Partes cibernéticas

Escrito por laklobato em 13/11/2009

Ontem, deparei-me com um texto no Gizmodo Brasil, um site bacaníssimo sobre tecnologia e gadgets que leio de vez em quando, ou porque vejo link nalgum site ou porque alguém me manda um link de lá e, no fim, acabo acompanhando mais do que intencionalmente acessasse-o todos os dias.

Enfim, o texto de ontem foi um desses que a gente ri, chora, identifica-se e sente aquela sensação de que não estamos a sós no mundo. Era sobre próteses e a relação que se tem com elas. Se alguém quiser ler o texto na íntegra: Gizmodo

Mas, quero destacar as partes que realmente mexeram comigo:

“Na década de 30 até a de 70, o Serviço de Saúde Nacional do Reino Unido receitava apenas uma “opção” de óculos – considerado antes apenas “utensílios médicos” – e o padrão era uma armação de plástico com uma coloração rósea pra lá de horrível, uma tentativa de fazê-la no “tom da pele”, o que era problemático já na sua descrição: tom de pele de quem, mais exatamente?

O SSN acreditava que as pessoas quereriam discrição na sua correção visual – a humilhação social que se atribuía ao ato de usar óculos significava que ninguém iria querer que os seus óculos se destacassem dos demais. Assim, apenas uma armação de óculos era feita para todo mundo. Hoje, isto soa ridículo.”

Embora realmente hoje os óculos se destaquem e muita gente (mas tem sim quem se envergonhe de usá-los, normalmente, quem sofreu bullying na infância por conta deles e prefira lentes de contato) curte ter trocentos modelos pra combinar com cada cor/estilo de roupa ou situação social.

Porém, no quesito prótese auditiva, seja o AASI (aparelho de amplificação sonora individual) ou mesmo o IC (Implante Coclear) percebo que não chegamos ainda nesse ponto. Muita gente parece ter necessidade de esconder ou camuflar esse tipo de aparelho, como se ter audição deficiente fosse algo feio ou errado, digno de ofensa aos olhos de quem vê aquilo. Especialmente em casos de pessoas que perderam a audição depois de  uma certa idade ou seja, que cresceram sem a prótese.

Quando eu era adolescente, o que mais me incomodava no AASI era o fato dele ser bege. Realmente acho horroroso  o tom bege dos aparelhos. Ele não fica menos aparente e sempre passa aquela impressão de “PRÓTESE”. Quando voltei a usar o AASI depois de adulta – fiquei anos sem usar, porque eu perdi os que tinha e não consegui comprar novos – fiz questão de trocar a caixinha por fumê (são o coração do cabeçalho do blog) ja que o modelo só tinha 3 opções de cores: vermelho, azul (metalicos) e fumê (translucido).

Não posso dar um parecer de especialista e muito menos impor a minha opinião subjetiva como uma verdade absoluta, mas acredito de coração que aceitar a prótese, seja qual for ela, como parte integrante de quem somos, não meramente algo externo e impessoal em que nos apoiamos de forma envergonhada, pode ser uma grande conquista de auto-aceitação.

Obviamente, sempre haverá quem nos olhará como o nariz torcido e o dedão apontando como: “INVÁLIDO!”, mas esse tipo de gente é digno de pena e não deve jamais ter qualquer importância.

Quanto a mim, pedi a parte externa do IC preta! Tomara que não esqueçam disso!

Beijinhos

Lak

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Notícias: implantes

Escrito por laklobato em 28/09/2009

Semana passada, fuçando na net, deparei-me com esta notícia, que eu achei super:
Novo implante de retina por restaurar parcialmente a visão
Cientistas do MIT [link para wikipedia] desenvolveram um novo chip de implante de retina sem fio que pode devolver a visão.
Parece que ele funciona quase da mesma maneira que um implante coclear funciona para surdos.
O olho biônico estimula eletricamente as células nervosas que levam a informação da visão para o cérebro.
O implante de retina não restaura completamente a visão, mas pode ajudar o deficiente visual a andar por uma sala, descer escadas e até reconhecer objetos e rostos.
Uma câmera em um óculos pode captar as imagens e enviá-las sem fio para o globo ocular, onde está o chip que envia os dados para as células nervosas.
A pesquisa durará 3 anos e, se tudo der certo, o implante pode estar disponível em 2013.
Seria ótimo se o implante de retina fizesse pelos deficientes visuais o mesmo que o coclear faz para os auditivos.

imagens: http://www.geeky-gadgets.com/mits-eyeball-microchip-designed-to-restore-sight-24-09-2009/

Agora, antes que vocês me deserdem: Sobre a minha cirurgia.

Enrolei esse tempo todo, porque… foi o tempo que tive que aguardar mesmo.  Era pra ter sido realizada já, logo no começo de setembro, mas infelizmente, eu não conseguiria licença, porque um monte de gente tirou férias em setembro e, obviamente, eu não estava afim de sair do hospital e vir direto pro trabalho hehe Então, ela acabou sendo adiada para outubro.

Nesse meio tempo, eu levei 3 semanas para conseguir a carta de autorização do cardiologista. O primeiro que eu fui, pediu outro exame para confirmar que a alteração que havia dado no eletrocardiograma não era nada. Fiz o exame (aquele da esteira, ergométrico, sabe?) e, quando liguei para remarcar, ele estava viajando e só voltava essa semana. Marquei um segundo cardio – sei que fui ansiosa, mas meu medo era precisar de um terceiro exame e não haver tempo suficiente para fazê-lo. Ai o segundo falou que o que tinha dado no eletro não era nada demais, que foi besteira fazer o segundo exame e eu sai da sala com a carta de autorização em mãos e uma baita cara de pastel, sabe? haha

Depois disso, a única coisa que tenho feito é lidar com a minha ansiedade e meus medos. De vez em quando, baixa uma sensação de ter 10 anos de idade e ser uma menina perdida por ter acordado sem audição, é engraçado…

Vou dando notícias, conforme tiver notícias, viu?

Beijinhos

Lak

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Acessibilidade via celular

Escrito por laklobato em 25/06/2009
Foto Divulgação

Foto Divulgação

Como todo mundo já deve estar sabendo, recentemente a Apple lançou o  novo iPhone 3GS que deve chegar ao Brasil só em agosto com um monte de recursos novos e interessantíssimos.

O iPhone deve ser um dos melhores celulares para deficientes auditivos porque dá para acesar a internet e mandar mensagens de texto numa tela razoavelmente grande.

Por outro lado, deve ser um dos piores celulares para deficientes visuais. A interface toda baseada na tela não oferece respostas táteis para quem vê o mundo com os dedos. Mas nessa nova versão do iPhone a Apple resolveu dar uma ajudinha para pessoas com vários graus de deficiência.

Abaixo algumas novidades:

VoiceOver
Ao passar o dedo sobre algum texto, o iPhone lê em voz alta o que está escrito sob seus dedos.

Zoom
Uma espécie de lente de aumento que amplia qualquer parte da tela, ideal para quem tem dificuldade para ler aquelas tetrinhas miúdas.

White on Black
Aumenta o contraste da tela.

Mono Audio
Para quem tem alguma deficiência auditiva em apenas um dos ouvidos. Faz com que o àudio dos fones esquerdo e direito fiquem idênticos.

Speak Auto-text
Lê as palavras enquantoo você digita

Além destes há um novo recurso de controle por voz que pode ser muito útil para quem tem deficiência visual ou motora e não consegue utilizar os controles da tela tão facilmente.

Foto Divulgação

Foto Divulgação

E, o que me deixa realmente feliz e animada, é ver que não é só a Apple que  trabalha pra melhoria da nossa qualidade de vida. Saca só o designer dessa capinha de silicone feita especialmente pra deficientes visuais terem acesso ao iPhone: clica no link

(Não é tipo, uma notícia super recente, mas eu só fiquei sabendo da existência disso agora.  Foi uma criação do designer portugues Bruno Fosi. Pensa nisso a próxima vez que for fazer piadinha com portugas. Você já teve uma idéia de inclusão tão legal? Se não, é melhor não fazer  piadinha com os lusitanos por enquanto!!)

Soluções de acessibilidade para iPhone
http://www.apple.com/accessibility/resources/iphone.html
http://www.apple.com/accessibility/iphone/hearing.htmlhttp://www.timobrienphotos.com/2009/06/iphone-3gs/

Se eu tenho um? Não, por enquanto tenho que me contentar com meu celular simplezinho mesmo, mas que faz o que eu preciso: mandar e receber SMS. Claro que sem tanto encanto, mas uma hora, chego lá.

Beijos enormes,

Lak

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A história dos cães guia:

Escrito por laklobato em 19/05/2009

Para manter o teor informativo do blog (e uma amiga, absurdamente fissurada em cachorro, ficou empolgadissima com os cães-ouvinte) resolvi pedir para a Ana dar uma pesquisada e descobrir a origem desse trabalho deles. Não, eu não sou exploradora, ela já tinha visto um documentário e sabia por onde procurar. Então, se estiver interessado em saber quem começou esse trabalho, segue um texto sobre a história deles: Continue lendo…

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A linguagem do tato – parte 3

Escrito por laklobato em 14/05/2009
**Soyez Patient, petit bonhomme!! (Tenha paciencia, queridinho), que esse texto é longo!!

Algumas coisas que a gente faz, sem propósito nenhum, podem gerar resultados jamais esperados.

Quando eu era criança, no local onde meus pais trabalhavam, havia uma moça que sofria de nanismo. Ela era o amor da minha vida, porque eu amava de paixão a companhia de uma pessoa grande, do meu tamanho. O destino  levou-a embora da minha vida, mas o carinho sempre permaneceu.

E eu, na minha ingenuidade infantil, jamais via uma pessoa com deficiência como alguém excluído da sociedade. Meus pais, mesmo antes de eu perder a audição, nunca me passaram essa imagem de preconceito que a sociedade teima em manter.

Falei pro meu pai recentemente, num dia que almoçamos juntos, que ele tinha me dado uma das mais importantes lições de vida e eu não sabia sequer se ele tinha noção disso.
Quando perdi a audição e meus pais transferiram a escola/consultório deles pra perto de casa (porque onde era anteriormente dificultava pra eu falar com eles, se precisasse, já que a falta de audição me impedia de usar o telefone) acabei tendo contato com o grupo de deficientes visuais que aprendiam massagem oriental com meu pai. A convivência com eles foi crucial pra afirmar a convicção –  propensa a ser bastante frágil – de que uma pessoa com deficiência pode e deve viver perfeitamente inclusa na sociedade.

Meu pai, na hora, não conseguiu emitir nenhum parecer, mas pude ler a expressão no rosto dele de satisfação, de que tudo tinha dado certo. 

E, como não poderia deixar de ser, pedi pra ele falar como foi isso, sob a ótica dele:

Continue lendo…

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