O implante Coclear da Joana [Implantada aos 7 meses]

Pessoal,

amanhã fará 25 anos que eu perdi a audição. Para quem conhece a minha história, sabe que eu perdi a audição dormindo. Acordei, um dia, completamente surda.

Durante muito tempo, isso me doeu muito, mas fiz as pazes com isso, quando realizei a cirurgia do Implante Coclear.

Mas, não foi apenas um “fazer as pazes”, eu transformei essa paz numa missão de vida: divulgar essa e outras tecnologias de “recuperação” auditiva, acolher de braços abertos quem estivesse a procura dessas tecnologias. Tornei-me uma divulgadora e uma aprendiz, porque obviamente, fazer o implante não me dotou de uma inteligência superior, só me deu acesso aos sons.

Tive – e ainda tenho – que aprender muita coisa nesse  assunto. “Estudei” sobre vários exames (outros, ainda estou para aprender sobre), sobre os vários aparelhos auditivos que existem (AASI, IC, BAHA, aparelho totalmente implantável, etc.), descobri sobre os tipos de perda, etc etc etc.  E ainda falta mais um zilhão de coisas para aprender, mas que eu tenho entusiasmo suficiente para fazê-lo a médio prazo. Ajudar no reencontro do silêncio com o som, na vida de muitas pessoas, é uma espécie de “missão”. Eu acredito que isso é uma das minhas razões de ter acordado sem audição, há 1/4 de século.

Mas, sobretudo, o que me emociona mais não é aquilo que faço pelos outros, mas aquilo que eu recebo de volta. Cada vez que alguém diz “você fez diferença na hora de decidir” ou “foi bom ter a sua companhia, durante a minha jornada”, sei que todas as dificuldades eu tive e ainda tenho, não tem sido em vão.

A maior das minhas aventuras nesse sentido foi contada ontem, na minha coluna da revista Acesso Total: O Implante Coclear da Joana.

Sei que ainda tenho muitas histórias desse tipo para contar. E  muitas para acompanhar (espero). Mas, Joana, seus pais Mariana e Bruno e seu irmãozinho ouvinte (já falei dele? Ele tem 5 anos de idade e a primeira coisa que ele me disse foi “Eu sei que tenho que falar devagar e olhando pra você, porque você não ouve igual a minha irmã”) tem um lugar especial no meu coração, porque foram meu presente de 25 anos de surdez, que há 2 anos se tornaram bem barulhentos hehe

Dêem uma passada na coluna, vale a pena ler a história dessa pequena babyborg.

No mais, para “comemorar” essa data tão… especial (porque não?):

http://www.youtube.com/watch?v=HhHwnrlZRus

(se alguém não souber o motivo de eu ter colocado essa música, é que foi a primeira das grandes emoções que eu tive depois de implantada: poder ouvir o tema desse desenho animado).

Beijinhos sonoros,

Lak

15 palpites

  1. Rogério disse:

    Li sua coluna na revista e foi inevitável a paixão imediata pela Joana. É lógico que tudo vai correr bem. Ainda não pude assistir ao vídeo do Youtube (a empresa bloqueia), mas a trilha sonora tem algo a ver com uma certa pantera, né?
    O jornal para o qual estou escrevendo me pediu para falar inicialmente sobre acessibilidade. Como o assunto é bem abrangente, serão necessários três ou quatro artigos. Já enviei o primeiro, foi aprovado e será publicado na próxima edição – o jornal é semanal. Mesmo que o tema acessibilidade inclua os surdos, conversei com o editor e ele concordou que eu faça uma matéria exclusiva, voltada para surdos oralizados e sinalizados, as diferenças e divergências e medidas inclusivas que gritam por implantação. É claro que o IC estará na pauta.
    Beijinhos barulhentos. Em você e na Joana.
    O jornal tem uma página na internet, mas me lembro do endereço. Não se esqueça de que eu sou um véio.

  2. Rogério disse:

    Ops, NÃO me lembro do endereço.

  3. Bruno Sequeira disse:

    Lak vc quando vc vai parar de me emocionar?
    bjs

  4. Deni disse:

    Que privilégio você teve em acompanhar a Joana, Lak! Lindo! E que vontade de apertar esse bebezinha…
    Só para constar, quando criança amava, e continuo amando claro, a Pantera Cor de Rosa; não preciso nem dizer que era porque o desenho não falava, apenas essa musiquinha famosa… (sim, eu ouvia com o AASI) 😀

    Beijão!

    • laklobato disse:

      Verdade! Tem sido um privilégio acompanhá-la. Mas privilégio mesmo, foi tê-la nos braços. Embora eu tenha ficado com dor por uns 2 dias, por ter ficado tempo demais com ela no colo hahahahaha
      beijos

  5. Marcelo P disse:

    Psiu! “Você fez diferença na hora de decidir”
    Lak, Lak, Lak. Obrigado por aceitar essa sua missão e conquistar a admiração de várias pessoas.
    Adoro você!

    • laklobato disse:

      Sabia que sempre conto sua história, quando falo do trabalho no DNO?
      Tenho orgulho de ter sido parte da sua decisão. E mais ainda, de ver o resultado maravilhoso que o IC te deu.
      Beijos

  6. Marcelo P disse:

    Bacana! Sem exagerar nas palavras, não sabia disso não.
    Mas sou grato a você, que sabia que “quase” desisti quando tudo parecia não ter fim, mas minha vontade de voltar a ouvir foi muito maior e você soube usar as palavras certas no momento exato.
    Obrigado!

  7. Bruno Sequeira disse:

    Eu avisei que ia ficar com o braço doendo…rs…. a pequena pesa…
    Saudades!!
    Bjs

  8. antonio disse:

    oi lak dando uma pasadinha para lhe dizer que to tendo avaliaçao de inplante coclear aradeço a vc pelo seu blog