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	<title>Desculpe, não ouvi! &#187; dicas</title>
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	<description>por Lak Lobato</description>
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		<title>Quem são os Intérpretes Oralistas?</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jul 2011 03:15:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contribuições]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Intérpretes oralistas]]></category>
		<category><![CDATA[palestras]]></category>

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		<description><![CDATA[Várias vezes, aqui no DNO, citei a necessidade de haver mais intérpretes oralistas para trabalharem em apoio aos surdos oralizados. Tudo porque, como boa parte de nós não tem fluência na Língua Brasileira de Sinais, fica difícil acompanhar os intérpretes de Líbras. Assistir palestras, por exemplo, sempre me foi uma tarefa penosa nos meus anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Várias vezes, aqui no DNO, citei a necessidade de haver mais intérpretes oralistas para trabalharem em apoio aos surdos oralizados.</p>
<p>Tudo porque, como boa parte de nós não tem fluência na Língua Brasileira de Sinais, fica difícil acompanhar os intérpretes de Líbras.</p>
<p>Assistir palestras, por exemplo, sempre me foi uma tarefa penosa nos meus anos de total ensurdecida. Só fui realmente apreciar isso já implantada, muito porque a acústica do auditório da FORL (Fundação de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas) era excelente e eu estava sentada em posição de completar o audio do IC com a leitura labial.</p>
<p>Mas, como fazer no caso de surdos oralizados não-implantados e que não tem fluência em Líbras?</p>
<p>Claro, vai ter quem sugira que aprendam a Líbras fluentemente e, mais uma vez, vou insistir que a Líbras é um idioma tão complexo quanto qualquer outro e requer um bom tempo de estudo e bastante afinidade, coisa que nem todo mundo que teve a Língua Portuguesa como base linguística consegue ter.</p>
<p>E já que não dá para legendar todas as palestras do universo, o jeito é utilizar o recurso que temos: leitura labial, com o auxílio do<span style="color: #ff0000;"> intérprete oralista</span>.</p>
<p>Finalmente, tive o imenso prazer de conhecer um intérprete de Líbras que já havia atuado como intérprete oralista e aceitou explicar sobre esse maravilhoso trabalho dele aqui para o DNO.</p>
<p>Com a palavra: Jadson Nunes:</p>
<blockquote><p><strong>1. Fale um pouco de você. De onde você é, qual a sua idade e formação&#8230;</strong></p>
<p>Meu nome é Jadson. Sou metade Paulista e metade Sergipano (risos) tenho 18 anos e no momento sou um ex-universitário, tentei ser pedagogo, mas não me adaptei aos estágios em sala de aula.</p>
<p><strong>2. Como você teve contato com a Língua de Sinais Brasileira? Qual sua opinião sobre o idioma?</strong></p>
<p>Meu primeiro contato com a Comunidade Surda foi em 2002, na escola. Mas era algo bem superficial. Eu utilizava mímica e gestos para conversar com os então “mudinhos”.<br />
Em 2006 começou um curso de Libras na Igreja em que eu freqüentava. O curso teve duração de 1 ano, entretanto ingressei já no finalzinho do segundo tempo, faltando 3 meses para acabar fui lá xeretar e me identifiquei bastante.</p>
<p><strong>3. Você convive com Surdos sempre?</strong></p>
<p>Sim, é surdo no café da manhã, surdo no almoço e surdo na janta kkkkk  24 horas</p>
<p>Ai, conta também os amigos surdocegos.</p>
<p><strong>4. Há quanto tempo trabalha como intérprete?</strong></p>
<p>Há 3 anos</p>
<p><strong>5. Já atuou como intérperte oralista? O que acha desse trabalho?</strong></p>
<p>Já atuei sim, acho da mesma importância de um intérprete de Português – Inglês, Português – Libras.</p>
<p><strong>6. Como é o trabalho do intérprete oralista?</strong></p>
<p>O Intérprete oralista é também conhecido como intérprete repetidor.</p>
<p>O trabalho do intérprete oralista, consiste na transliteração, pois envolve apenas uma língua, geralmente fica sentado na frente do surdo oralizado repetindo tudo que a pessoa do discurso diz.</p>
<p><strong>7. Gostaria de deixar um contato para os surdos oralizados poderem conversar com você?</strong></p>
<p>Opa claro sempre =)</p>
<p>Jadson Nunes</p>
<p><a href="mailto:Jadson.nunes@hotmail.com" target="_blank">Jadson.nunes@hotmail.com</a></p>
<p>11.7688-4723</p></blockquote>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
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		<title>Trabalhando as expectativas</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 17:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Implante Coclear]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[expectativas]]></category>
		<category><![CDATA[fonoaudiologas]]></category>
		<category><![CDATA[implante coclear]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>

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		<description><![CDATA[Certamente, o que é mais complicado no Implante Coclear é a parte psicológica, não apenas reeducar o cérebro em ouvir, ouvir de uma maneira não-orgânica simplesmente, mas tecnológica. Mas saber trabalhar as próprias expectativas e as dos outros. Como eu fui surda por 23 anos, mais que o dobro de tempo que fui ouvinte, minhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certamente, o que é mais complicado no Implante Coclear é a parte psicológica, não apenas reeducar o cérebro em ouvir, ouvir de uma maneira não-orgânica simplesmente, mas tecnológica. Mas saber trabalhar as próprias expectativas e as dos outros.</p>
<p>Como eu fui surda por 23 anos, mais que o dobro de tempo que fui ouvinte, minhas expectativas não eram altas e eu me deslumbro com cada conquista mais ínfima que seja e fico feliz simplesmente de estar muito  mais perto do que jamais estive por décadas. De repente, a redoma que me isolava dos sons do mundo vai se tornando cada vez mais efêmera.</p>
<p>Em contrapartida, as expectativas alheias podem ser bem irritantes e, estas, certamente estão além do meu controle. Eu tento ser paciente e explicar infinitas vezes que o IC não é colocar um ouvido natural na cabeça, leva tempo, tem limitações e que requer treino e aprendizado. Mesmo assim, nem todo mundo parece compreender e tem horas que tenho vontade de mandar algumas pessoas plantarem batata.</p>
<p>Mas enfim, um texto bacaníssima sobre trabalhar as expectativas segue abaixo:</p>
<h5><span style="font-weight: normal;">*texto retirado da comunidade </span><a href="http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=67629"><span style="font-weight: normal;">Implante Coclear</span></a><span style="font-weight: normal;"> do Orkut, postado pela Leila. (Ela copiou da lista de discussão do FIC &#8211; Forum de Implante Coclear).</span></h5>
<blockquote>
<div id="_mcePaste">Os Serviços de Implante Coclear constantemente advertem seus pacientes a terem expectativas reais com relação ao Implante. Estas palavras podem ter significados diferentes para cada pessoa. Simplesmente o que significa a palavra &#8220;realista&#8221;? De que maneira pode-se estar seguro de que as expectativas do paciente são realistas? E como orientar a família, amigos e parentes quanto à expectativa?</div>
<div id="_mcePaste">
<ul>
<li><strong>Suas Próprias Expectativas</strong></li>
</ul>
</div>
<div id="_mcePaste"><strong>Antes da cirurgia</strong> a Equipe do Implante Coclear deve ter te informado que o Implante não é capaz de restabelecer a capacidade normal da audição e de que maneira responderá o seu Implante.Sem entrar em um processo de frustração é preciso manter a esperança, determinação, e empenho necessários para dar continuidade ao processo de reabilitação.</div>
<div id="_mcePaste">Os sons percebidos com o implante não são maravilhosos, aprender a usar o Implante leva algum tempo. É importante salientar que a parte auditiva do seu cérebro está sendo estimulada de uma forma nova e o cérebro precisa de tempo para se ajustar às novidades.</div>
<p>Nos <strong>primeiros dia</strong><strong>s</strong> após a ativação, é comum o paciente questionar se os sons percebidos terão algum sentido algum dia.São poucos os pacientes que desde o primeiro dia ficam contentes com a qualidade e a quantidade do que escutam. Os pacientes descrevem suas primeiras experiências como: &#8220;dentro de um túnel&#8221;, &#8220;no fundo do poço&#8221;, &#8220;como um robô&#8221;, &#8220;voz de Pato Donald&#8221;. Com o passar do tempo, através do uso regular do Implante e com o empenho em aprender  fazer uso dos novos sons os progressos serão alcançados.</p>
<p>Com muita freqüência os pacientes implantados não percebem os progressos alcançados. Usando um calendário ou uma agenda comece a registrar os seus progressos: quando escutar um novo som, uma nova palavra ou se sentir menos isolado no grupo. Basta fazê-lo por alguns minutos a cada noite. Isto pode funcionar como uma ferramenta de motivação pessoal quando se sentir decepcionado. Peça a amigos e familiares que falem quando perceberem algum progresso. São muitos os fatores que influenciam o progresso de cada paciente. O tempo de melhora pode variar em cada caso. Se tiver alguma dúvida quanto ao seu progresso, consulte o Fonoaudiólogo, juntos poderão revisar o seu progresso e desenvolver estratégias quanto à reabilitação enfocando expectativas reais.</p>
<p>A paciência é sem dúvida uma virtude importantíssima ao usuário de implante. Durante os primeiros meses de uso é impossível prever qual será o progresso alcançado, portanto a única coisa que se pode fazer e praticar é ser paciente, e participar ativamente da descoberta dos novos sons, restabelecendo um novo código, e adaptando-se com o tempo ele será semelhante ao da sua memória auditiva .Além de ser paciente consigo mesmo, é importante concentrar-se no Implante e seus benefícios. Procure não fazer comparações com os outros pacientes implantados. Não se esqueça que existem processadores de fala diferentes, portanto experiências diferentes. O processador que você está usando é resultado de grandes avanços nas características de programação, diferente de dispositivos anteriores.</p>
<p>As diferenças no aproveitamento do Implante estão relacionadas, em sua grande maioria, ao inicio da perda auditiva, tempo de duração da surdez, ao numero de fibras do nervo auditivo presente e outros fatores. Todos estes fatores estão fora do seu alcance. É muito difícil alcançar a satisfação no uso do implante, comparando os seus resultados com o de outros usuários.</p>
<p>Comparar sua nova habilidade com ouvintes normais, também pode gerar uma grande decepção. A única medida significativa para efeito de comparação, é a sua própria: as habilidades de comunicação e as respostas aos sons que passou a ter, com a capacidade que tinha antes do implante.</p>
<ul>
<li><strong>As Expectativas dos Outros</strong></li>
</ul>
<p>Poucas pessoas compreendem os usuários de Implante Coclear, a grande maioria espera que o implante cure todos os problemas auditivos e restabeleça a audição em 100% . Diante dessa expectativa, a solução seria explicar aos nossos familiares e pessoas que nos cercam o que são os implantes, o quanto se pode escutar com eles o que se pode fazer para facilitar a comunicação. Isso com certeza diminuirá o stress e os desentendimentos.</p>
<p>É comum alguma pessoa pensar que a operação foi um fracasso ou acharem que o paciente implantado não está colaborando, logo após a cirurgia de colocação da parte interna, não sabem que o implante será ativado apenas dali a 40 dias aproximadamente.</p>
<p>Abaixo alguns pontos que são importantes de serem tratados (falados) com os seus familiares e amigos:As partes do implante –receptor, antena, microfone, e processador de fala.Explicar como funciona o equipamento.</p>
<p>Falar das expectativas realistas.O implante não restabelece a audição normal. Ressaltar o que se pode fazer e escutar com o implante que antes não podia, e as coisas que são difíceis ou impossíveis de escutar.</p>
<p>Formas que possam facilitar a comunicação (ficar de frente, ajudar com chamadas telefônicas, ou qualquer outra necessidade que tenha). O processo de aprendizagem para ouvir, se dará com o tempo, não de um dia para o outro, há necessidade de reabilitação para que os progressos sejam alcançados com mais facilidade, reaprender a escutar é um processo árduo. Quando estiver mais cansado será mais difícil de escutar (como ocorre no ouvinte). Compartilhe com os outros as experiências que tem passado, ajude-os a compreender que passará por momentos de frustração e tensão e que esta alteração de humor são esperadas. As mudanças causadas pelo uso do implante também poderão afetar suas relações com as pessoas. Antes do implante talvez você fosse mais dependente dos outros. Agora com o implante é possível que seja mais independente, e isso pode representar alivio para algumas pessoas e para outras um desconforto. Peça sempre ajuda a equipe, caso você tenha algum problema nos seus relacionamentos interpessoais.</p>
<p><em>(tradução Unicamp-2002- Sacándole el Mayor Provecho a su Sistema Implante Coclear Nucleus)</em></p></blockquote>
<p>Beijinhos sonoros,</p>
<p>Lak</p>
<p>p.s. nota deixada pelo moderadordo FIC no tópico criado pela Leila, na comunidade que citei: <em>O original deste texto, encontra-se nos nossos arquivos do FIC (</em><a onclick="_linkInterstitial('http://br.groups.yahoo.com/group/implant\74wbr\76ecoclear/files/'); return false;" href="javascript:void(0);" target="_blank"><span style="color: #02679c;"><em>http://br.groups.yahoo.com/group/implantecoclear/files/</em></span></a><em>). Foi nos enviado pela Fga. Dra. Sílvia Badur Cury, da Equipe de IC da Unicamp, através de Marta Matos Martins. Foi publicado pela 1a. vez no FIC em 13/08/2004.</em></p>
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		<title>Coisinhas desconexas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 20:47:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fonoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
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		<category><![CDATA[implante coclear]]></category>
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		<description><![CDATA[Só pra não ficar muito tempo afastada do blog. Ando super tensa e preocupada com fonoaudióloga, porque tô passando do prazo de começar a reabilitação e ainda não achei uma profissional. Mandaram-me uma lista de fonos especializadas em IC, mas a maior parte dos consultórios onde o Edu ligou estavam com telefone errado (do tipo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só pra não ficar muito tempo afastada do blog.</p>
<p>Ando super tensa e preocupada com fonoaudióloga, porque tô passando do prazo de começar a reabilitação e ainda não achei uma profissional. Mandaram-me uma lista de fonos especializadas em IC, mas a maior parte dos consultórios onde o Edu ligou estavam com telefone errado (do tipo &#8220;esse telefone não existe&#8221;) e ainda não consegui achar mesmo uma. Será que alguém pode me indicar uma fono especializada em reabilitação auditiva na região sudoeste de SP? Eu ficaria muito grata!</p>
<p>Mudando de assunto, tive a primeira aula de inglês depois da ativação (já tinha tido uma antes, mas foi logo depois da ativação e não conta). Percebo que se eu tento ouvir junto com ler os lábios, não apenas ler, fica absurdamente mais fácil compreender o que dizem e até entendi BEM frases inteiras, coisa que conseguia fazer em francês, mas sofria no inglês, embora eu consiga ler e escrever de boa. Mas, o mais legal foi prestar atenção, sem olhar, quando a Cris falava &#8220;but&#8221; &#8220;love&#8221; e perceber o som exato da vogal&#8230; Incrível como ouvir pode fazer tanta diferença na percepção.</p>
<p>Sei que dou muito crédito pra leitura labial, mas confesso que ela tem limitações e poder explorar os limites dela, graças ao IC, indo além do que a minha condição corporal me permite é um privilégio!</p>
<p>Um brinde à tecnologia!</p>
<p>Beijinhos ciborgues sonoros,</p>
<p>La</p>
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		<title>O pop não poupa ninguém</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 03:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe, quando eu fiz o blog, inicialmente, apesar do nome, meu objetivo não era focar o blog na surdez. Sempre foi uma convicção minha que minha vida não girasse em torno da deficiência, mas que ela fosse uma parte importante da minha vida, embora não a única. O tempo foi passando e raramente eu me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe, quando eu fiz o blog, inicialmente, apesar do nome, meu objetivo não era focar o blog na surdez. Sempre foi uma convicção minha que minha vida não girasse em torno da deficiência, mas que ela fosse uma parte importante da minha vida, embora não a única.</p>
<p>O tempo foi passando e raramente eu me dispunha a falar de outro assunto que não surdez e/ou deficiência, muito porque era uma proposta nova, falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais ou na Cultura Surda, o que, pra muita gente, é praticamente sinônimo de surdez.</p>
<p>Outro dia, me mandaram um email, pedindo uma entrevista. Era uma moça fazendo faculdade de pedagogia e que tinha um trabalho sobre surdez pra fazer. Ela queria justamente a proposta do blog: falar sobre deficiência auditiva sem focar na língua de sinais, porque é de praxe relacionar as duas coisas.</p>
<p>A entrevista dela era basicamente algumas perguntas  que viraram uma apresentação de powerpoint. Não sei a nota do trabalho, mas ela me disse que foi o único com essa temática e, portanto, causou rebuliço e foi inesperado.</p>
<p>Como eu sou uma pessoa muito <span style="text-decoration: line-through;">exibida</span> bacana, compartilharei minha fofoluxa entrevista e, obviamente, o trabalho da Andrea Petenucci e Sabrina Bohlen, estudantes de pedagogia da Universidade Anhembi Morumbi (coincidência das coindências, a universidade em que me formei em 2001):</p>
<blockquote><p><strong>1. Lak, obrigada pela atenção, fale um pouco de você.<br />
</strong>Basicamente, eu sou o que diz o perfil do meu blog. Uma mulher de 32 anos, casada, que trabalha, estuda e aproveita a vida. Sou formada em publicidade e fotografia. Atualmente, trabalho como arte finalista numa grande agência de publicidade, estudo francês e inglês, curto minha casa, minha familia, meus amigos, meu marido. Fiz o blog de brincadeira, justamente porque eu não vivo em função da surdez, nada na minha vida gira em torno disso e eu queria mostrar que era possível.<br />
<strong>2. Em seu blog você diz que perdeu a audição aos 10 anos, com seguela de caxumba. Como foi para uma menina lidar com essa mudança?</strong><br />
Da melhor maneira possível. Criança não perde tempo se auto-comiserando. Acha que acontece e continua vivendo. Fiquei triste, mas uma hora cansei da tristeza e fui brincar de novo.<br />
<strong>3.Como os médicos aconselharam você e sua familia a lidar com sua deficência auditiva?<br />
</strong>Fazer fono pra manter bem a fala e continuar inserida na comunidade ouvinte, graças a minha capacidade de leitura labial que sempre me permitiu manter uma boa comunicação.<br />
<strong>4.Vocês buscaram informação com outros profissionais, grupo de apoio, pessoas em geral, etc?</strong><br />
Não, somente fonoaudiólogas. Meus pais perceberam que eu continuava vivendo tranquilamente, estudando, fazendo amigos, brincando e não atrapalharam. Apenas insistiram pra eu fazer fonoterapia sempre.<br />
<strong>5. Conte um pouco como foi sua adolescência e juventude?<br />
</strong>Tranquila, como de qualquer pessoa. Estudei, namorei, fiz planos pro futuro&#8230;<br />
<strong>6.Você estudou em escola especial ou regular?</strong><br />
Regular<br />
<strong>7. Sofreu descriminação por parte dos alunos ouvintes?</strong><br />
Não. Faziam gracinhas, mas nada de diferente de qualquer outro aluno. Sempre fui querida e tive amigos.<br />
<strong>8. Você aprendeu ou se interessou por aprender LIBRAS? Se não, você foi criticada por ter feito essa opção?</strong><br />
Aprendi aos 26 anos, pra fazer um trabalho. Mas não gostei. Não, nunca me criticaram, porque eu nunca convivi com surdos.<br />
<strong>9. Você participa da Comunidade Surda?</strong><br />
Não<br />
<strong>10. Você fez o Implante Coclear ha pouco tempo. O que a fez optar pelo implante?</strong><br />
Vontade de ouvir de novo, nunca deixei de me sentir ouvinte, de querer fazer coisas que fazia quando criança. Demorei pra fazer porque queria ter o prazer de pagar tudo do meu bolso, sem depender da ajuda de ninguém. Coisa que me orgulha muito.<br />
<strong>11. Foi uma decisão fácil de tomar?<br />
</strong>E por que não seria? Eu considero a surdez uma deficiência sensorial e, ao meu ver, tendo uma cura/tratamento pra uma deficiência, não teria razão pra não fazer. Quanto melhor a minha qualidade de vida, melhor a vida será.<br />
<strong>12. Como foi o processo da cirurgia? E a recuperação?</strong><br />
A cirurgia foi absolutamente tranquila. Na recuperação, eu tive um pouco de labirintite.<br />
<strong>13. A surdez influenciou na escolha de sua profissão?</strong><br />
Talvez, não sei. Eu realmente não presto atenção na surdez o suficiente pra dizer onde ela influencia ou não. Faço o que tenho vontade. Sou uma pessoa, não um rótulo.<br />
<strong>14. Quais conselhos você daria aos pais de uma criança com diagnostico de surdez?</strong><br />
A fazerem o que acham melhor pra si mesmos e pra criança. Pesquisem todas as opções e mergulhem nela de cabeça. Se quiserem implantá-la, façam tudo o necessário. Se quiserem mantê-la na Comunidade Surda, aprendam libras. Seja a decisão que tomarem, participem dela em conjunto com a criança.<br />
<strong>15.Algumas pessoas surdas são contra o implante coclear e muitas optam por não terem filhos, em função da deficiência. O que você acha sobre isso?</strong><br />
Honestamente? Ridiculo! Mas até aí, é opção de cada um e cada um faz o que quer da vida. Não sou ninguém pra ditar regra na vida alheia. Verdade que o implante coclear não é e jamais será indicado em 100% dos casos, mas ser contra pra si é uma coisa, se meter na vida dos outros a ponto de criticar quem opta pelo implante é bem diferente.<br />
<strong>16. Comente um pouco sobre o uso de legendas em filmes publicitários.<br />
</strong>Bom, a legenda é fundamental para todos os deficientes auditivos que tem fluencia no portugues. Ela serve para quem tem perda leve e moderada como complemento da audição e pra quem tem perda severa e profunda como unica fonte de informação. É importante no quesito acessibilidade, uma vez que também somos consumidores e também queremos saber o que podemos adquirir.<br />
O mesmo vale para qualquer midia televisiva/cinema/web. Sem a legenda, nosso acesso se torna bastante restrito.</p></blockquote>
<p>O  mais legal do trabalho, sem dúvida, era a introdução:</p>
<p><em>&#8220;Navegando pela internet em busca de perfis de deficientes auditivos, nos deparamos com o blog <span style="color: #ff0000;">Desculpe, não ouvi!</span> e a cada linha lida, crescia a certeza de ter encontrado a pessoa certa para a entrevista. Uma mulher sensível, inteligente e descolada. Sem dúvida, uma contribuição incrível para nós, pois ela é o avesso do estereótipo do surdo. Neste momento, o convidamos a deixar os modelos já conhecidos de lado e se encantar com tantas possibilidades que se apresentam.&#8221;</em></p>
<p>Seguido da justificativa:</p>
<p><em>&#8220;Dentre tantos aspéctos do perfil da Lak, o que mais nos chamou atenção  foi o fato dela não utilizar a língua de sinais. Como a maioria das discussões sobre surdos são sobre o uso da LIBRAS, entendemos que seria riquíssimo trazer uma abordagem diferente sobre a surdez. Usando as palavras da Lak: <span style="color: #ff6600;">Não que haja algo errado na Líbras, mas é importante considerar que nem todo surdo nasceu surdo, nem todo surdo foi encaminhado cedo para a Comunidade Surda, nem todo surdo quer se comunicar de outra forma que não oral.&#8221;</span></em></p>
<p><span style="color: #ff6600;"> </span>Apesar de eu parecer uma pessoa petulante &#8211; sou mesmo, admito &#8211; nunca tive a pretensão de fazer desse blog algo além de um espaço para se conhecer um pouco mais sobre os <strong>Surdos Oralizados,</strong> mas quando percebo que é mais que isso, que atinge pessoas, atinge idéias e quebra barreiras, vejo que o que a gente pretende nem sempre condiz com a realidade. É possível ir além&#8230;</p>
<p>Beijinhos,</p>
<p>Lak</p>
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		<title>Legenda automática em videos do YouTube</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 00:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Legenda]]></category>
		<category><![CDATA[multimídia]]></category>
		<category><![CDATA[youtube com legenda]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana o Google anunciou que o YouTube passará a contar com um recurso de legendas automáticas. O famoso Closed Caption já é usado no YouTube desde 2006, mas a novidade agora é um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas nos vídeos em inglês. Ken Harrenstien, engenheiro do Google, publicou ontem no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1493" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="You Closed Caption" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/youcc.png" alt="You Closed Caption" width="250" height="127" />Esta semana o Google anunciou que o YouTube passará a contar com um <a href="http://translate.google.com/translate?js=y&amp;prev=_t&amp;hl=en&amp;ie=UTF-8&amp;u=http%3A%2F%2Fgoogleblog.blogspot.com%2F2009%2F11%2Fautomatic-captions-in-youtube.html&amp;sl=auto&amp;tl=pt" target="_blank">recurso de legendas automáticas</a>.</p>
<p>O famoso Closed Caption já é usado no YouTube desde 2006, mas a novidade agora é um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas nos vídeos em inglês.</p>
<p>Ken Harrenstien, engenheiro do Google, publicou ontem no blog oficial as novidades. &#8220;Cada um desses recursos teve grande significado pessoal para mim, não só porque eu ajudei a projetá-los, mas também porque eu sou surdo.&#8221; – diz ele.</p>
<p>As legendas não ajudam apenas surdos e deficientes auditivos. A tradução automática também permite que as pessoas ao redor do mundo acessem o conteúdo de vídeo em qualquer um dos 51 idiomas disponíveis e também melhoram a busca, permitindo que o usuário vá direto para a parte do vídeo que está procurando.</p>
<p>Por causa destas vantagens, o Google percebeu que poderia usar o programa de transcrição do áudio que já haviam desenvolvido para o Google Voice (uma espécie de secretária eletrônica que transforma voz em texto), afinal não se pode esperar que cada usuário coloque legendas em seus vídeos, pois é uma operação que leva tempo e a maioria não se importa com isso.</p>
<p>Para ativar o recurso, o usuário precisa clicar no botão inferior direito do player e excolher a opção Transcribe Audio (passo 1). Depois poderá traduzir a legenda gerada para o português usando a opção Translate Captions no mesmo menu (passo 2).</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1491" title="Legenda no YouTube" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/youtube_legenda.png" alt="Legenda no YouTube" width="452" height="173" /></p>
<p>O sistema ainda não está perfeito e é preciso muita sorte para ele entender o inglês falado e depois traduzí-lo para o português perfeitamente. No momento, está sendo usado apenas em canais de ONGs e outros parceiros, mas até o final da semana estará disponível para todos os usuários em inglês.</p>
<p>Veja abaixo um vídeo demonstrando o sistema e outro com um programa da National Geographic.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kTvHIDKLFqc&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en_US&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1&amp;cc_load_policy=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/kTvHIDKLFqc&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en_US&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1&amp;cc_load_policy=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2jXxtQRy47A&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;cc_load_policy=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/2jXxtQRy47A&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;cc_load_policy=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>beijinhos,</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Duas semanas!</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 02:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[lugar nenhum]]></category>
		<category><![CDATA[Minha Cirurgia do Implante Coclear]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[implante coclear]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[piadas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda faltam 14 dias &#8211; duas semanas &#8211; para a ativação do Implante Coclear. Não vou fingir que sou uma pessoa zen, tranquila, blablablá whiskas sachê porque duvide-o-dó que qualquer um de vocês acreditaria, vocês não são bobinhos, certo? Pensei em coisas que poderiam me acalmar nesse meio tempo, assim tipo, coisas que poderiam preencher o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda faltam 14 dias &#8211; duas semanas &#8211; para a ativação do Implante Coclear. Não vou fingir que sou uma pessoa zen, tranquila, blablablá whiskas sachê porque duvide-o-dó que qualquer um de vocês acreditaria, vocês não são bobinhos, certo?</p>
<p>Pensei em coisas que poderiam me acalmar nesse meio tempo, assim tipo, coisas que poderiam preencher o tempo de sobra desses dias, pra eu não sentir a vagarosidade (existe essa palavra?) do tempo daqui até lá. Façamos uma lista então &#8211; eu começo e quem quiser, dá sugestões nos comentários.</p>
<p>Voilà:</p>
<p>1. <span style="color: #ff0000;">Comer chocolate.</span> Essa é de praxe e, reza-a-lenda, funciona que é uma beleza no quesito conter a ansiedade. O lado ruim é que engorda e pesa no bolso, especialmente se meu gosto for excessivamente refinado (não é) e eu quiser iguarias tipo Godiva.</p>
<p>2. <span style="color: #ff0000;">Fazer ginástica.</span> Seria excelente, não fosse que eu sou um bicho preguiça e sempre acho  que vou morrer depois do 3 abdominal. Nãooo, passemos pra próxima.</p>
<p>3. <span style="color: #ff0000;">Ver filmes.</span> Seria uma boa, né? Rever trocentos mil filmes que eu gosto. A começar por Dirty Dacing, que tenho a edição de aniversário de 20 anos do filme em DVD e até hoje não assisti. Além de muitos outros que eu poderia alugar/pedir emprestado. É, considerável e combina bem com o item 1, somado a pipoca e coca-zero (que lembrem-se, não é droga!)</p>
<p>4. <span style="color: #ff0000;">Listar todas as músicas que eu gostaria de re-ouvir.</span> Essa idéia é muito boa, vai? O ruim é que não dá pra saber quando nem SE eu terei sensibilidade auditiva pra tanto e periga eu ficar mais ansiosa ainda. No entanto, a top top da lista seria ouvir:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jAwXJ-9fD0M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/jAwXJ-9fD0M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
hehehe eu perdi a audição aos 10 anos, a maioria das músicas que eu quero ouvir são as que eu ouvia na época e, portanto, são músicas infantis.</p>
<p>A letra, pra quem não conhece a música (e não consegue ouvir, pelo motivo que for):</p>
<h3>Pato</h3>
<p><em>Vinicius de Moraes</em></p>
<p>Lá vem o pato<br />
Pata aqui, pata acolá<br />
La vem o pato<br />
Para ver o que é que há.</p>
<p>O pato pateta<br />
Pintou o caneco<br />
Surrou a galinha<br />
Bateu no marreco<br />
Pulou do poleiro<br />
No pé do cavalo<br />
Levou um coice<br />
Criou um galo</p>
<p>Comeu um pedaço<br />
De jenipapo<br />
Ficou engasgado<br />
Com dor no papo<br />
Caiu no poço<br />
Quebrou a tigela<br />
Tantas fez o moço<br />
Que foi pra panela</p>
<p>Sou uma menininha de 10 anos em corpo de mulher de 32. Dá nisso!!</p>
<p>Beijinhos</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Leitura Labial em Inglês &#8211; USA</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 14:40:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[Aulas de Idiomas]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura Labial]]></category>
		<category><![CDATA[multimídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Como já contei por aqui &#8211; quem acompanha o blog sabe, mas quem está chegando agora, puxe uma cadeira e leia com calma &#8211; eu voltei recentemente a estudar inglês. Eu falo francês razoavelmente bem &#8211; embora eu tenha voltado a estudar recentemente também, porque a falta de prática faz a gente esquecer tudo &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como já contei por aqui &#8211; quem acompanha o blog sabe, mas quem está chegando agora, puxe uma cadeira e leia com calma &#8211; eu voltei recentemente a estudar inglês.</p>
<p>Eu falo francês razoavelmente bem &#8211; embora eu tenha voltado a estudar recentemente também, porque a falta de prática faz a gente esquecer tudo &#8211; e fiz intercâmbio de espanhol em Madrid (tá, também voltei a estudar espanhol recentemente, porque também já estava esquecendo tudo, mas isso faço sozinha, porque não tem dinheiro que chegue pra estudar 3 idiomas de uma vez); mas o inglês sempre foi meu calcanhar de aquiles, porque embora brutalmente necessário, a afinidade com os idiomas latinos é  maior. Especialmente por conta da leitura labial, já que &#8211; segundo a Diefani, do blog <a href="http://igualmentediferentes.zip.net/" target="_blank">Igualmente Diferentes</a>, que é surda oralizada, brasileira e mora em New Jersey &#8211; os idiomas latinos são mais &#8220;labiais&#8221; que o inglês, cujas diferenças de sons se concentram na língua (o músculo bucal mesmo).</p>
<p>Sábado de madrugada, depois de ter estudado algumas horas, entrei no MSN e fiquei conversando sobre idiomas com um amigo, que disse que estava curioso de saber como eu aprendia a fonética. Expliquei que a <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/16/aulinha-de-idiomas/" target="_self">Cris</a>, minha fantástica professora de inglês e francês (ela é personagem cativa do blog, basta dar uma lida em textos antigos) me ensinou a ler os símbolos fonéticos que são usados em dicionários e que representam o som específico daquela letra e/ou sílaba.</p>
<p>Para vocês terem uma idéia clara do que se trata:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1170" title="The Sounds of English" src="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/wp-content/uploads/sounds_chart1.jpg" alt="The Sounds of English" width="784" height="559" /></p>
<p>As vogais simples são, obviamente, o som das vogais que fazemos (alguns não existem referências específicas em português, como o caso do último exemplo da primeira fileira. É um som entre A e É, que eu procuro fazer falando AAAA, com os lábios postos em posição de É). As que precedem &#8220;:&#8221; são prolongadas. E ditongos são, como vocês sabem, sons de duas vogais seguidas.</p>
<p>O vídeo abaixo ajuda a ter uma idéia melhor &#8211; e é feito específicamente para quem faz leitura labial, porque quem não ouve bem, tem uma etapa a mais no aprendizado de um idioma: gramática, pronúncia e  leitura labial.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8R6PUORIgt4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/8R6PUORIgt4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Difícil? Talvez, mas sou da opinião que a VONTADE supera qualquer dificuldade. Querer é poder! Ou a gente morre tentanto hihihi</p>
<p>Beijinhos</p>
<p>Lak</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>surdos usuários da Líbras, surdos sinalizados ou simplesmente Surdos.</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 19:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversidade da Deficiência Auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem falei sobre a minha turma, os surdos oralizados. Há quem diga que o surdo oralizado está mais para deficiente auditivo do que pra surdo, porque muitos vêem a denominação &#8220;surdo&#8221; já embutindo o mudo, talvez porque antigamente, quem tinha mais facilidade de se comunicar com ouvinte sentisse necessidade de esconder/camuflar a deficiência. Mas hoje [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem falei sobre a minha turma, os <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/30/surdos-oralizados/" target="_self">surdos oralizados</a>. Há quem diga que o surdo oralizado está mais para deficiente auditivo do que pra surdo, porque muitos vêem a denominação &#8220;surdo&#8221; já embutindo o mudo, talvez porque antigamente, quem tinha mais facilidade de se comunicar com ouvinte sentisse necessidade de esconder/camuflar a deficiência. Mas hoje em dia, surdo oralizado usa o termo surdo especialmente para as pessoas saberem que ele não ouve mesmo com aparelho, o que nos diferencia dos deficientes auditivos, que conseguem contornar a deficiência com próteses.<br />
Mas, enfim, chega a vez de falar sobre  os surdos que costumam prevalescer na imagem mental que se faz de quando se pensa numa pessoa que simplesmente não ouve: os sinalizados.<br />
Uma coisa que é importante enfatizar é que, não importa o quanto você ache que seria melhor os pais lidarem com a surdez de uma criança dessa ou daquela forma, isso é uma decisão de foro íntimo familiar, portanto não cabe a ninguém julgar a escolha dos outros. Se você acha que preferiria ter um filho oralizado ou sinalizado ou implantado, excelente, mas essa decisão vale apenas para você.<br />
A única coisa que eu acho essencial que a familia faça é se adaptar para a escolha feita. Se os pais escolherem pela oralização, não podem deixar todo o trabalho para a fonoaudióloga  e lavarem as mãos. O trabalho de oralização de uma criança surda pré ou peri-lingual continua mesmo em ambiente familiar. A participação dos pais faz diferença sim, porque a criança fica apenas poucas horas por semana no consultório da fonoaudióloga.<br />
O mesmo vale para os pais que preferem que a criança aprenda a língua de sinais e  conviva somente com seus semelhantes, os pais e familiares, diante dessa escolha, tem obrigação de aprender com fluência a língua de sinais, uma vez que a criança precisa se comunicar também com sua família. Não é incomum saber de relatos que os pais optam pela língua de sinais para  o filho, mas não se esforçam para aprender o idioma!<br />
Uma criança surda é uma criança com necessidade especial e, portanto, cabe às pessoas sem deficiência nenhuma se adaptarem à ela, não o contrário.<br />
Enfim, eu gostaria de explicar as principais diferenças do Português e da Líbras, para que vocês pudessem compreender as particularidades da Língua de Sinais antes de adentrarem no universo do Surdo Sinalizado, porém, minha amiga que pode me ajudar com essa explicação ainda não teve tempo e, vou ter que colocar o carro um pouco na frente dos bois.<br />
Mas uma coisa que deve ficar clara é que a língua de sinais não é apenas uma forma não oral de comunicação, ela é um idioma com estrutura própria e, portanto, você deve ver o usuário exclusivo dela (ou até mesmo um bilingue) como alguém que simplesmente fala outro idioma e nem tudo o que você fala em português fará sentido pra ele, como faz para você.<br />
Ainda que o mais fácil fosse que todo mundo soubesse o básico da Líbras para comunicar-se com eles, a curto prazo isso é praticamente impossível &#8211; ninguém aprende o idioma de um dia pro outro, por exemplo &#8211; mas nem por isso se deve fugir de uma pessoa surda sinalizada e evitar qualquer tipo de contato com ela.<br />
Vão aí algumas pequenas dicas fornecidas por um colega de trabalho usuário da língua de sinais:</p>
<p>- Se você quiser falar ele e não souber por  onde começar, a dica é a mesma de falar com um oralizado: Fale de frente pra ele, devagar e com naturalidade.</p>
<p>- Se ainda assim, você perceber que ele não lê bem seus lábios, apele pro papel e caneta.</p>
<p>- Nem todas as palavra existem ou são iguais em líbras, portanto, procure falar com clareza e de forma simples. O importante é que a mensagem que você quer passar seja bem recebida. Lembre-se, o idioma dele é diferente do seu, simples.</p>
<p>- Se você não conseguir entender o que ele fala &#8211; sim, alguns conseguem falar oralmente, mas nem sempre de forma compreensiva para quem não está acostumado a falar com ele &#8211; peça para ele escrever.</p>
<p>- Substituir a conversa oral por programas de conversação instantânea ou email, pode ser uma excelente saída para quem trabalha com um surdo sinalizado.</p>
<p>- Mímicas simples podem ajudar no diálogo, mas cuidado, uma mímica pode ser equivalente a um sinal de líbras com significado diferente e até ofensívo. Não abuse disso e jamais ache que mímica feita de qualquer jeito é língua de sinais.</p>
<p>- Evite falar com outras pessoas olhando pra ele ou apontando na direção dele. Como um surdo sinalizado nem sempre entende o que você fala, ele pode achar que vocês estão falando dele e ficar incomodado.</p>
<p>- Jamais faça piada da língua de sinais na frente dele. Muitos surdos realmente se sentem ofendidos por acharem que estão sendo alvo de chacota. Eu mesma já aturei uns babacas que fizeram isso porque viram meu aparelho. Mal sabiam eles que eu lia os lábios e entendi as piadinhas grotescas. Uma pessoa com deficiência auditiva não merece menos respeito.</p>
<p>No mais, é abusar da coragem. Pessoas diferentes daquilo que você está acostumado não são menos interessantes, portanto, vale a pena passar por cima do medo, do receio e da vergonha, expandindo seus horizontes para amizades jamais imaginadas.</p>
<p>Beijinhos</p>
<p>Lak</p>
<p>p.s. Quem souber mais dicas, fique a vontade de acrescentar nos comentários. Meu blog, seu blog.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Surdos Oralizados</title>
		<link>http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/30/surdos-oralizados/</link>
		<comments>http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/30/surdos-oralizados/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 14:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversidade da Deficiência Auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Os termos aqui utilizados podem ser encontrados no post de 29/06/2009. Já comentei que eu perdi a audição aos 10 anos, como sequela de caxumba. Tenho perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos, meio óbvio, mas não custa explicar) severa a profunda pós-lingual e, quando meus pais procuraram médicos para tratar  - em vão &#8211; minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5>Os termos aqui utilizados podem ser encontrados no <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/29/como-conviver-com-a-deficiencia-auditiva/" target="_self">post de 29/06/2009</a>.</h5>
<p>Já comentei que eu perdi a audição aos 10 anos, como sequela de caxumba. Tenho perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos, meio óbvio, mas não custa explicar) severa a profunda pós-lingual e, quando meus pais procuraram médicos para tratar  - em vão &#8211; minha condição, foram aconselhados a me manter o mais longe possível de escolas especiais para crianças surdas.<br />
Ainda que não seja sempre esse o conselho dos médicos &#8211; sei de casos de crianças que perderam a audição nessa faixa etária e foram inseridas na Comunidade Surda &#8211; no meu caso, foi ao mesmo tempo excelente e ruim. Excelente, porque graças a isso, eu me tornei a pessoa que sou hoje, uma pessoa completamente inserida na sociedade comum; mas ruim no sentido que, por conta dos dois únicos estereótipos que a maioria esmagadora de pessoas conhece, deficientes auditivos ou são surdos sinalizados ou são idosos com baixa audição, comumente ironizados em programas de comédia. E, como eu não era nenhum dos dois, toda hora eu tinha (tinha, né? hoje em dia não faço mais isso, né? hihihi) que contar a minha história para justificar por A + Z porque eu não correspondia aos estereótipos.<br />
Em 2004, quando o Orkut começou a bombar, vi um rapaz indignado numa comunidade, por conta de um tópico estúpido que perguntava: &#8220;Como surdo-mudo pensa?&#8221;, com respostas do naipe &#8220;Surdo não pensa&#8221; e eu, junto com ele, pus-me a explicar que não apenas surdos pensam, como a visão desse tipo de pessoa (as que respondiam o tópico, não os surdos) tem uma visão limitada e preconceitosa de pessoas que nada mais tem do que uma limitação sensorial.<br />
O rapaz acabou me contando que era surdo e me chamou para conversar no MSN. Depois de uma boa conversa &#8211; na qual contou-me sua história, surdo desde o nascimento, ensinado a falar desde cedo, formado em universidade, estudante de inglês, noivo e hoje casado e com filhos &#8211; ele me  falou de uma comunidade do Orkut onde, certamente, eu iria me identificar com as histórias, a  <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=6008" target="_blank">Surdos Oralizados.<br />
</a>Comunidade onde hoje, sou có-proprietária e moderadora e que é a minha fonte de inspiração pro blog.<br />
Foi lá que eu conheci o termo acerca da minha condição: Nem surda sinalizada nem deficiente auditiva, sou surda oralizada!<br />
Surdos oralizados tem pouco espaço na mídia, porque afinal de contas, não somos ouvintes nem utilizamos a língua de sinais e, pra maioria das pessoas, não tem nada de engraçado numa pessoa que fala com ou sem sotaque estranho, lê lábios perfeitamente (ou quase) e, raramente comete gafes (embora tenha consciência disso e, quando necessário, não tem o menor pudor de pedir pro interlocutor repetir).<br />
Há sempre quem argumente que surdos oralizados só o são, porque adquiriram a fala auditivamente e só depois tornaram-se surdos, mas não é verdade, existes surdos oralizados pré e peri-linguais, que tem uma fala tão boa quanto a de um surdo pós-lingual. Eles aprenderam e treinaram a fala através da fonoterapia, com direito a acompanhamento familiar (o <a href="http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/05/06/falaraul/" target="_self">Raul contou bem sua históri</a>a aqui no blog). A oralização é possível independente do estágio da aquisição da fala que a surdez ocorreu.<br />
Quando um pai/mãe aparece na comunidade perguntando se o filho dele for oralizado, vai ter a voz igual a de um ouvinte, na tentativa de camuflar a deficiência, nossa resposta é sempre a mesma: Não, a menos que ele seja implantado (explicarei o Implante Coclear ainda essa semana) cedo e  tenha um ganho auditivo excelente (pode ocorrer sim!!), um deficiente auditivo jamais deixa de ter uma condição própria e que, mais importante do que camuflar a deficiência, ele precisa aprender a sentir-se confortável com ela, adaptando sua vida às necessidades próprias dela. E mesmo que o implante seja perfeito, sem o aparelho (a parte externa do implante é removível e não pode, por exemplo, molhar), o deficiente auditivo sempre terá deficiência auditiva, portanto, é bom saber lidar com essa limitação, mesmo que ela faça parte somente de uma parte ínfima da vida da pessoa.<br />
Para lidar com um surdo oralizado, as dicas são:<br />
- Fale com naturalidade, afinal, ele lê seus lábios e quanto mais natural for sua maneira de falar, melhor será a compreensão. Se você tiver o hábito de falar rapidamente, tente diminuir um pouco a velocidade.</p>
<p>- Não exagere na articulação. Um surdo oralizado lê os lábios e a posição da língua, não a movimentação do maxilar.</p>
<p>- Não ache que porquê ele usa aparelho, significa necessariamente que ele compreende o que você diz, auditivamente. Portanto, procure falar sempre de frente pra ele, de maneira que sua boca esteja visível.</p>
<p>- Se ele lhe pedir para repetir, não é por má vontade de lhe compreender. A leitura labial não é igual a ouvir, ela pode demorar um pouco mais na compreensão ou ser interrompida por coisas bobas, tipo uma simples virada momentânea de cabeça.</p>
<p>- Se você não compreender algo que ele disser, avise. Ele é consciente da limitação dele e não teria porque se ofender com um simples &#8220;por favor, repita?&#8221;.</p>
<p>- Evite falar com eles em locais pouco iluminados. A iluminação adequada é essencial para a leitura labial. Vale qualquer improvisação: lanterna, luz de celular, etc.</p>
<p>- Ler os lábios via espelho é perfeitamente possível. Estando no carro, num cabelereiro ou numa loja, por exemplo, se o espelho estiver posicionado de maneira acessível, pode abusar dele sem dó.</p>
<p>- Ler os lábios de lado é difícil. De cabeça pra baixo, é praticamente impossível. Se a posição não for favorável (vai saber onde a conversa se dá, né?) aguarde estarem com as cabeças viradas pro mesmo lado.</p>
<p>- Falar mastigando, além de não ser de boa educação, torna a leitura labial sofrida, porque vários movimentos feitos não fazem parte da conversa, portanto, é melhor esperar engolir antes de prosseguir o diálogo.</p>
<p>- Nem sempre um surdo oralizados lida bem com piadinhas. Já vi reclamarem,  inclusive aqui no blog, que ser chamado de &#8220;surdinho&#8221; é ofensivo. Portanto, a menos que você tenha intimidade e cartão verde, evite piadas com a condição da pessoa, <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span> que ela faça piada consigo mesma.</p>
<p>- Conversar numa balada com luz estroboscopia é complicadissimo. Procure um lugar melhor iluminado.</p>
<p>- Se você tiver curiosidade de conversar em Líbras, pergunte se a pessoa tem fluência nesse idioma. Se ela tiver (for bilíngue) terá prazer de conversar com você dessa forma. Do contrário, seria como exigir que ela converse num idioma que ela não tem fluência. Lembre-se, mímica feita de qualquer jeito não é língua de sinais e nem sempre um oralizado acha divertido brincar disso.</p>
<p>Quem lembrar de alguma outra dica, fique a vontade de comentar. Sugestões são sempre bem vindas.</p>
<p>Outra coisa, não posso falar por todos os surdos oralizados do planeta, mas falo por mim, se você tem curiosidade de saber sobre  a história dele, pergunte. Na duvida,  o faça de maneira educada: &#8220;Você se importa de falar sobre isso?&#8221;. A maioria das pessoas costuma sentir-se à vontade pra falar de sua condição, quando a abordagem é acolhedora. Melhor do que ficar deduzindo, por exemplo e soltar um grosseiro &#8220;ah, mas todo surdo nasce surdo, né?&#8221;.</p>
<p>Beijinhos,</p>
<p>Lak</p>
<p>Amanhã, será a vez da língua de sinais (Líbras = Língua Brasileira de Sinais), pois assim como a oralização e implante, é parte importante do universo da deficiência auditiva e, para quem tem interesse de saber bastante sobre essa deficiência, ela não pode ficar de fora.</p>
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		<title>Como Conviver com a Deficiência Auditiva</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 13:54:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laklobato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversidade da Deficiência Auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que eu já abordei sobre os tipos de surdos, mas resolvi essa semana falar mais sobre o sentido técnico da deficiência auditiva. Começo fazendo um &#8220;glossário&#8221; sobre a diversidade dentro dessa deficiência.</p>
<p>O título do post  remete ao livro de Antônio Cyrillo Gomes, que já faz uma introdução explicando porque, dentre tantas deficiências, a deficiência auditiva é, de longe, a menos respeitada socialmente.<br />
Primeiramente porque, ao contrário das deficiências física, cerebral e visual, ela é menos visível, segundo, porque não é uma deficiência que, a primeira vista, afeta a independência da pessoa que a possui.</p>
<p>No entanto, passada essa impressão errônea inicial, a deficiência auditiva é, assim como todas as outras, uma deficiência, ou seja, falta/ausência de algo. No caso, o sentido da audição, responsável por 20% das informações sensoriais que chegam ao cérebro. O mundo auditivo não é tão ínfimo a ponto de se desqualificar a deficiência auditiva como privação de um sentido e dizer que um surdo é menos deficiente que um cego ou cadeirante. Um deficiente auditivo é privado de total ou parcialmente de todas as infomações sonoras, seja a voz de outros seres humanos, seja o sentido de alerta (aproximação de outras pessoas, animais, veículos), seja pelas pequenas coisas que se faz dependendo da audição: saber que a torneira do banheiro foi esquecida aberta estando sem contato visual, saber que a água da chaleira já ferve estando fora da cozinha, seja pela campainha que toca, seja pelo contato telefônico numa emergência.<br />
Dizer que um deficiente auditivo não corre riscos porque a deficiência auditiva só o afeta no que se refere a comunicação interpessoal é uma visão limitada. Ele não ouve um alarme de incêndio, nem um carro ao atravessar a rua. Ainda que a sobrevivência dele seja menos ameaçada, não significa que um deficiente auditivo seja totalmente independente.<br />
Ainda assim, a maior dificuldade que se encontra para quem tem essa deficiência, é fazer com que as pessoas compreendam a própria diversidade dentro da deficiência, seja por falta de informação/convívio com um deficiênte auditivo, seja pela mídia que só aborda um tipo de surdo: o sinalizado, usuário da lingua de sinais.<br />
No entanto, existem diversos grupos dentro desta deficiência, de tal forma que resumir todos aqueles que possuem deficiência auditiva como usuário de lingua de sinais seria a mesma coisa que resumir todo deficiente físico a cadeirantes, que possuem essa deficiência por queda de escada, esquecendo que existem diversas causas para a deficiência física, além de diversas maneiras de se lidar com ela: Existe o deficiente físico congênito e adquirido, o usuário de cadeira de rodas, os de muletas, os de bengalas, os de próteses; assim como existe:<br />
- Deficiente auditivos conforme o grau de perda (leve, moderado, severo, profundo): varia conforme o grau de perda auditiva, além de uma pessoa poder tem mais de um grau, por diferentes frequências. Eu, por exemplo, tenho deficiência severa em frequências graves / médias e profunda, em frequências agudas; o que impede a plena compreensão da fala somente com AASI (prótese auditiva), porque os sons são recebidos de forma distorcida pelo cérebro. E não, não é uma questão de hábito, o AASI, por si só, não resolve totalmente a minha perda, é caso de implante coclear.<br />
- Deficiente auditivo congênito ou adquirido: tal como explica o nome, a deficiência ser por causa genética (hereditariedade) ou doença gestacional (rubéola, por exemplo); peri-natais (traumas obstétricos) ou pós-natais: provocada depois do nascimento por alguma doença (meningite, sarampo, caxumba, otosclerose, tumores etc), intoxicações (antibióticos ou substáncias ototóxicas) ou traumas(queda com rompimento de tímpano), etc<br />
- Deficiente auditivo por estágio: como a fala e a audição são intimamente ligadas, conforme o estágio da aquisição da fala em que a perda auditiva ocorreu, o deficiente auditivo é classificado como pré-lingual (quando ocorreu antes dos 2 anos de idade), peri-lingual (quando a falta já estava sendo formada, mas não chegou a ser completa) e pós-lingual (quando a aquisição da fala, por via auditiva, já havia sindo completada).<br />
- Deficiência auditiva por patologia: essa variação indica onde existe avaria na condução da audição, podendo ser provocada por problemas no tímpano, pela comunicação óssea (ossinhos do ouvidio: martelo, estribo e bigorna), problemas na cóclea e/ou células nervosas (que enviam a mensagem ao cérebro), nervo auditivo ou até recepção cerebral.<br />
Portanto, como foi dito, a deficiência auditiva pode ocorrer em qualquer estágio da vida de uma pessoa, por diversas causa, de diversas formas. E, como já foi dito aqui no blog, existe:</p>
<p>1. Surdos sinalizados: comumente conhecido como surdo-mudo, ainda que essa definição seja incorreta, porque dificilmente  um surdo sinalizado sofre de mutismo real &#8211; embora essa deficiência também exista &#8211; mas de ausência da fala por falta de aprendizado. Comunicam-se por língua de sinais e podem ou não fazer leitura labial.</p>
<p>2. Surdos oralizados: pessoas que tem perda auditiva severa ou profunda, que aprenderam a falar por fonoterapia ou que perderam a audição depois da aquisição completa da fala. Falam oralmente (com ou sem sotaque caracterisco de quem tem baixa audição ou inexistente), leem os lábios e não costumam utilizar a lingua de sinais.</p>
<p>3. Surdos bilingues: são similares aos surdos oralizados, com a diferença de possuirem fluência na lingua de sinais.</p>
<p>4. Deficientes auditivos: aqueles que possuem perdas leves ou moderadas (ou profunda/severa, mas de apenas um ouvido) e que conseguem ouvir o suficiente pra discriminar  a fala, com ou sem prótese auditiva/implante coclear.</p>
<p>Afim do texto não ficar muito longo, divido o texto no decorrer da semana, abordando: oralização, língua de sinais, implante, etc.</p>
<p>Beijinhos</p>
<p>Lak</p>
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