade é muito supervalorizado, sabe? Surdo que é surdo prefere modalidades exóticas…

13. “Mas por que você diz que é surda? Surdo é quem não ouve nada!” <- Juro que eu preferia não ter ouvido isso!!

14.”Como assim, você lê lábios? Deve ser muito difícil…” <- Ok, é difícil. Qual alternativa você me propôe? Telepatia?

15. “Ah, mas  por que você fala?” <- Engraçado, estou me perguntando exatamente a mesma coisa ao seu respeito. Por que, heim, por que?
Bom, se você quiser saber COMO eu falo, aí sim, poderemos conversar!

Juro que acordei de bom humor hoje! Hihihi

Beijinhos

Lak

p.s. Esqueci de contar uma coisa que falaram pro Edu – que não foi bem uma pergunta – e, grazadels, eu só soube depois. Uma vendedora viu a gente conversando sem voz (Edu lê os lábios tão bem quanto eu e, na rua, a gente fala sem voz um com o outro, coisa nossa), vira pra ele e pergunta: Por que vocês falam assim?

E ele responde:  - Bem, ela é surda, a gente lê os lábios um do outro.

Ai a mulher vira e fala: – Ah, que bom que você trouxe ela pra passear. Deve ser bom pra ela sair de casa, né?!

Nem quero imaginar com que ser esssa mulher me confundiu!!

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Jogado em Causos silenciosos

 

Hearing Dog (cão-ouvinte)

Escrito por laklobato em 19/05/2009

Que existe cão guia para deficientes visuais, todo mundo sabe, embora aqui no Brasil, seja raro ver um exemplar desses fiéis escudeiros por aí. O belíssimo trabalho deles, conhecido pela maioria, é basicamente servir de olhos àqueles privados da visão. Jairo Marques, do blog Assim Como Você (ali na lista, intimamente descrito como “Blog do Jairo”), até teve a excelente sacada de entrevistar um desses trabalhadores caninos e trazer ao conhecimento de leitos como é o universo deles.

O que, no entanto, muita gente não sabe é que existe um primo-irmão desses bichinhos fofinhos que cuida daquelas pessoas que tem plena função dos olhos, mas capengam dos ouvidos: Os cães-ouvintes.
A idéia surgiu nos Estados Unidos para ajudar a pessoas com surdez severa ou profunda  que buscam mais independência.
Praticamente qualquer tipo de cachorro pode ser treinado para ser cão-ouvinte. Inclusive é possível adestrar o cão da própria pessoa com deficiência, se ela já tiver algum.
Ele não precisa ser tão grande como um cão-guia. Se for pequeno, ainda tem a vantagem de poder ficar no colo e entrar em qualquer ambiente sem muitos problemas.
Os treinadores selecionam cães obedientes, com bom temperamento e vontade de trabalhar. O cãozinho passa por uma adaptação para que possa ficar calmo em ambientes públicos e se socializar com as pessoas. Só então é treinado para que reaja a sons importantes como campainhas, sirenes, alarmes, carros dando ré e pessoas chamando pelo nome do dono. Também alerta o dono para sons mais familiares como toque de telefone, despertadores, choro de bebê e até o micro-ondas ou o apito da panela de pressão avisando que a comida está pronta.
O cão precisa reconhecer o som e identificar de onde ele vem para que possa chamar a atenção do dono por meio de gestos, levá-lo até a origem do barulho ou mesmo guiar o dono para longe de um alarme de incêndio.

Todo este adestramento leva de  3 meses a 1 ano e a regulamentação já existe nos EUA, Inglaterra, França, Austrália e Portugal.

A roupinha diz: Cão Ouvinte em Treinamento  - Trabalhando. O fone de ouvido foi exigência do próprio Lupito, que compreendeu isso como isso como om "ouvinte" do nome.

A roupinha diz: Cão Ouvinte em Treinamento - Trabalhando. O fone de ouvido foi exigência do próprio Lupito, que compreendeu isso como isso como om "ouvinte" do nome.

Não sei como funciona no Brasil, mas talvez a mesma lei que permite cães-guia em lugares públicos possa ser usada por deficientes auditivos.
Nos EUA os cães-ouvintes são identificados por um colar laranja ou então uma jaqueta como a que o Lupito está usando ao lado.

Como eu sou cachorrólatra, não me importaria nem um pouco de ter um desses cuidando de mim, o tempo todo. E olha que sou daquelas pessoas chatérrimas que detesta superproteção (ou qualquer proteção em geral, pra ser mais sincera).

Beijinhos

Lak

p.s. Não sei se já existe centros de treinamento de cães-ouvintes aqui no Brasil. Não achei na internet (ou não pesquisei direito). Se alguém tiver essa informação, eu agradeço.

Fonte:
Cão-ouvinte na Wikipedia
Hearing dog na Wikipedia (inglês)
Hearing Dog for Deaf People (inglês)
Dog Times

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