Mães que ouvem com o coração

Eu não tenho filhos. Por nenhum motivo em especial, apenas nunca tive vontade.

Mas dizer que não tem vontade nunca serve como argumento e já perdi as contas de quantas vezes fiquei horas sendo questionada porque não tinha vontade. Argumentos ou falta deles à parte, a principal pergunta que me fazem é se é por causa da surdez. Talvez até seja, vai saber se eu não fosse surda, seria tão diferente que já teria 8 filhos?

Brincadeira! De fato, surdez não é motivo para alguém não ter filhos. E mesmo que haja gente que duvide dessa capacidade, a maternidade é algo possível para a grande maioria das mulheres. E surdas ou não, realizar o sonho de ter um filho, para muitas representa o auge da realização pessoal.

Por isso, resolvi trazer ao blog uma entrevista com 4 mulheres surdas que são mães.  Para elas contarem como é essa experiência, aos curiosos em relação a maternidade e surdez!

Antonia, de 32 anos, mãe do Theo de 2 anos e 9 meses. Maíra, de 29 anos, mãe do Henrique, de 1 ano e 9 meses, Daniela, 27 anos, mãe da Julia, de 2 anos e 6 meses e Fernanda, 32 anos, mãe de Luiz Gustavo, de 1 ano e 9 meses.

DNO: Vocês sempre quiseram ser mães?

Antonia: “Sim, não foi planejado, mas me senti realizada. Essa gravidez veio quando eu menos esperava e trouxe o que mais queria.”

Daniela: “Fui uma das mulheres que sonham com príncipe encantado, com casamento de realeza, com quatro filhos e com ” viver felizes para sempre”. Hoje sou mãe de uma menina de 2 anos e meio, Júlia.  Me considero sortuda em tê-la.”

Maíra:  “Desde criança fui muito independente e responsável pelos meus compromissos e já no início da juventude eu tinha uma leve ideia de que ser mãe exigiria muito de mim e, como sempre fui carregada de responsabilidades na escola, fono, esportes e compromissos pessoais, sempre deixei de lado essa ideia de que um dia construiria uma família. Sendo mais diretamente: não, nunca pensei e nunca nem cogitei a possibilidade de ser mãe e também de ser esposa. Eram planos bastante distantes, por priorizar outras atividades do meu dia-a-dia. Apesar do grande susto, hoje não sei como pude considerar a hipótese de que não queria ter filhos. Ainda bem que tive essa grande surpresa, pois ter Henrique é algo indescritível.”

Fernanda: “Ao completar 25 anos de idade comecei a refletir de que seria mãe quando chegasse meus 30 anos, e hoje posso lhe dizer que sou mãe super realizada e apaixonadíssima por meu filho, Luiz Gustavo, que está a prestes de completar 2 anos!

DNO: Vocês tiveram dúvidas em relação a maternidade, relacionadas à surdez?

Fernanda: “No começo, sim. Muitas dúvidas, pois não tinha bons conhecimentos de tecnologia como babás eletrônicas adaptadas para surdos, câmeras ip onde pode ver o vídeo ao vídeo através dos celulares, tablets e computadores. Com o tempo de gravidez, pude pesquisar muitas coisas e tirei dúvidas com alguns casais surdos que vivem sozinhos com os filhos ouvintes ou surdos. Porém como resido na casa dos meus pais com meu marido que é surdo, estava bem tranqüila e segura já que poderia contar com eles por perto em caso de atender os choros ou barulhos estranhos.
A minha surdez não me afetou a possibilidade de ser capaz de cuidar de uma criança, apesar de que no começo, admito que fiquei um pouco assustada e julguei minha própria capacidade, mas acreditava que iria aprender muita coisa sendo mãe e que se adaptaria com o tempo.
Durante a gravidez, começamos a preocupar se teríamos ter filho surdo, já que não tive nenhum diagnóstico da minha surdez e me preocupou bastante de ser congênita e conversei muito com meus pais deste assunto, pois sabia que não seria fácil, mas, com o tempo, fui amadurecendo e aceitando a possibilidade de abrir a mão e aceitar a surdez do meu filho.
Ao completar 1 dia de vida, meu filho fez teste da orelhinha, mas solicitamos o BERA para ter certeza de que era ouvinte, e ao sabermos deste resultado positivo, ficamos felizes e emocionados. Não queríamos que ele passasse por coisas difíceis que tivemos na fase de criança mesmo com novas tecnologias, mas estaríamos dispostos de que, em caso que seja negativo, aprendermos e ensinarmos que a surdez não é um obstáculo da vida.

Daniela: “Sempre tive dúvidas relacionadas à surdez, de que forma iria lidar com a maternidade com um sentido a menos, essencial para detectar sons anormais da respiração do bebê, para atender choros durante aurora, para dirigir sozinha com o bebê a bordo já que exige uma atenção redobrada.  Não fazia idéia das babás eletrônicas adaptadas para surdos. Tudo isso porque moro a 800km da minha família. O Beto (pai da Júlia) também é surdo e a família dele é de São Paulo.

Maíra:Inúmeras dúvidas! Minha maior preocupação é se eu seria capaz de proporcionar uma vida saudável, boas escolas, enfim, para o meu filho.  Mas as duvidas nunca estiveram relacionadas à surdez. A gravidez, como não foi planejada, não havia me organizado e nem me preparado para ser mãe. Quando soube da gravidez já estava com quase 2 meses de gestação. No início foi muito difícil a aceitação, tive um bloqueio e achava que a gravidez me impediria de viver, de viajar, de estudar. Mero engano! Faço tudo isso com Henrique e com meu marido William na maior naturalidade possível.
Minha gravidez foi bem tranquila e o fato de ser surda não me fez questionar se eu seria capaz de cuidar de uma criança. Aliás, nunca nem me passou pela cabeça.  Hoje em dia tem tecnologias que servem como recursos para mães surdas e, além disso, William, pai de Henrique, é ouvinte. Sabia que poderia contar com ele quando não percebesse o choro ou chamado de Henrique.
Reconheço que tinha a preocupação da minha surdez ser congênita ou não. Apesar de ter feito um teste para saber se teria chances de ter um filho surdo (detalhe: fiz o teste semanas antes de me engravidar por pura curiosidade). O teste deu negativo. Mas minha surdez não tem diagnóstico… então a dúvida permaneceu. Durante a gravidez me perguntei diversas vezes: e se eu tiver um filho surdo? William parecia ficar tranquilo com essa hipótese. Ele dizia que como eu sou bem engajada com grupos surdos e com a educação e terapia para surdos, então que, provavelmente, seria mais tranquilo se comparado aos que meus pais passaram, por exemplo. Mas eu me cobrava muito e sabia o quão dispendioso e me preocupava a questão se daríamos conta disso, afinal, aparelhos auditivos e terapias são muito caros. O fato de talvez ter um filho surdo não me preocupava, eu sempre dizia que seria lindo ter um filho como eu. Eram os gastos e a preocupação e ter tempo para sua estimulação auditiva que me preocupava. Se eu seria capaz de ser como minha mãe.
Achei muito importante eu ter esse amadurecimento com relação a me questionar se Henrique seria ou não surdo. Tudo isso porque, com um dia de vida, Henrique fez o teste da orelhinha e fez também o BERA para comprovar que era ouvinte. Porém, no mesmo dia que foi feito este teste, recebo uma notícia bombástica: Henrique nasceu com cardiopatia congênita.
Meu mundo desabou de tal jeito… não sei por quanto tempo fiquei inerte olhando para as minhas mãos, olhando para o médico que me dava a notícia do diagnóstico. Não chorei de imediato, o choque foi realmente grande. No mesmo dia li tanto sobre a Tetralogia de Fallot (nome da cardiopatia dele), mas nada conseguia absorver. Eram tantas palavras novas, específicas da Medicina, eu me sentia uma analfabeta no assunto. Demorou muito para eu quebrar esse bloqueio e entender do que se tratava.
Aí, sim, a partir desse momento a minha preocupação de ser surda despertou o alarme. Como Henrique poderia ter crises cianóticas, me deparei com um desespero de não ouvi-lo em alguma emergência. Tive de manter a consciência de que eu tinha uma babá eletrônica e, além disso, William é ouvinte. Henrique sempre se comportou como qualquer outro bebê e nunca tivemos que parar na emergência por conta disso. Às vezes, ao redor dos teus lábios ficavam roxinhos, mas não passava disso. Eu o tratava normalmente e tinha a consciência de que teria de manter a calma e que fazia o melhor para Henrique.
Como eu não tenho família próxima (meus pais moram em Brasília) eu passei boa parte da licença de maternidade sozinha. Minha mãe veio várias vezes, mas ela também trabalhava. Eu andava com a babá eletrônica no bolso enquanto Henrique dormia e eu fazia outras coisas pela casa e, enquanto eu dormia, colocava a babá eletrônica ao meu lado. Henrique sempre dormiu no seu berço. O engraçado que minha acuidade auditiva “melhorou” muito após o nascimento do Henrique. Um sutil resmungo eu seria capaz de sentir. Acredito que deve ser um sentido extra que criamos na falta da audição e, como uso aparelhos auditivos, tenho um retorno razoável no ouvido direito, o que me auxiliava em algumas situações. Uma grande observação: raramente uso aparelhos auditivos dentro de casa, mesmo estando sozinha com Henrique.
Hoje Henrique tem 1 ano e 9 meses, fez a cirurgia corretiva com apenas 3 meses de idade, tive todo o apoio para compreender tudo que se passava com Henrique no hospital (Children’s Hospital of Pittsburgh). Minha surdez é um detalhe a parte que não minimiza ser uma mãe melhor ou não. Eu me dou o melhor para o meu filho.”

Antonia: “Não. Estava bem confiante e tranqüila.”

DNO: Qual foi a reação das pessoas próximas? Alguém pareceu duvidar da sua capacidade de criar uma criança sendo surda?

Antonia:  “A minha família fez festa. A minha mãe duvidou por causa da minha surdez (bobagem), mas depois que meu filho nasceu e surpreendi minha família pois sou SUPER MÃEZONA!”

Fernanda: “Foi muito tranqüila, todos que me conhecem até esquecem sou surda por falar  muito bem e ter ótima leitura labial. Até pensei em ter possibilidade colocar o IC para poder ouvir mais a voz do meu filho e sentir mais próxima dele. Ninguém questionou da minha capacidade e sempre fui independente e responsável desde pequena.”

Maíra: “Todos levaram um susto! Muitos sequer conheciam Wiliam, pois a maioria dos meus amigos moram em Brasília e ainda não havíamos tido a oportunidade de apresentá-lo. Os amigos do Rio, que já o conheciam, vibravam muito. Ninguém duvidou ou questionou da minha capacidade e também não mencionaram a surdez. Eu sou surda e ponto. Não me veem como surda, me veem como Maíra.”

Daniela: “A notícia foi muito bem recebida, não houve nenhum questionamento em relação a minha surdez.”

DNO: No parto, os médicos levaram em consideração a sua condição?

Antonia: “Sim, eles  se comunicaram comigo por mímica e até permitiram que eu usasse meu aparelho auditivo para poder ouvir o primeiro choro do meu filho. Foi lindo!”

Fernanda: “A minha obstetra sabia que eu sempre uso a leitura labial então a equipe foi ótima, sempre que um deles abaixava a máscara para comunicar comigo e com meu marido que acompanhou o parto cesáreo, e ele usou os aparelhos auditivos, eu estava bem atenta, olhava para ele o tempo todo. Vi ele chorar de emoção ao ouvir o choro do meu filho ao nascer, abaixou a máscara e me disse: ele fez barulhinho de choro lindo, aquele barulhinho… então imaginei naquele som, fiquei emocionada e choramos juntos. Estava sem aparelhos auditivos, porque tive contrações por 10 horas na tentativa de parto normal e não tinha paciência de usar e ficar agüentando contrações que vinham cada minuto! (risos)”

Daniela: “A equipe foi muito solicita, a minha G.O e as enfermeiras abaixavam as máscaras para falar comigo e depois levantavam de volta. No caminho da sala cirúrgica, perguntei para uma das enfermeiras se eu podia ficar com o aparelho auditivo ligado. Sim, mesmo implantada, eu me refiro ao IC como um aparelho auditivo, afinal o único objetivo das variadas próteses auditivas cirúrgicas ou não, é fazer o surdo ouvir. Então, ela disse assim: “Claro, sim, deve!”  Esse “deve” foi bem animador!
Mas o que me marcou profundamente, algo que sempre guardarei na minha cabeça até o túmulo, foi ouvir o grito da Júlia ao nascer.  Como eu nasci surda, nunca esperei que ouvir a voz dela seria a primeira coisa ao conhecê-la antes de ver o rosto dela. Foi indescritível e surpreendente!”

Maíra: “A minha equipe foi extraordinária! O meu obstetra sempre teve a consciência de que eu faço uso constante da leitura labial. Semanas antes do parto, comentei que a máscara seria um incômodo para mim. Eu estava me planejando par ao parto normal, então era mais que fundamental estar em constante comunicação com a minha equipe. Apesar de saber a língua de sinais, não pensei em ter intérprete na sala do parto. Queria apenas a equipe médica e William. Todos eles ficaram o tempo inteiro sem a máscara: desde a auxiliar aos obstetras. Foram longas horas de parto. O único que colocou a máscara foi o pediatra, pois o papel dele seria apenas receber e avaliar Henrique. Usei também os meus aparelhos durante todo o parto.
Mesmo usando os aparelhinhos, não consegui ouvir com clareza o choro do Henrique. Mas eu nem estava esperando ouvir por isso, eu queria apenas vê-lo abraçado ao meu peito. Não senti falta de não ter escutado. Eu não ouço bem, por que deveria exigir de mim, então, ouvir o choro? Magnífico foi recebê-lo e ver todo sujinho de sangue, todo perfeito e eu sentindo a respiração dele sobre mim.”


DNO: No dia a dia, você enfrenta alguma dificuldade que exija adaptação, para poder cuidar bem do seu filho?

Antonia: “Eu estava bem preparada para cuidar do primeiro bebê, li dois livros interessantes: “A Vida de Bebê” e “O que esperar do primeiro ano” (amo este livro!), também pesquisei no Google, tirei dúvidas com as minhas amigas que tiveram filhos e até participei o curso de gestante da minha empresa Furnas. Por isto estava super tranquila e prontamente receber o bebê. O choro do bebê, no primeiro dia, fiquei bem atenta nele se era fome, sono, dor, incomodo algo assim, resolvia seus problemas e também dormia com o meu aparelho auditivo direto por 24h com ele acompanhava bem nos choros ou nos gritos do meu filho. Tinha percebido o som era tudo diferente do choro, da dor, do incomodo e da fome, por isto conseguia resolver o seu problema rapidamente, … interessante, né?”

Fernanda:No começo tive toda a ajuda da minha mãe que me acompanhou no primeiro mês de vida, usei o aparelho auditivo quando dormia mesmo sabendo que ela estava por perto para ouvir, queria tentar se iria conseguir ouvir algum choro, reparei que , com o tempo e esforço, a minha audição fez grande melhoria e conseguia ouvir ele fazer respiração, barulhinho de cochilo, arroto. Com o tempo, usava a babá eletrônica de vez em quando, mas hoje em dia, durmo com ele no quarto compartilhado, com berço dele ao lado da cama e sempre durmo de aparelho ligado pois me sinto mais segura do que usar babá.”

Daniela: “Como eu só consegui comprar a babá eletrônica vibratória só depois de dois meses do nascimento da Júlia, o produto estava em falta, eu dormia com IC.  Foi bem desconfortável, eu não podia mudar de posição na cama senão o IC deslizava da orelha. O medo predominava, se eu ouvir o choro e não perceber por conta do cansaço? Colocava o despertador de cada meia hora no celular e enfiava debaixo do travesseiro. Quando veio a babá eletrônica, fiquei menos insegura. Aliviou bastante. Quando o bebê chora, o dispositivo vibra, me ajudou muito nas noites de sono. Quanto ao resto do dia, eu contava com o meu IC. Até ouvia a cagada na fralda.”

Maíra: “Eu usei a babá eletrônica por muito tempo e hoje não faço mais uso. Henrique nos chama e se eu não o escuto, o pai escuta. Já não dependo tanto como antes, pois Henrique vai atrás de mim, me cutuca, me chama e tudo flui. Durante a madrugada, quando ele acorda pedindo leitinho, o William se responsabiliza por isso. Somos uma dupla e tanto e formamos um casal que respeita os limites de um do outro”

DNO: Os filhos de vocês já tem consciencia que vocês são surdas? Como eles encaram isso?

Antonia: “Quando o meu filho tinha um ano, ele percebeu que os pais eram surdos. Como? Ele notou quando a mamãe estava com os aparelhos auditivos, ele gritava, eu atendia na hora. Num outro dia estava sem aparelho, porque fui tomar banho e meu filho me chamava e eu não atendia. Ai, ele acenou para mim, olhei para ele e ele com certeza “entendeu”, que eu era surda. E olhou para os aparelhos auditivos do papai também.”

Fernanda: “Ele percebeu que, com o tempo, que sempre dependo dos aparelhos auditivos, e sempre vira meu rosto quando não dou atenção ou ouço, ele procura me chamar, me cutuca, puxa minha roupa. Mas com meus pais, sempre chama e com a gente, nos cutuca. Procuro conversar e falo que não entendo quando ele tenta dizer alguma palavra e procura repetir. Só com o tempo vou acabar explicando a surdez minha e do pai dele, já que ele está começando a ter noção da diferença entre a gente e dos avôs.”

Maíra: “Henrique já sabe que uso aparelhinhos auditivos, mas é claro que não entende o porquê disso. Quando estou sem, ele põe o dedinho dele no meu ouvido, procurando pelo aparelho. Quando vê a caixinha dos aparelhos, ele aponta, mostra e se eu vacilar, ainda pega para eu colocar no ouvido. Parece que me cobra de colocar. Eu mereço! Ele também me cutuca e também fala bem alto “mamãenhê!!!”. Com o tempo ele vai perceber que não adianta falar alto, o jeito é me cutucar e falar bem claro, articulado. Tudo isso flui com muita naturalidade.”

Daniela: “A minha filha também é surda, o motivo da surdez ainda é inconclusivo.  Usa IC bilateral. Ela aprendeu a me chamar abanando a mão ou me cutucando. Ainda não me chama falando mamãe e estou cobrando isso. É porque eu chamo o pai da Júlia abanando a mão ou cutucando e foi assim que ela aprendeu .  Quanto a consciência dela, eu ainda não tenho certeza,  mas ela já tem noção de que ouve com os IC’s e não ouve sem eles. Quando ela vê meu IC no criado-mudo, ela pega e me dá. Isso pode ser encarada como uma exigência : “Se eu tenho que usar os IC’s, vc também tem que usar!”

Beijinhos sonoros,

Lak

7 palpites

  1. Silvia disse:

    Lak, excelente iniciativa de post! Eu não sou mãe, mas fui filha única até os 10 anos de idade. A surdez veio aos 9… quando minha irmã nasceu, eu já era surda, não usava AASI nem IC. Dois anos depois, veio meu irmão caçula… minha mãe trabalhava, e nesse período após a escola quem cuidava deles era eu! Eles perceberam cedo a minha surdez… criança tanto percebe como aceita com facilidade. Lembro que até “aprontavam” pra mim numa época, abrindo a boca como se gritassem, eu olhava e dizia: “pára de gritar, que isso?” e meu irmãozinho ria… pode??? hahahaha. Hoje ele tem 23 anos e mora comigo, e outro dia comentou que nao se acostumou ainda ao fato de que eu o ouço e entendo mesmo sem estar olhando para ele… foram muitos anos se comunicando na base da leitura labial…

    • Lak Lobato disse:

      Verdade, minha mãe tem dificuldade com isso tb. Ela para de falar quando eu viro o rosto. Essa transição é complicada para quem convive conosco, né?
      Beijinhos

  2. Carla disse:

    Que lindo, emocionante! Fantástico saber da realidade enfrentando por mães e filhos, e como isso engrandece relacionamentos e o amor. Como mãe surda sei que cada caso e uma descoberta de possibilidade, assim como essas e outras mamães que descobriram ser fortes como um leão e dons que nunca imaginaram ter 😀 . E muito esclarecedor para futuras, pois saberão que a deficiência não é limitadora. Obrigada Lak, por mais essa experiência!

  3. Marcel Ramos disse:

    Queridos amigos!
    Eu e a Camila adoramos os relatos de vocês. Vocês realmente são ótimas mães. Seus filhos são maravilhosos.

    Beijos,

    Marcel e Camila

  4. Ana Lúcia disse:

    Oi,Lak! Muito bacana esse post, sou surda e mãe de dois meninos (16 e 13 anos). Sempre quis ser mãe e em nenhum momento achei que a surdez atrapalharia esse meu desejo, meu esposo (ele é ouvinte) é uma pessoa maravilhosa, e sempre lidamos com a minha limitação, falando desde o início a verdade para os garotos, creio que e a partir daí eles foram percebendo naturalmente quais eram as minhas necessidades e se adaptaram a elas, sem nenhum grilo. Achei bem legal, a sua ideia de passar para as pessoas como é a relação maternidade x surdez. E gostaria de sugerir que você mostre também o outro lado da moeda, a relação dos filhos (ouvintes) x pais e/ou mães surdos. Bom é isto, querida! Beijo grande pra vc!