Palestra sobre acessibilidade e um novo ponto de vista

Pessoal, lembram da Palestra que dei na 7ª Semana de Inclusão do SENAC? Pois é, ela ainda rende posts hehehe

Mas o texto de hoje, é do Diogo Toledo, colunista da revista virtual Acesso Total, que assistiu a palestra:

Meu nome é Diogo Toledo, sou escritor e diretor da Editora Aprendiz, sediada em São Paulo. Estive presente na tarde de domingo a uma palestra de minha admirada amiga Lak Lobato. A palestra fazia parte do Encontro de Acessibilidade promovido pelo Senac e foi com muito carinho que aceitei o convite.

Eu nasci sem nenhuma deficiência que gere preconceito por parte da sociedade, minha deficiência visual é facilmente burlada por lentes corretivas. Não tenho nenhuma dificuldade para me movimentar, nem me comunicar com pessoas que falem de forma fluentemente o português e o inglês.

Mas venho falar de algo que a palestra da Lak me tocou profundamente. Quando surgiu-me a ideia de montar uma editora foi para aumentar as possibilidades das pessoas que tem blogs e site e que queiram se expressar por outra forma além dessa e queiram escrever um livro. Ou seja, a meta era fazer mais pessoas “ouvirem aquela voz”. Qual não foi a minha surpresa quando a Lak, no meio da palestra disse a seguinte frase:

– Tudo que queremos é nos comunicar.

Essa frase ecoou fundo no meu coração. Quando eu tinha 10 anos fiz uma viagem para a Disney, sonho de toda criança que cresceu sobre a influência de Mickey e sua turma. Tinha 10 anos e fui sozinho para outro país cuja língua eu conhecia tão bem quanto uma ave sabe do fundo do oceano. Resultado, eu dependia de todas as pessoas da agência de viagens para falar por mim e me comunicar com as pessoas ao meu redor. Foi maravilhoso conhecer tudo aquilo com tão pouca idade, mas também pavoroso o fato de não conseguir me comunicar.

Desde então eu passei a estudar o inglês e só sosseguei quando o sabia, dessa forma consigo me comunicar com um número muito maior de pessoas no mundo, e foi, para mim, um alívio. Ao ouvir aquela frase acima, tive consciência que aquilo que eu passei de pavoroso por um mês na Flórida, algumas pessoas passaram a vida toda. E eram aquelas pessoas que estavam ao meu lado, assistindo a palestra e que além da dificuldade sofrem preconceito pelos colegas de escola e trabalho, aqueles que mais precisavam apoiar essas pessoas.

Desculpe-me, mas a deficiência que as pessoas utilizam para fazer chacota e pouco caso é aquela que faz com que eu, neste momento, ofereça a todos e a cada um em especial uma completa vênia. Sei das dificuldades de lidar com as minhas próprias emoções tem dois olhos que vêem, dois ouvidos que escutam, dois braços e duas pernas que tem alguma desarticulação, mas que funcionam muito bem. Eu não posso nem chegar perto de imaginar a dificuldade que cada um de vocês, meus queridos colegas e amigos, passam todos os dias, ao ter que lidar com as suas emoções e mais uma deficiência que trás estas emoções ainda mais a flor da pele.

Por tanto, quero dizer, com todas as letras, obrigado. Obrigado por se esforçarem todos os dias para fazerem tudo aquilo que vocês são capazes. Vocês merecem muito mais do que a maioria, porque o esforço empregado por vocês é duas, as vezes três ou quatro vezes, maior do que qualquer pessoa sem deficiência.

E quero também pedir que perdoem, perdoem à mim e aos meus colegas pelas gafes cometidas para com vocês. A maioria de nós quer ajudar, mas não sabe como nem por onde começar. A palestra abriu-me os olhos e é uma pena que tenha sido um dos poucos a terem presenciado tamanho compartilhamento de amor para com o próximo. Lak, muito obrigado por esta oportunidade e espero que você consiga atingir um número ainda maior de pessoas com suas palavras e se precisar de minha ajuda e apoio para qualquer dessas coisas, pode contar comigo!

 

Nota do Escritor: Após escrever este texto, eu quis que nossa querida Lak Lobato fizesse suas considerações ao que eu tive que concordar com ela. Minha intensão com este texto é mostrar que essas pessoas com dificuldades especiais merecem mais respeito. Eu ia separar como nós e eles, mas na real isso não existe. Todos levantamos diariamente para enfrentar nossos próprios problemas e realizar feitos.

Aqueles dentre nós que detém algumas dificuldades são pessoas que tem um obstáculo a mais e, na maioria das vezes, superam estes e todos os outros. É nas limitações que quem tem dificuldades especiais passa a frente de quem não as tem, porque eles já batalharam tanto que sabem o esforço que é superar seus limites e o fazem diariamente. Deveriam ser motivo de admiração e não de chacota. Mas são humanos. Acertam e erram. Ferem e são feridos. Amam e… infelizmente, nem sempre são amados. Mas persistem e para compensar, persistem mais. Para tornar uma longa discussão curta, EU ADMIRO.

 

Sabe, eu acho que se você consegue fazer alguém refletir – mesmo que seja apenas uma pessoa, sei lá – você pode considerar que fez algo decente nessa vida! hehehe

Obrigada pelas lindas palavras, Diogo! Chorei quando li e fico emocionada de compartilhá-las aqui no DNO!

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. Texto originalmente publicado na Coluna do Diogo na Acesso Total.

8 palpites

  1. Andrea disse:

    Amei!!!
    Chorei!!!
    E me identifiquei!!!
    Beijos,
    Déa Prado.

  2. Diogo Toledo disse:

    Lak

    Uma coisa que um grande amigo (Thiago Duarte – http://thiagoduarte.tumblr.com/) sempre nos disse: “Se uma pessoa disse, é porque muitas outras também pensaram, mas por qualquer motivo não disseram.”
    Continue com o trabalho fantástico.
    Beijos

  3. Mariana disse:

    Ele está totalmente certo! Texto perfeito, Lak.

  4. Magda Vagli Zobra disse:

    Também chorei…dificil ter pessoas com essa sensibilidade hoje em dia…
    beijos 😯