Quem são os Intérpretes Oralistas?

Escrito por laklobato em 25/07/2011

Várias vezes, aqui no DNO, citei a necessidade de haver mais intérpretes oralistas para trabalharem em apoio aos surdos oralizados.

Tudo porque, como boa parte de nós não tem fluência na Língua Brasileira de Sinais, fica difícil acompanhar os intérpretes de Líbras.

Assistir palestras, por exemplo, sempre me foi uma tarefa penosa nos meus anos de total ensurdecida. Só fui realmente apreciar isso já implantada, muito porque a acústica do auditório da FORL (Fundação de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas) era excelente e eu estava sentada em posição de completar o audio do IC com a leitura labial.

Mas, como fazer no caso de surdos oralizados não-implantados e que não tem fluência em Líbras?

Claro, vai ter quem sugira que aprendam a Líbras fluentemente e, mais uma vez, vou insistir que a Líbras é um idioma tão complexo quanto qualquer outro e requer um bom tempo de estudo e bastante afinidade, coisa que nem todo mundo que teve a Língua Portuguesa como base linguística consegue ter.

E já que não dá para legendar todas as palestras do universo, o jeito é utilizar o recurso que temos: leitura labial, com o auxílio do intérprete oralista.

Finalmente, tive o imenso prazer de conhecer um intérprete de Líbras que já havia atuado como intérprete oralista e aceitou explicar sobre esse maravilhoso trabalho dele aqui para o DNO.

Com a palavra: Jadson Nunes:

1. Fale um pouco de você. De onde você é, qual a sua idade e formação…

Meu nome é Jadson. Sou metade Paulista e metade Sergipano (risos) tenho 18 anos e no momento sou um ex-universitário, tentei ser pedagogo, mas não me adaptei aos estágios em sala de aula.

2. Como você teve contato com a Língua de Sinais Brasileira? Qual sua opinião sobre o idioma?

Meu primeiro contato com a Comunidade Surda foi em 2002, na escola. Mas era algo bem superficial. Eu utilizava mímica e gestos para conversar com os então “mudinhos”.
Em 2006 começou um curso de Libras na Igreja em que eu freqüentava. O curso teve duração de 1 ano, entretanto ingressei já no finalzinho do segundo tempo, faltando 3 meses para acabar fui lá xeretar e me identifiquei bastante.

3. Você convive com Surdos sempre?

Sim, é surdo no café da manhã, surdo no almoço e surdo na janta kkkkk  24 horas

Ai, conta também os amigos surdocegos.

4. Há quanto tempo trabalha como intérprete?

Há 3 anos

5. Já atuou como intérperte oralista? O que acha desse trabalho?

Já atuei sim, acho da mesma importância de um intérprete de Português – Inglês, Português – Libras.

6. Como é o trabalho do intérprete oralista?

O Intérprete oralista é também conhecido como intérprete repetidor.

O trabalho do intérprete oralista, consiste na transliteração, pois envolve apenas uma língua, geralmente fica sentado na frente do surdo oralizado repetindo tudo que a pessoa do discurso diz.

7. Gostaria de deixar um contato para os surdos oralizados poderem conversar com você?

Opa claro sempre =)

Jadson Nunes

Jadson.nunes@hotmail.com

11.7688-4723

Beijinhos sonoros,

Lak

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Trabalhando as expectativas

Escrito por laklobato em 03/03/2010

Certamente, o que é mais complicado no Implante Coclear é a parte psicológica, não apenas reeducar o cérebro em ouvir, ouvir de uma maneira não-orgânica simplesmente, mas tecnológica. Mas saber trabalhar as próprias expectativas e as dos outros.

Como eu fui surda por 23 anos, mais que o dobro de tempo que fui ouvinte, minhas expectativas não eram altas e eu me deslumbro com cada conquista mais ínfima que seja e fico feliz simplesmente de estar muito  mais perto do que jamais estive por décadas. De repente, a redoma que me isolava dos sons do mundo vai se tornando cada vez mais efêmera.

Em contrapartida, as expectativas alheias podem ser bem irritantes e, estas, certamente estão além do meu controle. Eu tento ser paciente e explicar infinitas vezes que o IC não é colocar um ouvido natural na cabeça, leva tempo, tem limitações e que requer treino e aprendizado. Mesmo assim, nem todo mundo parece compreender e tem horas que tenho vontade de mandar algumas pessoas plantarem batata.

Mas enfim, um texto bacaníssima sobre trabalhar as expectativas segue abaixo:

*texto retirado da comunidade Implante Coclear do Orkut, postado pela Leila. (Ela copiou da lista de discussão do FIC – Forum de Implante Coclear).
Os Serviços de Implante Coclear constantemente advertem seus pacientes a terem expectativas reais com relação ao Implante. Estas palavras podem ter significados diferentes para cada pessoa. Simplesmente o que significa a palavra “realista”? De que maneira pode-se estar seguro de que as expectativas do paciente são realistas? E como orientar a família, amigos e parentes quanto à expectativa?
  • Suas Próprias Expectativas
Antes da cirurgia a Equipe do Implante Coclear deve ter te informado que o Implante não é capaz de restabelecer a capacidade normal da audição e de que maneira responderá o seu Implante.Sem entrar em um processo de frustração é preciso manter a esperança, determinação, e empenho necessários para dar continuidade ao processo de reabilitação.
Os sons percebidos com o implante não são maravilhosos, aprender a usar o Implante leva algum tempo. É importante salientar que a parte auditiva do seu cérebro está sendo estimulada de uma forma nova e o cérebro precisa de tempo para se ajustar às novidades.

Nos primeiros dias após a ativação, é comum o paciente questionar se os sons percebidos terão algum sentido algum dia.São poucos os pacientes que desde o primeiro dia ficam contentes com a qualidade e a quantidade do que escutam. Os pacientes descrevem suas primeiras experiências como: “dentro de um túnel”, “no fundo do poço”, “como um robô”, “voz de Pato Donald”. Com o passar do tempo, através do uso regular do Implante e com o empenho em aprender  fazer uso dos novos sons os progressos serão alcançados.

Com muita freqüência os pacientes implantados não percebem os progressos alcançados. Usando um calendário ou uma agenda comece a registrar os seus progressos: quando escutar um novo som, uma nova palavra ou se sentir menos isolado no grupo. Basta fazê-lo por alguns minutos a cada noite. Isto pode funcionar como uma ferramenta de motivação pessoal quando se sentir decepcionado. Peça a amigos e familiares que falem quando perceberem algum progresso. São muitos os fatores que influenciam o progresso de cada paciente. O tempo de melhora pode variar em cada caso. Se tiver alguma dúvida quanto ao seu progresso, consulte o Fonoaudiólogo, juntos poderão revisar o seu progresso e desenvolver estratégias quanto à reabilitação enfocando expectativas reais.

A paciência é sem dúvida uma virtude importantíssima ao usuário de implante. Durante os primeiros meses de uso é impossível prever qual será o progresso alcançado, portanto a única coisa que se pode fazer e praticar é ser paciente, e participar ativamente da descoberta dos novos sons, restabelecendo um novo código, e adaptando-se com o tempo ele será semelhante ao da sua memória auditiva .Além de ser paciente consigo mesmo, é importante concentrar-se no Implante e seus benefícios. Procure não fazer comparações com os outros pacientes implantados. Não se esqueça que existem processadores de fala diferentes, portanto experiências diferentes. O processador que você está usando é resultado de grandes avanços nas características de programação, diferente de dispositivos anteriores.

As diferenças no aproveitamento do Implante estão relacionadas, em sua grande maioria, ao inicio da perda auditiva, tempo de duração da surdez, ao numero de fibras do nervo auditivo presente e outros fatores. Todos estes fatores estão fora do seu alcance. É muito difícil alcançar a satisfação no uso do implante, comparando os seus resultados com o de outros usuários.

Comparar sua nova habilidade com ouvintes normais, também pode gerar uma grande decepção. A única medida significativa para efeito de comparação, é a sua própria: as habilidades de comunicação e as respostas aos sons que passou a ter, com a capacidade que tinha antes do implante.

  • As Expectativas dos Outros

Poucas pessoas compreendem os usuários de Implante Coclear, a grande maioria espera que o implante cure todos os problemas auditivos e restabeleça a audição em 100% . Diante dessa expectativa, a solução seria explicar aos nossos familiares e pessoas que nos cercam o que são os implantes, o quanto se pode escutar com eles o que se pode fazer para facilitar a comunicação. Isso com certeza diminuirá o stress e os desentendimentos.

É comum alguma pessoa pensar que a operação foi um fracasso ou acharem que o paciente implantado não está colaborando, logo após a cirurgia de colocação da parte interna, não sabem que o implante será ativado apenas dali a 40 dias aproximadamente.

Abaixo alguns pontos que são importantes de serem tratados (falados) com os seus familiares e amigos:As partes do implante –receptor, antena, microfone, e processador de fala.Explicar como funciona o equipamento.

Falar das expectativas realistas.O implante não restabelece a audição normal. Ressaltar o que se pode fazer e escutar com o implante que antes não podia, e as coisas que são difíceis ou impossíveis de escutar.

Formas que possam facilitar a comunicação (ficar de frente, ajudar com chamadas telefônicas, ou qualquer outra necessidade que tenha). O processo de aprendizagem para ouvir, se dará com o tempo, não de um dia para o outro, há necessidade de reabilitação para que os progressos sejam alcançados com mais facilidade, reaprender a escutar é um processo árduo. Quando estiver mais cansado será mais difícil de escutar (como ocorre no ouvinte). Compartilhe com os outros as experiências que tem passado, ajude-os a compreender que passará por momentos de frustração e tensão e que esta alteração de humor são esperadas. As mudanças causadas pelo uso do implante também poderão afetar suas relações com as pessoas. Antes do implante talvez você fosse mais dependente dos outros. Agora com o implante é possível que seja mais independente, e isso pode representar alivio para algumas pessoas e para outras um desconforto. Peça sempre ajuda a equipe, caso você tenha algum problema nos seus relacionamentos interpessoais.

(tradução Unicamp-2002- Sacándole el Mayor Provecho a su Sistema Implante Coclear Nucleus)

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. nota deixada pelo moderadordo FIC no tópico criado pela Leila, na comunidade que citei: O original deste texto, encontra-se nos nossos arquivos do FIC (http://br.groups.yahoo.com/group/implantecoclear/files/). Foi nos enviado pela Fga. Dra. Sílvia Badur Cury, da Equipe de IC da Unicamp, através de Marta Matos Martins. Foi publicado pela 1a. vez no FIC em 13/08/2004.

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Coisinhas desconexas

Escrito por laklobato em 02/03/2010

Só pra não ficar muito tempo afastada do blog.

Ando super tensa e preocupada com fonoaudióloga, porque tô passando do prazo de começar a reabilitação e ainda não achei uma profissional. Mandaram-me uma lista de fonos especializadas em IC, mas a maior parte dos consultórios onde o Edu ligou estavam com telefone errado (do tipo “esse telefone não existe”) e ainda não consegui achar mesmo uma. Será que alguém pode me indicar uma fono especializada em reabilitação auditiva na região sudoeste de SP? Eu ficaria muito grata!

Mudando de assunto, tive a primeira aula de inglês depois da ativação (já tinha tido uma antes, mas foi logo depois da ativação e não conta). Percebo que se eu tento ouvir junto com ler os lábios, não apenas ler, fica absurdamente mais fácil compreender o que dizem e até entendi BEM frases inteiras, coisa que conseguia fazer em francês, mas sofria no inglês, embora eu consiga ler e escrever de boa. Mas, o mais legal foi prestar atenção, sem olhar, quando a Cris falava “but” “love” e perceber o som exato da vogal… Incrível como ouvir pode fazer tanta diferença na percepção.

Sei que dou muito crédito pra leitura labial, mas confesso que ela tem limitações e poder explorar os limites dela, graças ao IC, indo além do que a minha condição corporal me permite é um privilégio!

Um brinde à tecnologia!

Beijinhos ciborgues sonoros,

La

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O pop não poupa ninguém

Escrito por laklobato em 30/11/2009

Sabe, quando eu fiz o blog, inicialmente, apesar do nome, meu objetivo não era focar o blog na surdez. Sempre foi uma convicção minha que minha vida não girasse em torno da deficiência, mas que ela fosse uma parte importante da minha vida, embora não a única.

O tempo foi passando e raramente eu me dispunha a falar de outro assunto que não surdez e/ou deficiência, muito porque era uma proposta nova, falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais ou na Cultura Surda, o que, pra muita gente, é praticamente sinônimo de surdez.

Outro dia, me mandaram um email, pedindo uma entrevista. Era uma moça fazendo faculdade de pedagogia e que tinha um trabalho sobre surdez pra fazer. Ela queria justamente a proposta do blog: falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais, porque é de praxe relacionar as duas coisas.

A entrevista dela era basicamente algumas perguntas  que viraram uma apresentação de powerpoint. Não sei a nota do trabalho, mas ela me disse que foi o único com essa temática e, portanto, causou rebuliço e foi inesperado.

Como eu sou uma pessoa muito exibida bacana, compartilharei minha fofoluxa entrevista e, obviamente, o trabalho da Andrea Petenucci e Sabrina Bohlen, estudantes de pedagogia da Universidade Anhembi Morumbi (coincidência das coindências, a universidade em que me formei em 2001):

1. Lak, obrigada pela atenção, fale um pouco de você.
Basicamente, eu sou o que diz o perfil do meu blog. Uma mulher de 32 anos, casada, que trabalha, estuda e aproveita a vida. Sou formada em publicidade e fotografia. Atualmente, trabalho como arte finalista numa grande agência de publicidade, estudo francês e inglês, curto minha casa, minha familia, meus amigos, meu marido. Fiz o blog de brincadeira, justamente porque eu não vivo em função da surdez, nada na minha vida gira em torno disso e eu queria mostrar que era possível.
2. Em seu blog você diz que perdeu a audição aos 10 anos, com seguela de caxumba. Como foi para uma menina lidar com essa mudança?
Da melhor maneira possível. Criança não perde tempo se auto-comiserando. Acha que acontece e continua vivendo. Fiquei triste, mas uma hora cansei da tristeza e fui brincar de novo.
3.Como os médicos aconselharam você e sua familia a lidar com sua deficência auditiva?
Fazer fono pra manter bem a fala e continuar inserida na comunidade ouvinte, graças a minha capacidade de leitura labial que sempre me permitiu manter uma boa comunicação.
4.Vocês buscaram informação com outros profissionais, grupo de apoio, pessoas em geral, etc?
Não, somente fonoaudiólogas. Meus pais perceberam que eu continuava vivendo tranquilamente, estudando, fazendo amigos, brincando e não atrapalharam. Apenas insistiram pra eu fazer fonoterapia sempre.
5. Conte um pouco como foi sua adolescência e juventude?
Tranquila, como de qualquer pessoa. Estudei, namorei, fiz planos pro futuro…
6.Você estudou em escola especial ou regular?
Regular
7. Sofreu descriminação por parte dos alunos ouvintes?
Não. Faziam gracinhas, mas nada de diferente de qualquer outro aluno. Sempre fui querida e tive amigos.
8. Você aprendeu ou se interessou por aprender LIBRAS? Se não, você foi criticada por ter feito essa opção?
Aprendi aos 26 anos, pra fazer um trabalho. Mas não gostei. Não, nunca me criticaram, porque eu nunca convivi com surdos.
9. Você participa da Comunidade Surda?
Não
10. Você fez o Implante Coclear ha pouco tempo. O que a fez optar pelo implante?
Vontade de ouvir de novo, nunca deixei de me sentir ouvinte, de querer fazer coisas que fazia quando criança. Demorei pra fazer porque queria ter o prazer de pagar tudo do meu bolso, sem depender da ajuda de ninguém. Coisa que me orgulha muito.
11. Foi uma decisão fácil de tomar?
E por que não seria? Eu considero a surdez uma deficiência sensorial e, ao meu ver, tendo uma cura/tratamento pra uma deficiência, não teria razão pra não fazer. Quanto melhor a minha qualidade de vida, melhor a vida será.
12. Como foi o processo da cirurgia? E a recuperação?
A cirurgia foi absolutamente tranquila. Na recuperação, eu tive um pouco de labirintite.
13. A surdez influenciou na escolha de sua profissão?
Talvez, não sei. Eu realmente não presto atenção na surdez o suficiente pra dizer onde ela influencia ou não. Faço o que tenho vontade. Sou uma pessoa, não um rótulo.
14. Quais conselhos você daria aos pais de uma criança com diagnostico de surdez?
A fazerem o que acham melhor pra si mesmos e pra criança. Pesquisem todas as opções e mergulhem nela de cabeça. Se quiserem implantá-la, façam tudo o necessário. Se quiserem mantê-la na Comunidade Surda, aprendam libras. Seja a decisão que tomarem, participem dela em conjunto com a criança.
15.Algumas pessoas surdas são contra o implante coclear e muitas optam por não terem filhos, em função da deficiência. O que você acha sobre isso?
Honestamente? Ridiculo! Mas até aí, é opção de cada um e cada um faz o que quer da vida. Não sou ninguém pra ditar regra na vida alheia. Verdade que o implante coclear não é e jamais será indicado em 100% dos casos, mas ser contra pra si é uma coisa, se meter na vida dos outros a ponto de criticar quem opta pelo implante é bem diferente.
16. Comente um pouco sobre o uso de legendas em filmes publicitários.
Bom, a legenda é fundamental para todos os deficientes auditivos que tem fluencia no portugues. Ela serve para quem tem perda leve e moderada como complemento da audição e pra quem tem perda severa e profunda como unica fonte de informação. É importante no quesito acessibilidade, uma vez que também somos consumidores e também queremos saber o que podemos adquirir.
O mesmo vale para qualquer midia televisiva/cinema/web. Sem a legenda, nosso acesso se torna bastante restrito.

O  mais legal do trabalho, sem dúvida, era a introdução:

“Navegando pela internet em busca de perfis de deficientes auditivos, nos deparamos com o blog Desculpe, não ouvi! e a cada linha lida, crescia a certeza de ter encontrado a pessoa certa para a entrevista. Uma mulher sensível, inteligente e descolada. Sem dúvida, uma contribuição incrível para nós, pois ela é o avesso do estereótipo do surdo. Neste momento, o convidamos a deixar os modelos já conhecidos de lado e se encantar com tantas possibilidades que se apresentam.”

Seguido da justificativa:

“Dentre tantos aspéctos do perfil da Lak, o que mais nos chamou atenção  foi o fato dela não utilizar a língua de sinais. Como a maioria das discussões sobre surdos são sobre o uso da LIBRAS, entendemos que seria riquíssimo trazer uma abordagem diferente sobre a surdez. Usando as palavras da Lak: Não que haja algo errado na Líbras, mas é importante considerar que nem todo surdo nasceu surdo, nem todo surdo foi encaminhado cedo para a Comunidade Surda, nem todo surdo quer se comunicar de outra forma que não oral.”

Apesar de eu parecer uma pessoa petulante – sou mesmo, admito – nunca tive a pretensão de fazer desse blog algo além de um espaço para se conhecer um pouco mais sobre os Surdos Oralizados, mas quando percebo que é mais que isso, que atinge pessoas, atinge idéias e quebra barreiras, vejo que o que a gente pretende nem sempre condiz com a realidade. É possível ir além…

Beijinhos,

Lak

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Legenda automática em videos do YouTube

Escrito por laklobato em 20/11/2009

You Closed CaptionEsta semana o Google anunciou que o YouTube passará a contar com um recurso de legendas automáticas.

O famoso Closed Caption já é usado no YouTube desde 2006, mas a novidade agora é um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas nos vídeos em inglês.

Ken Harrenstien, engenheiro do Google, publicou ontem no blog oficial as novidades. “Cada um desses recursos teve grande significado pessoal para mim, não só porque eu ajudei a projetá-los, mas também porque eu sou surdo.” – diz ele.

As legendas não ajudam apenas surdos e deficientes auditivos. A tradução automática também permite que as pessoas ao redor do mundo acessem o conteúdo de vídeo em qualquer um dos 51 idiomas disponíveis e também melhoram a busca, permitindo que o usuário vá direto para a parte do vídeo que está procurando.

Por causa destas vantagens, o Google percebeu que poderia usar o programa de transcrição do áudio que já haviam desenvolvido para o Google Voice (uma espécie de secretária eletrônica que transforma voz em texto), afinal não se pode esperar que cada usuário coloque legendas em seus vídeos, pois é uma operação que leva tempo e a maioria não se importa com isso.

Para ativar o recurso, o usuário precisa clicar no botão inferior direito do player e excolher a opção Transcribe Audio (passo 1). Depois poderá traduzir a legenda gerada para o português usando a opção Translate Captions no mesmo menu (passo 2).

Legenda no YouTube

O sistema ainda não está perfeito e é preciso muita sorte para ele entender o inglês falado e depois traduzí-lo para o português perfeitamente. No momento, está sendo usado apenas em canais de ONGs e outros parceiros, mas até o final da semana estará disponível para todos os usuários em inglês.

Veja abaixo um vídeo demonstrando o sistema e outro com um programa da National Geographic.

beijinhos,

Lak

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